Surpreendentes X-men #52 & DISQUE “H” PARA HERÓI – “karma, karma, karma, karma,chameleon,you come and go!”

Por Venerável Victor “Disque “T” para tratador de macacos” Vaughan

ASTONISHING X-MEN #52    SEM SPOILERS

Marjorie Liu & Mike Perkins
Capa do fantástico, Dustin Weaver

Eu nunca li os romances de Liu e, em matéria de quadrinhos, também não acompanhei sua passagem pela revista X-23 – apenas seu trabalho com Dakken, o “Wolverine sombrio”. Não saberia dizer se ela está começando agora a contar histórias totalmente fora de ordem cronológica ou se isso é sua marca registrada, ignorada na revista do filho (bissexual) do Wolverine. Pode ser tão interessante para ela escrever desta forma como extenuante, para os leitores, ler essa aventura picotada no tempo.

O problema pode ser esse: ao contrário da maioria dos títulos X, Astonishing X-men apenas sai uma vez por mês. Isso é muito bom para a o bolso dos fãs, mas pode incomodar pela forma como a roteirista está contando sua história. Para ser mais claro, esse é um dos arcos que uma vez que estiverem totalmente compilados em um encadernado, será uma surpreendente leitura, mas separado em partes, o leitor pode ficar se perguntando o que diabos está acontecendo nessa estranha cronologia. Ainda bem que na abertura de diversos títulos Marvel há um resumo das edições anteriores. Mas no final das contas tudo isso nos embala através de um interessante estilo de narrativa, que vai nos brindando, a cada mês, com pequenas pistas do mistério, ao mesmo tempo em que o roteiro avança e nos surpreendemos cada vez mais.

A roteirista continua excelente na construção de seus diálogos e na representação dos relacionamentos entre os personagens; essa sempre foi uma forte característica de seu trabalho, que vem funcionando ainda melhor nos quadrinhos, agora que ela tem um título de grupo ao invés de revistas com personagens solo, e essa é a grande razão dessa revista estar na lista de resenhas do nosso site. Depois que Joss Whedon saiu do título Warren Ellis não empolgou, e o autor Greg Pak, que vinha para salvar a causa, quase estraga tudo em três edições… Foi quando chegou a cavaria, de olinhos oblícuos e muito talento: era Marjorie, embarcando no projeto e salvando-o de não ser apreciado por nós do Santuário.

Se o clímax da última edição deixou você coçando a cabeça, então essa revista será exatamente o que você está precisando. A escritora finaliza a cerimônia de casamento e imediatamente volta para as explosões, explorando o porquê de Karma ter traído a equipe. Também nos são revelados flashbacks sobre o passado recente da personagem, que irão esclarecer quem é essa jovem mutante estranha para o fã mais recente, assim como faz com que o leitor tenha subsídios suficientes para se importar com as coisas terríveis que aconteceram com ela no passado. O título do escritor Brian Wood – X-men – eu só acompanho por causa da atitude de Tempestade – única revista onde ela está sendo retratada corretamente; mas há razões de sobra para voltar todo mês a “Surpreendentes X-Men” e seus carismáticos personagens.

Pelo fato de metade dessa edição ser de flashbacks, a proposta parece ter sido termos dois diferentes desenhistas para cada momento temporal e com isso há um visível impacto na qualidade. Mike Perkins realiza um grande trabalho nas cenas rápidas que mostram o fim da cerimônia de casamento – com louvor para a cena de Estrela Polar e Kyle dançando acima dos convidados – mas o melhor se dá quando ele produz muitos dos painéis onde vemos os momentos mais surreais de Karma, agonizantes e tensos. Já o traço de Peter Handles, apesar de defender bem os momentos de recordatório, muitas vezes produz expressões faciais que não condizem com o que os personagens estão dizendo. De qualquer forma, essa edição vale muito a pena ser lida.

Momento de Flashback com o Wolverine para garantir venda (até de costas ele é bom nisso!)

Se inicialmente a forma desordenada de contar uma história por Marjorie Liu pode criar desconforto no leitor, também seus diálogos são lindos e carregados dos sentimentos carregados por esses mutantes, fazendo deles verdadeiros X-men; os heróis se mostram como verdadeiros amigos que brincam e debocham uns dos outros, mas também se preocupam com o bem estar da “família” – o que faz com que a versão do escritora/gatíssima/chinesinha seja uma das mais autênticas representações da equipe dos últimos tempos.

