Terra-2 de James Robinson – O VERDADEIRO E CORAJOSO REBOOT DA DC comics

Por Venerável Victor  “Um tratador de macacos rebootado”  Vaughan

TERRA-2

Não é preciso entrar em polêmica para se falar dessa revista

Apesar da visão do escritor britânico James Robinson e da desenhista australiana Nicola Scott para o a nova série da DC, “Terra-2”, ser algo realmente novo e interessante; e por ter conseguido uma quantidade imensa de defensores pelos  fóruns da rede, é óbvio que sua apreciação não é unânime. E pode-se claramente entender por que.

Essa visão do autor é na superfície muito mais sombria que a do universo oficial – que aqui chamaremos de Terra-1 – e que por controvérsia também é muito mais sombria que a anterior ao reboot. E se os leitores da editora não apreciam na sua totalidade o Novo Universo DC mais sombrio – não me refiro a linha Dark, que é um sucesso de crítica, leitores e vendas – como é que poderiam apreciar a série Terra-2 sem ressalvas? Aqui o Santuário oferecerá aos seus devotos razões para se dar uma chance ao novo título.

A primeira aparição da Sociedade da Justiça, na Era de Prata após serem substituídos pela “nova” Liga da Justiça e a capa número #1 da atual revista: Terra-2

Primeiro de tudo, Terra-2 é um dos melhores títulos da editora atualmente por se tratar de ser o verdadeiro reboot, algo que, apesar de todo o barulho e marketing, os “Novos 52” nunca foram realmente. “Esse relaunch não é um reboot!” eles disseram, então seria injusto acusar a DC por isso. Exceto que sim em alguns sentidos e não em outros, alguns personagens e revistas foram “rebootadas” e outras não… alguns títulos foram realmente re-imaginados, outros ordinariamente apenas recontaram os velhos conceitos com novas cores. No todo, a iniciativa foi extremamente confusa e covarde, não se pode dizer que foi realmente um novo começo e desaponta pela falta total de verdadeira ambição artística.

Terra-2, por outro lado é um reboot completo. Essa de forma alguma é a clássica Terra-2 da antiga Sociedade da Justiça, Corporação Infinito ou do All-Star Squadrão. Esse certamente não é um universo onde os heróis da Era de Ouro lutaram contra “comunistas sujos” e criminosos comuns da década de 40, e onde seus filhos cresceram embaixo de suas asas para se tornarem uma nova geração de heróis. Melhor deixar isso de lado, esquecer, ou muitos leitores vão começar a chorar e alguns irão mencionar até o nome de Donna Troy (que não tem nada a ver, mas sempre vem a tona)…

O novo visual de Alan Scott e Jay Garrick, respectivamente o Lanterna Verde e o Flash da Terra-2

Não! Essa é uma completamente nova reinvenção, daquele tipo que nunca foi realmente feita na Terra-1. E isso tem muito do trabalho e contexto do que a DC fez com a Terra-1 e a Terra-2 após a Crise original em 1986. Essas duas “Terras” após essa mega saga, foram mescladas em uma única Terra. Os heróis da Era de Ouro começaram a compartilhar uma história com os “heróis modernos”, sendo os responsáveis pelo surgimento de uma Era Heroica que inspirou os justiceiros da atualidade. Barry Allen se chama Flash por causa de seu predecessor Jay Garrick e até mesmo personagens como o Super-Homem pôde olhar para trás e dizer que foi inspirado por esses grandes feitos históricos de heróis mais velhos (a Marvel fez a mesma coisa com o Capitão América). Eventualmente, os heróis da Era de Ouro foram trazidos para o presente e cada um, por artimanhas aqui e ali de roteiristas criativos e muito safados, continuaram servindo a sociedade como justiceiros ativos e em outros casos representados por jovens heróis descendentes ou não deles, que passaram a defender seus legados. A Terra-1 está mais pobre por não tê-los mais? Sim, mas não estamos aqui para falar dela.

A nova Terra-2 usa o mesmo tema original de sua homônima pré-crise, mas agora totalmente atualizada e ironicamente ao contrário da sua versão anterior, os leitores foram apresentados a um Super-Homem (Clark Kent), Mulher Maravilha (Diana) e Batman (Bruce Wayne) que aqui representam os legados originais, mas a revista rapidamente os mata no melhor estilo “O que aconteceria se…” num último sacrifício para derrotar a invasão de Darkseid a Terra, porém com a fantástica exceção que não tivemos que esperar seis edições para isso acontecer.

