“Homem Aranha: Tormento” de Todd McFarlane – The Arachknights Returns!

tormentoSanta resenha Batman! Ou melhor… Aranha! Uma verdadeira viagem pela teia do tempo através de desenhos espalhafatosos e muito contorcionismo aracnídeo! Tudo isso produzido pelo roteiro, desenhos e cores de Todd McFarlane… um cara que desenha melhor que o Rob Liefeld!

Este artigo contém Spiders. Spoilers. E trocadilhos terríveis. 

(Também publicado no Baile dos Enxutos)!

Homem-Aranha-Tormento

Por Rodrigo Garrit

Muitas pessoas o odeiam… acreditam que ele seja uma péssima influência… ele é perseguido pela mídia, mas de uma forma ou de outra, está apenas tentando fazer aquilo que acha certo… pois com grandes talentos, vem grandes responsabilidades… embora alguns digam que seus talentos na verdade sejam uma maldição. É um cara azarado, já fez grandes coisas na vida, é verdade, mas se pensar bem acaba quase sempre se dando mal. Tem uma trajetória de lutas, com muitas vitórias e derrotas. Ele tenta ser o amigão da vizinhança, mas por mais que tente, acaba fazendo mais inimigos do que amigos… vocês já sabem de quem estou falando não é?

Sim, isso mesmo. Todd Mcfarlane.

Com um traço caricato, estranho, diferente e original, ele começou a chamar a atenção, quando assumiu os desenhos do Homem Aranha, época em que o sucesso veio de forma definitiva. A primeira edição de “Spider Man” produzida por ele vendeu mais de 1 milhão de exemplares… o que foi o suficiente para que ele, tempos depois, achasse que deveria ter sua própria editora e ganhar dinheiro com seus próprios personagens. E ele estava certo. Não que Spawn seja a obra prima máxima da nona arte, mas não é disso que vou falar aqui…e sim da saga “Tormento”, justamente a referida história que vendeu mais de 1 milhão de exemplares… Essa saga tem grande importância, pois estabeleceu algumas mudanças visuais no personagem e causou grande impacto na época de seu lançamento, fazendo dessa história uma das mais bem vendidas do mercado americano de quadrinhos.

O espetacular Homem Aranha segue sua rotina, patrulhando as ruas e prendendo alguns bandidos menores. Ele é um herói consagrado, já enfrentou o Dr. Destino, Mephisto, Galactus além de outras ameaças cósmicas e sobreviveu. Isso faz com que ele exceda sua confiança e se torne uma presa no ataque repentino e violento do Dr. Curt Connors, o Lagarto, controlado das sombras por outra figura que busca vingança contra o herói aracnídeo.

O roteiro em si não é uma obra prima, mas apesar de simples, sabe fazer o lê, lê, lê consegue prender a atenção do leitor, que procura pistas e os motivos dos ataques ao Homem Aranha. As sequencias de luta são repletas de adrenalina, e a ação frenética não deixa o leitor parar pra respirar. Vemos então um Homem Aranha quebrado, envenenado e indefeso diante de seus inimigos, lutando com todas as forças para sobreviver… só pensando em voltar para casa e para sua esposa.

Enquanto isso, Mary Jane, a esposa, está na balada, pulando de festa em festa enquanto seu marido arrisca a vida. Ela tem muita confiança de que ele sempre vai voltar pra casa são e salvo. Ou quer mais é viver uma vida louca, o resto que se dane. Um pouco das duas coisas.

É possível encontrar referências a Watchmen nessa história, como por exemplo em alguns enquadramentos e em uma cena em especial onde temos a aproximação de geleia de morango respingando num jornal ao mesmo tempo em que outro personagem faz menção a sangue derramado em um ritual macabro; mas embora exista essa influência clara, ela não prejudica e nem privilegia a trama, que segue seu ritmo médio do começo ao fim.  Também existe algo de “Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller… não que alcance o mesmo nível, mas Todd McFarlane usa a mesma técnica narrativa nos recordatórios do herói caído, com direito até a retrospectiva da origem do personagem.

Diferente da maioria dos vilões que adora contar seus planos para o herói antes de tentar mata-lo, a bruxa que controla o lagarto mal fala com ele. Em nenhum momento revela seus motivos e nem mesmo seu nome, o que aumenta ainda mais o tormento do Aranha. Mas sua história é contada aos leitores na forma de flashbacks, onde temos uma ideia de quem é ela e de onde veio… uma desvairada que busca vingança pela morte de Kraven, o caçador, que havia se suicidado tempos atrás na essa sim épica história “A Última Caçada de Kraven”.

