BATMAN # 8 – Começa a Noite das Corujas!

Resenha de Batman # 8, de Scott Snyder (roteiros), Greg Capullo (desenhos) e Jonathan Glapion (Arte-Final). A história backup teve roteiro de Snyder com James Tynion IV, e arte de Rafael Albuquerque.

Por Rodrigo Garrit

Contém SPOILERS…!

Um grupo de assassinos da Corte das Corujas, os “Garras”, invade a Mansão Wayne e sentencia seu proprietário à morte. Resta a Bruce e seu fiel mordomo Alfred lutarem por suas vidas, cercados de alguns dos assassinos mais perigosos do planeta, que além de intensamente treinados, possuem habilidades regenerativas que fazem deles guerreiros incansáveis.

Com isso, um homem desarmado, de pijamas e ainda se recuperando dos ferimentos sofridos anteriormente é atacado no meio da noite em pleno conforto de seu lar. Os inimigos têm a vantagem do elemento surpresa e invadem facilmente a mansão e a caverna em seu subsolo, expondo a dupla identidade do dono do lugar. O ataque é rápido, violento e sem piedade. Qualquer outra pessoa teria sido abatida em questão de minutos, mas esse homem desarmado e trajando apenas seu pijama está longe de ser “qualquer outra pessoa”. Logo ele mostra também que “estar desarmado” é uma questão de ponto de vista, já que qualquer objeto próximo se torna instrumento de ataque, mas a coisa não se resume a algo tão simplista. Alfred é remanejado para a caverna, onde teoricamente estaria seguro, enquanto Bruce se desvencilha de seus atacantes, usando de subterfúgios e deslocando-se para certos pontos específicos da residência, o que poderia ser interpretado como uma saída estratégica, uma fuga para ter a chance de se reorganizar e se recompor do repentino ataque. Mas não é caso. Cada passo dele tem uma razão de ser, e logo vemos que Bruce não é uma vítima dentro de um ambiente fechado repleto de assassinos. Ele é o predador. A Mansão Wayne é um arma.

E eles estão dentro dela, com o Cavaleiro das Trevas.

A luta chega até a caverna, onde aparentemente os Garras não tiveram nenhuma dificuldade de invadir, o que dá a entender que a Corte das Corujas conhece o segredo do Batman.

Eu nunca tinha parado muito pra pensar nisso, mas o pequeno arsenal armazenado no interior da caverna poderia ser o bastante para tomar o poder de um país… ou, quem sabe de um continente inteiro, mesmo considerando a atuação de outros meta-humanos, embora o exército para o qual ele foi feito seja composto de um homem só.

Só que esse homem é o Batman.

Ele descobre que existe uma lista de pessoas marcadas para morrer em Gotham. O já notório terror psicológico e brutal causado pela Corte das Corujas ganha nova proporção quando as pessoas da lista começam a ser atacadas…todas proeminentes nomes da cidade, perseguidos e assassinados friamente, um por um. Juízes, promotores, delegados, advogados, médicos… e o comissário de policia. Qualquer um eu já tenha feito algo de bom pela cidade, qualquer um que tenha feito algo para tornar o lugar mais civilizado, algo para amenizar a dor do povo que vive nesse inferno de concreto e aço chamado Gotham City, tornou-se instantaneamente um alvo em potencial.

Ser honesto em Gotham tornou-se uma sentença de morte. A Corte deseja destruir o espírito da cidade, quebrar cada milímetro de esperança que alguém já tenha nutrido.

Essa história serve como prelúdio para a saga “A Noite das Corujas”, que envolverá todos os outros títulos relacionados com o Morcego.  De posse da lista de nomes, Alfred entra em contato com todos os vigilantes da “família”, com a missão de proteger esses cidadãos, embora para muitos já seja tarde demais.

Esses enfrentamentos com o Garras se espalharão pelos títulos de Asa Noturna, Robin Vermelho, Batgirl, Aves de Rapina, Batman e Robin e Capuz Vermelho.

Enquanto isso, Bruce toma algumas medidas extremas para proteger seu forte, e nessa edição eu acabei entendendo a real função da moeda gigante na caverna.

