RESENHA: Capitão Átomo # 6

Ou: “Uma paleta de cores radioativa”.

Por Rodrigo Garrit

Este artigo contém spoilers.

Nesta edição 6, o Capitão Átomo tenta lidar com a ameaça de um gigantesco rato radioativo, fruto da mesma experiência que lhe concedeu poderes, ao mesmo tempo em que precisa provar ao mundo que não é uma ameaça. Mas será que não é mesmo?

Os autores: J.T.Krul (roteiro), Freddie Williams II (desenhos) e Jose Villarrubia (cores).

Ele é um personagem muito interessante. O herói desajustado que tenta fazer o bem, mas involuntariamente acaba destruindo quase tudo que toca. A verdade é que ele é uma poderosa bomba atômica consciente, com poderes capazes de converter matéria e realizar pequenos milagres, muito embora nenhum venha sem graves consequências. Outro problema é justamente essa possibilidade de alterar tão facilmente a realidade. Se ele conseguir controlar seu poder, vai fazer o que com ele? Curar o câncer e outras doenças das pessoas, uma a uma? Despoluir o planeta, acabar com a fome… ou apenas se tornar indiferente a tudo que se passa à sua volta? Um desafio para qualquer grande escritor, e um passo muito maior do que as pernas de J.T. Krull.

Algo que ficou claro é que ele não pode reverter a forma humana como sua versão anterior, e assim sendo, vive uma existência totalmente separada da humanidade, experimentando sensações muito além do que os cinco sentidos humanos poderiam perceber. O problema é que a falta de conhecimento científico o deixa as cegas nesse turbilhão de possibilidades… é quase como se uma criança de oito anos governasse o mundo. Muito poder desperdiçado com alguém incapaz de usufruir todo o seu potencial. A nova abordagem dada a ele nos novos 52 é muito interessante… ele é um “Super-Homem”, mas ao mesmo tempo –  e definitivamente – , NÃO é o Superman. Existem elementos muito atrativos nele, incluindo o fato dele não ser o super-herói padrão, o que inclusive parece ser uma raça em extinção. Ele tem muito de Dr. Manhathan e algo de Miracleman (Ou Marvelman se preferirem), ambos personagens trabalhados de forma genial por Alan Moore. Tanto que tornaram-se clássicos, embora o Dr. Manhattan tenha sido usado dentro de uma série fechada (Ok, agora existe “Before Watchmen”, mas isso é outra história). Marvelman, que embora não tenha tido uma publicação coerente (principalmente no Brasil) é junto com outras obras, um verdadeiro marco da transição dos quadrinhos para um patamar mais maduro.

Quanto ao atual Capitão Átomo, infelizmente, a ótima caracterização do personagem não salva o fraquíssimo roteiro de J.T. Krull. História previsível e sem nenhum encantamento, simplesmente nada que motive o leitor a se manter acompanhando a revista. O que é uma pena, pois nas mãos de um escritor mais inspirado, com essa premissa de herói todo poderoso e repleto de conflitos internos, poderíamos ter talvez um novo clássico dos quadrinhos…

A boa noticia é que arte da revista está anos-luz acima do roteiro. Não que os desenhos de Freddie Williams II sejam um esplendor, mas junto com as cores fantásticas de Jose Villarrubia (o mesmo de Frankenstein), compõe alguns painéis belíssimos, com o excelente uso das variações de luz, o que é perfeito levando em consideração os poderes do Capitão Átomo.

Infelizmente essa história não leva a lugar nenhum… ou melhor, leva… a mais um epílogo dramático que tenta aguçar a curiosidade do leitor para a próxima edição. Mas depois de tantos epílogos dramáticos usados até a exaustão nesse título, o autor já perdeu a credibilidade…

Enfim… a caracterização e as mudanças do personagem foram muito bem vindas… agora só falta mesmo escreverem boas histórias com ele.

Clique para ler as resenhas anteriores de Capitão Átomo # 1, #2, #3, #4 e #5

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5 comentários sobre “RESENHA: Capitão Átomo # 6

  1. Velho e injustiçado Capitão… suas melhores histórias foram escritas através de paródias dele, exceto talvez por sua participação fundamental na Liga da Justiça Internacional. Já houve a tentativa de fazê-lo ser ponto de comunicação entre a DC e o universo Wildstorm, muito antes da unificação pós-reboot… mas também não rendeu uma história digna de nota. A nova versão tem potencial para brilhar, pegando emprestado aquilo que funcionou em suas paródias… J.T Krul só não descobriu como fazer isso…

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