Fabulosos X-men #13 & Disque “H” para Herói #2 – “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

Por Venerável Victor “Disque 190 para polícia”  Vaughan

Uncanny X-men #13       SPOILERS

Kieron Gillen & Billy Tan

Como fã começo a me sentir mal por Kieron Gillen, pois é nítido que a cada um dos últimos meses ele só fez preencher sua revista com eventos que façam sentido de acordo com a mega saga: Vingadores VS X-men. O lado bom, apesar de nitidamente menor, é que muitos fãs não tem o mínimo interesse nessa história e assim como outros leitores, acabam se inteirando do que acontece por aqui. Apesar de que tudo isso é construído pelos autores de cada uma das revistas que são obrigadas a tratar do evento, de forma artificial. Uma pena só imaginar que enredos interessantes Kieron poderia estar desenvolvendo se não tivesse o compromisso com a continuidade da Marvel e essa série caça-níquel que apenas visa vencer a DC comics em vendagens mensais.

O mais visível defeito dessa edição é a narrativa arrastada. A maior parte da revista mostra flashbacks ou pequenas cenas de batalhas entre as equipes – Vingadores e X-men – em diversos lugares, mas isso não é novidade. O ponto alto é o fato do vilão “Unit” mais uma vez ter a oportunidade de que sua personalidade e motivações sejam exploradas para os leitores, sendo ele o personagem principal desse número; mas isso de forma alguma é motivo suficiente para se gastar quatro dólares com a revista.

Dessa vez o desenhista é malasiano, Billy Tan, e seu trabalho é interessante, mas dificilmente merece cinco estrelinhas. Muitos painéis desenhados por ele servem perfeitamente ao propósito da ação, como as sequências de batalhas espelhadas entre as duas equipes e o quadro em que Tempestade, Magneto e Psylock fazem um brinde, mas elas no geral não são artes bonitas e geram desconforto ao fã regular que acompanha o título. A única cena de batalha da revista, na cela de detenção de prisioneiros de Utopia, contém interessantes efeitos visuais mas de forma alguma consegue passar a atmosfera emocional necessária para um momento tão importante.

O único benefício em se ler essa edição é o fato de que o robô Unit realmente esclarece sua intenção e vilania em se envolver com os eventos que estão gerando conflito entre as equipes de heróis: a Força Fênix e o que deseja obter com isso. O problema aqui – além do velho e bom monólogo vilanesco de explicação – é que a revista realmente precisava de uma boa dose de aprofundamento para tudo isso não parecer tão superficial.

Os fãs de verdade não deixarão de colecionar essa edição, mas no futuro quem sabe, o dinheiro investido por todos esses leitores possa ser melhor aproveitado quando a Marvel abandonar essa mentalidade mesquinha de lucro a qualquer custo… ou pelo menos reduzirem a frequência dos mega-cosmicos-eventos pela metade…

Dial H for hero #2   SPOILERS

China Miévelli – Mateus Santolouco – Brian Bolland
Capa de Brian Bolland

China Miéville pode parecer nesse título cometer o mesmo erro de diversos outros roteiristas atuais, seja de novelas, romances, séries, filmes ou mesmo quadrinhos: está tentando transformar esse título numa revista de mistério. Mas ao contrário, para muitos leitores, muitas vezes pode parecer que Miéville está sendo vago e escrevendo sem fundamento o roteiro. Sem sombra de dúvida, coisas acontecem nessa revista. Esse de forma alguma é mais um dos títulos heroicos nas comics shops que são descompromissados com conteúdo e parecem que nada acontece entre a página um e a vinte. Muito menos essa revista cai no quesito “clichê” – de fato, ela realmente é um dos títulos mais originais do mercado, mesmo sendo uma revista de super heróis e de ter sua origem em uma ideia reciclada.