Os membros sobreviventes herdeiros de seus legados, Supergirl e a filha de Batman: a Robin, foram acidentalmente enviadas para a Terra-1 para se tornarem a Poderosa e Caçadora respectivamente, emergindo aqui cinco anos depois, sincronizadas assim com a cronologia vigente do Novo Universo DC.

É chegado um novo tempo para essa realidade alternativa, uma nova era heroica na Terra-2 é apresentada, mas dessa vez, Jay Garrick, Alan Scott, Al Pratt e muitos outros serão a nova geração a surgir dos escombros dessa tragédia. Para muitos fãs do trabalho do antigo roteirista Roy Thomas a frente da Terra-2 isso pode ser um susto, mas é tão “assustador” como foi para os leitores da Era de Prata quando viram pela primeira vez o “novo” Flash Barry Allan surgindo em 1956.

Apesar dos leitores não entrarem num consenso a respeito de um reboot, relounch ou louchboot, não sei mais, James Robinson está fazendo o que faz de melhor em Terra-2: pegar personagens da antiga e longe de interessar à editora e dar-lhes a chance de uma nova vida, enquanto presta tributo ao que eles costumavam representar.

Aqui nós temos inúmeras pistas que dão aos fãs esperança de que isso não será esquecido, afinal temos um Super-Homem admitindo que a Mulher Maravilha é “sensacional”, o uso dos deuses romanos ao invés dos Gregos, o “pequeno” sargento Pratt protegendo uma “bomba atômica”… esses são tributos a conceitos clássicos da Era de Ouro que provocaram sorrisos de canto de boca em leitores muito mais antigos que a maioria de nós. E apesar de Terra-2 ser agora um conceito contemporâneo, os heróis da Era de Prata serão o Legado que a “antiga/nova” Sociedade da Justiça, a partir de agora seguirá com orgulho.

Nessa matéria foi mencionada a palavra “esperança” e é válido ressaltar que esse é o sentimento que difere esse título das demais 51 revistas da “Terra-1”. Sim, a revista Terra-2 começou de cara com um tragédia, mas o conceito fundamental trata-se exatamente disso, todo a reconstrução de um universo a partir daí. O lado sombrio da Terra-1 remete ao modo como as pessoas enxergam seus heróis (não injustamente, lógico), desacreditadas de seus ícones e esses mesmos sendo “escrotos” que não verdadeiramente buscam algum tipo de redenção, essa nova continuidade tenta se assemelhar com a de Authority ou Watchmen, universos que não necessariamente inspiram esperança. Na Terra-2, ao contrário, é nítido o potencial para uma positiva ficção, a partir do momento que boas pessoas foram chamadas para assumirem mantos heroicos inspirados pelo sacrifício dos maiores heróis daquele mundo.

Os antigos herdeiros dos heróis da Era de Ouro: A “Corporação Infinito” com seus mentores da Sociedade da Justiça.

NOTA:  Morreu ontem, dia 6 de Junho, aos 91 anos,  o americano Ray Bradbury. Autor de 11 romances e mais de 400 contos publicados. Ficou conhecido principalmente pelas suas obras de ficção científica, como as “Crônicas marcianas” e “Farenheit 451”. Na próxima quinta-feira o Santuário, em homenagem a esse que é considerado o maior autor de ficção científica/fantasia do mundo moderno, resenhará sua obra mais popular.

“Estou ensinando as pessaos a serem felizes”

Ray Bradbury

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33 comentários sobre “Terra-2 de James Robinson – O VERDADEIRO E CORAJOSO REBOOT DA DC comics

  1. Não gostei nada dessa nova Terra 2: não gostei dos designs, não gostei das mudanças de personalidade, não gostei que já rebagunçaram tudo, não gostei de terem rejuvenecido o Alan Scott, e da tentativa da DC de parecer não retrograda,revelando que um personagem de um título que ninguém vai ler é Gay. Se queriam parecer inclusivos, ao menos mantivessem o Alan Scott como um senhor de idade, que aí seria algo nunca visto – e parem de fingir que não tem um casal gay no Meia Noite e o Apollo, se é que ainda são publicados ¬¬

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  2. Ainda não li nada sobre a Terra 2, mas esses novos uniformes visualmente tão muito ruins. Conseguem ser piores que suas versões anteriores!

