Liga da Justiça # 5: Superman assassino e Batman desmascarado… nada mais é sagrado?

Ou: “Mudanças muito radicais ou apenas evolução natural?

Uma resenha de Liga da Justiça #5 de Geoff Jonhs, Jim Lee e Scott Williams. (E também uma pequena análise sobre as novas regras de conduta dos heróis da nova geração).

Este artigo contém spoilers.

Por Rodrigo Garrit

Darkseid surge diante da “Liga”… um Darkseid monossilábico… será ele mesmo? Apesar do nível de poder e do massacre que infringiu aos ainda amadores heróis, não reconheço nenhum traço do senhor de Apokolips ali. Os raios ômega continuam tão devastadores quanto antes… travando em seus alvos e perseguindo-os até que os atinja em cheio. Ele brinca de explodir aviões e pessoas, para desespero do Flash, o primeiro a se levantar depois do ataque inicial. Superman se ergue em seguida, e como ele mesmo diz, “não está para conversa”.

O único que conseguiu se esquivar do poder de Darkseid foi o Flash, numa manobra clássica de Barry Allen, vibrando através de massa sólida, embora depois ele tenha admitido que precisou recuperar o fôlego. Superman não tem a mesma sorte e é atingido, embora provavelmente seja o único com condições de sobreviver. Após ser rapidamente abatido pelo efeito ômega, é levado pelos Parademônios. Vale lembrar que as criaturas estão abduzindo algumas pessoas ainda vivas e as levando para a grande torre que se ergueu pouco antes da chegada de Darkseid.

Os demais heróis estão em frangalhos. Não existem planos, não existem táticas. Nenhuma organização. Pensou no Batman agora né? Sim, ele é o único com a cabeça no lugar, sabe que precisa parar, encontrar os que foram perdidos e reagrupar. Bruce é o cara que enfrenta a situação com a cara e a coragem, e convence o Lanterna Verde a reunir a Liga para tentar distrair Darkseid, enquanto ele segue sozinho rumo ao desconhecido com o objetivo de resgatar aquele que pode melhorar as chances de vitória… Superman.

E quando digo com a “cara” e a coragem, é literalmente, pois ele arranca a máscara, destaca o morcego do peito, e despeja para o Lanterna Verde que é Bruce Wayne e revela sua origem em apenas um quadrinho. Ele deixa claro que isso tudo é maior do que ele… é maior do que um homem amargurado vestido de morcego buscando justiça ou vingança ao punir criminosos. Naquele momento, ele é apenas Bruce Wayne, um cidadão que vê a ruína de seu mundo acontecer diante de seus olhos e decide fazer todo o possível para ajudar. Essa cena vai causar muita polêmica… foi a coisa mais idiota que Geoff Johns já escreveu… ou a mais genial. O tempo dirá.

Bruce sai correndo pelas ruas, deixando-se ser abduzido pelo primeiro Paradêmonio que aparece, sendo levado direto para a fonte dos problemas… num improvável resgate ao Superman, tubo de explosão adentro… direto para Apokolips.

Analisando mais profundamente os novos parâmetros adotados pela DC, vemos que agora o Superman mata as criaturas alienígenas sem dó nem piedade, mas como já foi dito em análises anteriores “não é assassinato quando você está salvando o mundo”… certo? O Superman sempre dizia que havia outro jeito… mas isso era verdade ou apenas uma forma de nos confortar? Na revisão de John Byrne, ele não matou os três criminosos kryptonianos muito antes desse reboot?

Claro que o fato teve consequências… ele se exilou no espaço, se achou indigno de si mesmo… mas o fato já havia sido consumado. O Superman havia matado sim… pelo menos uma versão dele, entre tantas…
Muitas pessoas não lembram, mas no clássico “A Morte do Superman”, Dan Jurgens deixa claro que ele “matou” o monstro Apocalypse antes de “morrer”… (embora ambos tenham ressuscitado depois, o que valeu foi a intenção). Mas era uma situação extrema… muito bem… num mundo onde a vida das pessoas depende de suas ações, situações extremas devem ser mesmo frequentes…

Saibam também que ele matou – MATOU mesmo – o Sr. Mxyzptlk no clássico “O que aconteceu com o Homem de Aço” de Alan Moore… pois ao mesmo tempo em que o duende da Quinta Dimensão disse seu próprio nome ao contrário, gatilho mágico que o fazia voltar para seu mundo, Superman ativou o projetor de zona fantasma que literalmente rasgou o vilão ao meio, lançando uma metade para cada dimensão. Um ato assumidamente calculado, que também teve suas consequências… ele abandonou a carreira heroica, sendo dado como morto.

