OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – “Os velhos tempos estão de volta! Só que ainda mais esquisitos”!

Época após época, momentos assim irão preencher a imensa tapeçaria dos novos deuses– Jack Kirby

Continuando a análise dos “Novos Deuses”, de 1971, escrita, desenhada e editada por Jack Kirby, com arte-final de Mike Royer.

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história.

No princípio os novos deuses não tinham uma imagem bem definida nem objetivos muito claros! Em ambos os novos mundos, suas raças se originaram a partir de um sobrevivente da antiga! Os átomos vivos de Balduur deram nobreza e força a uma, enquanto o planeta sombrio foi preenchido com a astúcia maligna que outrora pertencera a uma feiticeira. Por toda uma era esses novos deuses perseguiram seus próprios destinos… até o momento do grande confronto que iria ter início em Nova Gênesis com dois deles: Izaya, o herdeiro, e sua mulher Avia… além da felicidade, o primeiro sinal da tragédia se aproximava…

New Gods # 5: SPAWN

Darkseid mantém sua campanha de guerra na Terra, em busca pelo segredo da Equação Antivida que ele acredita estar oculto na mente de um humano. Longe, muito longe desse campo de batalha, mas não alheio aos acontecimentos, Metron mergulha nos pontos mais obscuros do universo em sua obsessiva jornada por conhecimento e os mistérios da Fonte. Ele chega até a “Galáxia Prometeica”, lar de gigantes que antes dele também ousaram ultrapassar a barreira final e que agora encontram-se aprisionados eternamente à deriva em seus limites… gigantescos seres maiores do que alguns agrupamentos estelares e ainda vivos, cujo intervalo de tempo entre os seus batimentos cardíacos equivalem a bilhões de anos na Terra… embora Metron não chegue a citar, esse é o local viria a ser conhecido como “A Muralha da Fonte”… e o que existe além dela é o maior de todos os mistérios.

Voltando à Terra, o investigador Lincoln é confrontado por seu superior a respeito de imagens feitas por câmeras de segurança, onde Órion aparece em combate. Lincoln é um dos cinco terrestres resgatados  por Órion das masmorras de Apokolips pouco depois de Darkseid descobrir que a Terra era a chave para a Equação Antivida. Mas explicar isso para o sargento Dan Turpin não é uma tarefa fácil nem desejável. Turpin faz uma de suas primeiras aparições nos quadrinhos, mas tornaria-se personagem recorrente até os dias de hoje.

Ainda no rastro das atividades de Darkseid, Órion cai numa armadilha que o leva direto ao covil dos “Seis Abissais”, sendo aprisionado por criaturas marinhas alteradas geneticamente e destituído de seus equipamentos… e de sua Caixa Materna! Grande erro. Sem o aparelho para acalmar sua ira, ele se torna um assassino irascível e totalmente incontrolável. Sua batalha com Slig é brutal e impactante. Como se sabe, as chamadas “Caixas Maternas” são computadores vivos, emocionalmente ligados aos seus usuários. Uma Caixa Materna “ama” seu usuário e se torna mais forte quando essa relação de amizade profunda é cultivada entre eles. Durante a batalha, Órion arranca a Caixa Materna de Slig, e a destroça lentamente, saboreando sua “morte”… humilhando seu adversário e saboreando cada momento. É quase o equivalente de alguém arrancar sua mascote, seu bichinho de estimação preferido dos seus braços e quebrar o pescoço dele na sua frente. Órion faz tudo isso com um sorriso nos lábios… e quando a Caixa Materna de Slig enfim morre, ele simplesmente gargalha, como uma criança mimada e cruel.

O fato é que a Caixa Materna de Órion não apenas o acalma como também altera sua aparência, fazendo com que ele se pareça com um príncipe de contos de fadas, mas a verdadeira aparência dele está mais para o “Corcunda de Notre Dame”… sua natureza é monstruosa, tanto o exterior quanto o interior… Ou o fato de ter sido criado como filho pelo Pai Celestial em Nova Gênesis deu a ele uma chance de escolha?

Ao abandonar o covil dos Seis Abissais, Órion (já restituído de seus aparelhos) deixa para trás a cria infernal dos seres apokoliptianos… uma gigantesca criatura marinha saída de algum pesadelo dantesco e pronta para levar a civilização à ruina.

