Liga da Justiça da América – O PREGO

Por Venerável Victor  “Tratador de macaco prego”  Vaughan

Alam Davis & Mark Farmer

Há muito tempo atrás na série “O que aconteceria se…” da Marvel discutia-se o tema de que se realmente um pequeno evento poderia mudar ou não toda a realidade de uma história. Era sabido que todo novo episódio desse famoso título começava com algo mundano acontecendo – como, por exemplo, Peter Parker pisar num pedaço de chiclete no Central Park – e sempre terminava em um final extraordinário – como, por exemplo, um buraco negro aparecendo no centro do planeta – na época não era algo popular o conceito de “Efeito Borboleta”, o que na verdade é o real mote por trás de toda a série. Costumava-se brincar com a ideia de que se por acaso Tony Stark se esquecesse de escovar os dentes uma bela manhã, esse dia terminaria de alguma forma com os Celestiais dividindo nosso mundo em dois e dando uma parte de comer como papinha para o Galactus. Claro que isso é um exagero – na maioria das histórias – pois mesmo os mais surreais episódios dessa série seguiam alguma linha racional de desenvolvimento. Alguns anos mais tarde, surgiu Alam Davis e mostrou aos fãs de quadrinhos como um simples prego pôde mudar todo o mundo.

Uma das coisas mais interessantes que a DC comics produziu nos últimos tempos e o que tristemente é algo que pertence ao passado agora era a série, batizada em português de: Túnel do Tempo (Elseworlds) que na verdade era uma grande desculpa para se produzir quadrinhos muito divertidos. Grandes e consagrados escritores tinham carta branca para mexer com os ícones da editora e fazer o que bem entendiam com o seu universo.

A série Túnel do Tempo apresentada aqui: “LJA o prego”, foi lançada em 1998 e é considerada após O Reino do Amanhã – Kingdom Come – como o melhor conto nesse estilo. Era um momento ainda de euforia do mercado de quadrinhos com títulos mutantes. Grant Morrison tinha reinventado a Liga da Justiça a sua imagem e fazia um grande sucesso com ela. Curiosamente a grande coincidência aqui é que após terminar seu trabalho duplo de roteirista e desenhista em “JLA O Prego”, Alan Davis assumiu a revista mensal dos X-men na Marvel também, exatamente como o escocês Morrison iria fazer anos mais tarde. No passado muitos fãs não gostavam do estilo de Davis, preferindo a arte de outro mestre que havia passado pela revista dos fabulosos mutantes, Adam Kubert, mas com o tempo muito desse preconceito foi extinto, com o artista adquirindo uma imensa base de fãs fiéis.

Nessa aventura, a Liga da Justiça ainda existe e possui muito do charme da fase clássica da equipe pré Crise nas Infinitas Terras do início da década de oitenta do século passado. Mas o mote desse “Túnel do Tempo” é que esse mundo é uma Terra sem o Super-Homem. A série é batizada a partir de um simples prego que na estrada fura o pneu da caminhonete de Jonathan Kent, momentos antes que a pequena nave de Krypton caia em alguma plantação perto de Smallville. Somos lembrados que essa deveria ser a viagem que o casal Kent encontraria o bebê alienígena, mas por um pequeno capricho do destino, isso nunca aconteceu.

A Liga da Justiça dessa realidade. Liderada pela Mulher Maravilha, é temida. Existe uma forte campanha anti meta-humana disseminada por Lex Luthor, o prefeito de Metrópolis, que nessa versão continua sendo o mesmo cafajeste e bilionário super inteligente. O editor do Planeta Diário, Perry White, é um completo idiota e Jimmy Olsen desempenha um papel muito maior do que alguma vez desempenhou em sua existência. Por alguma razão, a mídia sempre está presente no lugar e hora certa para capturar a cena perfeita de algum vilão sofrendo na mão de um vigilante uniformizado que abusa de seu poder. Assim sendo, Batman é flagrado em rede nacional matando o Coringa, o que por um lado parece ser um descontrole e uma inversão de valores. Mas na verdade o que as câmeras e microfones nunca captaram, foi que o palhaço do crime, instantes antes, tinha matado o Robin e a Batgirl após provocar um imenso caos no Asilo Arkham, fortalecido por uma misteriosa tecnologia kryptoniana…

