Eu, Vampiro # 8 e Liga da Justiça Sombria # 8 – A Ascensão!

Ou: “A lua dos amantes”.

Resenha de LIGA DA JUSTIÇA SOMBRIA # 8 de Peter Milligan (roteiros) e Daniel Sampere (desenhos).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers

Peter Milligan escreve uma equipe de heróis cuja natureza dos poderes provém da magia, e que não poderiam ficar alheios a invasão vampírica em massa liderada por Cain. A história cumpre sua função de ser “ponte de ligação” entre os eventos vistos anteriormente e dá a deixa para a conclusão da saga, na revista “Eu, Vampiro”. Gosto da sua caracterização dos personagens, inclusive de Constantine, o que mais me preocupava. Entendam, o Constantine que conheço e acompanho na linha Vertigo, numa primeira análise, nunca se daria a esse papel, nunca faria parte de um “clubinho de heróis”. Porém, no decorrer da história, vemos que existe uma razão plausível para que ele esteja ali… e sua personalidade sarcástica e egoísta continua intacta. Na verdade, ele já se aliou muitas vezes a outros magos no passado, inclusive dentro do título do Monstro do Pântano láááá na fase Alan Moore (criador de Constantine, vale lembrar). Talvez, o fato de ver o personagem num título chamado “Liga da Justiça” e na companhia de outros seres poderosos e de roupas exóticas pareça algo inaceitável, mas analisando friamente, não é nada que o sócia do Sting já não tenha feito antes.

Esse, definitivamente, NÃO É o Constantine da linha Vertigo. Mas se ele tivesse que se unir a uma “Liga”, teria que ser exatamente desse jeito.

A arte de Daniel Sampere é bonita, seu traço é expressivo e suas mulheres são retratadas lindamente. Vale destacar o ótimo trabalho do colorista Admira Wijaya, (o nome é esse mesmo, esgotem as piadinhas sobre “admiração” a vontade) e a técnica escolhida por ele, dando um acabamento estilizando tons com um efeito “lápis de cor”, que funciona muito bem num gibi sobre magia.

Mas voltando ao que interessa, essa edição é importante para avançar na saga da Ascensão dos Vampiros. Se você está boiando no assunto, segue uma (não tão) breve explicação: O vampirismo concede imortalidade, mas há um “pequeno” preço: ao se tornar um vampiro, você não sofre apenas uma transformação física… ela também é mental e pode ter até mesmo raízes em sua alma… deformando-a a ponto de torna-lo de fato um monstro. Essa é a maldição de Cain.

Andrew Bennet foi o único vampiro que manteve sua própria consciência e personalidade após se transformar. Ele nunca entendeu o motivo disso, e também não se empenhou muito em descobrir. Sendo um vampiro com alma humana, ele se voltou contra sua raça e se tornou um caçador de outros vampiros, defendendo os meros mortais.

Mas existe um motivo muito importante para que ele tenha sido gerado com alma. Ele se tornou uma espécie de “trava viva” ao mal absoluto do primeiro dos primeiros vampiros, Cain, aprisionado no inferno. Andrew é um vampiro com cerca de seiscentos anos de idade. Durante todo esse tempo, Cain esperou, alimentando cada vez mais seu ódio. Com a morte de Andrew, a trava foi finalmente rompida e Cain pôde enfim se reerguer na Terra, pronto para iniciar seu reinado de terror… com seus vastos poderes, ele é capaz de controlar todos os outros vampiros, e atribuir a eles novos e terríveis poderes, roubando as energias místicas de todos os magos e bruxas do mundo.  Com esse exército de mortos, ele marchou contra a humanidade, disposto a iniciar o crepúsculo dos homens e construir seu reinado de terror e sangue.

É nesse ponto que a Liga da Justiça Sombria entra na história.

(E, por favor, esqueçam que usei a palavra “crepúsculo”).

O fato é que, ciente de toda a maldição de Cain, a Madame Xanadu envia Jonh Constantine e Boston Brand para o além vida, em busca do espírito de Andrew, na esperança de que ele possa ser ressuscitado e novamente servir de trava mística para Cain, aprisionando-o novamente no inferno.

Infelizmente as coisas não aconteceram exatamente como ela imaginava.

Um improvável trio é formado: Zatanna, Xanadu e Mary, a rainha do sangue se unem contra Cain, mas não são páreo para ele e seu exército.

Constantine e Desafiador voltam do purgatório sozinhos, incapazes de convencer Andrew a retornar para a luta.

Porém, os ventos da mudança parecem dispostos a alterar os rumos da batalha…

Resenha de “EU, VAMPIRO” #8, de Joshua Hale Fialkov (roteiros) e Andrea Sorrentino (desenhos).

I, Vampire criado por J.M. DeMatteis e Tom Sutton

Ainda contém spoilers.