Não estou dizendo que matar é certo. E ao mesmo tempo, nem de longe quero insinuar que o Superman seja um assassino desalmado. Só estou apontando que durante a carreira dele, alguns atos extremos foram necessários. A história “Olho por olho?” de Joe Kelly, onde ele enfrenta a equipe de “heróis” Elite é o ápice do exemplo e da inspiração de tudo de bom que o Superman representa. Apesar de serem poderosíssimos, o azulão os derrota, os coloca em seus devido lugares, sem precisar matar, provando que escolhas difíceis existem sim; mas que isso não pode ser tomado como a solução de todos os problemas. Cada caso é um caso e a vida deve ser preservada ao máximo, dentro dos limites humanos aos quais até mesmo um Super-Homem está atado. São esses momentos de decisões difíceis e dolorosas que definem um verdadeiro herói. Ou um verdadeiro hipócrita.

Um última análise, será que o Superman não deveria ter dado aquele golpe final no Antimonitor ao fim de Crise nas Infinitas Terras? Na saga de Marv Wolfman e George Pérez, ele é colocado no limite de seus princípios… toda vida é sagrada… mas e se uma vida ameaça a existência de todas as demais? O final a maioria conhece… a cena em que ele massacra o que sobrou do Antimonitor jogando-o contra o sol é arrepiante.
Não é assassinato quando você está salvando o universo.  Ou é?

A versão original do Superman dos anos 30 era implacável contra os bandidos, defendia os  fracos e oprimidos sim, mas não poupava os meliantes. Justamente essa versão é espelho da reformulação feita por Grant Morrison após o reboot (ainda que muito mais amena), onde temos ainda a figura do herói, embora tenha perdido cedo demais a bússola moral dos Kent… e vai saber o quanto isso redefiniu o seu caráter. Mas essa não é apenas uma questão sobre o Superman… é sobre os futuros exemplos heroicos para as próximas gerações. A revisão do personagem é necessária, e não se trata de criar um novo Superman implacável, fruto dos novos e violentos tempos. E sim de um novo herói que garanta que um novo tempo venha a existir. Se de paz ou de guerra, isso cabe aos pobres mortais decidir.

Leia a resenha do filme O HOMEM DE AÇO clicando AQUI! 

Voltando ao gibi da Liga, digo que essa quinta edição foi rasa, superficial… um ou outro momento interessante, mas não avança em nada a história. Geoff Johns está sendo extremamente econômico. Não estou dizendo que seja ruim. Mas me lembra muito aqueles episódios de “Dragon Ball”, onde aconteciam lutas e batalhas intermináveis, com Goku e seus amigos sendo surrados, para somente algo em torno de cinco episódios depois, conseguirem dar a volta por cima e podermos ver algo diferente acontecendo.

Se Johns tem um plano, a hora de por em prática é agora. Embora seja sucesso absoluto de vendas, em algum momento os leitores vão se cansar dessa ausência de ritmo. Gosto dos desenhos do Jim Lee, embora ele não esteja em sua melhor forma… ele nunca mais vai desenhar ou brilhar tanto quanto na sua fase dos X-Men… momentos mágicos dificilmente acontecem duas vezes com a mesma pessoa, tão certo quanto um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, embora Billy Batson possivelmente discorde dessa opinião. Por falar nisso, é bom lembrar que Billy terá seu momento na própria revista da Liga em breve, em histórias curtas escritas pelo mesmo Johns, e com arte do ótimo Gary Frank… confesso que estou ansioso por essas histórias secundárias, uma vez que aguardo há tempos a redenção do Capitão Marvel e toda a Família Marvel, depois de passar por vários momentos ruins, como a troca de postos, troca de poderes, a morte e ressureição do mago, Adão Negro tendo histórias mais interessantes que o Capitão Marvel (!),  Mary se tornando uma vadia e depois perdendo os poderes, Freddy Freeman (Ex-Capitão Marvel Jr.) assumindo o manto de Shazam… enfim, fico feliz de saber que Billy voltará a ostentar o manto, e já está divulgado que suas histórias serão mais focadas na magia do que nunca. Billy será uma espécie de “Harry Potter” (com direito a óculos e tudo) aprendendo a lidar com os poderes, mas infelizmente deixará de se chamar “Capitão Marvel” e adotará para si a alcunha de “Shazam”, com certeza uma medida tomada pela DC para evitar problemas com a (editora) Marvel que detém os direitos desse nome e cuja polêmica envolvendo também Marvelman/Miracleman você pode conferir clicando aqui.