Mas nada disso importa se a revista for chata de se ler. Após algum tempo que os fãs americanos ficaram longe de algum título “Disque H”, houve espaço para todos porem as ideias no lugar e não engolirem mais qualquer tipo de história com essa premissa sem exigir qualidade. Dessa vez a revista retorna sobre a batuta de um escritor que sabe que não pode deixar com que o mérito do título fique apenas sobre a responsabilidade do “Disco de telefone que transforma você em diversos heróis”, mas sim em trazer para a mesa um ambiente sombrio real e um roteiro bem mais elaborado.

Novamente a revista poderia ser uma das queridinhas da audiência se tivéssemos um personagem que nós pudéssemos nos identificar ou por quem morrer de pena, mas Miéville obviamente optou pela segunda opção para o protagonista, duas edições já foram lançadas e Nelson parece ter tido mais problemas nelas que Matt Murdock em décadas de vida. É impossível não se compadecer pelo “herói por acaso” aqui, sim, ele é um homem triste e derrotado, que caiu fundo no poço da auto lamentação. Ele é real e investindo pesado na segunda opção, Miéville tira de letra a primeira alternativa que tinha ao construir a revista, nós nos identificamos com o protagonista, sim!

Nós rimos também e por que não? Nelson está extremamente acima do peso, fuma pelos cotovelos, mal pode andar e tem uma ex-namorada ao qual ainda é apaixonado, mas que sequer quer ouvir o som da sua voz. Se o roteirista aprontar mais alguma com esse cara, por favor, prendam-no! É um sádico literário!

O desenhista brasileiro Mateus Santolouco novamente mostra que pode ser um dos grandes nomes do mercado internacional, seu estilo casa perfeitamente com a narrativa do autor e imprime o surrealismo necessário para cada novo herói criado pela cabine telefônica. O clima sombrio de suas páginas é criado com carinho e talento único. Quando Santolouco tem a oportunidade de “cair matando” nas estreias dos novos heróis, você fica agoniado só de pensar na possibilidade de nunca mais ver tal personagem novamente. A visão do mundo pelo herói “Control-Alt-Delete” é maravilhosamente alienígena e nos lembra do quanto o “Disque H” transforma internamente a percepção de mundo do protagonista. Lógico que grande parte do sucesso dessa revista está na escolha do artista que a desenha.

Ao fim da edição, nosso(s) herói(s) descobre que seus inimigos sabem mais sobre a origem do “Disque H” que ele mesmo e isso pode ser a razão pela qual o ritmo da revista não tenha progredido como poderia, o fato do mistério estar se arrastando é um mal necessário e não algo para os leitores se preocuparem de fato. Honestamente? Enquanto Miéville e Santolouco continuarem trazendo mais e mais loucos novos heróis para que Nelson se transforme, muitos de nós estarão fartamente satisfeitos. E se vai existir uma história maior conectada com tudo isso??? Bem, ela certamente será apenas a ponta do Iceberg, quanto mais mistério aqui, melhor!

Resenha da edição #1 aqui.

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40 comentários sobre “Fabulosos X-men #13 & Disque “H” para Herói #2 – “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”

  1. Não acho legal quando as revistas ficam presas a saga central da editora, mesmo que ela seja boa, deve haver um controle.
    Gosto bastante do traço do Santolouco e da ideia proposta em Disque H.

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  2. Sobre X-men, não tenho nada a acrescentar…

    Disque H é aquele tipo de quadrinho fora do lugar comum que vira cult, influencia outros autores, muda o cenário da industria e depois é cancelado… mas nesse caso, tomara que a última parte não aconteça tão cedo!

    Parabéns pela jornada dupla de trabalho, Victor… tu é guerreiro! rs

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  3. “Disque H”, quando falado em voz alta, cria uma cacofonia muito engraçada xD

    Avengers vs X-Men está sem comentários… nunca vi uma megassaga tão nivelada pra baixo. Parece que deram um estoque de bonequinhos pros autores e eles estão brincando de lutinha, e a cada edição inventam um motivo idiota pra mais pancada.

