CAPUZ VERMELHO E OS FORA DA LEI #12 – “We are family, all my brothers, sisters and me!”

Por Venerável Victor “Space monkey” Vaughan

Resenha de Red Hood and the Out laws #12 SPOILERS

NOTA: essa edição foi bastante desapontadora em questão de arte, em alguns momentos a palavra “vergonha alheia” não saía da minha cabeça. Era preocupante que após Keneth Rocafort saísse da revista para desenhar a mensal do Super-Homem, esse título ia começar a sofrer muito de queda de qualidade e o artista Timothy Green II (alguns lembram dele da série do Imortal Punho de Ferro e Aniquilação, da Marvel) que assumiu o comando do lápis esse mês, provou que isso era verdade. Seus desenhos não chegam nem a 10% da qualidade de Rocafort, apesar de ser nítido que o novo desenhista fez o possível para manter o nível de qualidade visual da série, ele falha vergonhosamente. O colorista, Blond, fez o possível, mas ele é um colorista, não um fazedor de milagres.

Scott Lobdell & Timothy Green II
Capa de Kenneth Rocafort

Capuz Vermelho e Os Fora da Lei continua o seu arco focado na princesa Koriander e em mostrar que existe muito mais sobre essa mulher em sua nova abordagem nos Novos 52, do que apenas sexy appeal. Mas além disso, como pano de fundo, temos o conflito nem um pouco atrativo de uma invasão alienígena, totalmente genérica.

A nova abordagem de Estelar na DC comics, de forma alguma foi problema para esse sacerdote que vos escreve.Nos últimos anos nada de novo ou importante foi feito com ela, e apesar da nova abordagem o seu lado sensual, continua sendo trabalhado até de forma melhor. Na verdade, tem sido muito mais ofensivo ao bom gosto dos fãs da editora, acompanhar como a personagem Godiva foi tratada nas páginas da Liga da Justiça Internacional, não tendo nenhuma frase ou diálogo que não seja demonstrando a necessidade de pular no colo do primeiro homem que alcança (com seus cabelos ou não), ou mesmo de Carol Ferris, que perdeu a posição de destaque sendo uma das principais Safiras Estrelas do universo, para novamente ser uma “peguete ocasional” do Hal Jordan, mas isso aqui não é uma resenha da revista do Lanterna Verde…

De qualquer forma, foi bom ver o senhor Scott Lobdell dar mais atenção para a alienígena preferida de dez em dez terráqueos. É a primeira vez em muito tempo que ela ganha esse tipo de atenção, concordemos. E a mudança de comportamento permitiu ao roteirista mostrar um lado totalmente diferente de Estelar que a colocou em um novo contexto na editora. Agora no espaço com os seus iguais, ela tem que encarar o seu ressentimento por ter sido sacrificada para o bem de seu povo e as responsabilidades de seu novo status de heroína como resultado desse sacrifício. Não é nenhum espanto ela preferir permanecer na Terra onde é livre para ser ela mesma sem o peso das expectativa de seus súditos. No entanto, mesmo no nosso planeta ela não consegue se sentir realmente feliz, por ser considerada uma estranha no ninho. É triste, mas um argumento muito mais interessante do que o anterior ao reboot.

Lobdell também parece estar construindo um relacionamento mais interessante entre Estelar e sua irmã mais velha. Komander costumava ser o velho clichê da Tirana mal amada que maltratava a irmã mais bonita e preferida por todos apenas por inveja e desejo de poder.Esse não é o caso mais. Essa Komander é a parente que vendeu a irmã para seus inimigos, mas fez isso por questões de necessidade e não por pura maldade ou ambição. E nesse arco ela coopera com a Mácula (os invasores) por razões similares. Essa rainha não é a pessoa com as convicções morais mais fortes do universo realmente, ela simplesmente não é tão brava e forte (como seu pai na cronologia anterior) e isso pesa na alienígena em forma aparente de culpa e pena de si mesma. Não é sabido se Lobdell conseguirá manter essa questão de uma forma inteligente, onde a velha rivalidade com Koriander ainda exista de alguma forma. Veremos as respostas para essa questão na edição #13, mas se ele tiver capacidade para isso, provavelmente teremos uma relação entre as irmãs ainda mais interessante que a da cronologia passada.

