O SOMBRA # 9 – A Fúria dos Velhos Deuses

Mais uma resenha do sombrio personagem autenticamente escrito por James Robinson em seus momentos de inspiração, sozinho no escuro, e com a arte maleficamente eficaz de Frazer Irving, que num arroubo de criatividade também coloriu a edição, demonstrando a epifania proveniente de se lidar com forças ancestrais atravessando esses caminhos tão precariamente iluminados.

É possível que contenha spoilers ou talvez seja apenas a evidenciação inevitável dos eventos que levaram o personagem a chegar a esse ponto da história. Se você erroneamente começou a ler as desventuras do Sombra por essa edição, irá se deparar com revelações chave, o que temo se mostrará inconveniente para o elemento surpresa prévio da história, uma vez que não existirá impacto nas inesperadas maquinações diabólicas metodicamente preparadas pela mente sádica, e ouso dizer, quimicamente alterada de James Robinson. Mas para os bravos leitores que estão nesse barco desde o começo, o que teremos é o Sombra fazendo uma confirmação relutante sobre a identidade de seu verdadeiro inimigo, mas isso acabará por ser tornar o menor dos seus problemas diante das proporções divinas que essa, a primeira vista, simples história em quadrinhos tomará.

Por Rodrigo Garrit

Capa de Tony Harris

Richard Swift é o Sombra, mas ele também já se chamou Caldecott, em uma outra existência, antes dos navios repletos de vampiros, antes dos pactos demoníacos com as forças das trevas, antes de se tornar um vilão, um assassino e um salvador.

Mas o passado tende a retornar, talvez impulsionado por um desejo secreto inconsciente de que nossos pecados devam ser punidos. Não importa o quanto o crime tenha sido perfeito, nem o quanto as suas razões para cometê-lo tenha sido justificáveis. Nossa consciência pode ser nossa maior inimiga, ou talvez aliada; mas uma aliada dura, intransigente e sem compaixão.

Quando se é imortal e capaz de controlar as sombras de formas impensáveis, tende-se a ter uma “leve” sensação de invencibilidade, um cômodo sentimento de liberdade, algo capaz de quebrar os grilhões de regras de conduta adotados pela maioria dos pobres mortais humanos e desprovidos de invocar as forças das trevas em seu favor. Pessoas como eu e você, que precisam sobreviver em um mundo cada vez mais impessoal, onde somos obrigados a mentir e fazer alianças involuntárias pelo bem dos interesses comuns. Que atire a primeira pedra quem possuir o complexo de Superman. Na luta pela sobrevivência, somos capazes de levar nossos caminhos por atalhos cheios de sombras… tendo como bússola moral o caráter que define nossa personalidade. Mas generalizar é idiotizar o Ser Humano. Somos heróis sempre que podemos, e somos vilões quando é necessário. Erramos tentando acertar. Mas nosso acerto atingirá em cheio o peito de outra pessoa com intenções contrárias. A vida não é uma linha reta, e se engana quem acredita que passará por ela conciliando seus interesses, suas satisfações e aquilo que o faz feliz sem atropelar o caminho de algum outro desavisado que cruze seu caminho. Vamos fazer o que acreditar ser o certo. Mas aos olhos de outros, seremos os portadores da desgraça. Nossa vida será eternamente separada por momentos de luz e de sombra, porque é assim que deve ser. Aqueles que conseguem o equilíbrio, e pagam um alto preço por isso, negam a si mesmos, abrem mão de suas prioridades… até o dia em que alguém venha, lhe estenda a mão e lhe traga para junto de si para desfrutar de um merecido lugar ao sol. Ou, o empurre sem hesitar em direção ao abismo. É o risco que corremos. Cada pessoa que conhecemos é uma curva na estrada. E cada uma leva a um caminho diferente. Como podemos escolher o correto? Isso se chama viver. Estar sempre a mercê do acaso. Então só nos resta tentar sempre estarmos preparados, embora na verdade, nunca estejamos realmente preparados para as grandes tragédias.

Somos todos personagens, caros devotos. Somos luz e sombra misturados e esperando o momento certo de brilhar com todo esplendor ou desaparecermos em trevas acolhedoras que nos deixaram cegos para as partes iluminadas que acontecem segundo após segundo em nossas vidas.

James Robinson nos leva de volta a Londres nessa edição, onde o Sombra se encontra decidido a desvendar a verdade sobre os recentes ataques e a relação com seus descendentes. Não podemos culpa-lo por ser confiante, com todos os seus vastos poderes e a coisa da imortalidade, e tal… mas sabe como é, nunca existe alguém tão grande que não possa encontrar em seu caminho outro alguém ainda maior.

Os Caldecott do século XXI estão lidando com os poderes adormecidos de deuses velhos, furiosos e potencialmente impossíveis de ser controlados… mas será isso algo pior do que descobrir que aquele que mais queremos proteger se volta contra nós, querendo roubar nossos poderes e nos matar, ou apenas nos matar se não puder roubar nossos poderes…?

Não que nós tenhamos poderes é claro… não desse tipo, pelo menos.

Vou definir essa edição como o segundo round entre David e Golias. Mas desta vez, Golias não subestimou seu adversário.

Os desenhos e as cores de Frazer Irving são uma viagem psicodélica, um delírio visual, a tradução em imagens das visões dos usuários de Ecstasy.

Então meus amigos, eu peço encarecidamente: não percam seu tempo derretendo seus cérebros usando drogas.

Leiam “O Sombra” de James Robinson.

Resenha anterior? Clique AQUI!

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16 comentários sobre “O SOMBRA # 9 – A Fúria dos Velhos Deuses

  1. Estou conhecendo esse personagem agora… ADOREI!!! Parece uma viagem psicodelicamente profunda nos maiores caminhos da Verdadeira Loucura Cósmica, uma Nascente, uma Verdadeira Nascente De Várias E Várias Formas… Acho que as imagens me fizeram viajar agora…

    Esse Frazer Irving é GÊNIO!!!

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  2. Gostei muito do texto!
    Eu não conhecia e agora fiquei com vontade… a história parece interessante, mas a arte…
    A ARTE É BRUTAL!
    Frazer Irving está em grande nível!

    Bom post Rodrigo.
    😉

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  3. Vou ser sincero: não tô lendo nenhuma das suas resenhas do Sombra. Motivo? Tô torcendo pra esse material ser publicado por aqui, não quero spoilers.rsrsrs.
    Puta personagem legal.

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      1. Bem que podia sair um encadernado pra bancas, como saiu dos duvidosos SuperChoque e Besouro Azul.
        Mas agora que a Panini tá reavaliando a sua estratégia dos novos 52, O Sombra pode demorar um pouco… Ou, eles percebem que tem mais potencial que certos personagens esquisitos.rsrs

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  4. Belo texto! Só uma coisinha que eu não entendi na edição, porque Sombra estava sacrificando vilões com o mago irlandês Silverfin? Isso será explicado ou eu sou burro mesmo?

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    1. Isso não ficou muito claro mesmo Anderson, mas ele pediu ajuda ao mago Silverfin para localizar e meio que “exorcizar” cinco elementos específicos. O que vemos ser assassinado é o último deles. Creio que seja explicado melhor na próxima edição, se tem alguma ligação com os ataques pessoais ao Sombra ou foi apenas um ato de “bondade com um toque de assassinato em prol de um bem maior”.

      Abraços!

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  5. História sombria e belos desenhos!Esse personagem é bem interessante, ele participou de uma aventura do Starman que li.Fiquei interessado em ler essa edição!Grande texto!J.A.R.V.I.S.desligando!

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