Essa edição de Liga da Justiça #5 deixa uma questão no ar: quando uma leitura termina rápido demais, é porque estava muito boa ou simplesmente não aconteceu quase nada?

Para ler as resenhas anteriores da nova Liga da Justiça, clique aqui.

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12 comentários sobre “Liga da Justiça # 5: Superman assassino e Batman desmascarado… nada mais é sagrado?

      1. Não lembro exatamente onde, mas li certa vez que o próprio disse ter dificuldade para escrever sobre o Batman, segundo ele, ele não consegue compreender as motivações do personagem (ou algo assim). Bem, talvez ele tenha se convencido do contrario, mas na praticamente tem sido diferente (ao menos por enquanto).

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  1. Eu acho que o Johns está fazendo isso de propósito para chamar atenção ao título. Eu acho que depois desse arco inicial, ele vai melhorar o passo.

    Quanto a conduta atual dos heróis, infelizmente perdeu-se aquela visão mais “romântica” do heroísmo e as HQs estão refletindo a forma como as pessoas veem o mundo atualmente. Infelizmente, esse é o tipo de herói que o público quer ver e como o Relaunch é para atrair gente nova…

    Em relação ao Shazam, acho ridículo o personagem se tornar uma espécie de genérico da modinha de Harry Potter. O ex-Capitão Marvel está muito acima deste tipo de representação.

    Finalizando, curti a resenha. Parabéns.

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  2. Má o qué isso???? Tá já entendi. O Johns tá sob efeito do “Boa Noite Cinderela” que o Lee passou a mando do chefe “Didi”! Tem certeza que é o Johns mesmo escrevendo? Aquela voz de taquara rachada ontem no Luau MTV era mesmo o Dinho cinquentão?? Reboot prá quem nunca viu gibi na vida pode ser interessante. Quando se tem um Sr. Lemire, mas em outras tentativas……

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  3. Eu curti o reboot… (no caso do Shazan é nítida a idéia de aproximar ele do Harry Potter) e nessa liga, eu estranhei a princípio não ter o Caçador de Marte (mas já estou me acostumando) e com a Mulher Maravilha retardada que o Johns escreve, essa acho que ele não sabe escrever de jeito nenhum e o negócio é esperar mudar o roteirista.(nos desenhos: claro que o Lanterna Verde ter tido uma fratura exposta e quadrinhos depois esticar o braço, pra mim foi o fim, senhor Jim Lee) Mas estou confiante que o clima superficial e “massavéio” pode melhorar um pouco, apesar da diretriz da editora de ser assim, se o Johns e o Lee abdicarem da revista depois do número doze.Detesto ler 20 páginas e NADA acontecer e olha que o arco fecha m6es que vem, não? Vinte páginas pra salvar o Super-Homem, distrair Darkseid, derrotar o cara que nào fez ainda nenhum discurso épico e salvar o mundo??? Não! Se isso acontecer vou preferir o Liefeld escrevendo mesmo e ainda com desenhos do Bachalo. Você falou em Joe Kelly…ai ai ai… bem que ele podia voltar pra DC e pra essa revista, taí, não seria má idéia.

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  4. Excelente artigo Garrit!
    Continua afiado na argumentação! Gostei de ver!
    Como desenhista admito que estou mais interessado no traço e narrativa das edições da liga do que nas histórias em si. Sou fã de Dragon Ball Z e, provavelmente por isso, estou gostando dessa pancadaria toda! Concordo que logo, logo vai cansar… Mas por enquanto tá me chamando a atenção!

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