OMAC #6 – O Quarto Mundo de Kirby! Caixa Materna! Vovó Bondade e As Fúrias Femininas! Um encontro amoroso duplo! Mas pimenta nos olhos do “Irmão Olho” dos outros é refresco.

Por Venerável Victor “Fúria Símia” Vaughan

Resenha: O.M.A.C. #6 Brother, tem SPOILER pra caramba!

Eu vou ser honesto com vocês – ué? Eu não estava sendo honesto antes??? – todo esse tempo que eu venho lendo, acompanhando as notícias, esculhambando o Dan Diddio, resenhando essa revista, não me preparou para o acontecimento que seria inevitável desde o lançamento da primeira edição, OMAC chegará ao seu fim no número #8. Apesar de detestar o trabalho dele como roteirista, editor chefe, executivo, ou ser humano mesmo, ver um título de quadrinhos, um título de algo criado por Jack Kirby ser cancelado não é algo feliz e saudável para mim. O co-roteirista Keith Giffen visivelmente tentou de tudo para nos dar o que nós, fãs do Kirby poderíamos querer numa revista baseada em um antigo conceito do “mestre”, mas a incompetência em escrever de Diddio foi mais forte e esse promissor título de ação e ficção científica nunca teve seu merecido êxito. Apesar de nesse atual número #6, os dois visivelmente se esforçarem para nos dar o que mais amamos na obra de Kirby: O Quarto Mundo.

Kevin está pesquisando por conta própria tudo o que consegue achar que o leve a entender os conflitos em que foi envolvido, desde a possível origem do satélite inteligente Irmão Olho, como os segredos da real natureza do projeto Cadmus, a aparição de Parademônios no passado, artefatos alienígenas achados pela Liga da Justiça, o homem conhecido como Senhor Incrível e tantos outros mistérios. Ao ser interpelado pelo Irmão Olho que não achou isso nada saudável, ele bate o pé e se posiciona como alguém que finalmente quer ter algum controle sobre a própria vida e isso começaria por tentar juntar essas peças dese imenso quebra-cabeça.

No trabalho, ele é praticamente forçado através de chantagem por seu amigo Terry a aceitar um encontro romântico entre ele e sua ex namorada Jolly , Terry e uma funcionária executiva do Cadmus, laboratório que trabalham. Na verdade essa executiva, que parece ter um interesse incomum em Kevin e seu trabalho é uma alienígena de Apokolips, uma soldado treinada da Nova Deusa maligna Vovó Bondade e uma vez que encontra o jovem Kho no restaurante que marcaram a “noitada” o ataca ferozmente, forçando a transformação dessa vez voluntária de Kevin, em OMAC, para preservar sua vida. “Omacativar!” (jurá que é esse o grito de transformação?)

Lógico que Kevin com uma ajuda final de Irmão Olho consegue com muito esforço derrotar a agente das Fúrias Femininas, que nada mais deseja do que levar de volta consigo para seu mundo uma “Caixa Materna” desaparecida e que estaria com OMAC. Até uma citação bastante “carinhosa” à Grande Barda foi feita aqui.

Toda a tecnologia da Caixa Materna de transformação, inteligência artificial, teleporte e tantas outras habilidades, fazem sentido de serem mesmo a fonte da tecnologia do Satélite Irmão Olho, que nessa edição declara estar em uma cruzada pessoal de defesa do planeta Terra (talvez defendendo nosso mundo das próprias forças malignas de Darkseid e Apokolips).  Para concluir, descobrimos que o grande problema de Olho com Max Lord é justamente esse, o satélite inteligente enxerga a organização Cheque-mate como uma grande força para auxiliá-lo em sua cruzada, porém totalmente disperdiçada nas mãos inescrupulosas de Lord e por isso almeja sacrificá-lo, antes que este consiga excravisá-lo ou ter acesso aos seus segredos e habilidades. A cena final da edição é muito legal, com direito a uma homenagem a Ted Kord – o antigo Besouro Azul – aqui disfarçada em painéis e situações chocantes que remetem ao desfecho do número zero de Contagem Regressiva para Crise Final.

O roteiro colaborativo dos dois roteiristas aqui procura ser cheio de energia e prazer criativo, no entanto, ele também peca como em toda série, no quesito desenvolvimento e aprofundamento. O grande e possível romance entre o “homem comum” e protagonista Kevin Kho e a pesquisadora do Cadmus Jolly ou até mesmo o amigo e colega de trabalho “safado” Terry, poderiam gerar suficiente enredo por um ano se essas relações complicadas fossem bem trabalhadas ou sequer desenvolvidas. Essa edição, com clima de Era de Prata, com direito a um encontro amoroso de dois casais amigos, buscando se acertarem e conhecerem, talvez tenha acontecido um pouco tardiamente.