Não seria uma atitude digna de um cavaleiro da nona arte, liberar muito dessa incrível história aqui, afinal o caro devoto que não leu essa aventura, deveria correr atrás desse prejuízo. Alam Davis definitivamente brinca em 150 páginas ou mais de sua obra com a mitologia dos queridos heróis DC e a grande maioria deles que vier a sua mente, pode ser vista aqui em um painel ou dois no mínimo. Quase como um tributo a alguma antiga “Crise” já publicada. Apesar de ter três edições, essa séria poderia contar facilmente com um quarto capítulo, afinal as revelações e desdobramentos da trama são solucionados em um ritmo muito acelerado nas páginas finais do ultimo capítulo. Um pequeno spoiler: ficamos sabendo que o pequeno Kal-El realmente cai na Terra, então não seria surpresa que ele eventualmente aparecesse em algum momento da trama, mas teria sido muito mais legal vê-lo possuir uma participação um pouco maior. Mas como é mencionado ao fim da edição, esse não é o final da história, mas o começo de uma nova aventura. Claro que anos mais tarde tivemos: JLA um outro prego.

É realmente apaixonante a forma como o senhor Davis desenha o Flash. Ele continua uma figura musculosa, porém esguia e elegante, o que é perfeitamente lógico que Barry Allen, por ser um velocista, não seja tão robusto e pesado como a maioria dos outros vigilantes.

O único desapontamento com a história seria a pouca relevância dos Novos Deuses de Jack Kirby no enredo. Esses personagens são mostrados rapidamente e uma grande guerra se inicia entre eles, provavelmente por consequência do que está acontecendo aqui no nosso planeta, mas o desenvolver desse conflito não é mais mostrado e o leitor fica o tempo todo se perguntando se de alguma forma Darkseid estaria envolvido com toda a confusão aqui na Terra, o que se revela sendo um raciocínio precipitado. Muito mais de Orion, Barda, Senhor Milagre e Cia poderiam ser trabalhados editando-se muito do espaço desperdiçado com passagens desnecessárias.

Algo muito característico e que funciona de forma fantástica é o que já se tornou uma marca registrada do trabalho de Alam Davis: quando um personagem está usando mascara com seus tradicionais “olhos brancos”, ele desenha as pupilas por detrás, de forma discreta, para que você tenha uma melhor ideia da emoção que aquela pessoa está sentindo. Muitos outros criadores passaram a fazer isso também, mas quando se trata da arte de Davis, pode-se ficar muito tempo preso em um único painel, admirando a sensibilidade e delicadeza de seu traço. Fora que esse conto é também fantástico se você buscar caracterizações fiéis de seus heróis temos o Caçador de Marte mostrado em sua rotina de assistir tudo o que pode na TV, o Eléktron mostrando toda sua inteligência e perícia ao invadir um laboratório de um vilão…

Um parágrafo de agradecimentos deve ser dedicado à Mark Farmer, o arte finalista dessa série e braço direito de Alam Davis em diversos trabalhos que comprovam um casamento artístico abençoado.

A Liga da Justiça é formada sem ter o Super-Homem como inspiração e coração da equipe, tudo isso por causa de um prego, não? Talvez. O senhor Davis poderia facilmente ter nomeado essa fantástica aventura assim: “Como o relógio biológico de Martha Kent quase arruinou todo o universo”. Porque foi realmente a senhora Kent quem quase pos tudo a perder. Sim, houve um prego que furou o pneu da velha caminhonete, mas Jonathan estava disposto a troca-lo rapidamente de modo que eles continuassem em tempo sua viagem para Metrópolis, provavelmente cruzando no caminho com o super humano mais importante da história do universo DC. Mas não! Martha queria ao invés de achar a criança das estrelas, fazer sua própria e tinha que ser naquela hora! É o que vovô sempre disse: morro fogo acima, água morro abaixo, mulher quando quer fazer neném, ninguém segura”.

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39 comentários sobre “Liga da Justiça da América – O PREGO

  1. não gosto do super mas escrever uma história sobre um prego é foda hehhehe muito boa mesmo grande alan davis excelente matéria mais uma vez………….

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  2. Martha Kent safadinha! ashusahu’s
    Eu gosto bastante do Homem de aço, mas sinceramente acho ele muito apelão! Gostei um pouco da Liga sem ele =P
    E nunca esquecerei o dia em que o Homem morcego mata o curinga após ter matado o Robin!
    Muito show essa matéria! E uma das melhores já postadas aqui!
    Parabéns V3!

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  3. Muito bom cara. Gosto do Alan Davis nesta história. É um dos meus xodós na coleção heheh
    Sempre gostei deste universos alternativos, tenho um gosto meio bizarro e coisas que eu gosto normalmente o pessoal não gosta muito, mas esta mini é quase unânimidade. Muito massa.
    Abs cara.

