O SOMBRA # 11 – Onde deidades egípcias ateiam fogo em Londres, e o destino da raça humana é discutido em um lugar que não é lugar por um herói que não é herói.

Resenha de “O Sombra” 11 de James Robinson (roteiro) e Frazer Irving (arte e cores).

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

Deuses do antigo Egito, visitantes de outras dimensões ou metáforas vivas… não importa o que eles são, o fato é que são seres do tamanho de arranha-céus e estão à solta em Londres, destruindo tudo o que encontram no caminho e assassinando centenas de pessoas como quem pisa em formigas. Os heróis locais são os primeiros a tentar conter a situação, mas são rapidamente colocados fora de ação pelo poder das criaturas. Com isso, o destino da cidade e a batata quente cósmica é deixada nas mãos do… Sombra.

Desde o primeiro número dessa minissérie, o citado personagem vem passando por diversos desafios que, na pior das hipóteses, aumentaram seus conhecimentos e aprimoraram seus poderes e a forma como eles podem ser usados. Não que suas desventuras como Sombra que vem ocorrendo desde o século 19 não tivessem lhe ensinado nada, mas os recentes acontecimentos tiraram a poeira e o ferrugem de alguns anos de tédio e ociosidade bancando o anti-heroi irônico que tira vantagem de tudo e até ajuda os mocinhos quando é do seu interesse.

Ele sobreviveu ao Exterminador, o maior assassino do planeta. Aprendeu o caminho para “O Tempo dos Sonhos” com um velho mago, forçou seu poder sombrio a limites até então raramente explorados e até imitou a técnica do vilão “Inquisidor” para manter sempre um trunfo na manga. Isso explica o assassinato dos vilões no número anterior, cometidos em parceria com o mago Silverfin. Utilizando uma mescla de todas as habilidades aprendidas, o Sombra simplesmente criou um enorme pentagrama cobrindo uma vasta região de Londres, onde dentro desses limites seu poder seria ainda maior. Um pentagrama ungido pelo sangue nada inocente dos vilões.

É claro que ele não sabia o que estava prestes a enfrentar e certamente não esperava ter de lutar com gigantes usando túnicas ridículas e com o poder de devastar cidades em poucas horas. O pentagrama místico veio bem a calhar. Embora não tenha sido o suficiente, é claro.

Sendo incapaz de derrotar as criaturas, ele decide transporta-las para longe, envolvendo-as em seu poder sombrio. Mas a interferência do poder deles direcionou o transporte para um lugar totalmente inesperado… nem o reino das sombras nem o Tempo dos Sonhos… simplesmente um outro lugar, real ou imaginário, não importa. O fato é que Londres estava livre da fúria daqueles titãs.

Mas o Sombra estava trancado com eles em uma brecha improvável da realidade.

Dentro desse “limbo”, os seres revelam sua verdadeira natureza, e sua função de “bibliotecários cósmicos”, o que acaba não sendo muito elucidativo. De certo ponto de vista eles podem até mesmo ser deuses, astronautas, funcionários públicos ou cosplays vindos do futuro… depende do quão primitivo é o seu grau de evolução.

“E eu pensava ser amoral… não, ‘ pensava’? Eu SOU. Eu sou o Sombra… eu… eu sou… o… Sombra… mesmo assim… viver uma vida eterna é valorizar aqueles que têm poucos anos de vida, aprendi isso. Ultimamente. Mas não vejo um pingo de remorso por suas ações, em nenhum de vocês. E, por Deus, quero vocês longe de mim”.  

O Sombra consegue amarrar as criaturas com seu sarcasmo, e imobilizá-las com desdém e excesso de autoconfiança, deixando-as a mercê de suas ironias e humor negro. Não resta nenhuma outra alternativa a eles senão unir forças e tentar resgatar o pouco da dignidade que lhes restara… buscando juntos um caminho que os leve de volta para sua terra natal, se é que ela ainda existe depois de tanto tempo, de preferência deixando o Sombra de volta na devastada Londres, onde ele tem contas a acertar com seu bisneto.

O próximo número encerra essa jornada, e revela definitivamente como se deu a transformação de Richard Swift no Sombra, onde finalmente a ultima peça desse castelo de cartas será colocada… cuidadosamente para que tudo não desmorone.

Mas em se tratando do Sombra… bem, vamos ver.

Se James Robinson nasceu para escrever o Sombra, ouso dizer que Frazer Irving nasceu para desenhá-lo. Ele transmite com refinada precisão o sentimento oculto no olhar do personagem. E embora vários grandes artistas tenham passado pela minissérie, cada um acertando em cheio dentro do contexto proposto, ele foi o que melhor definiu a essência desse adorável canalha que odiamos amar.

E que venha o Grand Finale!

Resenha anterior? Clique AQUI!

A capa de Tony Harris

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16 comentários sobre “O SOMBRA # 11 – Onde deidades egípcias ateiam fogo em Londres, e o destino da raça humana é discutido em um lugar que não é lugar por um herói que não é herói.

  1. Baixando agora mesmo! A arte é incrível (tanto as capas de Tony Harris quanto as internas de Frazer Irving) e James Robinson é sinônimo de boas estórias.
    P.S.: Só eu me lembrei do Monolito Vivo e de sua ligação algo homoerótica com Alex Summers?

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