AQUAMAN & MULHER MARAVILHA #0 – Os títulos de ouro e prata do mês zero da DC

por Venerável Victor “tratador de macacos zero bala”  Vaughan

Aquaman #0  Sem Spoilers

Capa de Ivan Reis, Joe Prado & Rod Reis

As edições zero da editora DC desse mês têm sido na sua maioria boas surpresas e essa sem dúvida é uma das mais agradáveis. Aqui temos um jovem Arthur descobrindo sua herança como futuro rei da Atlântida e se tornando Aquaman. Nesse ponto, essa história também serve como introdução para um futuro arco. O roteirista Geoff Johns é um excelente escritor quando se trata de trabalhar esse tipo de continuidade retroativa e até mesmo em promover relances de acontecimentos que só veremos muito depois no futuro, nesse caso, talvez os leitores nem tenham a oportunidade de ver, com ele estando para sair do título. De qualquer forma é bom ver alguns conceitos sendo estendidos para esse personagem que é interessante muito antes de seus dias na Liga da Justiça.

Joe Prado, Ivan Reis, Geoff Johns & Rod Reis

Nesse conto Arthur está lidando com a perda de seu pai humano que se apaixonou pela rainha Atlante e juntos geraram um filho metade humano, metade atlante, que está destinado a ser o digno herdeiro do trona da Atlântida. No momento em que o jovem tem a sua identidade revelada para o mundo nesse capítulo, ele está buscando por propósito e um lugar para pertencer.

Assim como o Super-Homem, ele é uma criança de dois mundos. Em sua busca, ele guarda a esperança de encontrar sua mãe e descobre tempos depois alguns segredos que foram guardados por um velho amigo de sua família real. Tudo isso é muito similar a forma como o roteirista escreveu Lanterna Verde – Origens anos atrás, então falamos de uma zona de conforto habitual de Johns. Se existe alguma crítica aqui, seria a de que o personagem merecia mais páginas nessa história. Mas isso também é bom, pois você acaba a leitura com muita vontade de continuar dentro dela.

Nada mais pode ser dito pela maravilhosa arte do trio, Ivan Reis, Joe Prado e Rod Reis que já não tenha sido dita antes. A colaboração desses três tem proporcionados os mais belos momentos dos quadrinhos modernos. Ao passo que irão para a revista da Liga da Justiça daqui a alguns meses, um grande espaço vazio e difícil de ser preenchido terá que acontecer. Um viva para o talvez melhor título zero do mês!

Wonder Woman #0   SPOILERS

Brian Azzarello & Cliff Chiang
Capa de Cliff Chiang

Para os leitores e fãs da Maravilhosa (entre eles o virtuoso desenhista Elvis Moura) o mês zero de publicações da DC comics significa uma volta à pré-adolescência da Diana e seu difícil aprendizado com um deus Olimpiano. A história começa com uma princesa amazona de doze anos roubando um ovo de Harpia – para fazer seu bolo de aniversário? – e trazendo para sua mãe. É uma tarefa que deveria cumprir, como a rainha Hippolyta explica: “você precisa me trazer um presente adequado para que o passar de seus anos seja devidamente reconhecido”.

Impressionada com a oferta inusitada. Hippolyta permite que seja feito um torneio para a celebração do aniversário de sua filha, onde a jovem amazona Eleka mostra o quanto odeia a pequena princesa, que a vence justamente. Tempo depois, uma entediada Diana corre para as florestas da Ilha Paraíso, onde ela encontra com o deus Ares, que se apresenta para ela como Guerra. Ele diz para a menina que as lições das amazonas não são suficientes, ela precisa aprender as técnicas dos Olimpianos tanto quanto de suas irmãs. A dupla concorda em se encontrar ali todas as luas cheias e pelos próximos onze meses a princesa amazona passa por toda forma de treinamento, até o momento em que Diana insiste em usar uma espada de verdade ao invés de uma de treinamento feita de madeira.

