O PLANETA DOS MACACOS – Mulheres no poder, macacos no poder e o poder da BOOM studios

Por Venerável Victor ” Relações públicas, símio” Vaughan

Antes de mais nada, FELIZ ANIVERSÁRIO Diógenes Neves  (Demon Knights), um dos melhores desenhistas brasileiros no mercado internacional de quadrinhos!

Fundada em 2005, a BOOM Studios tem se mostrado uma ótima opção para – infelizmente apenas – leitores de quadrinhos americanos. A editora se especializou em lançar títulos de prestígio e em ampla variedade de gêneros, de muitos dos maiores escritores da indústria como Philip K. Dick, que muitos de nós apenas  conhecem o trabalho por “Blade Runner”, Kurt Busiek, Joe Casey, Steve Niles, Willian Messner Loebs, Phil Hester, Alan Grant, Keith Giffen, J.M. DeMateis apenas para citar os mais conhecidos escritores de quadrinhos que são notórios por seus trabalhos nas duas grandes editoras americanas, Marvel e DC.

O veterano premiadíssimo Mark Waid – que agora está à frente de uma fase muito elogiada na Marvel com o Demolidor – e na BOOM, entre alguns outros muito bem criticados títulos, escreveu “Irredeemable” que conta a saga de um super-herói do nível de poder do Super-homem e que acaba por se tornar o maior vilão do planeta. Aliás, nessa editora, Waid ocupou primeiro o cargo de editor chefe e logo em seguida o de chefe criativo três anos após assumir a primeira função, até voltar a trabalhar na Marvel. São tantos títulos interessantes, vamos citar uma parte da gama de opções da BOOM, que também conseguiu os direitos de lançar histórias com os personagens da Disney/Pixar como: Os Incríveis, Toy Story, Wall-E e os Muppets.

Incorrupitible – série derivada de “Irredeemable” um super-vilão decide lutar pela verdade e justiça. (Também de Mark Waid)

GI Spy – ação e espionagem durante a Segunda Guerra Mundial.

In the Blood – criado por Steve Niles, histórias de Lobisomem.

Cthulhu Tales – lovecraftianos contos de horror.

Enigma Chifer – contos de mistérios estilo “O código Da Vinci”

The Dominion – Alienígenas invadindo a Terra na forma de vírus que geram mutações nas pessoas.

Fear the Dead – a febre zumbi também invade a BOOM .

Hero Squared – um super-herói de verdade de uma dimensão acaba preso em outra sem poderes.

Planetary Brigade – Capitão Valor, o herói do título acima, com seu super grupo, em aventuras antes de sair de sua dimensão.

Jeremiah Harn – um criminoso é libertado para que persiga e capture mais criminosos.

Salvador – um ser geneticamente desenvolvido que pode voar…mas é feito de vidro e é o salvador de seu povo.

X isle – uma ilha misteriosa repleta de monstros…

Hellraiser – inspirado na obra de Clive Barker

Elric – um guerreiro que buscar restabelecer a ordem no multiverso.

A lista de títulos de ficção científica e do gênero “heróis” da Boom nesses últimos sete anos é de uma qualidade tal, que deixam qualquer um de nós, acostumados a ver os erros editoriais e escolhas errôneas de autores e artistas das gigantes Marvel/DC com vergonha alheia e muita tristeza por esse material não estar sendo editado no Brasil.

PLANETA DOS MACACOS   o quadrinho!

Como o selo dessa matéria mesmo alerta, vamos falar um pouco de uma de suas novas revistas, que particularmente muito me agrada, não só por eu ser um tratador conceituado de símios, ou fã de longa data da obra original do francês Pierre Boulle, espectador fiel da franquia cinematográfica americana ou ser mesmo maluco por macacos…

Escrita por Daryl Gregory e desenhada por Carlos Magno ( que também faz a arte final da revista!), essa série regular da BOOM baseada na franquia cinematográfica teve seus doze primeiros números idealizados com bastante cuidado muito antes do lançamento da primeira edição em Abril do ano passado e tem tido suas tiragens totalmente vendidas todos os meses, estreando seis meses antes do lançamento da nova franquia da Fox “Planeta dos Macacos: a origem”. Vale lembrar que décadas atrás, o universo dos macacos inteligentes já teve série própria também, lançada pela Marvel.

O primeiro arco da revista se chama “A grande guerra” e conta eventos acontecidos em 2680 d.C. , 600 anos após os acontecimentos do último filme, mas antes do astronauta Taylor – do primeiro filme – chegar em 3.954. Essas histórias acontecem dez anos após o anúncio de um código de coexistência pacífica entre Humanos e macacos, que trouxe paz e harmonia para as duas espécies… mas desde quando alguém ou quem quer que seja na história do nosso mundo, viveu em uma era de paz e harmonia?