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  4. o traço do alan davis é maravilhoso… eu que nem leio dc tive que baixar esse the nail por causa dos desenhos do davis…

    mil vezes melhor que adam kubert, esse sim, bem ruizinho…

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  5. Alan Davis foi protagonista desta obra de arte (com Mark Farmer que tempos depois nos presentou nesta mesma série com outra pérola envolvendo a Legião dos Super Heróis) como outras: sua passagem em Vingadores, Capitão Bretanha (na Marvel UK
    ), ClãDestino (recomendo sem ressalvas) e sua passagem em X-Men (o mais fraco da carreira). Uma leitura bem descompromissada e agradável. Foi uma pena o formato que saiu no Brasil, mas o papel é ótimo.
    Grande lembrança Veneravel que mostra que aquele tempo é inesquecível.

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  6. Ah, então quer dizer que a Marta estava KENT !!!

    Sempre AMEI os títulos O QUE ACONTECERIA SE… e nem imaginavaq que a DC tinha feito uma obra desse nível com o tema! Um mundo sem o Super-Homem seria como… como… como um mundo sem mim!

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  7. Nunca li essa história, e esse sempre foi o “prego” que faltava na minha coleção. Já procurei em vários sebos e lojas virtuais, mas está sempre esgotado. Não sei o que a leitura dessa história poderia ter alterado na minha vida, talvez nada, mas… quem sabe?

    Parabéns por mais um super artigo, Victor! Adorei……! =)

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  8. Bom, eu curto muito a arte do Alan Davis, mas este negócio de colocar pupilas em máscaras, eu sou contra. O bom do recurso máscara é justamente esconder as emoções do personagem. Outros recursos de posições corporais podem ser utilizadas pro leitor identificar a emoção do personagem. Detesto quando fazem a placa facial do Homem de Ferro ficar com aparência de máscara de teatro comédia/drama (tipo 🙂 / 😦 ). O Aranha então apertando os olhos da máscara, … Quanto a aventura, quem não leu ainda, vai gostar. E quanto a arte do Davis, não deixa a desejar aos melhores dos Quadrinhos. Vale também conferir o traço dele em Clã Destino, X-Men e Excalibur.

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  9. A arte do Davis é encantadora… um traço simples e elegante…
    Nunca li esta HQ, mas os gibis com histórias “paralelas” à cronologia habitual costumam ser muito interessantes.

    Sobre a passagem “Peter Parker pisar num pedaço de chiclete no Central Park – e sempre terminava em um final extraordinário – como, por exemplo, um buraco negro aparecendo no centro do planeta “ isso não é mera força de expressão… observem o que acontece quando ele prepara um simples miojo:

    eauhuehaueheuhuehuehuheuhueheueuhuehueahauehauehauehauehauuae

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  10. Comprei primeiro O Outro Prego, tempos depois que consegui achar O Prego. Depois disso fui atrás de outras histórias do Túnel do Tempo. Isso já tem muito tempo, bom lembrar.
    Valeu Victor, pois minha O Prego foi perdida entre mudanças e relembrar a história foi muito divertido, até pq sempre me trás a recordação de uma época em que as HQs eram mais divertidas e menos comerciais.

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  11. Ahh, o prego! Uma de minhas favoritas. A linha Elseworld da DC no agraciou com muitas boas histórias, gosto muito de ver o resultado de uma obra quando afrouxam as rédeas do roteirista.
    E ótima resenha, me deu vontade de reler a história!

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  12. Comentando com spoilers:
    Eu devo ser uma das poucas pessoas que não curtiu essa hq. Sei lá, esperava tanto, que acabei me decepcionando.
    Ao contrário de você, acho que o Super não deveria ser mencionado em momento alguma da história. Quando ele aparece, mesmo vivendo entre os amish, ele parece que passou a vida treinando pra ser um herói. Foge do contexto de que ao ser encontrado por outras pessoas, ele teria levado uma vida completamente diferente.
    Também não gostei do ritmo “atropelado” da última edição.
    O ponto positivo é o traço do Alan Davis, que, como você apontou sobre o desenho do Flash dele, eu usaria os mesmos adjetivos em todos os personagens que ele faz.
    Mas ainda assim, é uma hq que eu li, e guardei no fundo do baú, e nem lembrava que tinha até ler este texto.
    Se alguém quiser comprar, eu vendo. rsrsrsrs

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  13. Eu sempre fui fã da série o que aconteceria se… assim como da serie elsewords, que nos brindaram com grandes historias (no caso da marvel algumas perderam o nexo “O que aconteceria se Fenix, Elektra nao tivessem morrido” por exemplo afinal o conceito de morte e torpe nas editoras de herois) mas existem grandes historias… Mas de longe a da DC ganham da marvel: O prego e ate a sequencia O Outro Prego sao excelentes, assim como O Reino do Amanha e Gerações. Parabens pela materia sempre com otimas tiradas. Gostei do comentario da Leticia Fiuza… uma tartaruga seria engraçado rsrsrsrsrs

