Homem Animal # 8 – Vermelho Vivo

Resenha de Homem Animal # 8, de Jeff Lemire (Roteiros), Travel Foreman e Steve Pugh (Desenhos) e Jeff Huet (Arte Final).

Por Rodrigo Garrit

SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS SPOILERS 

Há uma guerra invisível sendo travada há milênios. De um lado, o Verde e o Vermelho, basicamente, a vida. E de outro, o Podre. Basicamente… a morte.

Recentemente essa guerra deixou de ser assim tão invisível. Esta é a Era em que os avatares de cada lado se erguerão em sua força total e lutarão a fim de decidir definitivamente o destino do mundo.

A gente pode imaginar essa batalha da seguinte forma: Alan Moore é como se fosse o Verde. Grant Morrison, o Vermelho. Tecnicamente, eles estão do mesmo lado, mas não são amigos. Não, na verdade eles se odeiam profundamente, mas se toleram. E o Podre seria… Rob Liefeld! Contaminando tudo que desenha e escreve, transformando aos poucos o mundo num lugar muito mais deplorável do que já é.

Uma família sozinha dentro de um trailer cercado por centenas de animais semi-decompostos e sob total controle do Podre, com o claro objetivo de eliminar Maxine Baker, a maior ameaça a sua vitória definitiva. A menina é corajosa e sua ligação com o Vermelho é intensa. Ela se oferece para ir lá fora e lidar com os monstros. Seu pai, que diferente do resto da família, já presenciou o que ela é capaz de fazer, meio que concorda, apesar dos protestos desesperados de sua esposa, mas é censurado pelo Sr. Meias.

Você é o protetor. Foi pra isso que fizemos você do jeito que é, Buddy Baker”.

Cabe ao Homem com poderes animais preservar aquela que será a avatar mais poderosa do Vermelho, e que junto com o rei guerreiro do Verde – Alec Holland, o Monstro do Pântano – poderá exterminar de uma vez por todas o Podre.

Mas Alec está longe de ser encontrado, muito provavelmente já tenha sido morto. As chances não são muito favoráveis.

É muito difícil resenhar essa edição, uma vez que ela é repleta de pequenos clímax, do começo ao fim.  Uma sinopse pode ser encontrada no site oficial da DC Comics. E minhas opiniões sobre os autores envolvidos já são de conhecimento de todos, uma vez que já deixei a mesma bem clara nas resenhas anteriores. Os comentários que tenho a fazer estão intimamente ligados aos acontecimentos dessa história. O spoiler a seguir é forte, então se realmente não quer saber o que acontece, pare agora mesmo a leitura, clicando na SAÍDA DE EMERGÊNCIA ANTI-SPOILER.

Daqui pra frente o bicho pega. Mesmo.

Maxine não perde tempo com discussões morais sobre a irresponsabilidade de se colocar crianças em perigo; elas mesma se desvencilha dos braços de sua mãe e vai ao encontro dos monstros do Podre.

E é dilacerada por eles.

Buddy se torna por algum tempo apenas ANIMAL, deixando o HOMEM de lado. As cenas de violência são de arrepiar qualquer membro do PETA ou da SUÍPA (instituições protetoras dos animais). Mesmo se tratando de animais zumbis, a selvageria é perturbadora.

A essa altura, Buddy já não mais se refere a fonte de seu poder como o “campo morfogenético”, ao qual teria sido ligado por alienígenas amarelos que lhe deram poderes, conforme foi explicado de forma muito interessante na fase em que Grant Morrison era o roteirista regular do título nos anos 90. Entendam, naquela época o gibi era ainda uma história de super-herói, mas com todo um pano de fundo voltado para a ficção científica, algo que o tornou o clássico que é hoje. Naquela época, tínhamos a noção de que Buddy havia morrido e tido seu corpo reconstruído pelos tais alienígenas amarelos, que o ligaram ao “campo morfogenético” da Terra e o colocaram em sintonia com todos os animais vivos do planeta, possibilitando que ele colocasse uma cueca por cima das calças e começasse a combater o crime como o “Homem Animal”? Não é o que qualquer um faria? Enfim…