O traço de McFarlane não incomoda, desde que você encarne o espírito cartunesco com que ele desenha, muito embora algumas cenas com close no rosto dos personagens pareçam grosseiramente deformadas. Alguns personagens parecem estar sempre com a cara inchada, como quem acaba de acordar. E Mary Jane é forçada demais, em algumas cenas ela parece uma manequim viva, com aquele cabelão de Barbie e os lábios enormes… quase uma boneca inflável. Não sei se com o tempo ele melhorou seu traço no que se refere a traços de expressões faciais (pelo pouco que li de Spawn, continuava na mesma), mas é como eu disse antes, desde que não se espere mesmo ler algo extremamente fiel a realidade, fica tudo em casa. Por outro lado, ele desenha belos painéis da cidade e seus becos escuros… o lado cartunesco tem a vantagem de tornar os vilões exageradamente ameaçadores, com dentes enormes e afiados… as cenas de luta também são privilegiadas, embora o contorcionismo do cabeça de teia seja provavelmente mais um super poder embutido…  ninguém se move daquele jeito sem ficar tetraplégico!

Mas mesmo assim, o estilo que ele imprimiu no Homem Aranha resiste até hoje, e o modo como ele desenhava as teias “espaguete”, e fazia Peter em movimentos e poses inspiradas em aranhas reais são pontos extremamente positivos deixados por McFarlane.

Houve sim a coisa do impacto visual e a bagagem referencial que Todd McFarlane trouxe de tudo que fazia a cabeça dos fãs de quadrinhos na época. Ao ler a mesma história hoje, obviamente não tem o mesmo impacto, mas ainda assim é uma grande história do Homem Aranha e diversão garantida para antigos e novos leitores do personagem.

S_Final

TARDIS

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21 comentários sobre ““Homem Aranha: Tormento” de Todd McFarlane – The Arachknights Returns!

  1. Cara, acho que sou o único que não gosto dos desenhos do cara. Sei que ele foi um divisor de águas no HA, mas sei lá, nunca me agradou o traço. hehe Reli a pouco tempo e não costei de novo heheh Mas cada um, cada um né? Gosto não se discute heheh

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  2. Eu sou fã do McFarlane muito antes, na época do HULK dele, que eu adorava justamente por esse estilo cartoon (concordo com as caras amassadas horríveis várias vezes), sabe, se não me engano, foi ele o primeiro a imprimir expressões na máscara do Aranha,…o que para mim foi genial, nossa, lembro como se fosse hoje o impacto que ele gerou na Marvel, no Aranha e na indústria em geral !!!

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    1. Eu também curtia o Hulk dele e a Corporação Infinito que ele fez pra DC (mas só descobri essas histórias tempos depois). Por falar em DC, lembrei que ele foi um dos desenhistas da mega saga “INVASÃO”… que saiu em formatinho na época da Editora Abril. Eu lembro de ter ficado amarradão nos aliens que ele desenhou, e também na interpretação dos prisioneiros da Masmorra Estelar, incluindo Vril Dox, que depois se uniriam e formariam a L.E.G.I.A.O.

      Bons tempos………..!

      Abraços!

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  3. Uns o amam outros o odeiam,mas o que importa é que Macfarlane impulsionou as vendas da revista do Aranha,numa epoca que precisava.Eu gosto dos seus desenhos,mesmo que as vezes ele exagere um pouco.Pra terminar,que Mulher-aranha é essa?!!Nossa!!!

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  4. Gosto bastante do traço do Todd Mcfarlane. É sujo, macabro e ululante. Na verdade, um tapa na cara dos desavisados. Um post maravilhoso em resposta ao dia do seu nome. Sou um grande fã do cabeça de teia. Este arrancou-me muitos suspiros em minha triste infância, coisa que ainda hoje faz. Ah, adorei as inúmeras piadinhas que foram espelhados ao longo do texto, de muito bom gosto.
    Abraços!

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  5. Eu lembro de ter lido beeeem depois do lançamento, e me decepcionei bastante. O Todd não sabia com escrever uma hq, foi triste. Mas, curiosamente, ele aprendeu rapidinho, a história seguinte dele, com o Wolverine, é muito boa. E lembro de uma história do Aranha contra o Morbius, também legal.
    Mas na época que li, nem saquei essas influências de Miller e Moore. Deu vontade de reler, quem sabe eu aprendia a curtir mesmo com os defeitos? Pena que eu li emprestado, e quem me emprestou não tem mais.

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    1. Eu também não tenho mais a edição que li na minha adolescência, mas mesmo depois de tanto tempo, ainda é algo que marcou como uma passagem importante da vida do personagem para mim. Reler hoje, foi uma experiência interessante, e apesar de ter outros olhos, ainda consegui me divertir.

      Abraços!

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