EU, VAMPIRO # 6 – É sexta feira 13, mas o azar é de quem?

Por Rodrigo Garrit

Resenha de EU, VAMPIRO # 6 de Joshua Hale Fialkov (roteiro) e Andrea Sorrentino (desenhos).

Contém spoilers. Se não gosta de sangue… SAIA!

Em Gotham City, uma horda de vampiros recém criados e famintos avança pelo subterrâneo do prédio do velho tribunal do júri. Batman e Andrew ainda não sabem se estão do mesmo lado, mas em meio ao caos liberado unem forças contra os vampiros descontrolados. John, amigo de Andrew deixa escapar que ao matar o “vampiro pai”, ou seja aquele que os mordeu, eles podem voltar a ser humanos. Tig, a caça vampiros adolescente e inconsequente entende essa informação pela metade, e acredita que se matar Andrew,  – que tem mais de 600 anos – todos os que ele transformou voltarão a ser humanos, incluindo a grande megera da vez, Mary, a rainha de sangue. Com isso em mente, e garota paga seu grande machado e vai a luta, sem ouvir o final da frase. Isso só funciona se o vampiro pai for morto 72 horas depois de gerar seus “filhotes”.

Temos aqui uma incomum situação onde Batman meio que não sabe o que fazer. Essa espécie de vampiros apresentada na série, é muito ardilosa e difícil de matar; eles possuem vastos poderes mentais, podem vagar na forma de névoa e são metamorfos… podendo assumir três formas diferentes pelo menos pela minhas contas, já que além de poderem se transformar em lobos, lobisomens e morcegos gigantes, podem ainda amalgamar suas formas bestiais… nesse número vemos Andrew em sua forma “humana”, mas dotado de enormes asas… e umas tatuagens bem legais pelo corpo também.

A grande vilã até o momento, Mary, ex-amante ressentida de Andrew parece não estar totalmente ciente dos grandes planos místicos destinados a certos vampiros, e algumas profecias que aguardam alguns séculos para se concretizarem. Por que Andrew, ao se tornar vampiro, adquiriu compaixão, força e senso de justiça, quando a grande maioria dos vampiros se torna imediatamente uma criatura bárbara e indiferente? Por que Mary, que quando humana era uma flor singela, tornou-se a meretriz dos mortos vivos? E por que eles coexistem durante todo esse tempo, combatendo-se ferozmente mas incapazes de destruir definitivamente um ao outro?

Tig acelerou as respostas a todas essas perguntas. Ela e sua lâmina afiada e inconsequente. Algo que já deveria ter acontecido finalmente é debelado, e com isso um mal que repousa há tempo demais nas profundezas finalmente desperta… algo tão antigo e distante, que é conhecido no meio ocultista apenas como “O Adormecido”.

E agora que que ele despertou, nada nem ninguém estará seguro… humano, vampiro ou o que for. Ao redor do mundo, os sensitivos choram ou têm terríveis convulsões. Os vampiros e outras criaturas se contorcem de dor, pressentindo a vinda de algo muitíssimo pior do que qualquer mal que eles já foram capazes de cometer.

De uma atitude insensata e inesperada, o mundo caminha mais uma vez pela corda bamba do fim da existência…

A próxima edição pode não trazer mais o protagonista habitual. Mas terá presença garantida da Liga da Justiça Sombria.

Joshua Hale Fialkov, até então desconhecido por este que vos escreve, mantém o mesmo ritmo lento que apresenta desde o primeiro número de Eu, Vampiro. Isso é ruim? Depende. Uma coisa é alongar várias edições sem dizer nada. Outra, é seguir lentamente por um caminho que a cada passo apresenta uma nova resposta. Eu lembro de ler a primeira edição com esperança de encontrar algo bom, de qualidade… achei mesmo que esse título teria condições de se manter por algum tempo e fazer relativo sucesso entre os fãs de super heróis e vampiros. E querem saber? Eu estava certo. A caracterização dos personagens está impecável… Andrew é um vampiro justiceiro, mas não é torturado, nem confuso em relação aos seus sentimentos. Ele está convencido que o propósito de sua existência é eliminar todos os outros vampiros da face da Terra, e viver em paz como puder entre os humanos. Ele ainda guarda as lembranças boas do seu relacionamento com Mary, mas está bem ciente que a mulher que ele amou está morta, e que a que ele encara agora é apenas uma demônia sem alma que usa o corpo de sua namorada como casca para servir as suas depravações. Alguns mistérios estão começando a ser abordados, e fica claro que o objetivo maior de Andrew, seu verdadeiro propósito está além de ser um caçador. A forma como isso será explorado no futuro pode render excelentes histórias. Acho que o personagem criado por J.M. DeMatteis está sendo usado com muita dignidade e respeito aos princípios de sua origem.

E a arte desse gibi é espetacular. É muito difícil desenhar quadrinhos de suspense ou terror… algo que realmente transporte o leitor àquela atmosfera gótica e hostil de um mundo habitado por vampiros que não querem nada além de nos usar como comida. E Andrea Sorrentino está fazendo um trabalho excepcional.

Tendo em mente que não se trata de nenhuma obra importante da literatura, nem obra prima para ser exposta em museus, temos em mãos um ótimo gibi de vampiros que se passa numa realidade onde existem… ora veja… super heróis!

E me abriu o apetite para um suculento e sangrento bife muito mal passado.

Aproveitem bem essa sexta feira 13 !

Resenhas anteriores de Eu, Vampiro? Clique aqui!

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4 comentários sobre “EU, VAMPIRO # 6 – É sexta feira 13, mas o azar é de quem?

  1. Minha primeira impressão ao perceber que tinha que ler todas as edições anteriores dessa revista para poder entender o que aconteceria em seguida em JLDark, foi irritação, pra não falar que eu realmente fiquei muito puto da vida. ¬¬
    Mas no final das contas até que valeu apena, eu gostei dela, e possivelmente continuarei lendo, mesmo após o fim do arco com JJDark.

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    1. Eu fiz o caminho oposto… procurei ler todos os números anteriores de Liga da Justiça Sombria para me situar melhor… e também não me arrependi… acho que esse título (Eu, Vampiro) é um dos gibis mais subestimados desses novos 52… e eu andava meio descreditado com histórias de vampiros.

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