Para entendimento da série atual, nada ou quase nada do que foi feito naquele período foi desconsiderado. Mas agora existe a explicação de que sempre foram os Totens do Vermelho por trás dos poderes do Homem Animal… eles o prepararam para ser o guardião de sua maior avatar, a sua filhinha Maxine. As lembranças que ele tem dos aliens amarelos foram um meio dos Totens do Vermelho se apresentarem de forma que a mente humana e limitada de Buddy pudesse compreender o que estava ocorrendo. Afinal, ele vivia em um mundo onde havia o Superman, um notório alienígena, além de heróis portando anéis energéticos vindos de outros planetas. A própria existência de aliens não seria grande novidade, se considerarmos que a invasão de Darkseid à Terra e seu primeiro contato com a Liga da Justiça se deu cinco anos atrás dos eventos agora mostrados nas HQS do Homem Animal. Mas é complicado tentar decifrar a continuidade dos eventos pré ou pós reboot… ainda existem muitas inconsistências que deixariam até mesmo Reed Richards confuso, coisas que só devem ser elucidadas no futuro… ou não.

O fato é que agora Buddy tem a plena consciência da verdadeira fonte de seus poderes, e o verdadeiro motivo deles terem lhe sido concedidos. Trocou definitivamente o termo “Campo morfogenético” por “Vermelho” (mais prático assim, não?) e sabe a extensão de sua responsabilidade. E sofre o peso dela. Teme não ser capaz de cumprir a função de proteger sua filha e sente falta da época em que brincava de ser um super-herói, com a cueca por cima das calças, prendendo criminosos comuns e vez por outra se unindo a outros super heróis e salvando o mundo em grandes aventuras em que ele na maioria das vezes não passava de um coadjuvante. Aquele vulto atrás da foto de primeira página de jornal onde o destaque é Superman, Batman e Mulher Maravilha.

A grande verdade é que ele mesmo não se vê como um super-herói… tudo o que ele sente é a necessidade de aventura, a emoção e a boa intenção de ajudar as pessoas. É seu lado dublê, realizando as cenas perigosas mas nunca sendo o centro dos holofotes. Mas essa é a sensação que ele se projeta. Porque na minha opinião pessoal, isso faz dele um herói sim… talvez até melhor do que os outros.

A possibilidade de falhar em sua missão se torna realidade quando vê o cadáver esquartejado de sua filha. Mas quando a fúria assenta por um momento, e não há mais nenhum agente do Podre para derrotar, o inesperado esperado se apresenta. Vejam, tecnicamente, Maxine morreu sim. Seu corpo pelo menos.

Nas antigas histórias do Monstro do Pântano na fase escrita por Alan Moore, ele era capaz de projetar sua essência pela flora, sua mente viajava pelo Verde e poderia se materializar em qualquer organismo vegetal, o qual sofria uma mutação instantânea gerando um novo corpo para que ele ocupasse.

E para espanto até mesmo do sabido gato falante Senhor Meias, Maxine já é capaz de fazer o mesmo, mesmo sendo tão jovem, inexperiente e sem nenhum tipo de treinamento. O fato é que ao ser morta pelos agentes do Podre, sua mente instantaneamente se transportou para o Vermelho, de onde entrou em contato com uma raposa que generosamente cedeu seu corpo para a menina. Ao ocupar esse corpo, a raposa simplesmente sofreu uma metarmofose, transformando-se numa nova Maxine. Que ficou de pé olhando para seu antigo corpo em pedaços…

Buddy, e claro, toda a família, apesar de felizes pela menina estar viva, não ficaram nada satisfeitos de a verem tão perto da morte, sem falar no choque de ver uma garotinha ser despedaçada e em seguida reconstruir um novo corpo a partir de uma raposa. Embora isso me soe como uma bela fábula oriental nunca escrita.

