Cavaleiros Demoníacos #12 & uma homenagem para o mestre Joe Kubert

Por Venerável Victor  “macaco chifrudo” Vaughan

Rei Arthur, Camelot e o retorno triunfal de Morgana Le Fey para o universo DC. Essa é uma revista que não deve ser menosprezada…

Resenha: Demon Knights #12

Paul Cornell & Diógenes Neves
Capa de ALEX GARNER

Na maioria das vezes desde que estreou, Cavaleiros Demoníacos não parece um título da DC, a trama se passa em um universo tão particular que é fácil esquecer que esses são personagens da editora do Super-Homem e cia . O título comandado pelo demônio criado nos anos 1970, pelo mestre Jack Kirby, não se trata de um quadrinho de super heróis. Ele é uma arrebatadora fantasia medieval, com muita ação, traição e humor, exatamente como uma gostosa campanha de RPG deve ser. A edição desse mês, por sinal, trás tudo isso de uma vez só, culminando em um momento que fará você amaldiçoar a DC comics pelo tempo que passará lento até o próximo mês, pela tão esperada edição “zero”.

Quem tem acompanhado as aventura de Etrigan e seus companheiros inusitados, provavelmente atingiu um ponto uníssono de pensamento, em que torce com todo coração, que o escritor inglês Paul Cornell nunca pare de escrever esse título, mesmo que não queira roteirizar mais nenhuma outra comic americana. Seu trabalho na DC tem sido muito bom, seu antigo arco de histórias de Lex Luthor, na encarnação pré reboot da revista Action Comics foi extremamente elogiado, mas é aqui que ele se supera. Apesar da editora hoje em dia contar com artistas do calibre de Jeff Lemire e Scott Snyder, ainda assim é difícil imaginar no momento qualquer outro roteirista lidando com esses personagens com o mesmo senso de humor e emoção que Cornell lhes confere. A ação e a história da revista são muito bem desenvolvidas e a cada mês, pelo menos em um dado momento, Vandal Savage fará você dar belas gargalhadas com seus comentários impagáveis.

Se tem uma coisa muito acertada nessa edição é o quanto ela é concisa. Os personagens encontram Morgana, lutam contra sua magia, são capturados, conseguem se libertar inteligentemente e enfrentam novamente a feiticeira, dessa vez derrotando-a e impedindo que se concretizem seus inusitados planos. Essa batalha poderia se estender por outros números, mas não aconteceu e isso foi perfeito. Quadrinhos demais estão esticando seus roteiros por diversos meses. A missão principal desses cavaleiros: a busca por Avalon para que ressuscitem o mago Merlin, ainda continua, mas tivemos um satisfatório final para esse particular desafio.

Para nossa alegria, o brasileiro Diógenes Neves lida com o traço da revista totalmente sozinho dessa vez, o cara é um dos maiores talentos que a indústria teve em todos os tempos, e olha que esse que vos fala, também resenha o Aquaman do também virtuoso brasileiro Ivan Reis. Claro que mesmo sozinho na arte esse mês, Diógenes ainda conta com excelentes arte finalistas e coloristas do calibre de Oclair Albert, Dan Green e Marcelo Maiolo. Seus desenhos esse mês redimem todos as outras edições em que não completou a revista sozinho. Aqui temos muita magia, um bocado de explosões e bolas de fogo que às vezes tornam o todo um pouco confuso, mas não entendam errado, isso acaba valendo a pena e é sensacional, apesar de que em certas horas fica difícil enxergar onde exatamente os personagens estão posicionados e o que estão fazendo. Claro que isso é esperado quando bruxos, demônios, imortais e monstros estão se enfrentando em uma batalha numa torre estreita onde existe um reino inteiro lá dentro.

Etrigan, o demônio – criado por Jack Kirby

JOE KUBERT

TARZAN de Edgar Rice Burroughs, pelo traço de Kubert para a editora IDW

O educador, artista e pioneiro da indústria de quadrinhos de ascendência polonesa Joe Kubert começou a trabalhar com onze anos como aprendiz e assim se definia por toda a sua gloriosa vida. Aos doze anos já era um contratado da indústria, na série “Archie”.

Tor
Gavião Negro & a Sociedade da Justiça

No início da década de 1940, Kubert foi contratado pela DC Comics onde ‘fez história com títulos como Tarzan Sgt. Rock e Gavião Negro. Na década de 1950, começou a desenhar seu personagem Tor, o homem das cavernas, que o acompanhou ao longo de toda sua vida artística. Ele também foi o primeiro norte-americano a desenhar uma história do Tex.

Para muitos, esse é um nome tão nobre quanto o de Kirby, Eisner, Lee, Adams, Ditko, Steranko, Buscema, Moebius e tantos outros. As grandes lendas que criaram e aperfeiçoaram todo um mundo que ganha vida apartir da ponta de um lápis e só são limitados pela capacidade de imaginar de seu usuário.

Sgt. Rock

Kubert foi muito mais que um mentor, desenhista e escritor, ele foi um grande professor, criando a Kubert School em 1976 sua escola de desenho gráfico centrada nas artes e na ilustração, onde ajudou a trazer ao mercado de quadrinhos desde então novas gerações de profissionais todos os anos, como Amanda Conner, Alex Maleev, Rags Morales, incluindo seus filhos Andy e Adam entre tantos outros.

