CAVALEIROS DEMONÍACOS #10 – “Tropa de Elite, osso duro de doer, pega um pega geral”

Por Venerável Victor “tratador de macacos zumbis” Vaughan

Demon Knights #10     SPOILERS

O que será que essa verdadeira aventura de RPG nos reserva esse mês?

Paul Cornell & Diógenes Neves
Capa de Demon Knights #10

Essa revista não explora conflitos sexuais ou outros elementos geradores de audiência que têm definido diversos títulos da editora;

preferencialmente ela não se afirma pelo quanto extremo seu roteiro pode chegar e apesar de também ter os mesmos conflitos sexuais, eles são apenas parte das características que definem esses personagens desajustados socialmente que inesperadamente se viram envolvidos em uma importante aventura. O que é o roteiro básico de praticamente todo filme de samurais que Akira Kurosawa fez até hoje – e que os faroestes americanos reinventaram. Sendo o pilar de todo o trabalho do roteirista e desenhista desse título. Nesse mês testemunhamos nossos “samurais” viajando por mar e terra para o mítico e decadente reino de Camelot, enfrentando dezenas de monstros gigantes pelo caminho.

A inspiradora insanidade da revista Demon Knights não parece perder fôlego. A primeira página dessa edição já nos apresenta uma enorme serpente marinha que faz as vezes de navio pirata. Esse é o tipo de loucura que faz o leitor se apaixonar de imediato por um título, além de mistérios, assassinato, guerra e traição que esta série trás – todo um novo “jazz” para o universo DC medieval. Os fãs retornão todos os meses por causa disso, mas ficarão mesmo por causa de piratas em “serpentes-navios-gigantes”!

O britânico Paul Cornell está simplesmente fantástico, aliás como sempre: o número 10 de Demon Knights é repleto de humor, diversão, violência, morte, adrenalina e surpresas. Cada personagem é tão único e interessante que rivaliza qualquer outro grupo de super-heróis existente. Pode-se notar alguns momentos em que os diálogos estão um pouco mais forçados do que eram no passado. Não são ruins de forma alguma, só não tão naturais e fluidos como já foram. Algumas vezes as páginas parecem um tanto superlotadas de falas, como se todo o povo envolvido estivesse falando ao mesmo tempo, no entanto, quando são esses personagens a “falar ao mesmo tempo o tempo todo”, tentar se concentrar em absorver tudo que é dito não é nada tão desagradável.

O que se pode falar de bom a respeito do brasileiro Diógenes Neves, que já não se tenha falado? Esse cara é fenomenal, basta apreciar as cinco primeiras páginas para entender o superstar que ele é… Espasmos de excitação percorrem o corpo do leitor que se depara  com Vandal Savage dando um “uppercut” na serpente marinha, quebrando os dentes do bicho ao melhor estilo Mike Tyson para delírio do devoto fã da nona arte. E o autor ainda nos brinda com animais monstruosamente aterradores e um rei Arthur zumbi, tudo em uma única edição! Isso é tudo na vida eterna de uma pessoa…

A maioria das aventuras de fantasia, especialmente o clássico “O Senhor dos Anéis” ou a série “Game of Thrones” abordam o conceito de se subverter e aprimorar o status quo: descendentes de reis que precisam aceitar um trono desejado ou não, por seu direito de nascença, anti-heróis que encontram nobreza no campo de batalha e uma enorme horda de inimigos idênticos rosnando.

Cornell e Neves vêm brincando com esses conceitos nos últimos meses. Temos aqui esses personagens que se tornaram heróis aos olhos do povo da Europa, apesar de que para derrotar a “horda” tenham destruído completamente o vilarejo que deveriam defender, além da duplicidade de vários personagens, notoriamente Vandal Savage, Etrigan – que na edição anterior fechou um acordo misterioso com o senhor do Inferno Lúcifer Morningstar –  e Madame Xanadu.

A revista, ao se focar em desajustados, perseguidos e estrangeiros como a Mulher Cavalo, Al-Jabr e a amazona Exoristos – que nessa edição começou a demonstrar certo interesse pela(o) andrógino(a) Cavaleiro(a) Andante(o) – também sugere ao leitor que a antiga narrativa dos X-men: “protegendo um mundo que os teme e odeia” ainda pode fazer sentido em novos títulos e editoras diferentes.

O verdadeiro sentido dos Novos 52 títulos não seria colocar em evidência personagens e títulos para um público que não sabe a diferença entre o Capitão Marvel da DC e o Capitão Mar-vell da Marvel comics, e que querem começar a ler quadrinhos? “Cavaleiros Demoníacos” é o tipo de agradável, curiosa e instigante leitura que todos os outros títulos deveriam ser, só que com artistas que tem “colhões” para fazer exatamente isso.

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29 comentários sobre “CAVALEIROS DEMONÍACOS #10 – “Tropa de Elite, osso duro de doer, pega um pega geral”

  1. Ola algume pode me atualizar,adorei o posta mas gostaria de saber sobre o futura desta Hq,foi cancelada?nao foi?continuara como mini?alguem saberia me informar?

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  2. Parece haver uma curiosa distinção entre autores que fazer histórias em quadrinhos e autores que fazem história NOS quadrinhos. Esse segundo caso normalmente está atrelado a um bom tratamento de texto e imagem, quando a simbiose entre palavra escrita e imagem desenhada compõe um resultado coeso que propõe uma viagem imersiva para o leitor independente de seu conhecimento prévio de outras sagas ou background de personagens. Uma boa história se sustenta por si, sem muletas como sagas infindáveis continuadas em várias revistas e ganchos dramáticos que te prendem a aquisição da edição seguinte ou jogadas grosseiras de propaganda que apelam para temas polêmicos que, de fato, não influem nada no contexto central da trama.

