Monstro do Pântano # 5 – O Jardim da Vida

Resenha de Monstro do Pântano #5. Texto de Scott Snyder e arte de Yanick Paquett. 

Clique para ler as resenhas anteriores das histórias interligadas do Monstro do Pântano e do Homem Animal

SPOILERS  SPOILERS  SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS 

Por Rodrigo Garrit

Existe algo de Podre no Brasil.

No Mato Grosso para ser mais exato, mas não se engane achando que ele nasceu aqui. Na verdade, o que havia era o santuário do Parlamento das Arvores, os seres que existem desde tempos imemoriais e são a consciência viva do Verde, regendo com sabedoria toda a vida vegetal do planeta, com seus soldados, avatares, reis… e inimigos.

Usando um hospedeiro humano, o Podre conseguiu chegar nesse santuário sagrado, protegido pela tribo do povo Terena, que nada pôde fazer para deter seu avanço. Ele contaminou a pureza silenciosa do Verde e velhas arvores quebraram seu delicado ciclo de meditação, gritando de dor. O primeiro passo foi dado para a derrocada da vida.

Quando eu li “Monstro do Pântano” de Alan Moore, eu tive a certeza de que nunca ninguém escreveria histórias tão boas ou melhores do que ele. Eu não podia estar mais errado…

Como é triste pensar na possibilidade bem plausível de nunca se encontrar o amor da sua vida. E viver em cinzas se arrastando pelos dias, incompleto e vazio, e por isso incapaz de completar outro alguém… então imagine o oposto disso. E se você encontrar a pessoa da sua vida, aquela que estava destinada a ser o seu amor… um singelo fio de esperança que o liga a uma torrente infinita de felicidade…

Abigail Arcane encontrou sua cara metade, e lutou com todas as forças para viver esse amor. Quem não lutaria? Ainda que esse amor fosse constituído de lodo e um amontoado de folhas, seiva e raízes… um monstro… e mesmo assim, ligando-a por um fio de esperança àquele turbilhão de felicidade. Abby e o Monstro do Pântano foram possivelmente o casal mais improvável das histórias em quadrinhos. Um amor capaz de resistir aos preconceitos humanos e os males do inferno. Literalmente. Mas mesmo esse amor um dia teve seu fim.

Valei-me Deus, é o fim do nosso amor. Perdoa por favor, eu sei que o erro aconteceu.
Mas não sei o que fez tudo mudar de vez. Onde foi que eu errei?

Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei…

Quando Alec Holland ressuscitou após os eventos do Dia mais Claro, trouxe consigo todas as memórias do Monstro do Pântano, por quem Abby havia se apaixonado e vivido sua história de amor. Alec tentou retomar sua vida normal, recusando veementemente o “chamado do Verde”, e ignorando que o saldo de sua escolha poderia repercutir para todo o mundo exterior. As coisas começaram a mudar quando ele reencontrou Abby… ou melhor dizendo, quando a encontrou pela primeira vez, já que apesar de ter as lembranças de seu romance com o monstro, nunca foi de fato ele a acariciar seus cabelos prateados sob a lua do pântano. Imediatamente algo se acendeu nele, a saudade de algo que nunca viveu… Mas ela o refutou de pronto, mostrando interesse apenas em alertá-lo sobre a ameaça do Podre, cujo avatar é seu meio-irmão William, e na ajuda que ele poderia oferecer. Abby revelou que ela mesma também tem uma ligação com o Podre, a qual era sublimada pelo seu convívio com o Monstro do Pântano. Quando ele se foi, o chamado voltou a ser forte em sua cabeça. O amor de Abby pelo Monstro foi seu porto seguro, impedindo a fera de revelar sua verdadeira natureza. O amor entre carne e planta.  A maior das benções e a pior das maldições.

Será, talvez, que minha ilusão foi dar meu coração, com toda força pra essa moça me fazer feliz, e o destino não quis, me ver como raiz, de uma flor de lis.