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  3. Cara, junto com a linha Dark esta Terra 2 foi a que mais chamou minha atenção. Também vou querer ter ela na minha coleção. Como já disse antes, ler online é legal, mas nada é mais prazeroso do que ter uma história que tu gosta em papel, na tua mão hehehe Sei que isso não é muito sustentável, mas é massa. hehehe Abraço meu.

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  4. “Terra 2” será um dos carros-chefes da minha coleção… algo que quero comprar, ler, (claro né?), cheirar a tinta (putz, isso soou oficialmente muito esquisito), e guardar num lugar especial da minha estante… é o tipo de história que, exatamente por não estar vinculada a anos de cronologia, se passar numa Terra paralela e “rebotada”, tem toda a liberdade criativa do mundo, possibilitando aos autores fazerem tudo que não poderiam em outros títulos. Já gostei muito de alguns “soluções” encontradas, como a origem do Flash Jay Garrick, por exemplo… puro suco de vitamina nerd batido por James Robinson, autor britânico que tanto gosto, e que escreveu uma fase bem mais ou menos da Liga da Justiça, mas deve ser perdoado justamente porque não tinha a mesma liberdade criativa que terá agora, e foi o responsável por algumas das MELHORES HQs que já li na vida, principalmente o seu trabalho em Starman; e vale lembar que está atualmente também escrevendo uma série deliciosa de ler com o personagem Sombra, resgatado justamente da citada série Starman. Algo que merece muito receber a devida atenção. Victor, parabéns pelo seu artigo, tem tudo que precisa ter e de fato cumpriu sua palavra: não foi preciso entrar em polêmica para abordar o assunto. Correndo o risco de ser redundante: PARABÉNS!!!!

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  5. Terra 2. Isso sim foi uma interessante idéia. Num primeiro momento nem pensando nela em si, mas olhando o que James Robinson fez alguns anos atrás. Ele nos trouxe uma reformulação do Starman!!!!! Literalmente enterrou um antigo, e colocou outro, moderno, descolado e mesmo assim herói. Ele trouxe uma nova visão de Sociedade da Justiça (apesar de muitos aqui não terem visto esta fase que ficou obscura no Brasil). Mais uma vez enterrou vários heróis e das cinzas de tantas mortes e tantos heróis que não eram vistos há mais de dez anos ele fez renascer novamente o mito. Devemos acreditar que no meio de tanta coisa ruim borbulhando pelo universo DC, algo bom apareça mis uma vez. E….das cinzas, mortes de tantos que nos são caros, precisos e essenciais!!! Esse sim é o verdadeiro reboot. E como será a ligação de Darkseid com as duas terras???? E quando vão se encontrar??? Só o tempo dirá!!! mas da mesma forma que com os personagens sombrios a DC acertou, quero acreditar que agora com os heróicos será outra bola dentro. E obrigado ao grande tratador por nos trazer esse momento (só faltou imagens da JSA na época do james Robinson!!!)!!!

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  6. Náo tinha feito uma analise e observado os fatos por esse angulo, ótima materia, otimo angulo de visão, precisamos de mais pessoas como vc que olham além do alcance.
    Amo tudo e todos relacionados a DC, desde os Titãs(suspeito falar)Monstro do pantano, homens metalicos, LJA, etrigan, uma lista infindavel, mas ao olharmos para os tempos remotos da grande crise fizeram o mesmo na época, heróis morreram, cidades sumiram vidas foram ganhas e perdidas, mas sempre sobrevivemos e para melhor, não concordamos com certas mudanças, fazemos cara feia para editores, mas estamos sempre observando e aprendendo com os novos tempos e são precisos novas medidas, mas sempre nos resta olhar para tras e ver o que realmente nos transformou no que somos, e sempre conhecer mais e mais, Titãs Together…

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  7. Muito, muito, muito Foda !
    Sempre achei o Heróis da “Terra 2” bem mais presença que os da “Terra 1” !
    Principalmente o Batman *—*’
    E como sempre falo aqui, mas é essencial já q é a pura verdade…
    Mas o texto está completamente impecável, 3V’s !
    MEU BROTHER ! =D

