Homem Animal # 7 – Degraus para o Amanhã

Antes de começar, uma curiosidade: a camisa usada por uma das personagens da revista, e que traz a imagem da capa de Animal Man #1 com arte de Travel Foreman e os dizeres “Evolve or die” (Evolua ou morra), está de fato sendo vendida, e pode ser adquirida em vários sites especializados, inclusive esse aqui. O Santuário não está ganhando nada pela propaganda…

Bem vindos a mais uma resenha de Animal Man #7, de Jeff Lemire (roteiro) e Steve Pugh, Travel Foreman e Jeff Hert (arte). Contém spoilers. 

Por Rodrigo Garrit

Eventos futuros constantemente visitam nossa mente. Sempre queremos saber o próximo passo, a próxima vitória ou derrota. E planejamos… entramos numa Paranoia tão grande, tecendo nossos esquemas de como moldar o dia à nossa frente, e o seguinte, e o seguinte…

As vezes queremos simplesmente forçar o futuro a ser do jeito que queremos. Mas o futuro nos engolfa, ele tem muito mais tempo e sabedoria do que jamais teremos. Embora ainda não tenha acontecido, o futuro sempre esteve sendo aguardado, sendo venerado.

E no fim das contas, a verdade mais inabalável de todas, é que o futuro nos força a sermos do jeito dele… a seguirmos seu caminho e trilharmos sua estrada até o ultimo dia do fim dos nossos dias.

O futuro é inevitável, mas não precisa ser apenas um, podem ser muitos. Embora não tenhamos nenhum controle real sobre nosso futuro, cada atitude que tomamos, cada mudança de humor ou escolha errada ou acertada que fazemos, muda esse futuro, abre um leque de infinitos futuros possíveis. Cabe a nós, meros mortais, aceitarmos o que o futuro nos reserva, e estarmos constantemente atentos para que quando ele vir seja gentil conosco.

Você já imaginou o seu futuro? Onde vai estar daqui a cinco anos? Dez? Será que vai mesmo realizar seus sonhos? Ou mudar de sonhos? Ou viver o sonho de outra pessoa…?

E o que dizer das próximas gerações? O que serão dos nossos filhos e netos? Ainda se lembrarão do que ensinamos, ou terão seus próprios ensinamentos a compartilhar?

São muitas perguntas e nenhuma resposta.

Buddy Baker recebeu poderes, adotou o nome de Homem Animal e decidiu se tornar um super-herói. Eu não sei o que ele esperava para o futuro, mas o fato é que desde então sua vida se tornou um pesadelo. Ele e sua família estão cruzando o país num trailer, fugindo de criaturas que alegam ser as forças primordiais que se opõem a vida – o Podre. Eles querem Maxine Baker, a filha do Homem Animal, que é a avatar do Vermelho, a força primordial que rege toda a vida animal do planeta. Em sua companhia, um gato falante chamado Sr. Meias, que é na verdade um agente dessa grande teia que liga a vida na Terra, e que abriu mão de sua existência transcendental para ajuda-los em sua busca por Alec Holland, o avatar do Verde, que rege toda a vida vegetal do planeta, conforme vem sendo explicado nas edições anteriores de Animal Man. Sobre Alec, vale lembrar que anteriormente, um simulacro vegetal humanóide acreditava ser Holland, e agiu sobre a face da Terra, sendo conhecido como Monstro do Pântano. Mas agora o verdadeiro Alec voltou dos mortos, e tudo indica que ele será o avatar do verde mais poderoso de todos os tempos. Ou o avatar do Podre mais poderoso de todos os tempos.

Olhem esse gato falante fofo! Ele não é uma gracinha? Não dá vontade de apertar?

