RAPINA E COLUMBA # 6: É Carnaval é curtição… mas tá na hora de caírem algumas máscaras.

Ou: “A recompensa do incapaz”.

Uma resenha de Rapina e Columba #6, escrita, desenhada e arte finalizada por Rob Liefeld.

Por Rodrigo Garrit

Este artigo contém spoiler e para fins dessa resenha em particular, esse gibi é uma lata de lixo, e eu fui jogado de cabeça nessa sujeira. Bom carnaval a todos…

Rapina e Columba estão em Gotham enfrentando o Arrasa-Quarterão, que vem roubando artefatos de museus. No meio da batalha, Robin interfere, o que possibilita a fuga dele, mas o “garoto prodígio” diz que jogou um sinalizador no fugitivo, e eles partem em busca dele. Ao chegar no local onde ele se encontra, deparam-se com uma feiticeira que está recolhendo os artefatos roubados pelo Arrasa-Quarteirão para criar algum tipo de portal para outra dimensão, a fim de invocar poderes superiores. Batman surge e se une a eles contra essa ameaça.

Bom, como sempre, os “roteiros” de Rob Liefeld são desprovidos de “comos” e “porques”. Não sabemos como Rapina e Columba rastrearam o Arrasa Quarteirão até Gotham, não sabemos as motivações dele (está sendo controlado ou é cúmplice da feiticeira?) E essa feiticeira, a tal “Necromancer”, que tem a manjada missão de reunir artefatos místicos para abrir um portal… para onde? Qual a finalidade? Que tipo de poderes ela deseja invocar?

Parece o enredo básico de qualquer joguinho infantil de RPG. Mas consegue ser pior. A descaracterização dos personagens é gritante. Rapina, o “narrador” da história, parece um adolescente de 14 anos, sem nenhum foco, nenhum objetivo definido… é claro que, originalmente, Hank Hall não é nenhum catedrático centrado e meticuloso, ele de fato é um valentão briguento, mas mesmo assim, conseguia ter algum conteúdo, e o personagem passou por uma grande evolução depois de sua volta do reino dos mortos na saga “O Dia Mais Claro”, e era capaz de travar alguns diálogos interessantes, como é possível ver nas histórias das “Aves de Rapina” escritas por Gail Simone.

O que temos aqui é uma sucessão de personagens estereotipados e caricatos. Rapina e Columba parecem dois fantoches repetindo as mesmas frases de efeito. Batman fala igual a sua versão do seriado dos anos 60, mas a diferença é que os diálogos são muito ruins. E o Robin, Damian Wayne, é um Robin genérico, com exatamente a mesma cara de Tim Drake, quando foi desenhado pelo “artista” na revista dos Novos Titãs.

Correndo o risco de ser repetitivo: os desenhos estão muito, muito ruins… a anatomia humana totalmente deformada, os cenários fora de perspectiva, os prédios incrivelmente mal desenhados… se fossem reais, tombariam um em cima do outro, em efeito dominó. Destruiriam Gotham mais rápido que o terremoto.

Em dado momento, um amuleto místico “aparece” no pescoço do Rapina, e é roubado pelo Arrasa Quarteirão. Mas esse amuleto…hmn… desculpem, deixem eu me recompor… ok.. eu to bem, eu to bem… vamos continuar…

Esse amuleto NÃO ESTAVA no pescoço do Rapina nos quadrinhos anteriores. MEU DEUS! Será que ele achou que só precisava desenhar aquela porra na hora que ela precisasse aparecer??? Será que o amuleto tem o poder de ficar invisível??? Custava AO MENOS ter dado essa desculpa esfarrapada? PELO AMOR DE DEUS! O cara ESCREVEU o roteiro e depois DESENHOU. Ele ESQUECEU que era pra ter um amuleto no pescoço do infeliz do Rapina???

Pausa. Vou tomar um ar. Vou beber uma água. Uma Vodka. Rever os meus conceitos…

Tudo bem amigos, voltei. Estou mais calmo. Vamos continuar e tentar acabar logo com isso…

Esse número da revista tem MUITO texto… mas muito texto inútil, fraco, pobre… qualquer aluno do ensino fundamental escreve diálogos melhores.

