BATMAN # 4 e # 5: Pode o maior detetive do mundo ser passado para trás?

Ou: “Ele é apenas um pobre órfão com uma imaginação muito fértil…”

AVISO: Contém spoilers.

Uma resenha das edições #4 e #5 do novo título mensal do Batman, escrito por Scott Snyder e ilustrado por Greg Capullo e Jonathan Glapion.

Por Rodrigo Garrit

Santa duplicidade! Duas edições de Batman numa tacada só.  E o Duas Caras nem dá as caras…

Continua a jornada investigativa de Batman sobre a Corte das Corujas. O misterioso assassino “Garra” parece estar sempre alguns passos à frente de Bruce, e logo ele percebe que deve reconsiderar algumas verdades que antes acreditava serem absolutas. O passado dos Wayne é novamente revisitado, e novas armadilhas para morcegos são preparadas.

Batman é jogado nesse labirinto de intrigas, onde precisa considerar a possibilidade de ter cometido um grave erro, e descobrir que seu inimigo mantém uma vantagem tática sobre ele. Mas Bruce está perdido nesse caminho vertiginoso, sua saúde mental está seriamente comprometida. Ele foi drogado? Ou apenas agora ele percebe o real  sentido de suas motivações?

Um homem contra uma seita secreta, algo maior do que o Batman, maior do que Gotham. Algo muito mais antigo. Ele subestimou o inimigo, se deixou fragilizar demais, e agora vai pagar o preço.

Scott Snyder tem feito algumas proezas ultimamente. Co-criador e roteirista regular do título “Vampiro Americano” do selo Vertigo, sucesso de público e crítica, ele começou a escrever uma elogiada fase de Batman mesmo antes do reboot. Ele também assumiu os roteiros do Monstro do Pântano, que há tempos não chamava muita atenção, desde o sucesso que era na época em que era escrita por Alan Moore. Snyder entende de terror, e se mostrou também capaz de elaborar arcos interessantes para o Homem Morcego, introduzindo sequencias com bastante suspense e quebra-cabeças dignos do maior detetive do mundo. A nova revista escrita por ele tem sido uma das leituras mais interessantes entre os “bat-títulos”, belamente ilustrada por Greg Capullo, ex-desenhista do personagem Spawn, que emula o traço do criador do mesmo, Todd McFarlane, embora imprima nele seu estilo próprio.

Mas o que faz uma história em quadrinhos ser interessante não são apenas os belos desenhos ou autores verborrágicos, mas um conjunto de elementos que se harmonizam e conduzem juntos, texto e arte, com ritmo e fluidez. Essa parceria tem acontecido entre os autores de Batman, e tem agradado aos fãs, alternando momentos pueris com a medida certa de suspense. Não se compara ao seu trabalho atual em Monstro do Pântano, que é de longe muito superior, mas cumpre a sua função e ganha momentos realmente dignos de nota. Em outros tempos, sua passagem pela revista seria celebrada com mais entusiasmo, mas muitos bons autores têm escrito a revista do Homem Morcego com competência, salvo alguns deslizes no percurso, todos parecem querer manter o padrão instaurado por Grant Morrison, que elevou o nível das histórias desde que começou a atuar no universo do morcego.

Escrever uma mensal do Batman é uma baita responsabilidade. Mas Snyder está dando conta do recado.

Nota: 9,5

Quer ler as resenhas anteriores? Clique em Batman #1 e #2 e Batman #3

Confira também nossa matéria explicando em ordem cronológica e em detalhes o retorno de Bruce Wayne. 

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4 comentários sobre “BATMAN # 4 e # 5: Pode o maior detetive do mundo ser passado para trás?

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