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  4. Vocês poderiam fazer um abaixo assinado e enviar para a DC para eu aparecer pelo menos nessa série do DIAL H …nem que fosse uma única vez, aparecendo como uma nova heroína criada pela cabine telefônica…com outro nome, tipo Mulher Xérox, Miss Alzaimer…sei lá, não me importaria…alguém??? …

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  5. E aí meu, tudo tranquilo?
    Cara, não tô lenod Fabulosos X-men, só o que vocês postam por aqui hehe
    Mas Disque H tá bem massa mesmo, o climão que estão conseguindo por enquanto nestas duas edições está bem legal.
    Li que Resurrection Man vai ser cancelado nos EUA, então tomara que substituam por Disque H por aqui no mix Dark. Aí a revista ia ficar mais perfeita ainda heheh
    Abraço cara.

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    1. Não estou por dentro do MIX das revistas da Panini no Brasil, mas concordo com você que seria uma ótima no conjunto com certeza pelo que também leio aqui quando não estou no meu laboratório trabalhando! 🙂

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  6. E uma pena, mesmo, ver que varios titulos estao sendo deixados de lado graças ao suoer evento Vingadores vs Avengers.
    Eu acho que Unit poderia ser bem mais explorado se esse nao fosse apenas um tie-in.
    Para mim, a parte mais interessante mesmo foi onde mostra os X-men que foram na Lua de volta.
    Bem que eu vi em uma imagem ai, a terra em forma de X. Provavelmente Ciclope vai dar uma de Chefe da ultima fase, toma muito anabolisante e desse a porrada em geral!
    Valeu!

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  7. Fabulosos X-men sofre com a pressão caça níquel, mas vale ressaltar que nenhuma outra revista da marvel e da dc está livre desse mal.(infelizmente)

    Achei muito rasa essa edição, chegando quase ao ponto de desnecessária. Essa estrategia de colocar as batalhas completas em edições especiais visando apenas lucro foi um tiro no pé.
    Até porque gera erros de continuidade bobos, menor dos problemas, mas gera, isso sem entrar no mérito financeiro da coisa.
    X-men (quase toda a franquia) esta carecendo de um bom vilão, alguém do naipe do Magneto, Dentes de Sabre, Irmandade, Clube do Inferno. Esse vilão Unit é desprovido de carisma, ficando difícil do leitor criar qualquer simpatia pelo mesmo. (me lembra o monstro da semana dos power rangers).
    Ainda vamos passar umas boas edições com nossos heróis engessados, presos num roteiro de enrolação, esperando o momento das revelações bombásticas do ano.

    Já Dial H, soa novo, tem uma liberdade maior, até porque não esta preso dentro da continuidade DC. Seus escritores não tem que escrever uma edição inteira com ele enchendo linguiça para esperar o que esta ocorrendo na saga principal.
    Não sei se transformar o herói em um loser total ajuda, mas com toda certeza diferencia, num universo onde todos os personagens (heróis e vilões) são fisicamente perfeitos, um herói sem o físico dito normal, já chama muito a atenção.
    É tanta desgraça que como o Victor disse, chega até a ser engraçado. Um sorriso de canto de boca, e um pensamento de poxa, como ele é azarado.

    Os heróis resultantes das transformações são o ponto alto, espero que a cada edição eles se mantenham no nível dos primeiros, nos surpreendendo e divertindo.

    Victor parabéns pela matéria, principalmente pela escolha das ilustrações que passam perfeitamente a informação complementar ao texto. A imagem de nosso herói correndo e voltando ao normal é sensacional.

    Encerro esperando que essa fase X-men engessada seja breve, e que Dial for H tenha uma longa vida, assim como as resenhas do Victor.