    As editoras se amparam nos resultados de vendas para traçar sua política editorial e obviamente edições polemicas vendem, na verdade provocam UM pico de venda….Vende-se a edição da polêmica, mas o que vai prendeer o leitor é uma história sólida bem contada (com texto e arte bem construídos). Tramas assim sólidas tendem a ganhar mais leitores com o boca-a-boca além do tempo e no resultado geral da equação são mais úteis ao mercado porque FORMAM leitores e não apenas angariam “moderninhos” interessados em quem é o gay da vez. Os “moderninhos” vão comprar uma só revista… os novos leitores formados por tramas como esta do Etrigan vão acompanhar a revista enquanto suas histórias forem divertidas, bem contadas, objetivas e intelegíveis!

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  3. Otimo review , e, essa gurreira eh/era mesmo Donna Troy ? Eu realmente quero ler essa revista, parece que nao soh “earth-2” mas essa revista também SAO o “new 52”

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  4. Morrendo alguém nessa aventurazinha…será que o Paul Cornell me arranja uma ponta nessa revista meia boca? Alguém sabe se ele curte mulher? Já tentei com o Grant Morrison e não fui feliz… ele quando me viu pelada, vomitou… 😦

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  5. Tenho uma ótima notícia para todos que estão amando esse título como eu (só leio isso e Aquaman), essa revista parece…que não vai sair em MIX de revistas da Panini, vai sair em encadernados!!! Tão achando o quê? Se for vero, vou comprar todos! Vou fechar para mim uma coleção maravilhosa! 🙂

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  6. Demon Knights está apaixonante! O roteiro e a arte completam-se a 100% e tenho lido online sem falhar as revistas da série. Esperando o meu TPB ansiosamente, é tudo o que eu posso dizer! Um dos melhores títulos do relaunch da DC.
    Bom post Victor!
    😉

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  7. Com esses desenhos, guerreiras lésbicas, Etrigan e serpentes-navio-giugantes, Demon Knights já superou meus delírios mais lisérgicos! Leitura obrigatória com certeza, vou tratar de ler o que tenho aqui na fila pra poder importar os 10 números por vias legais, e acompanhar esta aventiraçaa sem burlar direitos autorais e ajudar a esta pobre e quase falida indústria de quadrinhos…

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  8. Massa cara, ótimo review. Estou bem a fim de colecionar esta revista quando sair por aqui. vou ver se consigo achar ela. Pena que ela não vai sair junto no mix da revista Dark como todo mundo estava pensando.
    Abraço

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  9. A muito tempo a DC estava devendo esse tipo de leitura para nós fãs que amam o mundo sombrio, agora parece que acertaram espero agora que mantenham a regularidade, pq estou cansado de adquirir as revistas que tem 30 histórias por causa de uma só, agora eles deviam pensar em lançar algo para os nossos queridos anti-heróis também,

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  10. A cada dia que passa esse título se torna mais despretensioso, sem nexo, e que tem apenas a missão de entreter e divertir!!!! oras mas prá que serve um gibi?? É prá isso!!!! Temos que dizer obrigado a essa dupla que acertou em cheio na sua contenda e com certeza vai conquistar milhares de fãs aqui no Brasil. O Cavaleiro e a Amazona dão um belo par não???? Essa imagem deles ficou maravilhosa. E a última mostrando o Jason e seu camarada então!!!! Bem a do Vandal nem comento pois deixa trilha para o resenhista me encher a paciência.
    Resenhista esse que está de parabéns por trazer um trabalho tão fora do eixo dos “supers”, mas que vai em cheio para o que foi feita!!!!!!!

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  11. Essa edição é sensacional, não só pelos seus personagens cheios de nuances, sua trama fluída também merece elogios, pois somos surpreendidos positivamente em cada pagina com ação, bons diálogos e uma arte que acompanha isso tudo sem deixar a peteca cair.
    Porque não basta um bom roteiro, se a arte não acompanhar, a coisa toda fica meia boca.
    Sou meio suspeito para dar opiniões, já que a mesma me traz em suas edições, um pouco de rpg, aventura medieval, Etrigan, arte de ótima qualidade, Vandal Savage, roteiros que fogem do dito comum, entre outras qualidades que me tornam fã da serie desde sua edição numero 1.
    Sem dúvida uma das boas surpresas do reboot.

    Curioso para ver até onde Etrigan e seus companheiros vão me conduzir.

    Obs: E agora com saudade de jogar uma boa aventura de rpg medieval.

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  12. Essa revista é muito injustiçada! Sei que ela não está mal lá fora mas já era pra todos saberem que ela é sem dúvida nenhuma umas das melhores coisas desenvolvidas entre qualquer editora que exista! Etrigan….agora é a sua vez, meu chapa chifrudo, você e seus amigos estão com tudo! Parabéns Paul Cornell e Diógenes Neves!!! Parabéns como disse o amigo venerável, por terem “colhões” !!!! Eu quero é mais!

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  13. Muito legal conhecer esse título”! Adoro coisas ligadas a magia, e a DC é rica nesse campo. Muito legal eles terem resgatado esses personagens nessa nova fase.

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  14. Sou fanzaço do Paul Cornell, e no começo fiquei cabreiro com Demon Knights pela demora no desfecho do primeiro arco. Agora a revista adquiriu um ritmo muito bom e a serpente navio pirata me lembrou muito aquelas doideiras que o Jack Kirby inventava pras pessoas comprarem a revista.

    Pronto, já comentei. Rei Arthur zumbi, já pro próximo leitor que não comentar!

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