Se os personagens principais desse arco têm um tratamento melhor, o mesmo não pode ser dito do restante dos Fora da Lei e os vilões. Lobdell tem mantido um ritmo muito rápido na ação e a ameaça dos invasores espaciais se perde totalmente. Em outras palavras, a Mácula ao que parece conquistou o planeta Tamaran em três dias, mas Kory e sua tripulação conseguiram passar com sua nave por toda a armada invasora como se ela fosse nada até chegar à nave mãe de seus inimigos,literalmente, como se fossem nada. Os leitores, claro, não acompanharam nada disso, quando se dão conta, já estão com os heróis as portas de enfrentarem cara a cara os líderes da invasão.

Sem o mínimo remorso por parte do autor, Jason Todd e o romance disfuncional com sua aeromoça jogada no meio desse conflito cósmico , não evoluiu mais que dois painéis desde a edição anterior. Por outro lado, Scott Lobdell mostra que o relacionamento de Roy – Arsenal – e Kory é muito mais do que uma amizade colorida, quase arruinando a graça disso. Por que apressar as coisas mostrando um relacionamento mais profundo entre os dois? Talvez esse seja o caminho menos interessante a seguir agora.

Além de tratar uma invasão alienígena com tanta leviandade, o autor introduz um novo mistério nessa edição. Um tal de “Os Treze”. Quem ou o quê são “Os Treze”? Nesse capítulo tomamos conhecimento de que eles são uma espécie de antigo mito galáctico que talvez seja real. Quem sabe esse não seja um conceito que o senhor Lobdell transfira para sua nova passagem na revista do Super-Homem, onde parece um ambiente muito mais apropriado para se desenvolver uma história sobre um culto maligno espacial. Esse título já parece ter a sua dose de perigo sobrenatural milenar com “Os Inomináveis” e não precisa mais um conceito fora de lugar para complicar mais ainda as coisas.

Seriamente, o que os fãs esperam é que a revista seja mais focada em roteiros urbanos, não necessariamente lutando contra Suzie Su ou a Corte das Corujas…

O novo estilo visual de Komander não faz feio, apesar de exagerado, vamos entender que ela é uma mulher alienígena, de um povo exótico, que tem orgulho de mostrar o corpo, realmente nunca entendi antes essa mocréia se vestir dos pés ao pescoço, com uma roupa que minha avó usava na década de sessenta, por Xha’l! Ela é a “Estelar” do mau!

No próximo mês teremos a edição #0, portanto essa revista termina em um clímax que não terá conclusão pelos próximos dois meses. Não é culpa do autor, mas essa maldita edição #0 me dá calafrios, realmente é importante recontar a ressurreição de Jason Todd? Simplesmente não podemos chegar a um acordo de que aquela história ridícula de que os socos na realidade dados pelo superboy primordial agora não contam mais – uma das coisas ótimas do reboot – e que para simplificar, a explicação do Poço de Lázaro, do desenho animado homônimo, é o que vale agora?

O fato de que Lobdell vai usar toda uma edição para recontar essa história pode significar que ao invés de simplificar o enredo, ele vai aproveitar a oportunidade para incrementar a ressurreição de Jason, com os elementos que criou para essa série, como essa personagem desinteressante chamada Essensse e o “All-Castle”, cometendo um desserviço ao personagem, que já tem uma grande bagagem nas costas.

Capuz Vermelho e os Fora da Lei completou um ano de histórias. Esse é um dos poucos títulos realmente originais do novo universo DC (junto com Cavaleiros Demoníacos) e uma boa aquisição para a grade de lançamentos da editora. Juntar o Capuz Vermelho com Arsenal e Estelar como um pseudo grupo unido por seus próprios espíritos sofridos é um grande conceito e Lobdell já mostrou isso uma dezena de vezes, mas o que essa revista realmente precisa é de uma nova equipe criativa. É engraçado como o roteirista parece ter um ótimo entendimento de como esses personagens pensam e interagem. Mas as histórias que ele se interessa em contar, não funcionam para eles.

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23 comentários sobre “CAPUZ VERMELHO E OS FORA DA LEI #12 – “We are family, all my brothers, sisters and me!”

