Fabulosos X-men #19 & Cavaleiros Demoníacos #13 – “How long will I slide / Separate my side”

por Venerável Victor  “Tratador dos Infernos”  Vaugham

Cavaleiros Demoníacos #13   SPOILERS

Você está no Inferno! Mas aqui tods se vestem muito bem, ora!

Capa de Bernard Chang

Você já deve ter lido por aí que Paul Cornell irá deixar esse título em alguns meses, o que é de cortar o coração. Não que seja alguma novidade o inglês ficar pouco tempo em alguma revista de super heróis, aja vista sua passagem pelo título da Marvel: Capitão Bretanha e o MI, ou o arco (elogiadíssimo) que escreveu sobre Lex Luthor para a antiga Action Comics. E apesar de que seu apontado sucessor, Robert Venditti, teve a aprovação do próprio, ainda assim é natural se ter a desconfiança se o próximo roteirista manterá o nível de qualidade do criador da série.

Um título escrito por Paul Cornell não se parece normalmente com nada que seja editado atualmente. Ele pode não ter ambições tão audaciosas como Grant Morrison, mas ele realmente tráz novos ingredientes para todos os trabalhos que escreve. Nunca uma história sua é escrita de forma linear, mas sempre sobre um ângulo único. Considerando Cavaleiros Demoníacos, quanto mais você lê a revista, mais percebe o sutil tom que a diferencia de uma fantasia comum de espada e magia.

Paul Cornell & Bernard Chang

Os personagens simplesmente se recusam que você os defina ou os assemelhem a papeis familiares, nenhum arquétipo ou estereótipo é permitido aqui. Muitas vezes, a revista pode até lembrar um título pré-reboot chamado Sexteto Secreto, com sua atitude de: liberdade-acima-de-qualquer-atitude. Savage talvez demonstre muito mais a obrigatoriedade da liberdade que qualquer um dos outros personagens:

“Você está pressupondo que eu minto para mim mesmo sobre quem eu sou. Eu não faço isso, minha querida, ninguém falou nada de mim para você antes? Eu sou Vandal Savage. Isso é o suficiente”.

Mas todos os “Cavaleiros” rejeitam qualquer forma de dominação

Vejam por exemplo como a Mulher Cavalo (não, já disse anteriormente, ela não é um travesti) e Sir Ystin, o Cavaleiro Andante, reconhecem os pesadelos designados para eles como maquinações do Inferno e permanecem absolutamente calmos.

E mesmo com Etrigan subjulgando Madame Xanadu, para que ela se torne subserviente á sua vontade, é possível reconhecer uma inflexão exagerada em sua linguagem, que demonstra todo o seu sarcasmo, enquanto se mostra totalmente devotada ao demônio

“Eu só sei o que você me diz que eu sei. Eu nunca sonharia em ter um pensamento somente meu… Isso foi como você desejou que fosse aqui. E eu amo isso!”

É visível que ao mostrar em ironia para Etrigan que ela está mentalmente sobre o seu controle absoluto, deixa o demônio extremamente inseguro de que seus planos são tão infalíveis assim.

Uma coisa que também é muito agradável no trabalho de Paul Cornell é como ele consegue balancear exposição com avanço de roteiro. O que não é nada fácil de fazer tendo oito personagens principais para se trabalhar todo mês. Você leitor atento, pode identificar que a cada edição, ele procura uma oportunidade certeira de encaixar mais e mais elementos no passado dos personagens e nas suas motivações, alguns, claro com mais significância que outros.

Alguns dos mais importantes elementos que nós aprendemos durante a tortura de nossos personagens no Inferno : a busca do Cavaleiro Andante transcende muitos, senão todos os obstáculos que possam esbarrar em seu caminho – o que entretém muito Lúcifer MorningStar. Temos uma potencial origem da Mulher Cavalo, finalmente. É mostrado rápida, mas soberbamente a tensão de Al Jabr – o integrante ainda menos explorado da equipe – entre seu conhecimento científico e sua religião muçulmana e por fim Exoristos e seu ainda secreto pecado, que possivelmente causou mudanças e danos permanentes ao universo DC.

Obviamente não há razão para criticar a arte de Chang nessa revista devido ao seu imenso talento. Especialmente devido ao tom mais sério que o título vem seguindo ultimamente seu traço está mais apropriado do que nunca, mas o trabalho do excelente Diógenes Neves ainda não deixa de fazer muita falta, afinal cada detalhe enriquecido pelo brasileiro enche essa publicação de magia fazendo com que as páginas ganhem vida própria.

