O Sombra # 8 – Encontro às escuras

Uma resenha da edição escrita por James Robinson, com arte de Jill Thompson.

Por Rodrigo Garrit

YES, we have SPOILERS!

Na Paris de 1901, muitos aristocratas aproveitavam os prazeres que a riqueza podia oferecer em festas privadas regadas a muito whisky e ópio, além de jovens moças e rapazes dispostos e satisfazer todos os seus desejos. Mas quando a satisfação desses entediados intelectuais parecia não poder mais ser saciada, eles preferiam juntar-se a certas seitas com objetivo de estudar o ocultismo e suas variantes.

Durante uma dessas orgias, o Sombra conhece um rapaz chamado Albert Caldecott, que em meio a privação dos sentidos provocada pela substâncias que consome, revela estar passando por uma situação de imensa gravidade, e que na verdade, buscava ali apenas algum prazer por não saber quanto tempo ainda lhe resta.

Albert envolveu-se com Otto Haddon um ocultistas que invocou um “homúnculo”… um demônio servil de baixa casta, para que os obedecesse. E eu devo concordar com o Sombra quando ele diz que “Homúnculo” é uma palavra terrível para ser escrita, e detestável para se dizer.

O problema com esse pequeno demônio é que seu controle depende da força de vontade de seu invocador. E a força de vontade é facilmente dobrada quando se é alguém inclinado a apreciar as delícias do ópio. O que é exatamente o caso de Otto. Como consequência, ele foi possuído pelo demônio que deveria ser seu criado, e está a solta cometendo atos de extrema crueldade pelas ruas de Paris, sempre voltando em seguida para Albert, obrigando-o a fazer coisas inenarráveis e sussurrando em seus ouvidos cada atrocidade medonha cometida por ele. Não importa o quanto Albert se esconda, o demônio travestido com o corpo de seu namorado Otto sempre o encontra. Até o dia que ficar entediado da brincadeira e resolver dar fim a vida do rapaz.

Quiseram o destino e James Robinson, que Albert Caldecott fosse neto do Sombra. E diante desse acaso, ele decide ir tirar satisfações com o tal homúncl… homonún… demônio!

Uma leitura agradabilíssima, repleta de diálogos inspiradíssimos. Nada do que seja dito nesta resenha fará jus a qualidade dessa história. James Robinson nos apresentou aqui um Sombra elevado a décima potência de sua adorável arrogância, no cenário e época que mais traduzem o personagem. O Sombra tem seus poderes há pouco tempo nessa história, mas já se aceitou como a criatura que será nas próxima décadas, sem culpas, sem remorso, sem lamentações infindáveis. Ele sabe que é poderoso e usa isso em seu proveito próprio, o que a maioria das pessoas na face da Terra faria se tivesse seus poderes. Muitos de seus atos são considerados criminosos, e é possível que ele tenha roubado e matado algumas pessoas… sim, ele fez isso, mas não estamos falando aqui de um psicopata doentio que mata por prazer. Ele tem seu próprio código de honra, não hesita se precisar matar alguém que mereça, ainda mais se isso contribuir com seus interesses. Mas ele não vive em função disso, sua maior preocupação é satisfazer suas vontades, viver uma vida desregrada sem pensar no amanhã. O Sombra não é o tipo de indivíduo que quer salvar o mundo… embora seu lado humano ainda exista e o faça eventualmente cometer atos de altruísmo, exatamente o que é mostrado nessa história quando ele assume o papel de protetor do seu neto.

A artista convidada desse número, Jill Thompson, desenha com muita volúpia… sabe expressar os momentos sérios da história com bastante realismo. O diálogo do demônio com o prefeito da cidade que ele acaba de atacar é forte e encharcado de terror psicológico. Foram as cenas mais tensas que li nos últimos tempos, e em grande parte auxiliado pelas expressões desenhadas por Jill para o texto repleto de sadismo escrito por Robinson. Por ser tão boa ao retratar a realidade, ela se perde ao desenhar o demônio em sua forma verdadeira… nada que comprometa o fluxo da cena, mas imagino que poderia ter alcançado um resultado muito mais arrepiante se não traçasse um caminho tão caricato. Com isso, o diálogo do Ser infernal possuindo Otto ficou de longe muito mais assustador do que quando ele surge de fato, em sua pele verdadeira.

Com essa edição, nos aprofundamos um pouco mais no passado do Sombra, porém dentro de fatos que já haviam sido revelados anteriormente… com isso, aqueles que como eu querem saber mais sobre suas origens, devem esperar pelos próximos números…

Essa foi a melhor edição da série até agora, e eu digo isso sabendo que todas as anteriores também foram espetaculares. James Robinson está conseguindo uma verdadeira proeza… ou então, ele mexe com ocultismo na vida real!

Curta a versão sem legendas de mais uma bela capa de Tony Harris para o Sombra!

Resenha anterior? Clique AQUI!

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13 comentários sobre “O Sombra # 8 – Encontro às escuras

  1. E haviam boatos, seis meses atras, de que essa séria não conseguiria completar seus doze números e seria cancelada muito antes…bom, um nono capítulo haverá e se depender da qualidade só (esqueçamos que o leitor estadunidense médio é idiota) ela fechará sua dúzia de belos contos com galhardia!

    Ah…há tempos troquei homúnculos por macacos…dão mais trabalho, mas exigem muito menos força de vontade para comandar. 🙂

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  2. Gostei da tua resenha Rodrigo!
    Ainda não tive contacto com esta série do Sombra, mas gostei do ambiente. Para além disso gosto de personagens cinzentos que seguem o seu próprio caminho, da maneira que acham que é o mais correcto para eles. Pelo que escreveste, o Sombra insere-se nesse profile o que para mim é uma mais-valia!
    A arte parece-me bastante boa!
    Pode ser que eu dê uma “voltinha” neste Sombra!
    😉

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  3. Não conhecia Jill Thompson, e me agradou muito. Enquanto a história continua exelente, o mais legal é que mesmo tendo abandonado sua família,o Sombra sempre os ajudou no passar dos anos. confesso que fiquei comovido quando o Sombra vê sua mulher de longe no final da história e como ele ajudou seu neto a voltar aos trilhos.
    Parabéns pela resenha , abraços.

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