Guerra explica que se um guerreiro decide empunhar um espada de metal é bom que ele esteja preparado para usá-la e permite que Diana lute dali por diante com uma arma de aço, contanto que seja até a morte. Sem grandes surpresas, Guerra supera e vence a adolescente, mas apesar de sua palavra anterior, ele evita o golpe mortal, demonstrando pela menina um grande… amor?

Um mês depois, com seu aniversário de treze anos se aproximando. O deus envia Diana para um labirinto com a missão de achar o próximo grande tesouro para que a aniversariante ofereça como tributo para sua mãe. Uma vez dentro, a menina encontra o seu mitológico habitante e após vencer a fera através da astúcia é convidada pelo deus a desferir o golpe mortal – que rainha guerreira não ficaria honrada com uma filha que derrotou o poderoso Minotauro ?

Mas ela irá matar a criatura?

O competente roteirista Brian Azzarello, nos presenteia com um conto memorável da jovem Diana, afirmando que se trata apenas de uma reimpressão da revista fictícia “All-Girl Adventure for Men #4”. Na introdução, temos uma narração no estilo do próprio criador da personagem, William Marston e uma representação de balões de pensamento ao belo exemplo da velha escola das comics americanas. Azzarello se concentra em construir a personalidade de Diana com afinco:

“O propósito da guerra é terminar com o conflito. Você deve matar seu oponente!”

“Não poderia a minha misericórdia ser um tributo para minha mãe?”

Apropriadamente, a personagem Diana jovem é muito menos arrogante que sua versão adulta dos Novos 52 e milhões de anos luz mais amável que a brutal guerreira da versão de Geoff Johns para a revista da Liga da Justiça. Ela aqui é inocente o suficiente para se tornar uma aprendiz do deus da Guerra e misericordiosa o suficiente para não seguir a cabo as lições finais de seu mestre. Ela foi criada para ser a melhor, para dar orgulho aos seus entes mais velhos, mas eventualmente acaba por mostrar que tem sua própria forma de pensar, independente da sabedoria milenar do Guerra. Esse ótimo conto reintroduz o tradicional antagonismo entre esses dois fantásticos personagens. Além de aprofundar os laços que os unem.

Existem nessa edição uma série de mistérios, uma coruja que observa a tudo, obviamente indicando o interesse de Athena na vida de Diana e uma jovem amazona antagonista que provavelmente será uma futura rival.

O desenhista oficial do título, Cliff Chiang, retrata uma princesa amazona como uma criança de olhos grandes, inteligente e cheia de vontade de viver. Ela brilha através das páginas, encarando cada um dos desafios que lhe são oferecidos com graça e poder. Assim como alguns dos mais fantásticos elementos dessa revista são reproduzidos pelo artista com mais fidelidade do que costumeiramente vinham sendo feitos: a passagem da Harpia e o Minotauro, que são um convite ao prazer. E quanto ao Guerra – ou Ares – ele continua assustador como sempre, mesmo quando nossa heroína está em suas boas graças. As cores de Matt Wilson estão perfeitas. Particularmente os azuis dos mares e do firmamento ao redor de Themyscira.

Fale a verdade!!! Desde a era Willian Moulton Marston, criador da personagem, que a infância de Diana não tinha sido tão empolgant . O “inventor” ficaria orgulhoso!

Capuz Vermelho e os Fora da Lei #0 resenha aqui

Cavaleiros Demoníacos #0 resenha aqui

Vingador Fantasma/Disque H para herói #0 resenha aqui

Capa original criada por Chiang para a edição zero & a original número #1 de 1942

Clique na imagem acima e ouça um ótimo podcast!