New Gods # 6 – O Barco da Glória

A aberração criada pelos Seis Abissais, um verdadeiro Leviatã, navega pelos mares destruindo tudo e todos que encontra. Guiado por sua Caixa Materna, Órion encontra um grupo de sobreviventes da fúria assassina da criatura, à deriva do que sobrou no iate onde estavam. São eles Farley Sheridan e seus filhos Richard e Lynn. Enquanto escolta o trio para um local seguro, eles se deparam com uma estrutura no meio do mar, onde um homem completamente imobilizado segue navegando aprisionado… ao libertá-lo, Órion descobre que trata-se de Magtron, que desobedeceu as ordens do Pai Celestial para ajudar seu amigo, mas foi derrotado pelos Seis Abissais e deixado como um troféu de sua vitória. No interior da estrutura, eles encontram uma aberração disforme… uma criatura mutante geneticamente alterada e repugnante, que possui a habilidade de ser uma “bússola orgânica”, guiando o Leviatã pelos mares. A primeira reação de Órion é vaporizar a criatura com sua Astro Força, mas ele é impedido pelo pacífico Magtron, que prefere, em vez de destruí-la, “adaptá-la”. Para isso ele usa seus poderes combinados com sua Caixa Materna, e o estranho ser regride para uma forma de vida básica e inofensiva, porém em desenvolvimento. No entanto, ao crescer novamente, será a imagem e semelhança de Nova Gênesis, e não mais de Apokolips. O crescimento se dá de forma acelerada, e a “Bússola Orgânica” vai emitir um sinal que vai atrair os Seis Abissais e o Leviatã para a batalha.

O primeiro a chegar é Jaffar, dos Seis Abissais, que ataca sorrateiramente o grupo salvo por Órion. O jovem Richard, antes tido por seu pai como um covarde, irrompe em uma fúria desmedida para proteger sua família, e é morto por Jaffar, que o deixa desfigurado. Órion chega em seguida, bombardeando Jaffar com a Astro Força, eliminando assim mais um dos Seis Abissais. Consternado, Magtron pega o corpo do jovem morto e o coloca junto da nova Bússola recriada por ele, onde ele pode transcender a um novo destino, unindo-se à Fonte como um bravo guerreiro. Órion programa seus planadores para levar Lynn a um lugar seguro, enquanto seu pai escolhe ficar e lutar junto de Órion e Magtron. Mas ele é amarrado por Magtron e colocado numa embarcação improvisada, que o leva para longe da contenda. O grande diferencial aqui, é que Magtron não luta como um guerreiro, mas como estrategista ao atrair todos os inimigos para um único lugar, pois o ser recriado por ele continua a se desenvolver e a se transformar numa poderosa arma de autodestruição, que numa tremenda liberação de energia, abate de uma vez só vez os Abissais restantes e o Leviatã, enquanto Magtron usa seus poderes para salvar a si mesmo e Órion, escapando no último segundo na velocidade da luz.

New Gods # 7 – O Pacto!

Voltando vários anos no tempo, nessa que é declaradamente a história preferida de Jack Kirby para os Novos Deuses, conhecemos os primórdios da guerra entre Nova Gênesis e Apokolips, e a história de um destemido guerreiro chamado Izaya. Ele e sua esposa Avia viviam felizes e em paz… alheios as maquinações diabólicas orquestradas pelo seu planeta irmão, regido com mão de ferro… pela famigerada rainha Heggra.

Até que inesperadamente, os guerreiros de Apokolips tiveram a acesso a uma tecnologia capaz de romper grandes distâncias e transportar exércitos inteiros de um planeta para outro em um piscar de olhos. Numa dessas incursões, eles atacaram Nova Gênesis, liderados por Steppenwolf, o irmão da rainha… e eles teriam sido completamente rechaçados por Izaya, não fosse a manipulação do sobrinho de Steppenwolf, que não apenas forneceu a tecnologia capaz de transpor os planetas como também sugeriu o ataque naquele lugar e momento exatos… onde numa infeliz ocorrência, Avia foi assassinada por Steppenwolf, e Izaya dado como morto. Uma infeliz ocorrência friamente calculada pelo sobrinho de Steppenwolf… o desprezado filho da rainha Heggra… Darkseid.