Mais um ótimo e extremamente bem construído roteiro de Jeff Lemire, que sabe muito bem dosar a leveza das interações dos personagens com as cenas grotescas que essa história de terror exige. A sogra de Buddy, que o odeia e o culpa por tudo, reforça o toque familiar e concede realismo, mesmo num cenário tão fantasioso, onde o gato falante é a criatura mais sábia deste plano de existência, mas faz manha por uma boa e apetitosa ração bem fresquinha. Os desenhos continuam um show a parte, e neste número, Travel Foreman teve a ajuda muito bem vinda de um velho conhecido dos fãs do personagem: Steve Pugh, que ilustrou várias histórias do Homem Animal em sua passagem pelo selo Vertigo, e verdade seja dita, embora a reformulação de Grant Morrison tenha revolucionado o personagem e seja celebrada até hoje como uma das melhores HQs dos anos 90, após sua saída, Buddy não ficou de todo desamparado, tendo tido ótimas histórias escritas por gente do calibre de Peter Milligan e Jaime Delano.  A sensação que me vem aqui é que Lemire consegue beber da fonte de tudo que de melhor foi feito com o personagem no passado… ele é um herói e pai de família vivendo situações bizarras, dignas do mais sombrio título da Vertigo. Mas ele não fica apenas nisso, pois acrescenta sua própria dose de insanidade. Não é comum vermos um legado ser passado adiante com tanta fidelidade.

Essa história em si não avança em quase nada os eventos vindouros, focando na tensão psicológica do protagonista e seus familiares. Durante a viagem, Buddy tem vários pesadelos onde tem visões do futuro. Ele vê a si mesmo anos há frente, envelhecido, num planeta tomado pela influência do Podre, e onde sua maior esperança reside em sua sucessora.

Mas será um futuro o qual poderá ser evitado? E, importa alguma coisa seus esforços para evitar esse futuro, ou ele deve simplesmente aceitar que não pode mudar aquilo que está predestinado?

Analisando profundamente, o Podre já não reina absoluto sobre a humanidade em vários aspectos?

Seja como for, esse inimigo da vida está ansiando por mais, exigindo ser a força primordial predominante. A grande adversária de tudo que respira e vive… seja animal ou vegetal, repetindo impecável os passos de sua dança no salão da existência. Porque é preciso que haja algo contra o que devamos lutar. É preciso nos darmos conta de nossas perdas, ou não haveria ganhos. Essa é uma regra básica e inabalável do universo. É preciso que seja assim para que as coisas sejam do jeito que elas precisam ser.  Dito isto, o Podre cumpre sua função na manutenção das engrenagens da realidade. O mal, as trevas… são o que dão o contorno do bem e da luz.  Se há um avatar da vida, deve existir um avatar da morte. É preciso que ambos cumpram seu crucial destino, e mantenham firmes as bases que sustentam o universo.

Sem vencedores nem perdedores.

Apenas parceiros de dança.

Leia também as resenhas anteriores:

Homem Animal #1 – Evolua ou Morra.

Das entranhas da loucura: Homem Animal #2

Homem Animal #3 – A Estranha Jornada de um Estranho Homem

Homem Animal #4 – A fera que existe em mim

Homem Animal #5 – Filha de minhas entranhas

Homem Animal #6 – O triste fim do heroico Red Thunder

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4 comentários sobre “Homem Animal # 7 – Degraus para o Amanhã

  1. Essa revista é leitura obrigatória para fãs de boas histórias! “Ah se eu te pego encadernados de Homem-Animal” ,,,

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  2. Buddy Baker é o herói mais humano da DC, é o máximo ter ele de volta na continuidade normal do universo da editora.
    Hoje em dia todos os conceitos de renascimento, destruição e outros aspectos da vida nos quadrinhos estão sendo representados por cores, pegou certo na mitologia do Lanterna Verde, e existe uma tentativa de aproveitar muito mais da palheta de cor agora em todos os títulos da editora.Curto esse lance se criar ordem e for feito com propriedade! Como no caso que estão fazendo com o VERDE e o VERMELHO aqui e na revista do Monstro do Pântano, até mudando a cor do Mutano (dos Titãs) de verde para o vermelho e “linkando” ele ao universo do Homem-Animal (qual o problema dele mudar de cor? Ele quando foi criado era roxo!!!), Contanto que tenha coerência sou a favor.
    Mas afinal estamos lidando com Scott Snyder e Jeff Lemire! (no entanto estou há duas edições esperando mais adrenalina nesse título)

    E agora Steve Pugh se junta ao time desenhando a revista. Os Vaughan pira!

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