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29 comentários sobre “AQUAMAN & MULHER MARAVILHA #0 – Os títulos de ouro e prata do mês zero da DC

  1. Aquaman e Mulher Maravilha são apenas dois exemplos de vários ótimos tpítulos que vem sendo lançados após o reboot da DC. Independente daqueles que não deram certo, e até já foram cancelados ou dos que resistem a duras penas, temos um ano depois algumas das melhores HQs de alguns desses personagens, aprofundados em sua essência e libertos dos grilhões da continuidade. Cabe ao talento dos autores manter esse ritmo e seguir em frente, e cabe a nós como fãs e leitores, criticar com maturidade aquilo que não nos agrada, mas também saber elogiar e compartilhar o que é bom e está dando certo. Parabéns por mais essas veneráveis resenhas!

    Abraços!!

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  2. Parece que de todos da DC, o Aquaman e a WW são os que estão melhor aproveitando esse Reeboot. Pessoalmente, não gostei da arte da WW. Mas, ao fim de tudo, foi uma origem bem contada. 😀

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  3. Texto muito bem elaborado meu amigo. Não acompanho quase nada da DC, mas confesso que fiquei curioso e acho que vou ler estes dois títulos.

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  4. Grande texto,jovem Venerável!As histórias estão interessantes e os desenhos ótimos,assim como o colorido!Gosto dos Heróis da DC(não diga pros Vingadores que eu disse isso).Até a próxima!

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  5. Olha, só faltou o SHAZAM nessa listagem! Mas está perdoado porque você não resenha esse título! Adorei as duas edições, Aquaman eu acompanho desde o início, sou louca pela equipe criativa brasileira e adoro os personagens do mar (Namor e Aquaman são dois gatos espetáculo), mas a Mulher Maravilha passei a acompanhar agora que li sua resenha e quer saber? To dentro daqui por diante!!! Azzarello rocks!

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  6. Obrigado pela citação no texto da Diana meu amigo! eu sou suspeito pra comentar algo sobre os novos rumos da cronologia da princesa amazona!!! Estou amando e estou no aguardo do meu hardcover!!! belo texto mais uma vez! 🙂

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  7. Finalmente uma história que mostra Diana como um ser humano, contar histórias de semi-deuses imortais indestrutiveis sempre me pareceu mais facil… mas o crescimento e desenvolvimento de uma mulher de verdade era o que estava faltando para fazer da Mulher Maravilha uma personagem completa!

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  8. E eu que pensava que estes número zero iam ser uma barracada!
    Afinal são um belo interregno nas respectivas séries, antecipando com certeza algo maior que irá acontecer!
    🙂

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  9. Vou acabar lendo isso! A mulher maravilha dos novos 52 é um enigma yoda hora ta de um jeito e opnião nova! Ou seja uma mulher de verdade…

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  10. Como disse o Victor para a mulher Maravilha os desenhos ficram excepcionais. Dá um ar totalmente retrô (que parecia que poucos tinham a destreza de fazer. Por isso deva ser estranho para alguns leitores). Nunca havia visto algo parecido com a MM com tantos detalhes!!!!
    Quanto ao Aquaman só faltaram……mais spoillers!!!! mas é entendível que se soltasse mais perderia a graça da leitura do título. Esse trio de arte vai fazer falta no título.

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  11. Estou ansioso para ler esta edição #0 da Mulher Maravilha! Estou gostando muito do rumo que Brian Azarello vem dando para personagem. Ela ser filha de Zeus e aprendiz de Ares são ideias muito condizentes com o contexto mitológico da personagem.

    Pelo que li até agora, o Aquaman está em um momento muito bom, tanto nos roteiros quanto na arte, mas pra mim nada vai superar o Aquaman badass da época do Peter David! Pra mim essa foi a versão definitiva do personagem: barbudo, cabeludo, maneta e com sangue nos óio!

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  12. EDITORIAL SANTUÁRIO:
    Terça-feira : Resenhas dos títulos #0 da DC
    Quarta-feira: Resenha Marvel : Surpreendentes X-men #54
    Quinta-feira: Curiosidades
    Sexta-feira: Radiação Gama
    Sábado: Autores & Personagens parte II
    Domingo: Resenha do SOMBRA (personagem DC)

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