Mas o inevitável não demorou a acontecer. Mesmo fugindo de criaturas bizarras no que devia ser uma jornada em busca do avatar do Podre a fim de detê-lo, tudo termina antes de começar, quando Alec e Abby são surpreendidos pelo próprio William, que os ataca quando estão totalmente desprevenidos. O desespero inicial os desestabiliza, mas Alec procura dentro de si sua ligação com Verde… e a encontra, mostrando ser mesmo a peça tão importante nesse jogo. Ele comanda imensas ramificações de raízes que explodem do chão e atacam ferozmente seus inimigos. Em seguida ele imobiliza William, deixando-o no topo de uma arvore, e ainda com o gosto da vitória na boca, se rende a um sentimento reprimido em seu coração, que pela primeira vez para ele tem a chance de se tornar real. Alec e Abby se beijam.

E uma onda de escuridão parece tomar a Terra por alguns momentos. William Sorri.

E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira… Morto na beleza fria de Maria.

Tudo ocorre de acordo com o planejado pelo Podre. As defesas do Verde se rompem, deixando-o vulnerável ao ataque mortal de seu mais cruel inimigo. A contaminação foi realizada com sucesso.

E no Brasil, as arvores gritam. Ao redor do mundo, os troncos estão ocos, sem vida. Podres.

E o meu jardim da vida ressecou, morreu… Do pé que brotou Maria, nem margarida nasceu…

Flor de Lis  – Djavan

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19 comentários sobre “Monstro do Pântano # 5 – O Jardim da Vida

    1. Sim, isso ocorreu bem depois da saída de Moore do título, quando as histórias do pantanoso foram aos poucos perdendo a qualidade, até seu cancelamento… nada foi falado sobre a filha dele com Abigail, então, por enquanto e para todos os efeitos, acredito que ela tenha sido desconsiderada da cronolgia pós-reboot… o trabalho de Scott Snyder atual relembra de eventos bem anteriores a isso, e me dá a entender que ele amarrou as histórias só com os eventos que achou realmente significativos e importantes para essa nova versão do personagem, mas estou especulando… nunca se sabe…

      Abraços!

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  1. Cara, vou me humilhar-me publicamente a mim mesmo! Quanto tempo eu perdi com pré-conceitos! Pensava, na minha incurável ignorância, tratar-se de terrorzinho simplório, pra mim um monstro do pântano era personagem meio… sei lá, ingênuo. Mas ingênuo era eu mesmo, deixei passarem anos sem conhecer esta obra máxima da retórica quadrinesca. SNYDER PRA PRESIDENTE!

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  2. Estou acompanhando essa nova saga do Monstro do Pântano e está, realmente, muito boa. Queria que saisse mais material dele no Brasil, depois de ler A Saga lançada pela Pixel achei que embalaria aqui, já que o material é bom. Ótima resenha, parabéns.

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    1. Muito obrigado… e que bom você mencionar essa publicação da Pixel, bem que a Panini podia dar continuidade a essas histórias… a Saga do Monstro do Pântano nunca saiu completa e no formato original aqui no Brasil. E faz falta…
      Abraços!

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    1. Bianca, que bom que gostou, sei que você tinha pedido pra ver mais coisas sobre o Monstro e essa resenha demorou um bocado pra sair… mas fica tranquila, que a partir de agora, o verdão vai ser presença constante aqui no Santuário!
      Bjs!

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  3. Salve ao Scott Snyder que conseguiu unir todas as encarnações passadas do Alec Hammond e seu alter ego numa nova aventura contínua, combinando tudo de tal forma que ele funcione no novo universo DC sem perder suas características de título adulto e mais denso.Está aí uma das melhores revistas de todas as editoras juntas.

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  4. Grande texto!
    Empolgante e bem escrito! Eu gosto muito do Swampthing, tou fazendo a colecção toda em HC da run do Alan Moore.
    Ainda não li nada pós Brightest Day, mas este texto pôs-me em alerta máximo!
    😉
    Abraço

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  5. Cara!!!!!! Me senti uns 20 anos mais jovem agora!!!!! É incrível como Snyder zerou o personagem e mesmo assim trouxe o melhor dele de volta. Levando em consideração os últimos acontecimentos antes do reboot e respeitando a essência da personagem. E também é claro as inferências djavânicas do Garrit que casaram perfeitamente com as imagens.

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    1. Valeu Nilson…concordo com você, Snyder conseguiu amarrar toda a mitologia passada do personagem sem desconsiderar os eventos recentes (e muito mal fadados) do dia mais claro. O texto de Snyder é música para os meus ouvidos… e viva Djavan!

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