Liga da Justiça # 7 – O Retorno do Menino Velho!

Resenha de Liga da Justiça # 7, de Geoff Johns (roteiro) e Gene Ha (arte).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers.

Um incidente envolvendo o roubo de um objeto conhecido o “O Olho de Rá” do projeto Argus leva a equipe da Liga da Justiça a enfrentar criaturas monstruosas pelas ruas da cidade, onde o povo os ama e deposita neles sua fé e esperança. O major Steve Trevor, é membro do projeto Argus e porta voz oficial da Liga da Justiça, que se recusa a manter um contato mais próximo com o governo americano ou de qualquer pais, o que provoca muito descontentamento por parte da ONU.

Essa foi a pior história da Liga da Justiça que eu li nos últimos anos… eu não lia nada tão ruim desde a funesta fase de Dan Vado, publicada pela Editora Abril no extinto gibi em formatinho “Liga da Justiça e Batman” dos anos 90. Depois das últimas edições, repletas de ação e aventura, e que apesar de não terem sido nenhum marco dos quadrinhos foram extremamente divertidas, o que temos aqui é uma total discussão burocrática sobre a atuação da Liga, o papel deles em relação ao mundo e as cobranças por parte da imprensa, da opinião pública e do governo sobre Steve Trevor, o único capaz de manter contato com a equipe.

Steve é um velho coadjuvante das histórias da Mulher Maravilha, e existe ainda aquela tensão sexual entre eles. Outra personagem recorrente das aventuras de Diana também reaparece, como assessora de Steve: Etta Candy. Em sua nova caracterização, ela agora é uma mulher negra e magérrima. (A versão anterior ficou famosa por ser uma simpática gordinha). É, a DC fez o mesmo com Amanda Waller que era uma senhora acima do peso e se tornou uma gatinha malhada. Eu apoio a inclusão, mas tomara que eles não comecem a discriminar os gordinhos! Quantos heróis acima do peso vocês conhecem? Gordinhos também amam, poxa vida!

Os desenhos de Gene Ha são muito bons, mas contrastam demais com os de Jim Lee, que vinha desenhando a revista até então, e continua fazendo as capas. Para quem vinha acompanhando, é uma mudança muito brusca, piorada pela história fraquíssima que foi apresentada. De qualquer forma ele desenha essa e a próxima edição, e a partir daí, Jim Lee está de volta, e um arco mais interessante deve começar a se desenvolver.

Essa revista até a edição anterior era um grande chamariz para novos leitores, inclusive encabeçando as vendas da DC, porém essa edição é um balde de água fria… capaz de fazer muitos leitores mais impacientes desistirem de continuar a colecionar a mesma.  O que salva essa edição é a história de apoio…

Escrita pelo mesmo Geoff Johns com arte do ótimo Gary Frank, essa história secundária trás o aguardado retorno do Capitão Marvel para as páginas da nova DC. Ou melhor, Capitão Marvel não… a partir de agora ele abandona definitivamente esse nome a assume de vez a alcunha do mago que lhe concede poderes: SHAZAM!

Um rapaz franzino e de óculos está indo para um prédio tranquilamente, e no caminho dá uma esmola para Alan Moore um morador de rua, e segue normalmente, tomando o elevador, até que de repente surge magicamente em outro lugar, um enorme salão medieval repleto de artefatos estranhos. Lá ele se depara com um ancião que parece testá-lo e reprova-lo em algum tipo de teste, mandando-o para casa em seguida.

Quando saíram as primeiras imagens ainda em preto e branco dessa sequencia, especulou-se que esse rapaz seria Billy Batson tendo seu primeiro encontro com o mago na Pedra da Eternidade, na clássica cena em que ele recebe seus poderes e se transforma no Capitão Marvel. Os boatos eram de que agora Billy seria mais ligado à magia do que nunca, sendo mais bruxo do que super-herói, e baseado na aparência vista nessas primeiras imagens, ele seria uma espécie de sócia do Harry Potter… Um boato que se mostrou totalmente falso. Na verdade, o mago parece estar testando várias pessoas pelo mundo, supostamente buscando alguém para ser o seu campeão. As pessoas “reprovadas” são todas devolvidas as suas vidas normais depois, com todas as lembranças do ocorrido… o que me faz especular, o velho mago que conhecemos não tomaria o cuidado de apagar esse fato das mentes deles para proteger o grande segredo? Ele está assim tão desesperado, ou simplesmente fraco demais…?

Temos a aparição de outro clássico personagem da mitologia do Capitão Marvel: o Dr. Silvana. Ele também teve suas características alteradas, e em vez de um nerd careca, baixinho e de óculos fundo de garrafa, temos aqui um nerd, careca e saradão. Mais um exemplo do “efeito academia” da nova DC. Baixinhos e gordinhos não terão mais vez? O que a Mônica vai pensar disso?

