LIGA DA JUSTIÇA: TERRA 2 – o dia em que o multiverso voltou

Por Venerável Victor  “Anti-tratador de macacos”  Vaughan

“O mal existe, mas nunca sem o bem, tal como a sombra existe, mas jamais sem luz.”
Alfred de Musset

JLA: Terra 2 é a edição especial de Grant Morrison e Frank Quitely que conta a história de uma anti Liga da Justiça conhecida como o Sindicato do Crime da América. Eles não são personagens novos no universo DC, tendo o grupo primeiro aparecido na Era de Prata dos quadrinhos (1956-1970).

Frank Quitely & Grant Morrison

O Sindicato vem da antiga Terra 3 onde tudo é o oposto da nossa própria Terra. Um Colombo americano descobriu a Europa, o bem é o mal, Chuck Norris é um grande merda que não sabe lutar, o guaraná Dolly tem os melhores comerciais e por aí vai…

Então em 1985 veio a  maxi série da DC comics conhecida como Crise nas Infinitas Terras, que seria a primeira grande iniciativa de reorganizar o universo da editora, tão confuso para novos leitores. Com isso as infinitas Terras paralelas foram descartadas e apagadas da cronologia – o que significa que “em teoria” o universo inteiro teve um novo início – e o multiverso teve o seu fim, com todos os personagens que habitavam as diversas versões paralelas do nosso planeta convivendo em uma única Terra. Portanto não existia mais uma Terra 3 para se usar? Ah! Mas isso nunca impediria Grant Morrison.

Primeira aparição do Sindicato do Crime nas páginas da LJA #29 & LJA: Earth 2 de 1999

Na nova ordem mundial – da editora – a dimensão paralela conhecida como Terra-3 existe no universo de anti-matéria onde você dificilmente por mais que reclame da sua vida aqui gostaria de viver. O coração das pessoas fica no lado direito do peito e Gothan City é dominada pelo chefão do crime, Gordon.

Através do espelho…

Quando o bom Alexander Luthor descobre nossa nossa Terra e escapa para a nossa realidade com o intuito de conseguir a ajuda da nossa Liga da Justiça para consertar o seu mundo, foi apenas questão de tempo para o Sindicato do Crime vir também. E todos acabam aprendendo a lição do quanto é melhor que cada um fique do seu lado da “cerca”.

O Sindicato do Crime é composto por: Ultraman (que precisa estar perto da sua anti-kryptonita para se manter poderoso), Super-Mulher (que nessa realidade é a Lois Lane); Homem-Coruja (o que aconteceria se Bruce Wayne culpasse seu pai – agora o comissário de polícia – pela morte de sua mãe?); Johnny Quick (que precisa se drogar para ter supervelocidade) e Anel de Poder (não exatamente o oposto, tão babaca quanto Hal Jordan).

A arte de Frank Quitely nunca foi a mais linda do mundo, os personagens costumam ser extremamente feios e todos tem a mesma cara, até mesmo a Mulher Maravilha (que deveria ter a beleza de Afrodite, não?), mas é apaixonante a quantidade de detalhes que ele adiciona em seus trabalhos. Basta dar uma olhada na Fortaleza de Ultraman para percebermos as piadas plantadas no cenário.

O tempo todo a história deixa clara a visão do autor sobre a mecânica humana, o mal se opondo ao bem e o fato de não se poder mudar a natureza de uma pessoa. A primeira “Crise” é homenageada com planetas colidindo e o Flash correndo até que seus pulmões comecem a queimar, Jimmy Olsen aparece sendo um viciado (uma homenagem clara ao arco de histórias do Arqueiro Verde descobrindo que seu parceiro mirim era usuário de heroína), algumas cenas clássicas de escatologia, que Morrison sempre arranja um jeito de inserir, também influencias visuais desde Star Trek até Watchmen, um pouco de sexo entre super heróis, abusando do fetiche em couro e sadomasoquismo entre o Homem–Coruja e a Super-Mulher, tudo aqui funciona como uma homenagem do autor aos clássicos  momentos da editora.