DISQUE “H” PARA HERÓI #4   Spoilers

China Miéville – Mateus Santolouco & Brian Bolland
Capa de quem? do mestre Brian Bolland!

Um dos objetivos dos Novos 52 títulos da DC após o relaunch é o de oferecer mais revistas audazes e únicas que estariam fora da zona de conforto dos bons e velhos quadrinhos de super-heróis. Apesar de qualquer problema que essa série tenha, você pode falar o que quiser de Disque H, menos que se trata de uma revista previsível ou comum. Além do mais suas esquisitices tem sido um belo furação na indústria e por sorte o primeiro arco de histórias do escritor China Miéville progrediu ao ponto de ser fácil enxergar além da natureza surreal de sua narrativa, apreciando suas criações.

Falando nesses personagens, eles tem sido o ponto mais forte da revista no quesito manter seu público fiel. Apesar de que fora o anti-herói principal, Nelson, tem sido realmente difícil se identificar com o elenco do título e sequer determinar o que os vilões realmente almejam. Miévelle tem conseguido fazer com que suas motivações sejam mais claras, e ao fazer com que o vilão Squid (Lula?) passe por uma total inversão de papéis, tornou o ex-antagonista um importante apoio para Nelson, que cresceu muito como personagem nesse capítulo quatro da revista, mostrando seu valor como todo bom herói que se vê numa situação em que não pode contar com seus poderes; contrariando totalmente o que muitos leitores poderiam pensar, ele é o cara certo para superar todos esses desafios, se tornando mais tridimensional a cada nova edição.

Em alguns aspectos as qualidades surreais da revista ainda podem ser exageradas, fica muito difícil para o fã se importar com a ameaça que o vilão Abismo representa e o perigo que pode ser para o mundo. Disque H é um título muito mais interessante pelas novas e diversas personagens que pipocam a cada edição do que por sua grande história de fundo e que representaria a real motivação da revista existir. Além de que os diálogos de Miéville, como acontece com inúmeros escritores que foram trazidos da indústria de livros e romances, funciona mais como prosa literária do que como falas mais realistas e urbanas que uma revista como essa pede.

O desenhista brasileiro Mateus Santoloco contribui com quadros bizarros e psicodélicos, necessários para contar esse tipo de história; Disque H parece algum projeto perdido e engavetado dos primeiros anos do selo Vertigo, mas com cores muito melhores… e da forma com que a Vertigo vem diminuindo sua produção editorial, sendo aos poucos consumida pela DC, é bom saber que trabalhos como esse ainda poderão viver no mercado, agora em harmonia com o universo colorido e oficial da editora.

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18 comentários sobre “Surpreendentes X-men #52 & DISQUE “H” PARA HERÓI – “karma, karma, karma, karma,chameleon,you come and go!”

  1. Acho curioso como essa chinesinha de Tokio tem escrito essa revista, pois elege uma personagem como fio condutor da trama e dá muito destaque a ela, fazendo as demais meras coadjuvantes. Ela faz revistas solos dentro de um título que deveria ser de uma equipe. Pelo menos isso tem acontecido nessas útimas edições.

    Em AXM, Josueldon ainda é o mestre em desenvolver personagens e as relações entre elas, dando importância a todo mundo dentro de uma perspectiva maior.

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  2. Astonishing X-Men é neste momento a unica série Marvel que eu sigo. Mas sigo em volumes compilados… espero que a Marjorie Liu não faça bosta, porque senão da Marvel passo a comprar só os clássicos! Hummm….

    Disque H para Herói está na minha segunda wishlist. Não sei se iniciarei a compra desta série… já são muitas ongoing que eu sigo e embora esta apresente premissas muito interessantes, vai ter que ficar para segundas núpcias!

    Abraço

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  3. Acompanhei Surpreedentes X-men fielmente até a saida do Ellis, depois fui ler a história do casamento do Estrela Polar, mas confesso que é um título que atualmente não me da vontade de ler.

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  4. “H” até pelo parceirão SantoLouco tá valendo a pena, além de ser incrível ter a oportunidade de acompanhar uma hq que a DC jamais publicaria(?). Será que Liu ou a direção editorial X já tá pensando nos encadernados pra construir esse tipo de narrativa? Tomara que não, senão pobres leitores.

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  5. Eu quero muito conhecer melhor o trabalho da roteirista Marjorie Liu, que graças as resenhas do Victor, chegou ao meu conhecimento e cada vez mais desperta meu interesse. Disque S para Santuário e tenha sua dose cultural descompromissada do dia e a diversão é garantida…! =)

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  6. Com resenhas como essa, quem precisa da revista ???

