Monstro do Pântano # 9 – Pêssegos e Baunilha

Resenha de Monstro do Pântano #9, de Scott Snyder (roteiros) e Yanick Packett (desenhos).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers

Eu não sinto nada.

Todas as coisas à minha volta são tão perfeitas, brilhantes e sem sentido. Estou à deriva dos sentimentos, vejo tudo o que não posso, tudo que me foi negado… mas agora algo mudou. Eu nasci em um mundo repleto de guloseimas, e o meu paladar não existe. Mas agora algo mudou. Simplesmente não importa, não quero mais, não tenho mais interesse. Não ligo para o perfume das flores ou o sabor das frutas. Não me comovem os olhos de um filhote de tigre recém nascido, nem o ronronar produzido ao acariciar seu pelo. Não me importa a beleza da vida, não me interessam suas cores e sabores.

Estou à deriva dos sentidos, fui libertado por uma força superior, e depois de passar toda a minha vida aprisionado dentro de uma bolha de sentimentos transparentes, tenho agora o mundo inteiro a minha disposição.

Mas não quero.

O que tenho dentro de mim não é um vazio, não é raiva e nem mágoa. O que tenho é a mais pura e concentrada indiferença, ligada diretamente ao poder que me libertou.  Eu não desejo morrer. Eu desejo a vida.

A vida do podre. Porque o Podre é lindo.

Meu nome é William Arcane.

Eu não sinto nada.

Que tudo o mais apodreça.

Quem acompanha a guerra entre o Podre e as forças do Vermelho e do Verde, mostradas nas revistas do Homem Animal e do Monstro do Pântano, sabem que esses dois heróis estão combatendo ferrenhamente o mesmo inimigo, embora ainda não tenham sequer se encontrado até esse ponto. E também não será nessa edição que eles virão a se encontrar.

Embora o clima entre as revistas seja o mesmo, sombrio e repleto de terror, as linhas narrativas tomam rumos totalmente diferentes. Buddy Baker sabe muito pouco sobre as forças primordiais envolvidas, só tendo tido recentemente contato com o Vermelho e a verdadeira origem de seus poderes.

Já Alec Holland, sempre esteve ciente do plano geral… ele ressurgiu dos mortos com todas as lembranças do elemental do Verde, e conhecia de perto as implicações da atuação dessas forças.

A batalha dessa edição continua no mesmo âmbito que vem sendo mantido desde que Alec “reencontrou” Abigail Arcane: trata-se de uma história de amor. Duas almas ligadas por forças incompreensíveis que fizeram com que Alec fosse o rei guerreiro escolhido pelo Verde, e Abby a rainha absoluta do Podre, a detentora do toque mortal capaz de aniquilar a vida e convertê-la em entranhas distorcidas.

Um caso shakespeariano, onde o amor impossível precisa tentar sobreviver às forças contrárias que os impelem a lutar por seus ideais. Há algo de Romeu e Julieta nesta edição… além das referências óbvias, de certa forma temos o uso de substâncias misteriosas envenenando um dos protagonistas, com a finalidade de enganar a morte e conquistar um final feliz. Mas, assim como no romance clássico, os planos podem ter consequências desastrosas, ainda que não observadas à primeira vista.

O que parece ser o fim de um ciclo na vida dos personagens, se mostra apenas o verdadeiro começo da grande guerra, onde os avatares são apenas engrenagens servindo inconscientemente a seus mestres, supostamente benevolentes.

Água demais mata a planta. Mas Scott Snyder e Yanick Packett são bons jardineiros. Mas eu não vou fazer aquela velha piadinha sobre  “as árvores somos nozes”… estão pensando que isso aqui é o quê? O Baile dos Enxutos?

Resenhas anteriores? Clique AQUI!

Anúncios

11 comentários sobre “Monstro do Pântano # 9 – Pêssegos e Baunilha

  1. Série muito boa. Não sei onde isso tudo vai parar e como pode continuar depois, mas com certeza esta sendo muito bom acompanhar toda esta jornada.
    E reafirmo o que disse antes, não vejo a hora de ter a revista Dark em mão. hehe
    Abração cara.

    Curtir

    1. Tiago, é um novo “clássico instânaneo” que nasce, mas não no sentido pejorativo; Monstro do Pântano já tem uma longa trajetória de ótimas histórias no passado, e a nova fase, reafirma o potencial do personagem trazendo aquele clima sombrio e instigante dos anos 80 para a época atual. Também estou ansioso pela publicação impressa desse material.

      Abração!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s