Uma coisa precisa ser valorizada acima de todas as outras na obra desse autor, nossos “justiceiros” são muito poderosos! Isso é uma das características mais importantes do trabalho de Grant Morrison a frente do título da Liga da Justiça, é inegável. Ele não poupa espaço para deixar claro o quanto os “Sete magníficos” são icônicos e deuses entre os demais mortais. O Lanterna Verde envolve a Lua com mãos verdes gigantes, o Flash se torna o maior detetive do mundo por poder pensar a uma velocidade de setenta mil quilômetros por hora, o Aquaman é forte e eficiente e o Caçador de Marte dele é uma criatura insuperável. JLA: Terra 2 já valeria o preço de capa só pela maneira como J’onn J’onzz derrota o arrogante Ultraman.

“Cacador de Marte – Isso não é um combate, você já estava derrotado no momento que decidiu me enfrentar.”  

No fim de tudo, a Liga da Justiça nunca poderia vencer na sua “Terra paralela” pelo simples fato de que o bem nunca triunfa lá, exatamente como o mal nunca triunfaria aqui e apenas fazendo as coisas de forma errada, do ponto de vista de caráter e moral, que eles teriam alguma chance de vitória. Mas não se preocupe, jovem devoto do Santuário, o escocês Morrison flertando sempre com a esperança, sua velha companheira de diversos outros memoráveis contos, nos deixa ao fim dessa história, a satisfação de saber que existe uma Gothan City, que é o exato oposto da do nosso mundo.


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61 comentários sobre “LIGA DA JUSTIÇA: TERRA 2 – o dia em que o multiverso voltou

  1. A Super Mulher “usa” o nome de Lois Lane, ela não é A Lois Lane…
    E o Coruja não é o Bruce Wayne (apesar de ser), seu nome é Thomas Wayne e culpa o pai pela morte da mãe e do irmão Bruce.

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  2. não gosto muito de lembrar desta serie hehehe pq os uniformes deles mal, tem que ser mais fera do os dos herois normais. Foda viu. Mas foi uma grande sacana, tanto a animação quanto a hq são fantasticas. Mas que o batman la é uma copia des…. do Nite Owl ou coruja de watchmen isso ele é hehehheehhe.

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  3. Ainda não tive a oportunidade de ver essa história, mas assisti a animação baseada nela e achei fantástica.

    Em tempo: sinceramente, não sou muito fã da arte do Quilety. Ele deixa os personagens com cara de velhos rabugentos IMHO

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  4. Um grande título da DC!
    Quitely é um excelente artista e Morrison quando está em boa forma é um autor de topo.
    As premissas para esta estória tinham tudo para dar um bom livro, e deram! Morrison elevou a fasquia bem alto e não a derrubou. Dos títulos da DC que me deram mais prazer a ler, este está lá incluido. Muito bom, e Quitely foi grande da maneira como passou para o papel a estória de Morrison!
    🙂

    Abraço

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  5. Essa história foi o que me fez comprar Superman Premiun #1. Morisson se superou frente a liga nessa graphic, e olha que ele teve grandes momentos. Tenho de descordar em relação a arte.Não acho que ela seja exatamente “feia”, mas grotesca em determinados momentos , e isso casa muito bem com o clima todo da história. Pena que as demais participações do Sindicato do Crime nas histórias da Liga não tiveram o mesmo impacto, de certa forma “diluindo” o impacto das ideias do Morisson.

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    1. É verdade guloso Bahia!!! Quitely combina perfeitamente com os roteiros de Morrison, não é a toa que eles são uma dupla dinâmica espetacular.Concordo contigo, Kurt Busiek quando revisitou o Sindicato do Crime não conseguiu ser tão feliz quanto seu predecessor …

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  6. assE oãçide uias on lisarB me “namrepuS muimerP” 1 ad arotide lirbA, amun acopé ed satium sazetrecni siairotide… e me outsiuqnoc ed ariemirp. ralaF ed sarreT salelarap odnauq sodot maicerap ret “odiceuqse” sad satinifni sarreT é a arac od nosirroM… e knarF yletiuQ? arP mim é mu sod SEROHLEM satsihnesed ed sodot so sopmet. áreS euq uos ed arret aditrevni?