    “Diskagá” é sem dúvida um dos lançamentos mais relevantes em termos de inovação -ou, se a história não é nova, pelo menos em termos de ousadia; na verdade inovar está tão em desuso pelas grandes editoiras, que já está quase virando novidade de novo!

    Quanto aos Fabulosos, eu não tenho acompanhado, mas estou certo de que vale a pena.
    #quadrinhosforever4!

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  7. Por causa das resenhas aqui eu passei a ler a Surpreendentes, não lia antes porque a periodicidade era muito estranha para mim, levava mais de um mês para uma revista chegar no mercado, agora é apenas um mês, parece muito porque as outras saem mais de um título a cada 30 dias, mas para mim está ótimo. Sou muito fã do Gambit, que ainda não teve grandes participações na revista, mas está com título solo, isso deve mudar após esse arco e quero dizer que vale a pena dar uma chance para esse quadrinho, até mesmo porque o mala do Wolverine é secundário e a saga AxX nem é citada aqui, Graças a Beyonder! Make mine Marvel!!!!

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  8. Nunca li uma história escrita por Marjorie Liu, mas pelo que leio aqui no Santuário, ela parece construir boas histórias banhadas por diálogos interessantes.
    Disque H é bem surtada, é possivel se pensar em diversas histórias que se encaixariam bem neste título.

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  9. Eu diria que não só este arco de Liu é digno de um TPB (vou além um HC mesmo, e se tivesse espaço prá guardar em casa, eu comprava!!!!!!) como também Dial (opa, mas todos os 1° arcos dos Novos 52 estão saindo encadernados. E o preço é camarada!!!!!). São sequências que agonizam e causam brotoejas quando lidas em solo, mas juntas tem todo o significado e valem a revisita periódica.
    E Venerável. Pro prazer ser completo não basta só preliminar (como frisa bem minha esposa). Manda spoiller em tudo!!!! E continua com esta visão anos 80 que só você tem!!

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  10. Tenho acompanhado os X-títulos apenas pelo Santuário… #vergonha!!!

    Mas graças ao trabalho da equipe tenho assunto pra contar como se tivesse lendo todos fielmente!!! Meus amigos acreditam piamente que eu sou o único nerd-sertanejo desse país!!! Huahahaha

    E devo isso ao excelente trabalho do Santuário!!!!

    E olha, eu adorava a Karma nos Novos Mutantes… Tô tetando entender como ela virou a bad-girl do momento…

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  11. Rapaz, meu caro venerável, eu estou apaixonado por essa escritora…afinal antes (me perdoem), mas era Gail Simone e Louise Simonson como exemplos femininos proeminentes nos roteiros de quadrinhos e vamos combinar que não animava tanto. Agora a Marjorie…dou casa, comida (muita comida) e roupa lavada, fora minha senha do cartão!!!!

    A revista está indo bem sim, eu detestei o desenhista no início, agora estou começando a entender o quanto ele funciona na narrativa dela. O que dizer de Disque H??? É VERTIGO na DC comics, quer coisa melhor? MAKE MINE MARVEL!!!!!

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  12. Todo essa atmosfera que encobre ASTONISHING X-MEN #52 é ótima para as vendas. A mutante Karma é bastante carismática e possui um passado sombrio, que na verdade, é um ótimo “as” na manga. Gosto do Wolverine, mesmo sendo uma estratégia, ele possui uma presença forte.

    Disque H para Herói é realmente surpreendente. China Miéville me parece muito competente. Os seus diálogos com base na prosa, na minha opinião, funcionam muito bem. Isso junto com o traço do brasileiro, Mateus Santolouco e, do incomparável, Brian Bolland levam o número para patamares altíssimos.

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  13. Acho que mesmo com uma narrativa um tanto quanto lenta, Liu tem conduzido de forma mais que satisfatória nos diálogos, ela tem aproveitado personagens ate então meio que no limbo como a Karma e o Estrela Polar, personagens que em suas mãos, tem crescido a cada edição.
    Concordo com o Victor, essas edições vão ficar perfeitas em um encadernado. E não vejo a hora de ler a próxima edição.

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  14. disque “h” para heróis é como aquela linda garota doida de tpm , vc nunca sabe o que vai vir a seguir kkk e é esse o mérito da hq e sobre os x-men … bem eu esqueci o que eu ia falar depois de ver a foto da Marjorie Liu kkkkkkkkkkkk

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