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    1. E vida longa a comentaristas/amigos/fãs de quadrinhos como você, Anderson!!! Que alegram e ENRIQUECEM absurdamente o trabalho do resenhistas desse site e das nossas aventuras de heróis!!!

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  8. Esse vilão Unit teria mostrado que era um verdadeiro chuta bundas ou a que veio aqui se tivesse matado essas “Luzes” nessa edição…deixando só a Pixie viva, afinal ela ali é a única relevante…os outros três novos mutantes? Buchas fácil… achei fraca a edição demais…

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  9. A enorme quantidade de revistas X diluem uma história que já é rasa e deveria ser autocontida na própria revista da saga AvX. Sem contar que os “100” títulos de Vingadores tratam do assunto juntamente com a inútil revista AvX – Versus!

    E apesar disso, essas megassagas vendem muito e não vão acabar tão cedo. A CULPA É NOSSA!

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      1. Não, caro Ckreed!!! A culpa é da entidade cósmica que assumiu controle do corpo da filha do Magneto e quase exterminou por completo nossa espécie!!! Saudações de um peludo para outro!!!

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  10. AVX é uma trama arrastada que está perdendo a graça que corre o risco de ter um fim besta.

    Enquanto isso roteiristas competentes como Kieron Gillen são obrigados a andar em passos lentos por causa disso.

    Quanto ao Billy Tan. Um dia alguém disse para ele que ele sabia desenhar e ele acreditou, todo mundo tem o mesmo semblante.

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  11. Ocês estão me “obrigando” a ler Dial H for Hero! huahuahuahu Vou ter que importar isto daê…

    Quanto aos xis-men, bem, infelizmente estou lendo AvX e não gostando nada. No final, a melhor solução será a morte do Ciclope…

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    1. Estava comentando com o Hawkeye isturdias… essa “fenixização” dos mutunas está cheirando na um “Shadowland” mutante, não? Ciclope enfodece, tenta mudar o mundo à sua maneira, perde o controle, seus amiguinhos se voltam contra ele, cai em desgraça e daí OU morre OU sai em peregrinação por aí até “retomar” seu caminho.

      Ciclope was right!! Vocês verão!! Todos verão!!

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  12. Quanto a X-Men o que dizer??? Que aqueles que um dia bradaram contra Inferno (na época em que comecei acompanhar diretamente a cronologia americana) ou X-Tinction Agenda um dia se arrependeriam??? Esse é o momento????
    Dial H: a minha opinião é suspeitíssima e pode dar o ar de exagero, mas é bom que o Miéville e o Mateus tenham uma ninhada de coelhos na cartola pois do jeito que o mercado anda fragilizado, prá cair no esquecimento não demora muito. E não é isso que eles merecem.

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  13. Fico com a segunda definitivamente. Os títulos normais da Marvel andam a ser completamente sabotados pelo Avengers vs X-Men! O que é uma pena.
    Quanto ao Dial H estáa revelar para mim um excelente artista: Santolouco.
    Estou a gostar muito da arte e do dinamismo que ele coloca em certas páginas!
    😉

    Abraço

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  14. Ah, para! Essa foi a edição mais fraca de Uncanny desde que estreou e olha que aquele primeiro arco com o Senhor Sinistro, onde…tudo era sinistro, literalmente foi dose…mesmo assim foi superior a esse “tie-in” forçado…quanto mais vamos ter que aguentar, até essa saga acabar? Mas vale lemrar uma coisa que eu já tinha dito antes que poderia acontecer…o Professor Xavier e seu filho Legião fizeram uma participação relâmpago no capítulo desse mês na revista principal da saga!!! Será que eles vão realmente integrar o Extintion Team no futuro??? Legião, Magneto, Xavier….nossa mãe!!!

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    1. Sabe Fred, eu acredito que agora mais do que nunca, o Xavier deve voltar para por ordem na nossa “casa”…sua liderança inspiradora e paterna, quase que messiânica é que está faltando entre nós.

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