Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 7 – Humanidade Descartável!

Continuando a série de resenhas do título produzido por Jeff Lemire (roteiro), Alberto Ponticelli (desenhos), Walden Wong (arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

NO Spoilers!

Dentro da base secreta da S.O.M.B.R.A. começa um motim organizado pelos “humanitas”, seres teoricamente sem vontade própria que são criados como trabalhadores incansáveis, cujos corpos duram apenas vinte e quatro horas, sendo em seguida reciclados e transformando-se na matéria prima de outros humanitas. Porém após a recente invasão do Irmão-Olho no confronto entre Frankenstein e OMAC, este introduziu um vírus de computador que ficou recessivo no sistema, entranhando-se na programação dos humanitas furtivamente e concedendo a eles vontade própria (ou uma falsa vontade própria que serve ao Irmão-Olho). Com isso todos os “seres de carne” e funcionários da S.O.M.B.R.A. são tomados como reféns, (incluindo Pai Tempo e Ray Palmer) enquanto eles assumem o controle da instalação e trancando Frankenstein e seus aliados do lado de fora.

A organização secreta S.O.M.B.R.A. tem como principal atividade, manter o mundo seguro de monstros e todo o tipo de aberração sobrenatural e/ou científica. Para isso, ela recruta/cria monstros, utilizando-se de métodos sobrenaturais e/ou científicos. Esses monstros passam a integrar seu seleto grupo de combate e prevenção de pragas… pragas do tipo que devoram entranhas frescas no café da manhã. Mas nem tudo é assim tão perfeito, nem todo monstro de laboratório resulta em um soldado com cem por cento de aproveitamento. A Dr. Nina foi responsável pela atual equipe do comando das criaturas, exceto por Khalis, cuja origem é misteriosa, e por Frankenstein e sua ex-esposa de quatro braços. A própria Nina tornou-se um dos membros desse monstruoso comando. Mas houveram experiências anteriores e nem todas deram certo.

Como consequência da revolta dos humanitas, os monstros que “não deram certo” são libertados… e aí a parada fica séria.

Basicamente, essa história mostra como o Dr. Victor Frankenstein deve ter se sentido ao ver sua criação maior voltar-se contra ele…

Foi muito empolgante ver o Dr. Ray Palmer acuado, usando sua tecnologia de miniaturização para se defender dos humanitas. Mas ainda não é dessa vez que veremos o cientista vestir seu uniforme de Elektron.  Na verdade, isso pode demorar muito, ou talvez nem acontecer…

Jeff Lemire começa a tocar um terror, literalmente, e faz que o até então invencível e inabalável Frankenstein sofra um tremendo baque, na parte cadavérica que mais machuca seu corpo: o coração. O final guarda uma revelação que promete abalar profundamente a cabeça remendada do velho Frank.

Os desenhos de Alberto Ponticelli parecem um pouco diferentes, tanto que à primeira vista achei que outro artista havia assumido seu posto nessa edição. Seu traço é naturalmente “sujo”, geralmente muita informação por página, mas sem a estética perfeccionista de um George Pérez dos velhos tempos. Não que isso seja ruim, é simplesmente a forma como ele imprime seu estilo e dá vida as aberrações imaginadas por Jeff Lemire. Mas nessa edição, com a parceria do arte-finalista Walden Wong, ele parece um pouco mais preocupado em “clarear” as imagens, apesar de seu traço não perder os contornos monstruosos que são necessários para essa revista; ainda podemos identificar seu estilo torto de retratar personagens não muito direitos.  Mas agora é como se ele parasse um pouco no meio de toda aquela loucura vertiginosa por um segundo e nos mostrasse que existem formas humanas debaixo de seu lápis possuído.

Eu não me canso de elogiar as cores de Jose Villarrubia, que faz miséria na revista do Capitão Átomo e em Frankenstein não deixa por menos. Fica evidente a diferença das cores quando feitas apenas seguindo um esquema programado e quando são pintadas por um artista com alma. É claro que Villarrubia também segue um esquema. Mas as cores da alma dele estão na revista, não me perguntem como. É arte.

E por falar em arte, impossível não destacar a capa desta edição, com a ilustração lindíssima de J.G. Jones. A expressão de Frankenstein, e a imagem dos humanitas logo abaixo são matadoras. Já vale o preço da revista. O bom é que, de quebra, essa capa linda vem junto com uma história muito boa.

E mantendo a promessa de encerrar essas resenhas com poemas em língua portuguesa que de alguma forma se conectem com nosso torturado monstro, fiquem abaixo com a escolha de hoje…

AD INFINITUM 

Vivo os dissabores de minha vida.
Esperança: algo fictício a que me apego,
para todo o dia ressuscitar.
E como ja dizia a grande poetisa: como odeio
a luz do sol, que revela até o possível.
Morte: como posso abraçá-la,
pois o que me prometes
é a incapacidade de expressar minha dor
“ad infinitum”.
Sinto que a voluntária degeneração se faz possível,
pois a perspectiva do fim, que por enquanto
não me exige, não passa de uma ocasião
ainda remota.
Será então que entendi a vida como uma contínua
e dedicada preparação para a morte?

Jorge Trindade

Resenha anterior? Clique AQUI!

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4 comentários sobre “Frankenstein, Agente da S.O.M.B.R.A. # 7 – Humanidade Descartável!

  1. Essa revista é muito divertida, e esse número é o meu preferido até agora. Quanto ao Ray Palmer, o Élektron aparece no teaser da futura Trinity War, só falta saber se vai ser ele mesmo (o que eu acho mais provável). Infelizmente Jeff Lemire deixa a revista no número #9 para Matt Kindt escrever, que espero que continue com o ótimo trabalho de Lemire que foi escrever Justice League Dark. Parece que Ponticelli fez aquele traço sujo do primeiro arco, pois combinava com a história cheia de monstros, pois depois ficou com um traço bem mais limpo, que não deixa de ser único e estranhamente bonito.
    Bom fim de semana e um abraço.

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