CAPITÃO ÁTOMO # 7 – Nadando Contra a Corrente

Resenha de Capitão Átomo # 7, de J.T. Krul (roteiro), Freddie Williams II (arte) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

No Spoilers

Enquanto participa de um experimento envolvendo aceleração de partículas na instalação do Continuum, o Capitão Átomo é bombardeado com memórias significativas de seu passado, desde sua infância, passando por sua carreira como piloto e culminando na experiência que lhe concedeu poderes. Concomitamente, um ser de aparência similar ao Capitão surge vindo não se sabe de que ponto específico do tempo: o passado distante ou o futuro longínquo. Mas sua presença ameaça quebrar a recente boa fase na vida do Capitão.

Esta é uma história de origem. Nela, o autor nos conta a nova versão do surgimento do Capitão Átomo, muito parecida com a anterior, mas distinta em alguns pontos importantes. Ele ainda é um piloto voluntário para uma experiência, mas desta vez, a mesma não se trata da energização de um exoesqueleto alienígena que o jogou quarenta anos no futuro com a pele revestida de metal. Desta vez o teste é baseado na tentativa do Dr. Megala de acessar outras dimensões através de um equipamento similar a um simulador de voo de quarenta milhões de dólares. Claro que a experiência não tem o resultado esperado, embora de fato eles consigam acessar brevemente outra dimensão, o que altera o corpo do piloto Nathaniel Adam, tornando-o um homem atômico. Embora sua mente permaneça intacta, dentro do possível, sua humanidade se vai, deixando-o como uma poderosa massa energética consciente, que simula um corpo humano. Sua energia é vista com desconfiança por muitos, que temem até mesmo se aproximar dele com receio de algum efeito colateral, mas a conclusão do Dr. Megala foi que ela era inofensiva desde que Nathaniel pudesse mantê-la sob controle. Assim sendo, não houve a necessidade de nenhum tipo de traje de contenção ou revestimento especial para mantê-lo sob controle.

J.T. Krul está tentando fazer uma grande história, mas me parece que está perdendo a coesão. É como se estivesse nadando num lago fundo demais, no meio de uma tempestade. Está demais pra ele. O ideal seria que ele continuasse na piscina rasa… não faria uma história divisora de águas, mas o estrago seria menor. Entrar nesse âmbito científico, falar de alterações no espaço-tempo e dar aulinhas no melhor estilo “telecurso segundo grau” não está ajudando. E não me entendam mal, eu adoro ficção científica e seu uso em histórias de super-heróis. Mas tornar isso uma narrativa interessante está além da capacidade de Krul. Odeio dizer isso, mas se ele não consegue escrever a HQ “cabeça” que tenta, deveria partir logo para ação e nadar só até onde dá pé pra ele… eu diria até que ele está escrevendo a história certa… mas do jeito errado.

Visualmente a revista está belíssima. Os desenhos de Freddie Williams II melhoraram muito desde o primeiro número, e hoje posso dizer que até gosto do ele se propôs a fazer. Não sei se teria a mesma opinião, ou se ele teria a mesma evolução, sem as cores maravilhosas de Jose Villarrubia.

O título vem se mantendo com muitas promessas e poucas realizações. São muitos recordatórios divagantes e quase nenhuma ação relevante, tão pouco empolgante. E confesso que me irrita esse método de narração, onde as pistas do que estão por vir são lançadas na forma de gotinhas na esperança de criar alguma expectativa, e o pouco que se revela vai se mostrando decepcionante e com zero de emoção… pelo menos até agora!

Gosto das mudanças feitas no personagem. Mas é uma pena que a história em si não tenha conseguido acompanhar o potencial dessa boa ideia. Ainda existe uma gota de expectativa, deixada para a próxima edição. Mas depois de tantas decepções, a essa altura a maioria dos leitores já terá pulado fora desse barco, muito mal navegado por Krul e que ruma direto ao naufrágio…

Curtam a capa de Mike Choi sem nenhuma informação escrita. Ficou um espetáculo!

Resenha anterior? Clique AQUI!

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6 comentários sobre “CAPITÃO ÁTOMO # 7 – Nadando Contra a Corrente

  1. Essa capa de Mike choi está de babar radiação! infelizmente estou muito descrente do J.T. Krull, pra mim ele já foi uma maravilhosa promessa no passado. Fico triste porque esse título poderia ser uma das coisas mais maravilhosas já feita nos quadrinhos americanos, poderia.

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  2. Rodrigo , aguenta mais um pouquinho que a próxima edição a coisa fica boa , pelo menos para o meu gosto. Assim com você, não gostei dessa edição, mas quando li a seguinte, fiquei muito entusiasmado. Para mim toda essa série está tendo altos e baixos e espero que Krull acabe bem ela, pois ela acabará na #12 mais a #0.
    Abraço.

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    1. Anderson, eu fico numa situação complicada porque gosto muito do personagem e torço muito para as histórias melhorarem. Infelizmente, nem sempre os autores correspondem as expectativas, mas mesmo assim sempre procuro encontrar o lado positivo e tentar enxergar o plano geral com otimismo. Concordo sobre os altos e baixos e atribuo a isso o fato de Krul querer contar a melhor história já escrita do Capitão e acabar tropeçando no meio caminho… mas vou resenhar todas as revistas que comecei até o fim, estejam elas boas ou não, podem ficar tranquilos. (Mas tomara que fiquem boas né? 😉 )

      Abraços!

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