– Em momentos como este, o guerreiro se acalma e percebe que o mundo não é apenas um mapa de batalha.
 – Somos feitos para a guerra, Izaya? Sabe… nunca ouvi você cantar…

Com a morte de Avia, Izaya não conteve esforços para elevar a guerra a níveis cósmicos. A cada dia, novas tecnologias eram criadas, motivadas pelas chamas da vingança. Um planeta não descansaria enquanto o outro não fosse destruído.  Sóis foram transformados em armas. Sistemas estelares foram extintos pelo simples fato de estarem no caminho. Era uma guerra entre deuses e o universo estava à beira de um colapso.

Em Apokolips, Darkseid continuava a tecer seus planos de conquista, fazendo barganhas inimagináveis com o homem que lhe forneceu os meios necessários para a criação do transporte que um dia viria a ser chamado de “Tubo de Explosão”, em troca da sustância conhecida como “Elemento X”, Metron de Nova Gênesis deu a Darkseid a tecnologia capaz de transportar milhões de soldados para seu planeta irmão. Graças a esse Elemento, Metron pôde construir sua Poltrona Mobius… a ferramenta com a qual ele desbravaria o universo e desvendaria os mistérios da Fonte… não importando o preço a ser pago por essa dádiva.

Darkseid conduziu os ventos da batalha, com a ajuda de seu único amigo, Desaad, um sádico cientista que inventava infinitas formas de causar dor, e manipulou a batalha de modo que Steppenwolf e Izaya fossem colocados frente à frente… ele sabia que o guerreiro de Nova Gênesis queria vingança pela morte de sua esposa, e não o desapontou. Com a morte de seu tio a subsequente queda da rainha, Darkseid tornou-se o soberano de Apokolips…

Uma guerra tecno-cósmica havia se iniciado e era questão de tempo até que todo o universo sofresse as consequências. Arrependido pelo rumo que sua vida havia tomado, Izaya abandonou sua espada e lançou-se numa cruzada solitária em busca de si mesmo… o “verdadeiro” Izaya, aquele que aos olhos de Avia era gentil e afável… então, num dia de loucura e magia, ele abdicou de toda a violência que havia dentro de si, e sentiu o toque de uma força superior… um resquício de algo raro e precioso, que sobreviveu a destruição dos velhos deuses… ele encontrou uma parede, que nada mais era do que um fragmento da própria Fonte. Eles estabeleceram uma conexão que mudaria para sempre sua vida, e o destino do universo.

Diante do poder equivalente entre os mundos e da eminente destruição mútua que não tardaria a acontecer, um pacto de paz foi deflagrado. Izaya agora era o líder supremo de Nova Gênesis, não mais como um guerreiro e sim como um guia espiritual em meio a escuridão. Ele se tornou o Pai Celestial. E para firmar a trégua, um acordo profano foi realizado: Órion, o filho de Darkseid com sua involuntária esposa Tigra, seria enviado para Nova Gênesis e criado pelo Pai Celestial. E o filho do Pai Celestial, seria enviado para Apokolips e criado no “orfanato” da Vovó Bondade. Enquanto o herdeiro de um vivesse no mundo do outro, a paz seria instaurada.

Mas Darkseid, é claro, nunca deixa de jogar. Ele criou o filho do Pai Celestial – Scott Free – para se tornar o maior escapista do universo. Enquanto ele era treinado, Darkseid poderia se reorganizar e focar em seu verdadeiro objetivo: dominar o segredo da Equação Antivida. Então, quando o dia chegasse, Scott fugiria… a trégua estaria quebrada… o filho do Pai Celestial se tornaria o Senhor Milagre… e o mestre das trevas estaria pronto para colocar seus planos em prática.

Mas ele não pode ignorar que essa equação também contém uma antiga profecia revelada pela Fonte, de que um dia, o filho derrotaria o pai… e a luz prevaleceria sobre as trevas…

New Gods # 8 – O Desejo de Morte de Turpin, o Terrível!

