Eu, Vampiro # 5 – Gotham City contra os mortos.

Ou: “O vampiro e o homem vestido de morcego”

Por Rodrigo Garrit

Uma resenha de “Eu, Vampiro” #5, com roteiros de Joshua Hale Fialkov e arte de Andrea Sorrentino.

“I, Vampire” criado por J.M. DeMatteis e Tom Sutton

Este artigo contém spoilers.

Um trem vindo de Boston chega vazio a Gotham. Apesar dos sinais de sangue e violência, nenhum corpo é encontrado. O vampiro Andrew e seus amigos John e Tig estão chegando na cidade, Andrew segue o vínculo psíquico que mantem com Mary – A Rainha do Sangue – e ex-amante dele, que pretende levar a escuridão a todos os cantos do mundo. Tig, a jovem “caça-vampiros”, não pode ser exatamente chamada de “amiga” do vampiro, pois apesar de trabalhar com ele, pretende mata-lo na primeira oportunidade.

Os três chegam até o antigo tribunal da cidade, onde no passado havia celas subterrâneas onde os presos aguardavam julgamentos. Batman se junta a eles e depois de uma abrupta apresentação, descobrem que as vítimas do trem estão confinadas nessas celas, prestes a sofrer a transformação que os tornará um exercito incontrolável de vampiros…

Mais um capitulo desse lento, porém interessante conto de terror, trazendo o mito dos vampiros para o universo DC e fazendo-o interagir com seus maiores heróis. Aos poucos ficamos sabendo mais sobre o passado dos coadjuvantes e suas ligações com Andrew, que é um vampiro mais antigo do que se pensava. Isso explica a extensão de seus poderes, e as habilidades que os vampiros mais jovens não possuem. Apenas Mary parece se equiparar a ele nesse quesito, até o momento.

Eu não conhecia o trabalho do roteirista Joshua Hale Fialkov antes dessa série, mas gostei da caracterização do Batman feita por ele. Embora tenha começado bem timidamente, a história vem se desenvolvendo bem desde a ultima edição e podemos começar a perceber que de fato existe um planejamento para os fatos que estão ocorrendo. Batman, como era de se esperar, não se intimida diante da ameaça sobrenatural e mantém sua postura de xerife de Gotham. Ele aceita unir forças com o vampiro, um tanto a contra-gosto, mas aos poucos percebe que essa decisão pode salvar sua vida. Tig não ajuda muito nessa parceria, instigando Batman a matar Andrew. Mas o Homem Morcego rapidamente percebe o tom da peça em que estão atuando. Tig ainda não sabe que Andrew matou seu pai na edição anterior, quando ele se transformou num vampiro violento incapaz resistir a sede de sangue. Não que isso vá mudar muita coisa, uma vez que ela almeja matar seu “amigo” de qualquer forma… afinal de contas ele é um vampiro… e vampiros bons são vampiros mortos. Certo?

O grande conflito da série, com esse efeito “anti-crepúsculo” (Amantes Vampiros, ex ou eternamente apaixonados, separados pelo estilo de vida psicopata da mocinha que não hesita em estripar seus inimigos) nos leva a pensar aonde esse romance mal acabado vai parar. Andrew vai ceder a escuridão? Vai tentar trazer Mary de volta, ou vai enfiar… uma estaca em seu… peito?

A revista tem grandes cenas de violência, algumas bem realistas e condizentes com a temática proposta pelo título. Existe uma tensão constante, os personagens nunca conseguem descansar, sempre imaginando quem vai apunhalar quem pelas costas.

A cena do despertar dos novos vampiros é especialmente tensa, lembrando muito um ataque de zumbis no melhor estilo “The Walking Dead“. Conforme Andrew explica, ao se transformarem pela primeira vez, os jovens vampiros ficam completamente descontrolados e desprovidos de raciocínio, avançando como uma manada de mortos em busca de sangue humano para saciar sua sede irrefreável.

“Quase” irrefreável, Andrew diria.

As participações especiais têm ajudado a enriquecer e alavancar esse gibi. No número anterior, tivemos o reforço de John Constantine, velho conhecido das aberrações de todos os tipos. Apesar de trazer o velho e conhecido tema dos vampiros, essa HQ traz um protagonista pouco conhecido, mesmo tendo várias histórias publicadas no passado, ainda que numa cronologia pré-reboot, onde a continuidade pouco influencia as histórias atuais.

Se é a redenção do mito dos vampiros ou apenas mais uma tentativa medíocre de lucrar com o tema, só tempo vai dizer.

Nota: 8.0

Resenha anterior de Eu, Vampiro? Clique aqui. 

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7 comentários sobre “Eu, Vampiro # 5 – Gotham City contra os mortos.

  1. Histórias de vampiros tem aos montes, boas histórias nem sempre, essa revista parece ser legal e não foi limada entre os 6 títulos que a DC cuspiu fora de sua grade de produção, então, tá fazendo bonito levando-se em conta também seu caráter experimental. Boa!

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  2. Vampiro tudo bem, (é uma criatura morta) mas aí eu começo a ler esse título…curti a arte, achei expressionista como a revista pede…você ta me convencendo de que o roteirista é bom…aí vem um putinho de um editor e diz: “Bote um pouco de zumbis! Está faltando zumbis e zumbis alavancam as vendas” aí, neguinho, Danou-se. Eu fico como??? Detesto morto vivo, só leio o Desafiador – Deadman – porque ele ta morto mesmo, Nego tem que se definir…ou ta morto, ou ta vivo, porra!

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  3. Vampiro virou moda, fato. Na verdade, sempre foi um tipo de fascinação pra todos, mas de uns anos pra cá, virou a modinha com suas modificações.

    Mas se a história for bem contada e levada com cuidado, acho valida qlqr tentativa. Hoje em dia, qse nada mais se cria, tudo parece uma copia de algo que já foi. Então a sacada está em levar a história de uma forma nova, ou no minimo interessante e cativante. Espero que seja dessa forma que esses vampis ai estejam sendo postos a baila. =)

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    1. Concordo e esse é o grande desafio; vamos lembrar que não é fácil pra um roteirista tocar um título mensal com qualidade… por isso acho que quando um escritor de quadrinhos é bom, ele é BOM MESMO..

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