Monstro do Pântano # 7 – Queda e Ascensão

O olhar do Santuário sobre Monstro do Pântano # 7 de Scott Snyder (roteiros) e Yanick Paquette (Desenhos)

ESTE ARTIGO CONTÉM SPOILERS

Por Rodrigo Garrit

O destino prega peças que desmontam toda lógica que acreditamos ser inabalável. Após a onda cataclísmica de eventos conduzidos pelo Podre ao redor do mundo, Alec Holland enfim se convence de que deve aceitar o chamado do Verde e se tornar o Monstro do Pântano. Reunindo seus últimos esforços ele viaja até o Brasil, onde encontra o Parlamento das Árvores queimando, agonizando sob o jugo de seu inimigo. Alec se entrega de peito aberto, porém agora já é tarde demais.

Em quase todos os lugares do planeta, o caos já domina a maior parte da população. Animal e vegetal. Pessoas e animais se transformam em aberrações sem vontade com o único propósito de servir a Sethe, o senhor do Podre. A flora apenas murcha lentamente, fechando suas folhas e pétalas, como que baixando suas cabeças e submetendo-se a um inimigo superior.

A essa altura as lâminas de uma serra elétrica já atravessaram o tronco de Alec. Não um tronco de madeira, poderoso e imponente o qual poderia facilmente se desvencilhar desse ataque. Mas um tronco humano, frágil, debilitado. Que cai inerte no pântano, e é acolhido por trêmulas mãos idosas de entidades antigas demais para se mensurar. Em seus dedos verdes – folhas, raízes e lodo, acumulam-se as lágrimas que seus ancestrais derramaram no pântano. Mas eles não tem mais lágrimas, não tem mais forças. Apenas o suficiente para gritar de dor e desespero. E para agarrar Alec em seus segundos finais de vida, e trazê-lo para o interior do Verde… não para consagra-lo campeão, não para tornarem-se um com ele… pois já não resta mais energia. Não resta mais vontade. Eles abduzem Alec em seus momentos finais de vida, não para tentar vencer essa guerra perdida e tampouco para salvá-lo. O que esses seres ancestrais, os sábios anciões do Verde fazem com seu último resquício de força é algo egoísta e cruel.

Eles agarram a alma de Alec já desprendendo-se do corpo e a trazem para junto de si, para que possa sofrer junto com eles.  E testemunhar o seu vergonhoso fracasso.  Para só então morrer.

Começa a grande jornada do homem que deve aceitar seu destino, ou de uma velha e arrogante força da natureza que se deixou tornar obsoleta? Aquilo que o Verde tem a aprender com Alec Holland, talvez seja o verdadeiro motivo dele ter sido escolhido para ser o seu grande avatar. O Parlamento não tem respostas para seus próprios dilemas.  Por que seguir adiante? Já não somos velhos demais? Já fizemos o bastante. Por que não aceitar definitivamente que o último estágio do ciclo da vida se cumpra em proporções universais… cobrindo toda a vastidão infinita dos cosmos com seu manto negro e acolhedor. E quem sabe um dia, depois da morte até mesmo do tempo, algo ressurja… algo que seja melhor, e que lembre de relance aquilo que um dia foi a vida?

E a resposta de Alec é simples, mas cai com o peso de um planeta inteiro sobre eles. É preciso seguir em frente SIM. Porque tenho FOME. Tenho fome de vida. Mas principalmente porque AMO. E tenho fome desse amor.

Sensibilizados e envergonhados, os membros do Parlamento das Arvores lamentam o campeão que perderam e as possibilidades lindas e infinitas que teriam junto a ele… o quanto a flora poderia renascer magnânima e em seu maior esplendor por todo o planeta… derrotando o Podre e quem sabe, até mesmo o Vermelho!

Alec está finalmente disposto a abrir mão de sua humanidade e aceitar o chamado do Verde. Mas essa fome de vida é o bastante? O que fazer quando a morte o aguarda na distância de uma leve respiração? Em apenas alguns segundos ele estará morto… e o Parlamento não tem mais o poder necessário para transformá-lo no rei guerreiro conhecido como Monstro do Pântano.

Por que entre seis bilhões de seres humanos, Alec foi escolhido?

O destino prega peças que desmontam toda lógica que acreditamos ser inabalável.