Pois vou mostrar a você que o que presenciou nos poços de fogo em Apokolips não se compara ao fogo que arde em mim” – Órion

De volta a ação atual, Kalibak vem à Terra em busca de vingança contra Órion, depois da humilhação sofrida em Apokolips quando ele libertou as cobaias humanas de Darkseid. E são justamente esses humanos, pelo menos dois deles, Dave Lincoln e Cláudia Shane que se tornam alvo de Kalibak para atrair Órion a uma batalha definitiva. Mas o grande herói dessa história é Dan Turpin.. o policial veterano e prestes a se aposentar não se conforma com a destruição causada pelos novos deuses e desobedecendo ordens superiores vai à luta, enfrentado Kalibak no mano a mano.. e levando uma surra, é claro, mas não sem antes surpreender o monstro com uma paletó repleto de granadas… Turpin sobrevive ao impacto, e mesmo ferido tenta prender Kalibak, Órion e Magtron, que chegam ao local atraídos pela enorme destruição.

A luta entre Kalibak e Órion é levada quase até as últimas consequências, com direito a bastões cósmicos e muitos ossos partidos ao meio. Órion sente uma ligação com ele, e lembra que desde jovens eles sempre cultivaram uma grande rivalidade, sem nem desconfiar de que são irmãos.

Mesmo sabendo que não pode superar Órion, Kalibak dá tudo de si e está disposto a morrer de esse for esse o preço da vitória. A brutalidade entre eles abala a estrutura dos prédios, e provoca pequenos tremores de terra pelas redondezas. A fúria de Órion testa os limites da Caixa Materna em mantê-lo civilizado, liberando o animal incontrolável que existe dentro dele… seu capacete se perde, e seu verdadeiro e monstruoso rosto é revelado. Mas Dan Turpin ainda não está fora do jogo, organizando um equipamento capaz de conduzir praticamente toda a eletricidade da cidade numa única descarga de energia, ele e seus homens liberam a carga elétrica sobre Kalibak e Órion, mas esse último é salvo por Magtron no último segundo. Kalibak, que já estava debilitado, cai inconsciente e é levado pelos policiais.

Ao longe, Órion se vê momentaneamente incapaz de reverter para sua forma “mais apresentável”, e fica constrangido por Magtron tê-lo visto em seus verdadeiros traços, sentindo-se uma aberração. “Você viu verdadeiro meu rosto”! ele diz. Mas seu amigo apenas lhe devolve seu elmo. “Você viu meu rosto”! ele repete, desviando o olhar. Mas Magtron diz que o que vê são apenas as cicatrizes vindas de alguém que dedicou sua vida pela causa de Nova Gênesis.

Os olhos de um verdadeiro amigo só enxergam o que temos de bom.

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20 comentários sobre “OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – “Os velhos tempos estão de volta! Só que ainda mais esquisitos”!

  1. Pelos dedos da mão que desenha a Fonte! Quando estou no auge da emoção e expectativa a matéria acaba!!! É! Essa vai ser mais uma semana demorada de passar até o sábado que vem!!!
    Parabéns, sacerdote Garrit! Onde quer que esteja, o REI está muito feliz! 🙂

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    1. Obrigado amigo, posso te dizer que compartilho do mesmo entusiasmo ao escrever sobre esses personagens tão queridos… sábado que vem, um ciclo termina… e um novo começa! Aguarde!!

      Abraços!

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  2. Toda a obra de Kirby com as famílias cósmkcas (sejam os Eternos ou Novos Deuses), são de importância única. Por isso que até hoje. ele é reverenciado. Eu já li muito material dele e me sinto um cara de sorte por ter conseguido. E parabéns ao Rodrigo por resgatar esse tesouro prá nós.

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  3. Cara, você faz um trabalho muito bom aqui. Está de parabéns! Aliás, sobre outra série, a “What if”, você teria alguma coisa sobre uma história do encontro de Wolverine com Conan?

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  4. GOSTEI DEMAIS DESSES POSTS DOS NOVOS DEUSES! Espero ansiosamente pelo próximo, e em especial pelo que tratar do Darkseid, do qual sou mmmmmmmmmmmuuuuuuuuuuiiiiiiiiittttttttttooooooooo fã! Meus parabéns! \õ

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