O aprofundamento não feito satisfatoriamente entre a rivalidade do Irmão Olho, Maxwell Lord e Mokarri foi o segundo e igual grande deslize dessa revista. Diddio tentou da forma dele criar as bases de uma relação tensa e inflamada que se assemelharia às relações diplomáticas entre o governo Americano e Iraniano, porém sem sucesso. Mais uma pena, as possibilidades de muitas histórias e tramas fantásticas entre esses três grandes personagens manipuladores e geniais seria fenomenal.

A arte final de Scott Kolins nessa edição que tenta o tempo todo favorecer – e consegue – a premissa do desenhista Keith Giffen de assemelhar as páginas a um trabalho de Kirby, esse mês pareceu em umas três páginas ter relaxado… mas isso não foi ruim, muito pelo contrário. O uniforme de combate de Leilani tem a inspiração direta da obra de Kirby por outro lado. Afinal de contas tudo aqui é a tentativa de reviver o clima das histórias clássicas do “rei” na DC comics dos anos 70 e no geral, a revista é muito agradável visualmente de se ver, em cores e dinâmicas clássicas. A Batalha de OMAC com Leilani sendo o ponto alto, lógico.


Como uma edição única, a história é agradável de se ler, mas se formos nos ligar no contexto maior, o que é mais difícil para nós como fãs é que essa experiência toda está chegando ao fim e nos deixando com o coração pesado, pois a maior injustiça no cancelamento de OMAC daqui há dois meses é que essa “flerte” que tivemos aqui com o Quarto Mundo, Vovó Bondade, as Fúrias e tudo mais, nunca terá seu potencial de trama alcançado. Mas para o que OMAC aqui é agora, a revista do cara que manda na DC ainda hoje em dia, foi uma história legalzinha.

Imagem da série clássica de OMAC pelo traço de Jack Kirby

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7 comentários sobre “OMAC #6 – O Quarto Mundo de Kirby! Caixa Materna! Vovó Bondade e As Fúrias Femininas! Um encontro amoroso duplo! Mas pimenta nos olhos do “Irmão Olho” dos outros é refresco.

  1. Eu vou sentir MUITO a falta de OMAC; uma pena o Giffen não ter tocado o título sozinho ou pelo menos com a ajuda de alguém mais competente… (J.M. DeMatteis, cadê você??)
    É claro que não haverá outro Jack Kiby, ou outro Alan Moore… mas existem Jeff Lemires e Paul Cornells… como bem lembrou nosso amigo Nilson… se ainda estiver vivo daqui a 20 anos ainda vou gostar de quadrinhos, então espero me lembrar deles.

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  2. Disse tudo, eu começei a ler quadrinhos por influência de namoro, para acompanhar os papos, depois aquilo que a princípio era uma recurso, se tornou um prazer (desde Zero Hora que migrei para esse universo). Mas acho que faço parte da última grande geração de quadrinhos, não tenho visto o mercado se atualizar em leitores. Essa é a meta das empresas e essa política vai de encontro ao bom gosto. Por incompetência. No caso de Omac, vamos mais além, não estou por dentro dos ti ti tis , das fofocas da empresa, mais pra mim que só leio umaou outra coisa, me parece que o o azar dela foi ter sido alvo da vaidade de um cara que não sabe escrever, para inflar seu ego.

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  3. Já havia colocado na semana passada e volto ao mesmo ponto. Esse reboot infelizmente não colherá bons frutos. O camcelamento de OMAC, o domínio de Liefeld, Lee e cia dão as nuances disso. É bom ver que existem almas que tentam salvar o barco (como Lemire e Cornell), mas é muito pouco mo mar de cifras e sucesso descartável que a DC vem passando. O que será que vai se ter prá lembrar daqui há 20 anos???

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  4. É isso aí devotos, para quem curte (curte a idéia de OMAC, não a revista em si com o Diddio a frente, não querendo ser intolerante, mas é quase impossível alguém achar que ele escreve) e para quem não curte nada ou só conhece OMAC por causa da Crise Infinita ( o conceito novo e descartado com o reboot) estamos há 2 meses do final, relaxem…

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