A arte de Greg Capullo parece um pouco menos caprichada que nas edições anteriores, que ele vem tocando de forma muito competente. Neste número tivemos também uma história de apoio que complementa a trama principal, desenhada por Rafael Albuquerque, que imprime seu estilo já conhecido pelos leitores de “Vampiro Americano” da Vertigo (também escrito por Scott Snyder) e até que não destoa tanto do traço de Capullo a ponto de causar muita estranheza.

A história é empolgante do começo ao fim, prende a atenção de modo a nos fazer imaginar como Bruce irá rechaçar seus inimigos, ou como pode acabar caindo derrotado, uma vez que a Corte já provou ser capaz de levá-lo a um estado de extremo descontrole emocional, o que em sua confessa arrogância, o fez cometer pequenos erros que por pouco não o levaram à morte.

O problema com a Corte é que o caso se torna pessoal demais, há um histórico antigo entre eles e a dinastia Wayne, que faz cair por terra muitas coisas que Bruce acredita serem verdades inabaláveis. Como ele diz ao Alfred nessa edição, sente como se estivesse todo esse tempo brincando com uma maquete de Gotham, algo apenas superficial, enquanto a verdadeira Gotham , a que importa, guarda segredos que escaparam tão bem enraizados que conseguiram passar despercebidos até pelo maior detetive do mundo.

Um ótimo pontapé inicial para uma saga que promete abalar as estruturas de Batman, seu passado e seus conceitos.

Cada vez mais Snyder diz a que veio, impondo-se como um dos melhores roteiristas do Batman dos últimos anos. É para os fãs do personagem voltarem a acompanhar suas histórias com um entusiasmo que já não aparecia com tanta frequência nos últimos tempos.

E que venham as corujas!

Resenhas anteriores de Batman? Clique AQUI!

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11 comentários sobre “BATMAN # 8 – Começa a Noite das Corujas!

  1. Melhor história do Batman desde Silêncio!!! Esqueçam aquela @#erda da saga da morte pelo Morrison! Essa saga dos corujas vale a pena!!! Eu já lí !!!

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  2. Rodriguete, meu resenhista favorito, qual é a motivação desta Corte das Corujas? É tacar o terror por diversão ou eles tem alguma vantagem financeira ao eliminar seus alvos? Eu não me lembro.

    Tá animado pra TDKR dia 27/07?

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    1. Bem meu caro Crid, na minha humilde opinião, a Corte das Corujas enquanto sociedade secreta, deseja sim obter recursos financeiros parasitando as famílias milionárias ao redor do mundo e recrutando seus agentes que se tornam “Garras”, eles precisam da grana pra financiar os esconderijos secretos, as roupas ridículas, as máscaras medonhas, os cientistas malucos e as fórmulas do mal. MAS o dinheiro nem é o principal, eles querem poder e influência, ainda que trabalhem incógnitos. Se existe um grande objetivo maior – tipo invocar a grande Coruja primordial para chocar os ovos malditos no mundo- isso ainda não ficou claro, mas tudo leva a crer que esse objetivo exista sim (não necessariamente o da grande Coruja…)

      Quanto ao melhor filme de TODOS, TODOS, TODOS OS TEMPOS… é. Pode-se dizer que estou animado sim…! rs

      Abraços!

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  3. Muito boa sua resenha como sempre.
    Gostei muito de como Bruce foi se virando, usando objetos e a casa para escapar das corujas. Gosto muito da arte do Capullo, que faz belas cenas de ação.
    Conheci Snyder lendo Detective Comics ano passado e adorava sua narrativa e história envolvente. Ele entrou na minha lista de escritores favoritos logo de cara.
    Bom fim de semana e um abraço!

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    1. Anderson, tô contigo nessa… eu também conheci Snyder lendo Detective Comics, e gostei muito do que vi, principalmente a saga envolvendo James Gordon Jr., que pra mim é um clássico moderno do personagem. Te confesso que vibrei com essa história e a nova fase do Batman está sendo uma leitura que tenho curtido muito.
      Obrigado pela participação, e bom fim de semana!

      Abraços!

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