Deixando a nostalgia e emotividade de lado, Chang não faz feio e domina plenamente o cenário quando se trata também de detalhes, basta visualizar as armaduras da Rainha da Orda e seus diversos soldados para se ter a prova.

Essa foi uma edição extremamente elucidativa, mas transicional, significando que o que quer que você tenha aprendido aqui, independente de acontecer a mando de um diabo, vai ser um Inferno futuro na vida dos Cavaleiros Demoníacos.

Fabulosos X-men #19   SEM SPOILERS

“Eu disse olá para uma garota ruiva. O universo se reajustou para sempre à sua incrível presença”

Kieron Gillen & Dale Eaglesham

Fabuloso, simplesmente fabuloso. Isso é o que todos os fãs do destemido líder mutante estavam esperando desde que Vingadores VS X-men começou a campanha para desmoralizar Scott Summers meses atrás. Kieron Gillen e seus colegas de trabalho colocaram á venda uma fantástica, Watchmen-zesca sequência que explora a mente de Scott no limite de consciência cósmica que seus poderes de Fênix Negra lhe levaram. E finalmente adicionam alguns necessários elementos emocionais da psique do personagem, nesse momento em que cai em desgraça.

Os painéis na maioria da revista estão queimados, imagens repletas de chamas e destruição, devastação e história. Gillen e o desenhista veterano Dave Eaglesham, fazem a justaposição ideal dos momentos históricos passados até a presente conclusão dramática,no estilo que Alan Moore e Dave Gibbons fizeram com seu consagrado personagem Doutor Manhattan na obra prima: Watchmen, para mostrar tanto os atos presentes de horror do mutante, como seu passado heroico.

Gillen dá para Scott uma narração simples e direta nessa edição, similar a máxima “Eu sou o que eu sou” , tão costumeira aos monólogos de entidades cósmicas na literatura pop, mas ao mesmo tempo de forma inocente e sem adornos exagerados. Alguns excelentes exemplos:

“Ele me fez tudo o que eu sou hoje. Eu fiz dele um nada”

“Eu estou lutando contra um homem com garras”

“Eu traí tudo o que acreditava”

Novamente essa edição é fantástica, a sequência final acontece exatamente após o fim de Vingadores VS X-men #12 e Gillen dá um show de delicadeza ao caracterizar Ciclope.

A arte de Dale Eaglesham funciona muito bem, seus traços limpos e estilo tradicional capturam com perfeição as passagens históricas sugeridas pelo autor, enquanto seus painéis inovativos e o talento que tem com os layout, iluminam as páginas com violência e fogo das batalhas passadas. Ao fim, Eaglesham presenteia o leitor na página final com a perfeita mistura de coragem e resignação que o personagem demonstra. Ela é espetacular e deve ficar durante muito tempo como fundo de tela de muita gente por aí.

Leia essa edição. É muito triste que essa série tão promissora tenha acabado – novamente. Especialmente pelo trabalho tão bem feito de Kieron Gillen com os mitos mutantes e a importância de Ciclope como um dos mais icônicos líderes da Marvel. Essa edição é indispensável companhia para o último número dessa supra citada mega saga da editora.

Excelsior!!!

Edições anteriores de Cavaleiros Demoníacos aqui.

Capa de X-men #19 – 1963 de Stan Lee e Jack Kirby & a capa de Uncanny X-men #19 (atual)

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28 comentários sobre “Fabulosos X-men #19 & Cavaleiros Demoníacos #13 – “How long will I slide / Separate my side”

  1. Demon Knights é um dos MEUS títulos da DC. Já li o primeiro TPB e adorei. Arte e argumento.
    Ainda bem que vens fazendo estas resenhas, ajudam-me na escolha de alguns títulos!

    X-Men… não estou a seguir mas gostei do plot que apresentaste. Sempre quero ver o que vai ser do Scott daqui para a frente. Estou à espera do meu Omnibus AvX…
    😀

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  2. Venerável Victor e suas resenhas maravilhosas… cada vez me instigando mais a acompanhar as aventuras infernais de Etrigan e as fabulosas histórias dos mutantes mais amados do universo!!

    Parabéns!!!

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  3. Duas grandes perdas. Cornell deixando a trupe demoníaca e Kieron dando adeus aos X-Men. Mesmo em editoras diferentes eles souberam se divertir com o trabalho e trouxeram momentos singulares para os leitores. Neste mês estréia no Brasil a saga de Cornell. Infelizmente ontem a DC anunciou o cancelamento de mais 4 títulos. Espero de coração que isso não aconteça daqui alguns meses com Demon Knights.
    Quanto a X-Men essa mega saga já vai tarde!!!! Mas infelizmente só serviu prá matar (mais uma vez!!!!!!) o Xavier e desvirtuar um dos pilares do universo mutante. É uma pena ver tanto sacríficio e anos de histórias jogados no lixo por míseros dólares e fama instantânea (tipo cantor de sertanejo universitário). Um dia isso ainda acaba com fé em Deus.

