Neovampirismo

Da série “Estórias amorais para crianças amorosas”
Por Pablo Ramos, o porta-voz do amanhecer

Era uma vez um vampirinho amado por todos. Seus dentões eram um pouco pequenos, por isso ele usava um aparelho com borrachas pretas. Seu apelido entre os amiguinhos e a família era Vampirelho. Ele era muito feliz mas tinha uma idéia fixa de querer ver o Sol nascer, coisa que incomodava toda a família.

– Mas eu vejo tanto nos filmes, o Sol tão bonito não pode ser mau, mamãe!
– O Sol é muito mau sim, meu filho, queima vc todo e é feio.
– Porque não podemos ver o Sol nascer, papai?
– Porque ele só traz desgraça. Agora esqueça este assunto, Vampirelho!

Mas Vampirelho não esqueceu. Escondido da família começou a estudar sobre o Sol na internet. E descobriu que ele aquece o planeta, que faz nascerem as plantas e viverem as pessoas. Vampirelho concluiu que sem o Sol não haveria sequer o sangue dos humanos para que se alimjentasse. E ficou muito agradecido ao Sol. Em segredo, é claro.

Quando Vampirelho trocou os elásticos de seu aparelho pelos de cor amarela ninguém entendeu. Mas ele era só uma criança. O que ninguém sabia é que era uma homenagem secreta ao Sol, amigo da vida e dos mortos-vivos.

Foi um escândalo quando, em pleno dia das bruxas, Vampirelho disse no meio de toda a família que sem o Sol nem os vampiros existiriam. Todos protestaram, alguns deixaram cair a taça de sangue.

– Seu pai só tem trezentos anos e quase teve um derrame! Nunca mais repita isso!
– Porque odiamos tanto o Sol, mamãe?! Ele é a fonte da vida, é um astro maravilhoso, está lá dando energia para que nossos humanos vivam! Nâo podemos odiá-lo só porque odiamos! Isso se chama preconceito!

Daquele dia em diante Vampirelho ficou meio afastado da família e os amigos já não o interessavam muito. Mas ele tinha sua certeza como amiga fiel. Não podia se juntar à tradição de odiar o Sol só para ser aceito. Mas sabia que se ele mostrasse que o Sol pode ser amigo dos pobres humanos, também podia ser dos Vampiros!

Passou a se vestir de amarelo e, quando descobriu que até a luz da Lua vinha do Sol, inventou o NeoVampirismo. Para provar a todos que o Sol podia ser belo e amigo, Vampirelho resolveu ficar na praça até que o Sol nascesse e ter uma conversa amiga com ele em nome dos vampiros. Lambuzou-se com protetor solar fator seis mil, cobriu-se com uma túnica especial dos pés à cabeça, óculos escuros com proteção UV e uma bandeira branca da paz. Esperou assim na praça até que o céu comessasse a se colorir de leve. Vampirelho achou mais bonito do que na televisão, o céu ficando roxo, azul, bem vermelho…

Vampirelho ficou tão maravilhado com a beleza de um nascer do Sol que não sabia o que dizer – foi quando o primeiro raio saiu de trás da torre da igreja e… PUF! Vampirelho virou cinzas.


Anúncios

33 comentários sobre “Neovampirismo

  1. Também gostei do Vampirelho!
    Por vezes ser diferente e levar os nossos sonhos até ao fim dá barraca… mas nunca se deve desistir! Bem… o Vampirelho levou o sonho dele mesmo até ao fim…
    😦

    Abraço

    Curtir

  2. Adorei a historia! Vampirelho nos deixou uma grande lição ao perceber, e abordar com delicadeza e coragem os místérios e a inportância da natureza para todos os seres, ao explicar e defender a existência do sol, uma das muitas belezas naturais que nos cercam.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s