Homem Animal # 6: O triste fim do heroico Red Thunder.

Ou: “Todos os nuances do Vermelho”.

Uma resenha de “Homem Animal” #6, de Jeff Lemire (roteiro), John Paul Leon, Travel Foreman e Jeff Huet (Arte).

AVISO: Este artigo contem spoilers.

Por Rodrigo Garrit

(Agradecimentos especiais à Pablo Ramos e Victor Vaughan da “Tropa Gorila”)

Uma coisa pode ser boa demais a ponto de ser insuperável? Digo, quando a gente gosta muito de alguma coisa; qualquer coisa, um filme, um gibi, um livro, um autor… no fundo você sabe: nunca ninguém vai ser ou fazer melhor. Falando em filmes, vamos colocar os clássicos de Hitchcock ou Charles Chaplin nesse exemplo. Dois gênios de gêneros distintos, o suspense e a comédia (de repente me pareceu errado classificar Chaplin como “comédia”… não que não fosse, em seu mais fino trato, e nem denegrindo os grandes mestres da comédia… mas ele me parece estar alguns passos além… pelo menos eu me sinto assim a respeito dele). Pois bem, é possível que os privilegiados que acompanharam esses dois cineastas achassem que ninguém nunca faria filmes tão bons ou melhores do que os deles. E talvez estivessem certos. Ou quem sabe houve aqueles que odiavam filmes. Gosto é gosto.  Mas o tempo passou e nos trouxe outros ventos, outras mentes e outras formar de criar, mas sempre trabalhando em prol da arte. Eu citaria como exemplo… Woody Allen e Ridley Scott… e não quero comparar “Alien, O Oitavo Passageiro” com “Disque M Para Matar”. O que eu quero é colocar todos esses mestres sentados na mesma mesa, olhando-se como iguais. É pedir muito?

E onde eu quero chegar com toda essa conversa?

Havia um cão morto na estrada por onde eles passaram. E sua carcaça já estava podre.

Estava ficando bem escuro do lado de fora, e só havia incerteza quando se olhava pela janela do trailer que seguia lentamente e sem destino. O único que parece manter a razão é Sr. Meias, o gato falante. Ele diz que a esperança da humanidade frente à extinção de todos os seres vivos, é encontrar o homem chamado Alec Holland, pois ele tem grande poder e também combate o Podre.

Como vimos anteriormente, existem forças invisíveis que comungam com a vida. Uma delas é o Verde – regido pela vida vegetal, e o Vermelho, pela animal. E existe também aquela que é oposta a ambas: o Podre.

No interior do veículo, a família Baker tenta manter a calma e a normalidade apesar situações bizarras pelas quais acabaram de passar, conforme visto na edição anterior. Cliff, por exemplo, assiste a um filme de super herói em seu celular, mas infortunadamente, a bateria acaba. Maxine, a garota mais importante do mundo segundo Sr. Meias, segue tranquilamente observando a tudo com seus olhos infantis.

Dentro do trailer, a família reunida foge de forças que não compreende, experimenta outros níveis de medo e nos deleitam com o mais puro e refinado terror.

O que mais pode ser feito no título do Homem Animal? O que Grant Morrison, Peter Milligan e os outros autores que trabalharam nele durante sua estadia no selo Vertigo não desconstruíram no personagem? Qual teoria metafísica não foi experimentada, qual dose de ópio ou magia? Qual mensagem pertinente ainda não foi passada, qual exemplo não foi dado? Qual suspense e diversão não nos foi apresentado? O que ainda não nos surpreendeu?

Como inovar quando se trata do herói mais experimental, cult e bizarro dos quadrinhos?

Simples. Coloque Jeff Lemire para escrever a revista.

Quando se pensa que nada mais pode ser feito, que nada mais pode superar suas expectativas… o que foi desconstruído? Fui eu, leitor. Pego de calças curtas, processando a informação. Pensando coisas do tipo: “É tão simples… como não pensei nisso antes”?

Mas as coisas mais inteligentes são assim mesmo. Simples e sensacionais. Como essa edição de Homem Animal, sobre a qual vou evitar dar mais spoilers. É um presente meu para vocês: tenham o prazer de ler essa revista, acompanhem essa série.

Quando eu li “Homem Animal” de Grant Morrison, eu já gostava de quadrinhos, mas a partir dali, eu deixei de ser apenas um leitor. Foi quando eu decidi que queria escrever quadrinhos. Tá, eu sei que já contei essa história antes, então não vou aborrecer vocês com isso de novo. O que eu quero dizer, é que naquela época, eu achava que nunca ninguém escreveria melhor o Homem Animal do que Grant Morrison. Era algo insuperável. Mas hoje eu tenho o privilégio de viver numa época em que posso acompanhar as aventuras do homem com poderes animais, escritas por Jeff Lemire.

Nota: 10

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11 comentários sobre “Homem Animal # 6: O triste fim do heroico Red Thunder.

  1. Mesmo após a saída de Morrison, o título do AnimalMan pela DC/Vertigo continuou bastante inovador! Anida me lembro da últimas sagaa antes da revista ser cancelada em 1995, que tratava sobre os memes e de como eles colonizaram o mundo através das ideias (espécie de virus parasitas) inoculadas nos seres humanos. Coisa de louco!
    Esta fase atual faz um bom apanhado daquele que, no meu entender, foi um dos melhores gibis da Vertigo (e, volto a repetir, mesmo a pós a saída do Morrison!!

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  2. Essa história foi bem sacana mesmo, mas exatamente essa “pegadinha” que é feita com a gente chamou minha atenção… nada é pior do que essas hqs previsíveis, então quando eu vejo um autor que ainda tenta surpreender de alguma forma eu fico feliz. Ele podia fazer historinhas ecologicamente corretas, uniformes coloridos, vilões fanfarrões, mas em vez disso ele tá seguindo a linha do terror, jogou a cartilha do super heroi fora e ainda tira uma onda com a nossa cara! Eu adorei! hahahaha… eita, daqui a pouco to fazendo outro post aqui… acho que de repente eu faço um copiar/colar nisso aqui também nos comentários!É bem capaz….
    Mais uma vez brigadão pela ajuda…!

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  3. Por falar nisso eu to acompanhando essa serie do Homem Animal, Veneravel me apresentou, deu um briefing ne me passou os arquivos. o AMANDO, e a ideia de sacanear geral com esse filme e adiar o apice foi F de engolir, mas ta muito bem feito. Ei! Isso que eu escrevi pode ser meu comentario no post, acho que vai rolar um Ctrl C Ctrl V Ç:-)

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  4. Dizer que Homem-Animal é a melhor coisa que a DC faz ultimamente é chover no molhado, é muito bom, o desenhista T. Foreman vai sair eventualmente daqui há alguns meses, mas vai continuar como capista, no lugar entra um veterano no personagem, da época da Vertigo, o Steve Pugh que não deixa a desejar em nada.

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  5. Cara, tô louco para ter isso na minha coleção quando sair no brasil, tomara que a panini faça uma revista do homem animal, monstro do pântano e liga dark juntos e não bote eles separados naqueles mix toscos de R$ 15.

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