Desses seis bilhões de humanos, quantos seriam cientistas brilhantes com conhecimentos voltados para o desenvolvimento da flora? Desses seis bilhões, quantos teriam obtido sucesso em suas pesquisas com uma fórmula biorestauradora que possui a incrível propriedade de causar um crescimento ultra acelerado em formas de vida vegetais? Essa fórmula, combinada aos últimos resquícios de poder dessas velhas árvores poderia completar a transformação do maior avatar do Verde de que já se teve notícia. E quantos desses seis bilhões, teriam em sua mochila a última amostra disponível da mais pura fórmula biorestauradora?

Apenas um.

Um novo rei guerreiro se ergue, o mais poderoso e mais temível de todos de sua linhagem. Um rei que deve lutar sozinho, deixando para trás seus enfraquecidos ancestrais que nada podem fazer para ajuda-lo. Mesmo assim ele não se abala. O destino o trouxe a este momento, mas no final, isso é o que ele escolheu viver.

E a guerra contra o Podre ganha novas proporções.

Análises anteriores de Monstro do Pântano? Clique aqui.

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16 comentários sobre “Monstro do Pântano # 7 – Queda e Ascensão

    1. Concordo… essas histórias me fazem lembrar dos bons e velhos tempos dos quadrinhos… tomara que ainda tenha uma galera mais jovem prestando atenção nisso e viva as mesmas emoções que os veteranos…

      Obrigado pelo elogio… abração!

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  1. Cara, estas resenhas do Monstro do Pântano e do Homem Animal de vocês são muito boas mesmo. Sempre da muita vontade de ler e quando já li me dá outra visão completamente nova da história. Muito massa mesmo, continuem se puxando assim que tá bem legal.

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  2. Resenha TOP, Snyder é o cara, a ultima que eu li dele foi o Black Mirror do batman, muito bom tb !!! acho que o o Monstro do Pântano terá uma boa leva de HQ’s daqui para frente, um personagem que merece um tratamento melhor depois de algumas fases ruins.

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    1. Fernando, estou com a versão “Panininesca” de “Coração Faminto” aqui, saga completa do Batman escrita por Snyder… e é bom quando a gente sente essa ansiedade por um gibi não? Fazia tempo que isso acontecia…

      Monstro do Pântano começou muito bem depois do reboot e acho difícil que caia em desgraça de novo…

      Abraços!

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  3. Nossa! eu tive a oportunidade de ler boas histórias desse personagem pelo Alam Moore que depois passei a buscar tudo o que fazia, como no cinema e outras mídias) e depois de muito tempo parece que o personagem recebeu um autor a altura, desde que ele saiu.

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    1. Bianca se você está dizendo que leu histórias da fase Alan Moore no Monstro Pântano, só posso te dizer o seguinte: que inveja! hahaha… Eu li muitas coisas (em formatinho, quase tudo), mas nunca a trajetória completa, e sonho com o dia que a Panini vai tomar vergonha na cara e publicar encadernados de toda essa fase, assim como está fazendo com Sandman de Neil Gaiman.

      Bjs!

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  4. Muito fixe!
    Bom texto e cada vez mais anseio pela colectânea do Monstro do Pântano!
    Snyder “rula”, ando a seguir American Vampire e esse roteirista é absurdamente bom!
    Sou verde!
    😀

    Abraço

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    1. Também gosto muito de Vampiro Americano que Snyder criou junto com Stephen King, que tem desenhos do brasileiro Rafael Albuquerque… grandes lições de humildade são ensinadas…
      “Sou Verde” foi ótimo! =)
      Abraços!

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  5. Espetacular! Essa revista é isso! Nossa, só de ler sua resenha me empolguei em ler esse número, afinal Scott Snyder é O CARA !!! Das 5 melhores ela faz parte…melhor…das cinco melhores Snyder tem 2 revistas…parabéns pela resenha, enche todos nós de orgulho vir no Santuário e ler algo assim. LEIAM MONSTRO DO PÂNTANO, mesmo que você seja um avatar do Podre ou do Vermelho, leiam!

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    1. Obrigado meu amigo, o prazer e honra de fazer parte deste Santuário é toda minha… e posso dizer que é um prazer mesmo, faço amarradão! Monstro do Pântano está demais, fico feliz de compartilhar esse ótimo gibi com todos!
      Abração…!

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