RESENHA: Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 6

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Contém spoilers

Por Rodrigo Garrit

Enquanto a Dra. Nina mostra o interior da Fazenda de Formigas para o Dr. Palmer, novos humanids (clones humanoides recicláveis) são produzidos e descartados em massa, para trabalharem em serviços braçais.

A Fazenda de Formigas é a base itinerante da organização S.O.M.B.R.A. (Secretaria  de Organização dos Meta-humanos em Batalha, Resgate e Auxílio), ela flutua sobre diversos pontos do globo em tamanho quase microscópico. Essa tecnologia foi viabilizada pelo próprio Dr. Palmer, especialista em miniaturização, que só agora teve a chance de conhecer o local.

Enquanto isso, Frankenstein e alguns dos outros membros do Comando das Criaturas estão em missão no Vietnã. Eles devem encontrar o Dr. Quantum, um antigo operativo da S.O.M.B.R.A. que acreditava-se estar morto, porém ressurgiu com grande poder e pode representar uma terrível ameaça.

Essa é uma das melhores edições da revista até aqui, senão a melhor. Depois dos eventos da edição passada, com a batalha entre Frankenstein e OMAC, a história volta aos eixos… Jeff Lemire fez questão de relembrar alguns pontos  importantes sobre a S.O.M.B.R.A.  e situar os leitores, preparando-os para o grande evento que está por vir, ligando Frankenstein  à ameaça que atualmente é combatida pelo Monstro do Pântano e o Homem Animal.

A história do Dr. Quantum é como se fosse um final infeliz do Dr. Manhattan, de Watchmen… a referência ao personagem é clara, e até mesmo é feita uma rápida comparação dele com o Capitão Átomo.

Jeff Lemire parece lidar propositalmente com essas “paródias”, por assim dizer. A própria mecânica da revista do Frankenstein lembra muito o universo criado por Mike Mignola para o Hellboy… mas não se trata de um plágio, no máximo uma grande homenagem e faz que funcione tão bem quanto as versões que Alan Moore criou dos personagens da Charlton para fazer Watchmen… e com isso, não estou comparando as histórias, mas sim a técnica de transpor personagens similares para um novo ambiente sem roubar as qualidades do original. Eu diria que esse Frankenstein está para o Hellboy, assim como Harry Potter está para Tim Hunter, da série Os Livros da Magia da Vertigo… a princípio, são praticamente idênticos, mas ao nos aprofundarmos nas histórias de cada um, vemos que na verdade, são totalmente distintos.

“Dr. Quantum”, baseado no “Dr. Manhattan”, baseado no “Capitão Átomo”…

Voltando à edição anterior, onde Frankenstein enfrentou OMAC, aparentemente, o Irmão Olho deixou um “presentinho” ao invadir os computadores da S.O.M.B.R.A., então, podemos esperar uma pequena revolução dos humanids para as próximas edições.

A arte de Alberto Ponticelli continua não sendo totalmente do meu gosto, mas admito que ele sabe desenhar monstros… e as cores de Jose Villarrubia são deslumbrantes, impossível não pensar no quanto ele carrega suas tintas com ironia ao fazes painéis tão coloridos para essas histórias. O resultado é diferente do que se consideraria óbvio… e positivamente surpreendente.

Se eu tivesse lido apenas a edição anterior, sem conhecer o trabalho de Jeff Lemire, teria desistido ali mesmo. Mas esse novo número recuperou o fôlego do roteiro e me deixou ansioso pelo próximo.

Jeff Lemire, Alberto Ponticelli e Jose Villarrubia

Frankenstein já citou trechos de poemas em várias ocasiões. A partir de agora, sempre vou encerrar todas as resenhas das histórias dele com uma poesia de autor em língua portuguesa, dentro de um contexto no qual eu imagino que ele citaria… e para começar…

ABERRAÇÃO

Na velhice automática e na infância,
(Hoje, ontem, amanhã e em qualquer era)
Minha hibridez é a súmula sincera
Das defectividades da Substância:

Criando na alma a estesia abstrusa da ânsia,
Como Belerofonte com a Quimera
Mato o ideal; cresto o sonho; achato a esfera
E acho odor de cadáver na fragância!

Chamo-me Aberração. Minha alma é um misto
De anomalias lúgubres. Existo
Como a cancro, a exigir que os sãos enfermem…

Teço a infâmia; urdo o crime; engendro o lodo
E nas mudanças do Universo todo
Deixo inscrita a memória do meu gérmen!

Augusto dos Anjos

 Resenhas anteriores? Basta escolher:

Frankenstein # 1

Frankenstein # 2 e 3

Frankenstein # 4

Frankenstein # 5

 


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11 comentários sobre “RESENHA: Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 6

  1. Olá, e aí? É um prazer encontrar outros fãs do Frankenstein originado pela série 7 Soldados Da Vitória. Adoro esse personagem, o céu seria se a equipe que produziu a mini cuidasse desse título dos Novos 52. Mas as aparições recentes dele são muito boas, e é ótimo vê-lo ganhar vida por esse novo sistema da Panini com a Devir e Comix.
    Escrevi uma fanfic em duas edições para o personagem, logo depois da versão de 7 Soldados aportar por aqui: http://www.hyperfan.com.br/tits/frankms.htm

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