São tantos clichês, tanto lugar comum…algo absurdamente amador, não que um amador não seja capaz de produzir boas histórias em quadrinhos… já li fanzines maravilhosos… mas ele é amador no pior sentido possível da palavra. O enredo não faz sentido… as supostas explicações para os eventos sobrenaturais que ocorrem me lembram as saídas encontradas pelos roteiristas do extinto desenho animado “Superamigos”… mas esse desenho era voltado para um público infantil, e mesmo com sua forma pueril de apresentar explicações para os problemas, tinha sua qualidade, sendo até hoje lembrado e cultuado pelos fãs mais saudosistas. As “soluções” apresentadas pelo roteirista dessa revista não convencem ninguém, mesmo que você tenha seis anos de idade. É de dar pena. Mas então me lembro que esse acéfalo foi recompensado com o texto e a arte de VÁRIOS títulos da DC, enquanto MUITOS artistas de VERDADE, pessoas com genuíno TALENTO, simplesmente não tem nem chance. Então tudo o que me resta sentir é REVOLTA…!

E no final dessa edição, ainda somos abrigados a ver a poderosa bruxa “necromancer” usar uma BOMBA DE GÁS para encobrir sua fuga…

Até seus poderes eram genéricos.

Nota: Ah, Rob, pelo amor de Deus… se manca seu verme incompetente, farsante, vai procurar tua turma… você é uma FRAUDE!!!

Pérolas do Liefeld:

“Eu acerto ele nas bolas… força total”.

“Podem duas duplas dinâmicas fazer um quarteto fantástico”?

“Um Robin e uma Columba… dificilmente aves de rapina. Seu sacrifício para os reinos deverá fortalecer o feitiço”.

“Então eu descarrego tudo o que tenho…com um cruzado na lateral da cabeça dele. Tenho quase certeza que ouvi o cérebro do cara ricochetear dentro daquele crânio duro, e o garotão teve bons sonhos”.

“O único ‘vermelho’ que a bruxa maluca vai ver é o sangue que nós vamos espalhar impedindo ela e suas ilusões de nível Voldemort”.

…Mas esperem, fiéis devotos… não vão embora ainda. Primeiro, observem atentamente a imagem abaixo:

E aí? Lembraram de alguma coisa? Muito bem, só pra tirar a dúvida, vamos olhar agora essa outra imagem:

DROGA! ELE FEZ DE NOVO!!!!

Resenhas anteriores de Rapina e Columba? Clique aqui.

Anúncios

12 comentários sobre “RAPINA E COLUMBA # 6: É Carnaval é curtição… mas tá na hora de caírem algumas máscaras.

  1. Cara, um profissional homenagear uma cena num quadrinho só tem sentido quando há uma razão pra isso… Tipo a Pietá de Michelangelo que deu origem às imagens da Jean Grey morta nos braços do Ciclope na fase da Fênix Negra por Byrne ou a da Supermoça nos braços do Super-Homem na capa de Crise nas Infinitas Terras por Pérez. Agora plagiar uma imagem clássica sem motivo aparente é foda! Santo Deus! Queima ele Chessús! Mata tuto! Tátátátátátátátátátátátátá

    Curtir

  2. Eu li isso em algum lugar e acho que faz sentido…o Liefeld tem um contrato com a DC que não pode mudar a forma de desenhar assim como o Ronaldinho não podia por contrato mexer nos dentes (qual dos dois? Ambos tem dentes horrorosos).

    Curtir

  3. MUITO BOA A RUA RESENHA, MAS O QUE NOS RESTA É NÃO COMPRAR ESSAS BOSTAS, PORQUE NA CERTA ELE TEM UM GRANDE APADREAMENTO, ENTÃO NÃO VAI FALTAR TRABALHO PARA ELE .

    Curtir

  4. liefeld não pode ser proibido de desenhar alguma coisa, e acho menos mal q a dc tenha dado um título de menor importância ao mala. Mas deixá-lo usar as figuras de Batman e robin… bom, também não são exatamente Batman e Robin… rs. mesmo assim… MAS Q MERDA, SERÁ Q NÃO DÁ MESMO PRA EVITAR Q PELO MENOS ESSE AÍ DETONE COM PERSONAGENS LEGAIS?!

    Curtir

  5. Eu ia deixar pra ler sua resenha amanhã de manhã quando acordasse, mas não consegui, queria dar umas risadas antes de mimir. AUHAUAHAUAHAUAHUA as custas do seu sacrifício em ler essa revista que só a mãe do Liefeld lê…mas peraí! Eu vi em algum lugar que ela é deficiente visual….então tá, ninguém lê mesmo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s