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  4. A saga de “Fabulosos X-Men”deixará saudades,a história e os desenhos estão excelentes!Já “Cavaleiros Demoniacos” tem uma incrivel história de Magia Medieval,com desenhos sensacionais!Assim como seu texto está sensacional,Venerável!

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  5. Chang está mandando muito bem em DK – Diógenes fez um excelente trabalho, mas a qualidade do seu sucessor faz sentirmos menos falta do Brazuca do que deveríamos se outro estivesse no seu lugar.

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  6. O pecado do Paul Cornell é não saber se auto promover pois ele está acima da multidão de medíocres empregada hoje no mercado americano. Ele é sempre elogiadíssimo mas nunca o vejo ser tratado como uma estrela por exemplo. Adoro o Grant Morrison mas convenhamos ele é uma tremenda “Diva”. Aprenda a se auto promover e vire estrela Sr. Cornell, vc merece! Mudando o rumo… é impressionante os vacilos dados pela Panini: como ela é capaz de melar tanto um mix como o de Universo DC publicando verdadeiros lixos e deixando ,entre outros, Cavaleiros Demoniácos de fora?
    Um cara poderoso, imponente, líder ( para o bem ou para o mal) ,cósmico e que solta rajadas pelos olhos? Seu nome é Darkseid… não Ciclope. Volta pro útero Scott. Quem sabe quando vc nascer de novo eu vá com tua cara?!

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  7. Embora eu esteja verdadeiramente puto com AvsX, acho que Uncanny e um refugio para os fans desamparados dos mutunas (principalmente de Ciclope). Eu estou virando um fan de Gillen… Ele consegue criar uma obra prima de algo que virou (nesse caso) cinzas. Pena que Bendis ta vindo pra All New X-Men… Ele só destrói os mutantes (seja com a Wanda ou com a edição 11 de AvsX)
    Bem, agora e esperar que a Marvel Now seja diferente (pra melhor)

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  8. “A Paixão de Scott Summers”… só o título já deixa uma bela amostra do que se espera da leitura da HQ. Embora eu não tenha curtido toda esta presepada de Av vs Xis-Men o gibi marca uma bela homenagem ao Destemido Líder que foi tão injustamente desrespeitado neste desperdício de saga da Marvel (a Marvel tem ideias de sagas muito boas… A EXECUÇÃO delas é que tem sido lastimável).

    De qualquer forma… SCOTT WAS RIGHT!!

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  9. Essa edição dos Cavaleiros Demoniacos continua mantendo a magia!Espero que continue mantendo o pique mesmo com a saída do Paul CornellJá o que me chamou a atenção em Fabulosos X-Men são os desenhos feitos no capricho(tem até um belo desenho meu)!Grande texto,Veneravel!

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  10. É uma pena saber que Paul Cornell deixará Demon Knights, pois em toda edição da revista ele tira um 20 no d20 em seus roteiros (uma referência RPGística que eu achei bem adequada para DK). Não sei se o título sobreviverá à saída dele e, sinceramente, acho uma estratégia editorial bem duvidosa essa “dança das cadeiras” que está acontecendo na DC. Penso que pelo menos os títulos que estão vendendo bem (não sei se é o caso de Demon Knights) deveriam ter suas equipes criativas mantidas.
    De fato, Al Jabr é um personagem que merece ser melhor trabalhado. Nota-se que é um homem instruído, cético, a despeito de todas as ameaças mágicas que já enfrentou ao lado dos Cavaleiros Demoníacos, e que possui algum conhecimento científico, o que é estranho para a época. Essa, por sinal, é uma referência histórica interessante, já que ele é obviamente árabe e durante o medievo a ciência, embora ainda incipiente, desenvolveu-se mais no Oriente Médio do que na Europa.

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  11. “Você está no Inferno! Mas aqui tods se vestem muito bem, ora!”
    Claro, porque o Diabo veste Prada! Ok, não resisti, por favor não me batam…

    Brincadeiras à parte, essa dança das cadeiras editorial me deixa com um certo peso no coração…A saída do excelente roteirista logo levanta esse questionamento sobre a futura qualidade (ou falta dela) no título. Só resta esperar pra ver.

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