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  8. Tem tantos personagens ainda para serem mostrados né? Uma das maiores caracteristicas desse grupo é a quantidade muito maior de integrantes, não? Tomara que o ritmo não seja arrastado como foi a apresentação da Liga da Justiça da Terra-1…se não só vai acabar ano que vem. 🙂

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  9. Terra 2 é uma abertura imensa a um verdadeiro reboot. Os conceitos são de mudança positiva, os heróis não foram reformulados mas sim verdadeiramente repensados de modo a obter algo de diferente. Os meus parabéns aos autores, porque é difícil criar um novo universo quase de raiz!
    Bom texto Victor!
    😉

    Abraço

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  10. Eu acho estranhos os uniformes novos, mas apesar de não me interessar mais por super heróis, acho que é muito melhor ter uma mudança (quando necessário) do que ter que ler mais uma vez a mesma história sendo recontada pela trocentésima vez, por um roteirista nem sempre competente.

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  11. É um sentimento de perda ao ler uma matéria como esta que sinto… Não tenho mais paciência nem tempo de acompanhar a mais uma reformulação. Que o público mais novo se beneficie e curta. DC pra mim é passado. Boa sorte aos novos “Decenautas” ! Que descubram ou redescubram este universo fantástico. As atualizações são necessárias e valem para isto, ou seja, fazer com que as gerações mais novas conheçam o antigo.

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  12. Eu já era maduro quando aconteceu a primeira Crise, vi meus heróis queridos morrendo, outros simplesmente não mais existindo (como agora vocês sofrem com alguns) e pior, outros tendo seu passado totalmente apagado, como a Mulher Maravilha (apesar do trabalho maravilhoso do George Perez, foi um shock, perder décadas de cronologia) e digo uma coisa, sobrevivi e eventualmente, muitos dos mortos voltaram e as mudanças foram assimiladas. Essa proposta do James Robinson seria algo terrível há 30 anos atras, hoje é impactante, mas genial em qualquer fase de consciência dos fãs, sem dúvida.

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  13. Acho a Terra-2 um novo e saboroso mundo, cheio de possibilidades para novas e boas aventuras.
    Por si, a iniciativa de retomar o lado heróico simples do passado, num mundo como o de hoje é uma ideia um tanto ousada, e por sua ousadia já vale a leitura.
    Heróis que querem honrar seus legados, acho um boa premissa.
    Confesso que ainda não li nenhuma revista sobre a Terra-2, mas lendo a matéria, (por sinal muito boa) senti aquela ponta de esperança de enfim voltar a ler, consistentes e boas aventuras.
    Se tida por polémica, inovadora, esperançosa, saudosista, o que for, espero que a Terra-2 seja isso e muito mais, e que com ela volte aquela sensação de fechar a revista e esperar ansioso pela próxima edição.
    Saudosismo, um pouco, mas não de uma época em si, mas de uma certa “qualidade” de leitura.
    Que venha a Terra-2.

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  14. Algo que dá vontade de olhar adiante para imaginar o que vem, e não como o “reboot” que me faz a todo momento ter vontade de olhar pra traz. Acho que a DC foi mais bem sucedida na sua reformulação pos-Crise. Havia algo de especial naquela época, porque tinha um vetor de experimentação artistica nos quadrinhos muito forte, e hoje acho que o maior vetor é criar material de consumo rápido para ser usado em outras mídias. Não que vender não rtenha sido sempre a preocupação de qualquer editora, mas nos anos 80 parecia não ser apenas isso. Terra 2 da a impressão de ir numa direção contrária, e buscar de fato ser interessante.

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  15. Já antevejo, em algumas décadas, um re-re-lounchtboot nesses personagens que hoje são execrados. Daí meus netos, indignados, dirão que era muito melhor na época que eles eram crianças…. Ai, a saudade, esse monswtro de sombra que espreita por trás de cada par de olhos…

    Linda matéria.

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    1. Absurdo! As faculdades públicas nessa greve ilegal e abusiva e as pessoas perdendo tempo com heroizinhos e revistinhas! Cresçam, o país precisa de vocês! A propósito, o relaunch é um atentado aos bons costumes!

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