Monstro do Pântano # 8 – “O sândalo perfuma o machado que o feriu”.

Resenha de Monstro do Pântano # 8, de Scott Snyder (Roteiros), Yanick Paquette e Marco Rudy (desenhos).

Por Rodrigo Garrit

Contém Spoilers

Eu tive um sonho bom.

O aroma amadeirado de sândalo e canela preenche minhas narinas enquanto sinto esse arrepio em minha pele, que percorre todo meu corpo e acelera meu pulso… o coração não se contém em meu peito, estamos emaranhados um no outro, nossos corpos nus e ofegantes, nossos sentidos voltados um para o outro… ela me sorve como uma fruta madura, busca meu liquido viril enquanto acaricio seu corpo e dedilho sua pele em busca de seus pontos secretos de prazer. Estamos enraizados, unidos em êxtase, os movimentos contínuos e suados fazem o tempo parar à nossa volta e ela recita meu nome baixinho em meu ouvido, entre os gemidos de sua respiração ofegante… “Oh, Alec…”. Ela me morde com a voracidade de uma predadora e eu me entrego… então, sou eu quem a devoro, possuo seu corpo enquanto ela absorve minha alma… e dançamos suaves como as folhas de bambu ao vento, mas também selvagens e primitivos como leopardos no cio… eu, rígido e inflexível, e ela macia como um botão de rosa que desabrocha… e nossa dança chega ao clímax num momento infinito de deleite incomparável, onde todos os relâmpago do céu se calam diante do estrondo maravilhoso e indescritível do orgasmo seguido de minha semente sendo fincada em sua pureza…

Antes do fim do sonho, eu sou um cadáver mutilado. E as mãos de Abby estão manchadas de vermelho.

Alec Holland finalmente se tornou o rei guerreiro do Verde, o avatar definitivo de uma força da natureza já moribunda. Ele é o último representante do milenar Parlamento das Árvores e última esperança de que ainda exista algum Verde no futuro.

Enquanto isso, longe dali, Buddy Baker é atacado pelos asseclas de Sethe, o senhor do Podre, e o gato falante conhecido como Sr. Meias, que na verdade é um Totem do Vermelho – outra força da natureza que também combate o Podre – luta desesperadamente para manter a jovem Maxine Baker viva. A filha do Homem Animal é a Avatar do Vermelho desta geração e a campeã destinada a lutar pela sua cor. Mas as coisas não estão indo bem para Buddy… e mesmo que Maxine chegue até o Monstro do Pântano, encontrará um rei guerreiro solitário, abandonado pelas forças primordiais que lhe concederam poder, destruídas pelo Podre.

O Monstro do Pântano é Alec Holland, pela primeira vez. Não um simulacro de suas memórias. É de fato o homem habitando a entidade Verde. O que lhe permite aproveitar todo o poder em sua plenitude.

Mas o fato de ser um homem no comando da criatura também pode ser sua maior fraqueza. Pois Alec é um homem apaixonado, desesperado em reaver sua amada Abigail Arcane… que não por acaso, é a avatar do Podre.

Sethe teme o Monstro. Apesar de ser apenas uma arvore e não uma floresta inteira. Ele sabe que nunca houve um avatar tão completo no decorrer de sua extensa batalha contra o Verde e o Vermelho. Sabe que a união dele com Maxine pode possivelmente ser o fim de seu império, e a expulsão das hordas do Podre de volta para os reinos sombrios da inconsciência humana… aquele lugar terrível o qual os primitivos batizaram de inferno.

Sethe é precavido, mas seu avanço é notável. O inferno está transbordando pelos bueiros e se espalhando como uma doença pelo mundo. Mesmo que que ele seja detido, mesmo que seja mais uma vez exilado… ele voltará mais poderoso do que nunca. E em sua infinita paciência, saberá a hora de atacar novamente.

A vitória do Verde e do Vermelho, considerando que possa ser chamada assim, se vier, não virá livre de um alto preço e consequências que irão assombrar por muito tempo todos os envolvidos.

Mas o que importa para Alec não são as pessoas mortas, nem os animais deformados, nem as florestas ressecadas. Ele não está interessado na água contaminada, e nas mães canibalizando seus bebês, ou nas pessoas que foram dominadas pelo Podre e ao perder a utilidade tornaram-se algo pior do que estrume sob os pés de Sethe.

Não interessa a forma como esse sonho termina.

O que importa para Alec é salvar Abby.

O ódio não destrói o ódio, só o Amor destrói o ódio. Sêde como o sândalo, que perfuma o machado que o corta.”

(Siddhartha Gautama – Buda)

Resenhas anteriores do Monstro do Pântano? Clique aqui!

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16 comentários sobre “Monstro do Pântano # 8 – “O sândalo perfuma o machado que o feriu”.

  1. é uma pena que, quando se pensa em Monstro do Pântano, as editoras daqui só lembram da fase Alan Moore. Tá certo que lá é que está a melhor fase, mas as outras dão muita vontade de ler também.
    Espero pelo menos que a Panini publique este novo MOnstro por aqui. Quem sabe, juntos de Homem Animal, Dial H for Hero, e Liga da Justiça Sombria em uma mesma revista.

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    1. Concordo com tudo o que disse, caro Lexy… exceto sobre as outras fases sem Alan Moore darem vontade de ler. Salvo algumas exceções da época do Bernie Wrightson, e a rápida passagem de Ricky Veitch pelo título, essa é a primeira vez em anos que me interesso pelo título do Monstro do Pântano após a saída do Alan Moore.

      Valeu pelo comentário amigo, abraços!

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  2. O “Verde” e o “Vermelho” juntos contra o “Podre” e vencendo???? dá-lhe FLUMINENSE no Campeonato Carioca e na Libertadores!!!!
    Mais sério agora, que pena do Alec Holland, tomara que ele consiga recuperar a Abby, o cara já sofreu demais nessa vida e no além vida…

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  3. Uma pena a Panini não dar destaque aos melhores títulos, e ainda mais. Privar o público em geral , pois se isto sair como encadernado a distribuição vai ser restrita.

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    1. Também achei muito estranho esse silêncio deles em relação a alguns dos melhores títulos… com certeza vão querer faturar mais em cima do que já sabem que vai ser sucesso… ou eu posso estar enganado… tomara…

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    1. Felipe, como ainda não teve nenhum anúncio oficial, fica essa expectativa mesmo, acho até que proposital da Panini… tomara que eles tenham pena da gente e lancem de forma que tenha qualidade e seja acessível a todos…

      Abs!

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