O novo Dr. Silvana está obcecado pela lenda do “Adão Negro”, e está convencido de que essas “abduções mágicas” estão relacionadas a ela. Ele é um homem da ciência buscando evidências no sobrenatural. Fisicamente, ele lembra um bocado o Lex Luthor, mas na verdade, quem ele realmente me lembrou foi o professor Crocker do desenho Padrinhos Mágicos! Um cientista que tenta desesperadamente provar que fadas existem!

Fadas existem! Padrinhos Mágicos são reais! E o mago Shazam também! EU POSSO PROVAR!!!

Enquanto isso, Billy Batson está em um orfanato prestes a ser adotado. Ele não foi mostrado vendendo jornais nas ruas nem apresentando um programa de rádio, (em vez disso ele diz gostar de fazer “podcasts”) mas continua o mesmo “menino velho” de sempre, inteligente e maduro para a idade, embora esteja passando pela fase “Adolescente Problema” e com sérias dificuldades de se encaixar em qualquer lugar que seja.

A história termina com uma baita premissa e a promessa de muitas coisas novas e interessantes para a nova versão Mortal mais poderoso da Terra.

O Santuário deseja que a maldição de Shazam seja quebrada e uma tempestade de raios varra de uma vez por todas a inexplicável inexpressividade que acompanha o personagem ao longo dos anos…

Para resenhas anteriores de Liga da Justiça, clique AQUI!

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24 comentários sobre “Liga da Justiça # 7 – O Retorno do Menino Velho!

  1. Caras, eu confesso que sou mais fã do Capitão do que do Super, mas acho que a Dc deixa a desejar em relação ao personagem, pois é muitíssimo promissor e interessante, pelo fato de ser, como já disseram por aí, uma mistura de Superman + Dr.Destino ou o Dr. Estranho da Marvel, enfim, magia com superpoderes; mas como sabemos, talvez esse seja o preço dele ter surgido como um plágio do Super, fica sempre a sombra em relação ao que poderia render, sempre no quase…pode ver que até agora a Dc está devendo um filme dele, o que seria um enorme sucesso e alegraria nós os fãs de heróis…fazer o que ?

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  2. Johns está sempre plantando para colher no futuro, roteiro sempre um pouco lento, mas sempre dando informações interessantes sobre o passado e futuro dos personagens. Enquanto ao Arqueiro Verde, será que ele liderará uma nova equipe para o lugar da LJ Internacional que irá acabar? E aquela cena desenhada pelo Ivan reis é sacanagem de tão sensacional.
    Pensei que era só eu que tinha achado o mendingo a cara do Moore.

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  3. Achei a história da Liga muito boa. Antes criticavam porque era só ação e pouco desenvolvimento, agora dizem que não acontece nada e faz “discussão burocrática”…
    achei ótima a história justamente por ser “discussão burocrática sobre a atuação da Liga, o papel deles em relação ao mundo e as cobranças por parte da imprensa, da opinião pública e do governo sobre Steve Trevor, o único capaz de manter contato com a equipe.”
    Todo esse debate sociopolítico a respeito da Liga e sua relação com governo e imprensa promete muito e me lembrou um pouco JL Unlimited, o desenho.
    Pra mim essa fase do Johns tenta misturar alguns elementos das melhores coisas já escritas para a Liga, o tom épico da fase Morrison, os diálogos e caracterizações bem humorados da fase Giffen e Demaites e a problematização sociopolítica da série animada.
    Nunca vi um título sendo lido com tanta má vontade. Continuo achando uma injustiça com a genialidade de Geoff Johns.

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    1. Olha Antônio, você está sendo injusto, porque todas as resenhas anteriores do título foram positivas… e essa resenha se refere apenas a esse número, não ao conjunto da obra. Concordo que esse tema sociológico é pertinente, mas a forma como foi abordado foi massante, com diálogos previsíveis e intermináveis. Também gosto do Geoff Johns e de muitos de seus trabalhos, mas chamá-lo de gênio não dá né? Nem Alan Moore eu chamo de gênio… Da vinci, Fernando Pessoa, Santos Dummont eram gênios… vamos organizar melhor essas classificações. De qualquer forma, fica registrada a sua opinião, obrigado por participar e volte sempre!

      Abraços!

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  4. Essa história do Shazam/Capitão Marvel não me chamou muito a atenção…..

    E já que falaram do Adão Negro, vou repetir o que já disse uma vez: a impressão que eu tenho é que o Geoff Johns tem um certo favoritismo em relação ao personagem e parece diminuir o CM para exaltá-lo.