  1. Você disse duas coisas muito importantes na sua resenha: A Estelar há tempos não recebia nenhum tratamento de destaque e ela merece ser conhecida pelo grande público tanto quanto a Mulher Maravilha ou a Supergirl.
    A outra coisa foi a o fato do reboot ter apagado da existência os socos do Superboy primordial que apagavam a existência de certos elementos no velho universo.
    Na minha opinião, a gente devia parar de ser tão imediatista e tentar enxergar as coisas a longo prazo. Dick Grayson, Roy Harper, Koriander, Victor Stone, Gar Logan… eles e muitos outros estão por ai espalhados nesse reboot. Quanto tempo até alguém pensar em reunir os Titãs de novo?

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  2. Bem, é certo e sabido que eu não compro comics…
    É certo e sabido que eu só compro Absolute, Omnibus, OHC, HC ou TPB (odeio o formato revista…)….
    Já comprei duas compilações destes novos 52 (Green Lantern e Batwoman), mas também é certo que umas das próximas compilações a adquirir vai ser Red Hood and the Outlaws, muito por culpa do Santuário!
    Victor, tens sabido despertar o interesse nesta série, e se aquilofor uma bosta quando eu comprar o TPB eu vou contratar uma “aeromoça” para ir até ao Brasil e dar-te com o livro na cabeça!
    Portanto toma cuidado com as rezenhas que fazes… Eu já tenho “Aeromoça” contratada: é da família e próxima à minha pessoa! Toma cuidado…
    😛

    😀

    Abraço

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  3. O Lobdell está escrevendo coisa demais, cara… E acho que com a ida dele pro Superman (e do Rocafort também), essa revista vai acabar perdendo mais e mais a pegada… Uma pena!

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  4. Só eu que acho estranho a Estelar não ter mais “nada” com o Dick e estar com amizade colorida com a versão arqueira dele? Não que eu não goste do Arsenal, longe de mim, eu prefiro ele ao Dick desde que me conheço por gente. Mas o que me incomoda nesse reboot ainda é as mudanças drásticas no universo.

    É bom ver que a Estelar está tendo uma saga para ela, mostrando seu pano de fundo. Já que na edição #0 vão falar sobre o Jason. A Estrela Negra, Komander, sempre foi uma personagem que trazia problemas interessantes e quando apareceu na crise infinita, ela trazia problemas políticos. Um roteirista que é bom, pode fazer uma das melhores sagas existentes quando se sabe colocar Koriander e Komander juntas. A química de irmandade delas é excepcional e para mim é um dos melhores “problemas familiares” que a DC já construiu.

    Ótima review, Vené(ravel)

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  5. Me abstraio da função de relator do que li dessa edição e digo, que desde a saída de Tom Grummett da revista Novos Titãs, na década de 90 e entrada do Bill Jaaska, eu não me choco tanto com a substituição de um artista de um título. Senti até falta do cara, depois de mais de 20 anos, pela primeira vez. E olha que por uma questão de de sei lá, desânimo, eu busquei nem por os piores quadros dele na revista. Tinha horas que parecia que eu estava lendo um papiro egípcio, de tão sem profundidade algumas cenas estavam. Só não é pior, porque o Blond (colorista) tentou manter o pique das edições anteriores o máximo que pude, evitando ao máximo o estranhamento.

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  6. Me digam, como é que a DC me afunda uma revista assim, não era visível que esse artista não seguraria a onda do desenhista anterior e que isso ia causar uma estranheza terrível? Quanto ao enredo da Estelar, eu até que to achando legal.

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  7. Mais uma grande matéria,Venerável.Até eu que estou “por fora” desses personagens,fiquei com vontade de ler a revista.Espero que a tal “edição”#0 seja boa e concluam esse arco,não deixando os leitores “na mão”(epa!).

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  8. Respeito seu ponto de vista, mas muitas questões de roteiro criticadas na resenha não me incomodaram tanto assim. O próprio crossover com as “curuja” eu achei bem sacado.

    Concordo plenamente que essa Essence é um saco gigantesco de acompanhar. Espero q ela morra em alguma megassaga.

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  9. A revista perdeu bastante da sua qualidade com essa “pequena” troca. A inferioridade do traço de Timothy Green II é clara. Mas a revista ainda possui o Scott Lobdell, que vem fazendo um ótimo trabalho.

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