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  7. “Universinho de antimateriazinha”…desculpinha furada para usar esses vilões de quinta criados no tempo do “onça”, eu sou moderna “nem”!!! Mas nem no universo dos Power Rangers, vestindo fantasia de monstro de borracha eu consigo um espacinho para participar… ai que ódio do Diddio!!!!!

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  8. Sou fã do Morrison, essa é uma das poucas hq’s dele que eu nunca li.
    MAs os desenhos são horríveis mesmo. O Quitely só aprendeu a desenhar quando foi fazer WE³, e Superman All Star.

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    1. Eu também achava que determinados desenhistas aprendiam ou não a desenhar, produtivo Lexy, mas hoje em dia isso caiu abaixo pra mim, Greg Land é preguiçoso (copia e cola expressões, quando as faz…), Rob Liefeld , esse é péssimo mesmo, o Romita Jr quis ser ruim, ele já foi muito bem e seu traço lembrava o do Sal Buscema….e o Quitely??? Ele ESCOLHEU esse traço para se diferencial, pode tranquilamente fazer diferente e agradar uma gama maior de fãs? Pode… mas não é como ele quer ser imortalizado. Ele impõe esse traço …

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  9. O traço do Frank Quitely pode não ser o mais bonito de todos, mas que esse cara é um monstro na narrativa, isso é inegável!

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    1. Ihhhh!!! Você vai comprar briga com uma infinidade de fãs do cara, que acreditam que ele é o verdadeiro “Homem-Aranha” da DC, enlutado Baou… quer saber? Lanterna Verde não é nem ele nem o John Stewart ou o Hal Jordan, é o Guy Gardner!!!! 🙂

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  10. Essa HQ é mesmo fantástica… lembro de ter lido a mesma na época do formato Premium da editora Abril (embora não exista, o tempo passa…). Mas essa HQ é deveras prejudicial à formação psicológica de um mancebo… digo isto pois “um amigo do primo da vizinha de um colega de escola meu” ao ler esta HQ nunca mais deixou de pensar na ideia de que provavelmente lamberia as roupas da Mulher Maravilha caso o mesmo um dia fosse um membro da LJA. É triste… não vai sair no Fantástico (a Xuxa tem mais hype)… mas é a mais absoluta verdade.

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    1. Sabe PODEROSO Manhattan, em Vingadores Secretos da Marvel, o Homem-Formiga (o vilão regenerado (?) não o Hank Pym) costumava dormir escondido na gaveta de calcinhas da Viúva Negra. Acho normal tudo isso, tá valendo…quando heróis ficam virgens e não fazem sexo, ficam loucos e perigosos como a Feiticeira Escarlate ficou, tem que extravasar os extintos animais …

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      1. Isso realmente aconteceu? Poxa… Homem Formiga agora será o meu herói favorito!! eauheauaeuhaeuhuaehueahue

        Mas convenhamos… em se tratando dos poderes “incríveis” do Homem Formiga E da beleza monumental da Viúva Negra, essa é uma atitude perfeitamente compreensível. QUEM, EM SÃ CONSCIÊNCIA, NÃO FARIA ALGO ASSIM?

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  11. Grande Vaughan.
    Cara, esta história é massa. Sempre gostei de universos paralelos e afins.hehe Bem que podiam lançar um encadernado por aqui. E colocar junto a edição do super vs elite hehe sei que não tem nada a ver uma com a outra, mas ia ser massa hehe

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  12. Rapaz do céu… (no seu caso do Inferno, rs) Essa Graffic Novel merece estar na estante de todos os amantes de quadrinhos, quem acompanha meus comentários sabe que sou ” marvete” , mas tudo quediz respeito a DC/Vertigo envolvendo a Liga da Justiça de Morrison me interessa, diria mais, queessa é a melhor história dele a frente da LIga e está entre as 5 melhores da equipe de todos os tempos.
    Em tempo: depois em outras histórias descobrimos as contra partes do Caçador de Marte e Aquaman que se chaman na Terra do universo de Anti Matéria, respectivamente – “Marciano Branco” e “Barracuda” .