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    1. Sobre o Adão Negro, aconteceu que devido aos problemas jurídicos com o nome “Capitão Marvel”, eles acabaram deixando ele meio que de lado mesmo, e Geoff Johns desenvolveu mais o Adão nas HQs da SJA, fazendo-o ganhar muito destaque em várias sagas, sendo que a participação dele em “52″ com a inclusão da Familia Marvel Negra (com Isis e Osiris) sendo seu ponto alto. O abandono do nome Capitão Marvel deve resolver essa questão e espero que Billy retome o destaque que merece – Sem deixar de lado o Adão Negro.

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  5. Huuummmm……por um lado a Marvel exalta as diferenças e por outro a DC distorce as personagens no reboot (força um na tendência gay, remodula outros prá ficar saradões) pode isso Arnaldo????? O Steve Trevor prá mim sempre vai ser o grande amor da MM. Tanto pela Terra 1 ou a 2.
    E o SHAZAM??? Faltou paixão prá reescrever o personagem???? Deixando ele pareido com o HP? Ou foi só um mero detalhe? E esses personagens que “falharam” com o Mago? Farão parte da horda de inimigos? E a questão que não quer calar. E O ADÃO NEGRO???? (que na minha opinião sempre foi melhor trabalhdo que o Capitão). Como fica nessa reviravolta toda?????

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    1. Nilson, essa saga deveria se chamar OS MISTÉRIOS DE SHAZAM! uahuahauaa

      Sobre o Adão Negro, aconteceu que devido aos problemas jurídicos com o nome “Capitão Marvel”, eles acabaram deixando ele meio que de lado mesmo, e Geoff Johns desenvolveu mais o Adão nas HQs da SJA, fazendo-o ganhar muito destaque em várias sagas, sendo que a participação dele em “52” com a inclusão da Familia Marvel Negra (com Isis e Osiris) sendo seu ponto alto. O abandono do nome Capitão Marvel deve resolver essa questão e espero que Billy retome o destaque que merece – Sem deixar de lado o Adão Negro.

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  6. Concordo com você Garrit, essa edição foi uma das piores do reboot e a pior da Liga desde então, por causa da arte do Ha ser tão discrepante do Jim Lee (precisava desse exagero??) e da história ruím, corre o risco da revista perder público, mas nada temam jovens devotos. DIGO-VOS NÃO!!!!!!!!!! A próxima edição o Jim Lee volta, relaxem (independente do Lee não ser mais o que era, ainda vale a pena ver sua arte) e a próxima história faz com que a equipe entre nos eixos.

    SHAZAN !!!! Geoff Johns e Gary Frank…putz…. MANDAM MUITO NESSE TÍTULO, se o título da Liga não melhorar (melhora) só essa história de apoio já vale comprar e ler a revista, galera, vale muito!!!

    PS. Eu mesmo no frio estou correndo, malhando, tomando colágeno, de dieta e tal, porque quero ficar melhor que Sivana, Etta e amanda Waller!!! Viva o condicionamento físico!!!

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      1. Ckreed, o raio do Shazam não vai fazer efeito, porque você já é um “Sr. Malhado” albino (aquele tigre falante amigo do Billy) mas cuidado, é capaz de você virar o gato guerreiro ou Bath, a deusa egípcia gata, dependendo da curvatura do raio… rsrsrs

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    1. Victor, também adorei a história do Shazam, sou fã ao do personagem e todo mundo sabe. Com certeza vou acompanhar roendo as unhas. Quanto ao “efeito academia” da DC, eu sei, eu e você somos dois caras malhados e sarados, (eu? hahahaha) mas isso não quer dizer que a gente deva desprezar os “excedentes de massa”, e claro, sou a favor de que todos levem uma vida saudável e fiquem em forma… mas os gordinhos não podem entrar em extinção! Preciso ficar perto de gente gorda na praia pra me sentir mais magro! (ai, como eu tô bandido!!!!)

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  7. estou ansioso para ver a estreia do SHAZAM !!!, acho que é um pouco natural esse queda de qualidade na liga, até fazer um novo arco ou trama para envolver, esse HQ serve somente como ponte para algo maior, e os desenhos não tem como comparar com os do Jim Less

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    1. Eu também sou muito fã do Velho Capitão Marvel – atual Shazam – e estou muito motivado a acompanhar essa reformulação do Geoff Johns… concordo sobre a pausa entre um arco e outro… talvez o ideal fosse apelar para algum alivio cômico antes das coisas ficarem tensas de novo… desculpe aos fãs da Liga (aos quais eu me incluo) mas eu realmente achei a HQ da equipe nesse número muito ruim e desestimulante, ao contrário da história do Shazam que apesar de ser mais voltada para a apresentação do novo status do personagem, foi muito legal. Jim Lee é um desenhista meio polêmico, alguns amam e outros odeiam… eu não idolatro o cara, mas acho que ele dá conta do recado. De qualquer forma, o título da Liga tem um potencial muito grande a ser explorado.

      Obrigado pela participação, abraços!

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