As duas espécies estão vivendo pacificamente desde a guerra nuclear de 600 anos atrás. A civilização humana e símia, após alguns percalços chegou a um novo ponto onde está começando a desenvolver novamente algum tipo de tecnologia. Existem fábricas, aeronaves e estaleiros, além da possibilidade de se fazer mais. Os macacos são visivelmente a classe dominante, mas os humanos ainda estão muito longe de serem criaturas mudas e selvagens que vivem nas florestas.

A questão chave dessa série é a seguinte. Se “Planeta dos Macacos” é um universo em que há um círculo temporal fechado. Como é que pode o astronauta Taylor surgir 1.300 anos depois e encontrar uma sociedade símia totalmente agrária e os humanos tão regredidos à selvageria? Nós vamos descobrir as possíveis respostas aqui.

O enredo principal da série é sobre a longa guerra entre essas duas espécies. Tudo começa com um ato de violência que muda drasticamente o “status quo” dessa sociedade, que leva a uma insurreição que detona uma guerra entre os humanos e os macacos. Esse enredo pode gerar aventuras por anos na revista e claro, a ação aqui irá muito além da Cidade Gorila ou da Cidade Proibida, pois existem macacos e humanos vivendo por exemplo…na China. Toda a trama dessa nova aventura tem por base os cinco filmes clássicos e não o remake de Tim Burton ou o novo filme da Fox.

Na primeira edição, o “Legislador” que é o macaco que lidera toda essa nova sociedade mista, é assassinado por um humano que empunha uma arma de alta tecnologia que há séculos não é vista no planeta.

As duas principais personagens da série são as netas do “Legislador”: Alaya, a nova líder do conselho símio e Sullivan, a neta adotada desse importante macaco e prefeita do guetto humano conhecido como Skintown. Aliás essa é uma revista com fortes e marcantes personagens femininos.

Alaya está disposta a destruir Skintown na busca pelo assassino de seu avô, enquanto Sullivan fará de tudo para proteger seu povo, tentando achar o assassino antes que sua prima símia derrame sangue humano. E assim tem início a guerra.

Não é necessário ser um fanático pela franquia para entrar nesse universo fantasticamente bem projetado pelo talentoso roteirista.

O épico distópico mais querido do cinema, Planeta dos macacos tem persistido forte na cultura pop, como mais um universo particular e coeso como Star Wars e Star Trek sempre foram, porque ele nunca foi uma história sobre uma disputa entre humanos e macacos.

 O primeiro filme por exemplo teve uma mensagem sociopolítica fortíssima. E os seguintes da forma que era possível para a época, falaram dos nossos problemas do dia a dia até hoje atuais, tais como racismo, feminismo e intolerância. Que apesar do “fim do mundo” anunciado para esse ano, estão longe de acabar. E que mesmo a sociedade símia não conseguirá erradicar.

Planeta dos Macacos – o romance e a franquia cinematográfica aqui.

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9 comentários sobre “O PLANETA DOS MACACOS – Mulheres no poder, macacos no poder e o poder da BOOM studios

  1. Realmente o Mark Waid tá muito bem no Demolidor e quanto à Bomm, gostei muito, sem ler nada, a idéia do tudo isso que ela vende é muito interessante.

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  2. Cara, por que será que nenhuma editora brasileira se interessa em trazer as séries da Boom? Faz tempo que leio algumas e vejo que outras parecem ser bem legais, ams aqui nada. Será que isso vai mudar um dia? Uma pena isso.

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  3. Muita gente boa convidada para escrever para essa editora, e se as artes internas forem tão interessantes quanto as capas, é uma lástima ninguém aqui se interessar pelos direitos de publicação. Nos meus áureos tempos de importação, eu pediria sim algo ou “algos” da Boom. Planeta dos macacos parece ser muito maneira sim. Esse desenhista, eu não conhecia, nem o argumentista, mas a arte do cara é sensacional, combina muito bem com a revista.Outro título me chamou a atenção foram os do Mark Waid (que amo), e o do Cthulhu, H. P. Lovecraft na veia!

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  4. Agora eu quero ler “Planeta”e uma meia dúzia de outros ali em cima! Nossa, que mercado é esse! Que absorve tantas boas editoras, não é? E a gente aqui no brasil só preso ao círculo vicioso Marvel-DC e as vezes Image ou Dark Horse. Seria sonhar demais nesse dia que passou do Quadrinho Nacional, que tenhamos acesso a mais quadrinhos nacionais e essas editoras gringas que produzem com competência ?

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  5. Só pra colocar água na boca hein? Você não tem consciência, assim me leva à falência, eu não aguento mais… ah quer saber? Gibis bons e de qualidade eu quero é mais! O que as “panini” da vida tão fazendo que não publicam esse material aqui? Poxa, Planeta dos Macacos baseado na SÉRIE ORIGINAL!!!! Isso é ouro puro!
    Parabéns pela matéria…!

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