Andrew ressurgiu dos mortos, graças a intervenção da Madame Xanadu, embora não da forma como ela gostaria. Andrew foi ressuscitado como um exato oposto de Cain, uma anomalia, com todos os seus poderes. Na falta de uma explicação melhor, pense o seguinte: Andrew foi morto e jogado no purgatório… ou seja, foi deletado e jogado na lixeira. Mas as grandes forças misteriosas do cosmos, entraram lá, selecionaram o cara e clicaram em “restaurar”. A diferença é que ele voltou com um baita upgrade. Sem muito esforço, ele transforma todo o exército vampírico de Cain em pó… só para fazê-los ressurgirem em seguida… ao seu comando. A Liga Sombria se pergunta se apenas não trocou um mal pelo outro, quando Mary e Andrew se beijam apaixonamente trocando juras de amor. Cain está enfraquecido e desmoralizado, e embora Andrew não tenha certeza de que pode mata-lo, arrisca a sorte decepando sua cabeça. Mas terá sido suficiente?

Andrew retornou mudado, e suas novas intenções parecem incertas. Ele ainda está do lado da humanidade, certo? Mas então porque ergueu um exército de mortos ao seu comando? E o que significa o revival amoroso com Mary?

Uma história bem rápida, que vai direto aos pontos. Fecha a saga da Ascensão dos Vampiros e abre caminho para novas possibilidades, confesso algumas bem inesperadas. Joshua Hale Fialkov pode não ser experiente como Peter Milligan, mas fechou as pontas soltas direitinho. Seu estilo narrativo é oposto a alguns escritores verborrágicos que inundam as páginas com legendas intermináveis de solilóquios de seus protagonistas. Joshua vem contando histórias em poucas palavras e até que se prove o contrário, vou encarar isso como um ponto positivo.

A arte de Andrea Sorrentino mantém seu padrão de realismo (dentro do possível), com o toque tétrico que ajuda a contar essa história do jeito sinistro que se deve.

Realmente houve uma ascensão de vampiros, e um exercito poderoso caminha rumo ao desconhecido, guiado pelos seus novos seu rei e rainha.

O tipo de marca que eles pretendem deixar no mundo, é o que definirá o tom da revista daqui em diante: teremos o monstro torturado em busca de redenção, ou o mestre supremo do terror?

Aguardemos a próxima lua cheia…

Resenhas anteriores de Eu, Vampiro? Clique aqui!

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15 comentários sobre “Eu, Vampiro # 8 e Liga da Justiça Sombria # 8 – A Ascensão!

  1. Ótima resenha.
    Nunca li Hellblazer, mas conheço Constantine, e estou gostando muito dele nas histórias, virando meu personagem favorito da JL Dark.. Gostei desse crossover, só não me agradou a forma que “Shade, o Homem Mutável’ saiu da equipe, espero que ele não fique esquecido e volte de alguma forma para a ação. A arte do Sorrentino é “foda pra caralho”, a cena do Andrew e Mary se beijando eu queria ter um poster de tão bonita e sombria.
    Abraços.

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  2. Eu estava querendo evitar voltar à colecionar algo do universo dos super heróis, mas, não vou conseguir. Pelos textos que li de todos os personagens do mix da revista, “Dark”, aí vou eu!

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  3. Essa saga foi legal, acompanhei por essa parte na Liga da Justiça Sombria. E fico feliz que Milligan tenha saído do título para Jeff Lemire tocar o barco, Já em StormWatch, Milligan ficou extremamente melhor… mas pra se sacar esses detalhes, tem se que fazer isso, experimentar esses roteiristas em vários títulos. Sucesso para a linha dark!!!

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    1. Verdade, se Storwatch perdeu Paul Cornell, por outro lado ganhou um Peter Milligan bem mais motivado a continuar o trabalho. E Lemire está em seu ambiente natural, a gente pode esperar grandes histórias vindo por aí na Liga Sombria. Em relação a “Eu, Vampiro”, gosto do que tem sido feito, quero ver onde isso vai parar…

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  4. Essa revista da Liga Dark começou bem, mas depois virou uma bagunça, ao menos essa é minha opinião, a historia passou do ponto na cadencia, se tornando chata e confusa. No fim, foi muito bem vinda a chegada do Lemire na revista, a coisa muda, aliás, já mudou.

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  5. Será que o universo DC se uniu ao Vertigo de vez? Nem de longe. Mas se me perguntar, ele ficou bem mais sombrio. E isso é bom? Claro que não. Não é nada bom para esses personagens. Mas para nós, leitores fãs de boas histórias de terror e suspense… isso é ótimo!

    E embora as revistas “Eu, Vampiro” e Liga da Justiça Sombria” ainda não tenham alcançado a complexidade de “Homem Animal” e Monstro do Pântano”, estão na direção… e abrindo caminho.

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