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  14. Uma das séries que mais gostava da Marvel (não que eu goste deles, kkkk) mas sempre pensar em diferentes alternativas para uma mesma solução é maravilhosa, e esse titulo merece respeito, a arte é linda, e a história muito mais, outra obra que preciso adquirir em minha gibiteca…

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  15. Quando nos pomos a imaginar como seria a nossa e outras particulares vidas com os seus possíveis “e se”, convém não esquecer que ESTA vida, a atual, já é resultado de “e se” anteriores. Mas continua a ser um exercício de imaginação que nos atrai. Há uma passagem num romance de Saramago, ” O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, pela página 320, em que Tiago e José partem em busca do irmão (Jesus), que diz: “(…) para que possa cumprir-se o destino de um encontro de umas pessoas com outras, como no caso de agora, é preciso que elas consigam encontrar-se num mesmo ponto e à mesma hora, o que custa não pouco trabalho, bastava que nos demorássemos, pouco que fosse, a olhar uma nuvem no céu, a escutar o canto duma ave, a contar as entradas e saídas de um formigueiro, ou, pelo contrário, que por distracção não olhássemos nem ouvíssemos nem contássemos e seguíssemos em diante (…)”.

    Enfim, são os tais “pregos” no caminho, que os há e nos desviam constantemente. Por exemplo, se eu não estivesse aqui a escrever para o Santuário estaria na praia com uma gata bem gostosa!! 🙂

    Abraços fortes, Amigo Venerável Victor.

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  16. Um colega me falou muito bem de Liga da Justiça da America – O Prego. Me falou de todas as pequenas diferenças ocasionadas por simples mudanças: um prego no pneu dos Kent ou um Lex Luthor bonzinho e condescendente com o povo. A DC, com esse número, deu uma resposta diferenciada à Marvel. O que é muito bom! Pois histórias engraçadas, inteligentes e de qualidade foram produzidas. Ainda não tive a oportunidade de ler, mas pretendo fazê-lo em breve.
    Texto bastante instrutivo. Parabéns!

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  17. E o que aconteceria, se na sua infância, qdo ainda era um bebê, seu primeiro bichinho de pelúcia fosse uma tartaruga? O que seria do mundo hoje, Venerável? =D

    Texto muito bom! ^^

    Essas teorias do Efeito Borboleta e do “Se” muito me agradam.

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  18. Amo essa história. Ela trabalha vários elementos importantes que dão cara ao universo DC, e que infelizmente se perderam. O casal Kent continua tendo um papel importante, embora me pareça, mais ligado a Doom Patrol. Não concordo com sua opinião em relação ao Superman. Acho que para o funcionamento da trama a coisa toda foi acertada, inclusive a participação da Tropa dos Lanterna Verdes.

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  19. Sim, concordo que após O Reino do amanhã essa seja uma das melhores histórias dessa série de revistas, vibrei a cada capítulo na década de 90 quando li, aliás, essa série “Túnel do Tempo” trouxe tantas histórias interessantes, realmente foi uma das atitudes editoriais mais interessantes da DC, desde a criação do selo Vertigo, rapaz! 😉 O Flash dele realmente é lindo, até o Caçador de Marte com o uniforme velho e ridículo, fica elegante e classudo… Alam Davis é o cara!!!

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  20. Gostei muito da materia!Sempre gostei dos desenhos do Alan Davis,seu estilo é muito bom!Que prego,hein?!Nao foi o Lex Luthor que o colocou(usando uma maquina do tempo,sei la)?acho que nao…e essa Martha,hein?!é “Kent”mesmo…isso nos mostra como o Superman faria falta no UDC.Continue sempre fazendo essas materias sensacionais!um abraço!

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  21. Conheci “O Prego” após comprar um encadernado de “O Outro Prego” na banca de revista. E tenho que dizer que até hoje acho esse Elseworld simplesmente genial. Não é o meu favorito, pois eu gosto demais de Reino do Amanhã e Triologia de Sangue (escrevam pelamordedeus sobre essa última). Em “O Outro Prego”, os Novos Deuses são bem mais desenvolvidos, e temos até uma lanterna verde bem inusitada!

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  22. Sempre tirando ótimas coisas do baú… Nostalgia..mas fazer o que??? Esse tempo não volta mais…Ou será que eu mudei muuito… A magia acabou? Transmutou? Perdeu o encanto?
    Sei lá…delírios da madrugada… melhor escrever um poema!!…kkk

    òtimo meu querido!!!

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