Decidido a proporcionar uma vida normal a sua família, Buddy pára de fugir parte com tudo em direção ao local onde o Podre se encontra, uma cidadezinha próxima, onde toda a população foi dizimada. Ele luta ferrenhamente com todas as suas forças e até consegue boa vantagem durante algum tempo, mas as coisas ficam feias quando nosso descontrolado, protagonista se depara com a versão zumbi do filme “Os Pássaros” de Alfred Hitchcock.

Eu mencionei que os “aliens amarelos” (ou Totens do Vermelho, como preferirem) reconstruíram o corpo de Buddy após sua morte e lhe deram os poderes animais. Eu perdi as contas de quantas vezes Buddy morreu em suas histórias, principalmente em sua fase na Vertigo (que ocorreu após a saída de Grant Morrison, mas nem por isso deixaram de ser histórias sensacionais). Claro, as muitas mortes do Homem Animal sempre tinham uma boa (ou nem tanto) explicação posterior para o seu retorno. Sempre era conceitual, ideológico, metafísico, metalinguístico, transcendental, surrealista ou até mesmo banal. Mas vira e mexe tínhamos a clássica cena da morte do Homem Animal. E sabem, confesso que senti um pouco falta disso! Depois de tanta nostalgia, depois de tantos conceitos antigos retornando com força total e de forma tão bem feita… por que não?

Bom, se você é leitor das antigas como eu, e também sentia falta disso, pode comemorar. Se é leitor novato, bem vindo ao mundo maluco das HQs do Homem Animal.

Buddy Baker está morto.

E, hoje em dia, tudo o que morre está automaticamente em poder do Podre.

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15 comentários sobre “Homem Animal # 8 – Vermelho Vivo

  1. Cara, tô gostando bastante desta série e da do Monstro do Pântano. Não vejo a hora disso sair por aqui oficialmente. hehe E mantenho o que sempre digo, bem que quando isso sair por aqui a panini podia se cocar e relançar as série do alan moore e do morrison. Podia até ser em capa cartonada por R$ 17 que eu ia fica bem feliz hehehe

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  2. O “Vermelho” além de ser uma classificação mais acessível a quem não está tão ligado ou na vibe do Grant Morrison de “Campo morphológico” também vai de encontro a cultura popular das cores, seja na Tropa do Lanternas Verdes, seja nos Power Rangers, seja nos Tele-tubies!!! 😉

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    1. Concordo… esses dois personagens sempre dão sorte com seus roteiristas e desenhistas… no passado e pra nosso espanto e surpresa agora no presente… Sctt Snyder e Jeff Lemire estão fazendo seus nomes no universo dos quadrinhos… melhor pra nós leitores! Abraços!

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  3. Estou acompanhando e pela PRIMEIRA VEZ NA MINHA VIDA não quis ler os spoilers, de tão afim de ler que estou, ávido para ver o final da trama, esta revista está todos os adjetivos que o Venerável queira dar pra ela

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    1. Pablo, se houver alguma justiça, ainda teremos toda essa série publicada num belo encadernado pra guardar na estante… essa e também, a fase Morrison no Homem Animal, além de, é claro, o Monstro do Pântano de Moore e o atual do Snyder. Bom, eu espero por isso faz uns 15 anos… continuo acreditando… hehe…

      Por outro lado eu tenho alguns volumes do “Supremo”, criado por Rob Liefeld e escrito por Alan Moore. Graças aos Céus NÃO foi desenhado por ele. Mas isso ainda confunde meus sentidos…

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  4. “E o Podre seria… Rob Liefeld! Contaminando tudo que desenha e escreve, transformando aos poucos o mundo um lugar muito mais deplorável do que já é.”

    BWAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

    MORRI!

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