Capitão Átomo # 09 – “O deus que habita em mim…”

Resenha de “Capitão Átomo” 09 de J.T.Krul (roteiro), Freddie Williams II (desenhos e arte-final) e Jose Villarrubia (cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história.

Todos os nossos atos têm consequências, e na grande e misteriosa roda da engrenagem da vida da qual somos meros mecanismos de funcionamento aleatórios cumprindo nossa função, um passo em falso pode alterar drasticamente o caminho da engrenagem ao leva-la a um caminho de harmonia e perfeita sincronia ou uma cadeia de eventos catastróficos que cedo ou tarde desencadearão a sua total em completa aniquilação.

Mas tudo é mesmo aleatório? Ou existe um Grande Plano?

O Capitão Átomo descobriu que seus poderes vão muito além de voar e emitir rajadas destrutivas de energia. Ele pode sentir e manipular os átomos e converter suas estruturas. Pode alterar os caminhos naturais da vida e manipular na direção que achar mais correta.

Ele pode trocar as engrenagens de lugar. E mudar o modo como as coisas funcionam.

Ao curar o câncer do garoto Mikey Parker, e regenerar a mão da Dra. Ranita conforme visto nas edições anteriores, possibilitou uma nova onda de acontecimentos futuros aos quais certamente a humanidade ainda não tinha maturidade para lidar.

O encontro do Capitão com suas versões de futuros alternativos e/ou paralelos na tentativa de evitar o grande desastre, mostram o quanto ele estava equivocado ao tentar forçar o mundo a ser “consertado”. Agora ele sabe que existe um propósito para cada coisa que acontece, e isso movimenta a engrenagem seguinte que deve estar apta a cumprir sua importante função no equilíbrio da linha da vida.

Lançado numa versão possível de seu futuro, e a mais provável de se concretizar, ele vê que o jovem Mikey cresceu e se tornou um fanático religioso que prega a total purificação do mundo através do poder do Átomo, guiado por aquele que ele acredita ser o messias enviado para limpar o planeta: CRONO MOTA.

Orientado pelo seu “deus”, Mikey e sua “igreja” repleta de seguidores fabricaram uma espécie de bomba atômica, mas com capacidade destrutiva aumentada drasticamente por meio do poder de seu messias. Literalmente uma bomba do fim do mundo.

Nesse futuro possível, a Dra. Ranita também é adepta dessa nova “doutrina”, e uma de suas maiores representantes graças aos poderes que adquiriu ao ter sua mão regenerada pelo Capitão Átomo.

Incapazes de impedir o derrocada da humanidade, todas as versões futuras de realidades paralelas do Capitão se reúnem no limbo, além do tempo, observando os eventos que resultaram na tragédia, e incapazes de interferir; a menos que um deles seja enviado de cada vez, com apenas uma chance de mudar o tempo, sob o risco de destroçar o frágil tecido do espaço/tempo, o que resultaria numa catástrofe ainda pior. E todos eles foram incapazes de evitar o fim do mundo… restando apenas uma última versão de Capitão Átomo disponível… aquela que conhecemos como sendo a “verdadeira”, pelo menos aquela que sob o aspecto de nossa percepção é reconhecida como a verdadeira.

Ele parte em sua importante empreitada, apenas para descobrir que o ser idolatrado como um deus, CRONO MOTA é simplesmente aquilo que ele se tornará antes do fim dos tempos… o inimigo de toda a vida, o grande destruir… é o que o próprio Capitão Átomo está destinado a ser.

Diante disso, será possível impedir aquilo que está predestinado? Que evento fará com que ele mude de ideia e se convença de que o fim do mundo é a melhor saída para a humanidade?

J.T.Krul cansou de enrolar os leitores e colocou as cartas na mesa. Claro, existem mil formas diferentes de contar essa história, mas ele seguiu pelo caminho mais simplório possível, embora se trate de uma premissa interessante; a história é realmente boa. As habilidades narrativas do autor são seu ponto fraco. De outra forma, usando de um pouco mais de “malandragem”, ele poderia ter conseguido manter esse título nas bancas e evitar seu cancelamento no vindouro número zero. Que isso o ajude a planejar seus roteiros com mais antecedência e cuidado no futuro, pois ele ainda pode provar que faz melhor do que isso. Respeito seu esforço e vejo que ele tentou dar o melhor de si. Só que infelizmente o seu melhor ainda não foi o suficiente.

A arte continua mantendo seu padrão atrativo, com o traço caricato de Freddie Williams II infinitesimalmente auxiliado pelas cores deslumbrantes de Jose Villarrubia.

Se eu pudesse mandar um recado para a equipe criativa dessa revista, em especial para J.T. Krul, eu diria apenas uma palavra, que pode ter diversas interpretações, mas eu estaria me referindo a uma em especial: “Namastê”.

O deus que habita em mim saúda o deus que habita em você”.

Capa de Mike Choi

Resenha anterior? Clique AQUI!

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22 comentários sobre “Capitão Átomo # 09 – “O deus que habita em mim…”

  1. A única coisa realmente boa que o Krull fez neste revival do Capitão átomo foi trazê-lo mais pra perto do Dr. Manhatan, tornando-o quase uma divindade. Antes do Moore fazer aquela adaptação em Watchmen o C. Átomo era “apenas” um heróizinho bem comum, embora com poderes atômicos. Mas o Krull está devendo na DC… E MUITO. A arte porém é coisa de outro mundo mesmo!

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    1. O personagem está pronto. Falta um autor que dê conta do recado… Krul tentou, e até acho que ele teve alguns bons acertos, mas a falhou na sua execução.

      Porém, seus outros trabalhos na DC, principalmente com o Arqueiro Verde, foram muito fracos… não são nem dignos de nota…

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    1. Concordo, embora o capista seja espetacular, a arte interna também é agradável e as cores são lindas de se ver. O novo Capitão ainda vai encontrar sua alma gêmea… um escritor à altura!

      Abs!

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  2. Infinitas possibiliadaes com infinitos finais e uma dúvida só!!! Interferir ou não????? Quando que a intervenção é correta e garante que desastres não ocorram lá na frente???? Será que a Dc encontrou no universo dos novos 52 o seu novo Hamlet e agora J.T. Krul tem um trunfo nas mãos? Sem sombra de dúvida o ser mais poderoso do reboot está aí. Com certeza ele pode até trazer o universo antigo de volta (não tem jeito eu ainda vou querer isso por mais bacana que a fase atual se encontre!!!!). Mas está aprendendo da responsabilidades das suas atitudes. Como um Rip Hunter elevado a enésima potência o Capitão Átomo pode até se encontrar futuramente com outros pares seus, mas pode ser mal interpretado por não querer ajudar ou ir contra algo que se faça. Mas ele tem suas razões. Ele conhece intimamente o tecido da vida e do tempo. Quero só ver onde tudo isso vai dar!!!!

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  3. Sabem de uma coisa?… Esse Universo DC tá mostrando um mundo novo, estranhos desconfortante, curioso. E eu to gostando disso. Pena que não estou naquela “pegada” adolescente de ser um leitor faminto e assíduo. Mas é muito admirável para a nova geração!!! Muito bom!

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