“Quando universos colidem”: Turma da Mônica Jovem #43

Por Rodrigo “Espírito da Floresta” Broilo

Você sabe, instintivamente, quando um momento ou coisa é importante. Se você é fã de quadrinhos, isso grita na sua cara.

Pode ser uma primeira edição, uma edição 100, um grande encontro, uma grande saga, a primeira edição em espanhol daquele herói hispânico, um casamento gay, uma identidade secreta revelada em público, um crossover, etc. A história nem precisa ser tão boa, mas o momento é histórico e importante.

Esse é o caso de Turma da Mônica Jovem #43, que reúne os personagens da Turma da Mônica, levemente crescidos, com os personagens de um dos maiores nomes dos mangás, Osamu Tezuka. Astro boy, Príncipe Safiri e Kimba, juntos com os jovens Cebola, Mônica, Magá, Cascão e Franja em uma história politicamente correta de prevenção da Amazônia é algo que seria inimaginável para muitas mentes anos atrás.

Vamos combinar que Maurício de Sousa tem se tornado, digamos, “atrevido” de uns anos pra cá. Primeiro ele saiu da editora Globo e foi para a – ora amável , ora odiosa – Panini Comics. As histórias começaram a ter uma maior pitada de humor e atualidade e não só a conotação moral de sempre. E quando menos esperávamos – badabim, badabum! – temos histórias com a mesma turminha de sempre, mas agora jovem. E quer mais? Em estilo mangá! Muitos, como eu, podem ter achado que não vingaria, mas chegou a mais de 40 edições (o que equivalem a mais de 3 anos).

Isso sem mencionar que ambas as cronologias (infante e jovem), tem suas versões español e english!

Então Maurício de Sousa completa 50 anos de carreira e lança um projeto vitrine como MSP50 (Maurício de Sousa por 50 artistas), que rendeu as continuações MSP+50 e MSPNovos50, reunindo mais de 150 nomes conhecidos e novidades na arte de desenhar quadrinhos no Brasil, entre humildes e egocêntricos. E para 2012 estão prometidas Graphic Novels com os principais nomes da Turma da Mônica, em 4 projetos, com 5 grandes roteiristas/desenhistas.

E agora isso, um crossover Brasil/Japão (ou Maurício/Tezuka) como nunca se viu antes. Maurício de Souza sempre foi, antes de um desenhista/roteirista, um fã. Fã de Will Eisner, escreveu uma lista homenagem em seu site ao saber da morte do Ídolo, além de uma linda ilustração do Penadinho vestido como “O Espírito”. Quando Sérgio Bonelli partiu para a Terra 2, em 2011, foi a despedida de outro amigo. E com Osamu Tezuka parece ser a realização de um sonho de fã. Bom, pelo menos é o que aparenta pelo diálogo publicado no fim dessa edição.

A primeira vista você fica em dúvida. “Como isso pode funcionar?”. Como Astro pode estar junto dessa turma sem parecer deslocado? Como Safiri, do clássico “A Princesa e o Cavaleiro”, pode interagir com eles? Mas aí, você vai até a Banca, entrega R$7,50 a moça e vê que sim, tudo isso é possível!

Eu nunca fui muito próximo dessa Turma Jovem. Não li nada, além da polêmica edição #5, onde a Denise fala em portugays. Não posso avaliar a dinâmica das histórias, pois não sei se essa edição foge da linha Jovem ou não, mas que ela é muito diferente da versão Turminha ela é. E embora minha fase mangá tenha terminado há quase uma década, eu sempre fui muito mais Toriyama do que Tezuka, embora qualquer leigo, como eu, em mangás saiba da importância e imponência do legado de Tezuka para os mangás, animes e, recentemente, cinema.

O que se conclui dessa primeira parte da saga “Tesouro Verde”, é que “Querer é Poder”. Sim, Maurício e sua equipe quiseram, e estão fazendo. A história ainda está começando, mas Cascão e Magali são de longe os personagens mais gostosos de se ler e ver, já que Cebolinha continua um pentelho e a Mônica invocada, ou seja, eles só cresceram. Os dramas pertinentes às histórias de Safiri e do pequeno robô Tobio, são introduzidos em meio a um pano de fundo de preservação ambiental baseada em sustentabilidade, o uso de tecnologia e de Kimba como espírito protetor da floresta Amazônica. Ainda veremos o espião Rock Holmes aparecendo na próxima edição, bem como Mônica descobrindo o segredo de Safiri.

A introdução do Professor Licurgo, correspondente ao Louco da Turminha, é como uma cola entre as histórias, já que ele serve de “cientista renomado” ao lado dos Drs. Tenma e Ochanomizu, como esclarecedor de histórias, e se eu não estiver enganado, como traidor da equipe. Mas isso é um palpite.

A história receberia facilmente um B+, já que tem muito a desenvolver, (quem conheça melhor de ambos os mundos pode, com certeza, curtir mais) mas o projeto deve receber honras e láureas, pois abre portas a novas iniciativas desse tipo, juntando personagens tão diferentes, mas comuns a tantas infâncias. Quem sabe tais encontros não se repitam? Quem sabe outros personagens de mangá não apareçam em nossas edições? Quem sabe crossovers brasileiros não ocorram?

Vai saber?! Só podemos duas coisas agora, graças a ideias como essa: aproveitar e sonhar.

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7 comentários sobre ““Quando universos colidem”: Turma da Mônica Jovem #43

  1. Parabéns “Grant Morrison de Contagem” essa matéria foi muito legal e para deixar registrado, nomes como – lógico – Mauricio de Sousa e outros como: Sérgio Bonelli e Osamu Tezuca na mesma matéria é uma ótima forma de homenagear o aniversário de WILL EISNER , nesse dia, 6 de março!

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  2. certa vez li uma edição de luluzinha jovem. peguei trauma! sou fã de tezuka e vou dar uma chance! pior se eu curtir e correr atraz das 39 edições anteriores!

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  3. Adoro Osamu Tezuka e sempre gostei do Astro. A Turma da Mônica sempre foi muito conservadora, mas de fato tem ousado bastante nos últimos anos. Os álbuns de luxo do Maurício são um marco dos quadrinhos brasileiros.
    Fiquei curioso sobre esse encontro…

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  4. A Turma da Monica Jovem é bem gostosinha de ler! As histórias são bem amarradas com diálogos e tiradas interessantes! Só tô grilado que essa edição até hoje não tá aqui em Goiânia!!! Absurdo!!! Letícia, sugiro que vc leia a edição nº 34! Na minha opinião a melhor até agora! E detalhe: ela vendeu mais que Justice League 1 (pós reboot) de acordo com Rich Johnston, editor chefe do site Bleeding Cool. Tem uma matéria sobre esse feito editorial na Mundo dos Super Heróis nº 29. Enquanto a DC vendeu 200 mil exemplares da Justice League 1 a Turma da Mônica Jovem vendeu 500 mil!!!! Dá-lhe Brasil!!! #orgulho

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  5. Adorava Astro Boy e adorava Turma da Monica…

    Não li nada da turma jovem, não sei, fiquei com receio. Mas, antes de falar algo, vou ler. Quem sabe essa salada possa ser agradável.

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