Da Polônia para o Brooklyn e depois para Dover, a vida desse mestre e também ganhador do prêmio Eisner e Harvey foi repleta de trabalhos vibrantes e cheios de personalidade, essa semana o planeta ficou um pouco menos iluminado, porém o brilho de sua arte e o impacto que ela teve no mundo em que vivemos pelos últimos oitenta e cinco anos, não será esquecido tão cedo.

RIP Joe Kubert
18 de setembro de 1926 – 12 de agosto de 2012

Kubert finalizando páginas da minissérie Before Watchmen: Coruja

 

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17 comentários sobre “Cavaleiros Demoníacos #12 & uma homenagem para o mestre Joe Kubert

  1. Como fã, gostaria de dizer obrigado a Diógenes Neves por ser um artista tão bom e trabalhar com maestria uma HQ de um personagem criado por um grande mestre do passado, Jack Kirby.

    E por falar em mestres, como fã é impossível não lamentar a perda de Joe Kubert, e não lembrar da importância que esse criador teve para o mundo dos quadrinhos, tanto como artista quanto incentivador de novos talentos. Os quadrinhos devem muito a ele.

    Parabéns pelo artigo!

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  2. O Brasileiros quando vão paras as terras gringas costumam mostrar o melhor de si e não é pra menos! Quanto os Grande Joe Kubert pra mim uma inspiração e da minhas referencias uma favorita! Partiu mas sua obra ficou para nos lembrarmos sempre dele!

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  3. A revista parece ser muito boa,com os belos desenhos do Brasileiro Diogenes Neves.Sempre gostei do personagem Etrigan,com seu senso de humor maligno.Tenho algumas ediçoes do sargento Rock e Tarzan,da EBAL, desenhados pelo Joe Kubert,seu traço era unico.Um abraço Veneravel!

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  4. Adorei a resenha! O título “Demon Knights” é verdadeiramente excitante, com todo o seu clima clássico e demoníaco. O Joe Kubert foi um grande gênio da nona arte, a sua morte será uma grande perda para todos os entusiastas do seu trabalho.

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  5. Demon Knights é imperdível!
    Em tudo! Tanto a estória como a arte estão muito boas e é um título bem diferente dos outros da DC. Espero que as vendas estejam boas para continuarmos a ter Demon Knights durante muito tem! Aliás, este título merecia também uma capa dura…

    Joe Kubert faleceu, mas temos de nos dar felizes pelo legado que deixou! Não vale a pena andarmos aborrecidos com isso! Ele foi grande, e como todos os grandes, deixou a sua obra para continuarmos a apreciá-lo!
    🙂

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  6. Essa aventura esta muito boa mesmo, aprendi agostar desse personagens, até o Vandal que nunca gostei, agora to adorando rs, é um pena perdemos um artista do calibre de Joe Kubert, mas alegremos pois temos o grane Rob Liefeld, que sabe desenhar muito a anotomia de humanoides extraterrenos, com fisico totalmente diferente dos humanos, brincadeira a parte, gostei da resenha, vc da para um com escritor Victor rs.

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  7. Acho legal este clima RPG de “Cavaleiros Demoníacos”, algo aventuresco e que sai do heroísmo de sempre, muito legal.

    Pena está perda, Joe Kubert foi um dos grandes artistas dos quadrinhos!

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  8. O trabalho de Kubert com o Sargento é inegavel, cresci lendo ele, uma lastimavel perda…
    Agora os cavaleiros são uma dadiva para esses nossos tempos sombrios preciso adquirir logo essas edições…pois o velho e bom constantine já está cansado de mim todo mês heheheeh

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  9. Não há dúvidas que Demon Knights é um clássico do século XXI e será muito bem lembrado por décadas a fio. Mesmo que a série tenha um fim e a Cruzada chegue ao seu destino derradeiro, todos esses personagens, como também Cornell e Neves, já deixaram seus nomes cravados na Pedra da Eternidade da DC como um dia aconteceu com Camelott 3000!!!
    E ao mestre Kubert. Todo o respeito. Que descance em paz e toda a sua obra está aí prá eternidade e nós desfrutarmos.

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  10. Essa revista dos Cavaleiros Demoníacos eu admito que é a única da DC que acompanho, as vezes de pero outras de menos perto, mas adoro! Realmente esse número 12 fechou (ou ainda fechará com a edição zero, né?) esse um ano de publicações muito bem! Não quero estragar dando spoillers de com quem eles vão ter que se virar…he he he he, mal posso esperar! Gostei da singela lembrança para o Kubert, Venerável! bjs

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  11. Cavaleiros Demoníacos é a melhor iniciativa da nova DC. Nunca tive dúvidas, mesmo quando esse título não tinha ainda nem estreado, só de ler a proposta,quais seriam os protagonistas e quem iria produzir: Cornell e Diógenes, eu já estava certo de que seria essa coca-cola toda.

    SALVE, JOE KUBERT, grande mestre !!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 🙂

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