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  13. Graças a Deus as mulheres não tem o rosto igual as que o Quitely desenha. O cara é muito bom nos detalhes, mas o rosto dos personagens deixa a desejar.

    Quanto a universos paralelos eu gosto quando é uma coisa do tipo “uma vez ou outra”. Se não fica sem graça e cansativo.

    Morrison é um escritor muito bom, a forma como ele desenvolve os roteiros e constrói as falas são normalmente muito inteligentes.

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  14. Confesso que eu gostei de todas as outras postagens…
    Mas essa 3V’s?
    Eu simplesmente amei ! MUITO MASSA!!!!!!!!!!!!!!
    Apelou nas Terras paralelas ! Sem contar q o texto está ótimo(como sempre^^).

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  15. As idéias da terras paralelas sempre atrairam um publico cativo como nós, só que infelismente foi uma faca de dois gumes, gerando uma grande “confusão”, mas ai vieram os gêniais Wolfman e Perez, e conseguiram uma coisa que se diria improvavel ou impossivel, com uma história bem argumentada, só que a cada dia aparecem mais e mais universos e crises e novos velhos heróis, JLA: Terra 2 é uma mega história, da forma que é apresentada e bem desenvolvida, me lembrou a animação da Liga: Crise em duas terras, vou até achar ela aqui e assisti-la, saudade…
    Titãs Together…

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    1. Atlético ‎Rasputin, concordo contigo, mas vou ser chato…(rs) e voltar na tecla que sim, Wolfman e Perez são geniais quando trabalhavam juntos, quase um Capitão Planeta (pela união dos seus poderes) quando separados…o Perez é fraco (não ruim, fraco) e o Wolfman…putz…
      TITÃS DA DÉCADA DE 80 TOGETHER!!!! 🙂

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  16. Como não lembrar das primeiras vítimas da Crise. E a analogia à historia do Superman com o jovem Alexander Luthor atravessando a cortina de antimatéria e chegando ao nosso universo.
    Esse é um dos materias clássicos dos últimos tempos e deve ser presença obrigatória, assim como E de Extinção (outra grande obra da dupla).
    Liberdade pro Morrison trabalhar este material é legal. O problema é se sair melhor que a encomenda. Seria essa a saída pela direita prá um reboot feito nas coxas??

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    1. Não digo que influenciaria a qualidade do reboot, longevo Nilson, mas a melhor maneira (digo, mais honrosa e genial) de ter terminado o universo anterior e reiniciado a cronologia nova da DC, teria sido com CRISE FINAL do Morrison…no caso dessa história agora, essa dupla junta é qualidade certa, concordo.

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  17. Existe um projeto que já é prometido por Grant Morrison para esse ano, chamado: “Multiversity” seria uma maxi série da DC abordando as 52 terras do multiverso, onde o autor escocês poderia livremente explorar o microverso de cada uma dessas realidades alternativas, com certeza seria um prazer, revisitarmos os personagens da Terra II e até nos aprofundar um pouco mais nessa peculiar realidade. 🙂

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  18. Sou só eu que ADORO universos paralelos malvados? Só é uma pena que quase todo mundo esteja a meio passo de proporções liefeldianas, exceto a mulher maravilha e a supermulher, que são o oposto das mulheres do liefeld, mal desenhadas no sentido contrário… claro, não tão ruim quanto o ‘mestre” 😛

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    1. JJ Abrans e todos os outros criadores da série são fãs de quadrinhos e principalmente de DC comics, malandro Macaco! Houve até um episódio onde os personagens principais entram em uma loja de quadrinhos da Terra paralela deles e vêem na prateleira versão alternativas dos heróis DC…

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  19. Minha primeira vez que vi a menção dessa galera foi em Crise… E o fim deles..foi tão triste… anti-heróis com conteúdo, digamos assim!!
    Muitas vezes heróis assim são mais aceitáveis… Pois são mais parecidos conosco: egoístas, maldosos…como qualquer ser humano!

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    1. Verdade, virtuoso Cesar, eu também vi a Sindicato do Crime ela primeira vez na CRISE, assim como toda nossa geração aqui no Brasil. principalmente.Realmente foi triste a participação final deles na saga, emocionou.

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