Arqueiro Verde edição #0 (Os Novos 52)

Por Carlos Lenilton

Resenha de “Arqueiro Verde” #0 de Judd Winick (roteiro) e Freddie Willians II(arte).

Contém spoilers revelações sobre a história

Parece não haver conserto para o atual desastre que é Arqueiro Verde dos Novos 52. Esta edição zero quase chegou a me chocar e se não chocou é por causa do tamanho já enorme da minha decepção com os rumos que deram ao personagem. Infelizmente não tive como começar de outra maneira esta resenha tal forma tomou minha indignação com o material aqui apresentado. Nem God save the Queen.

Convocado pra tarefa de escrever a edição zero, muito talvez pela sua longa passagem em fases anteriores da revista, Judd Winick não consegue se sair bem na tentativa de criar novos elementos na origem do Arqueiro Verde. Como sabem a origem do Arqueiro é de certa forma simples, não tendo elementos místicos e/ou científicos. Foi recontada já diversas vezes mantendo sempre sua linha básica praticamente inalterada: ele é o playboy irresponsável que fica à deriva em alto mar, acaba em uma ilha deserta e lá , sozinho durante vários anos, se torna o homem mental e fisicamente moldado que ao retornar à civilização se tornará o herói tão conhecido de todos.

É justamente na tentativa de imprimir algo que torne sua versão algo novo que torna esta uma das piores leituras de sua origem.

A bordo de uma plataforma petrolífera – e não mais de um iate ou navio, simples demais não? – que deveria administrar, Oliver Queen ,aqui aos 19 anos, está no seu quarto emprego – considerando que deveria começar aos 18, isso por si só já é recorde negativo – na corporação da família. Colocado ali como castigo por ter fracassado nos empregos anteriores por seu pai, Oliver continua fazendo o que faz de melhor: ser irresponsável. E é no meio de uma festa de arromba em alto mar que nossa história começa. Com a plataforma em pleno exercício de suas funções, Oliver Queen brinca e entreter um sem número de convidados esbanjando imaturidade e arrogância – algo não anormal se considerarmos sua pouca idade, anormal mesmo é seu pai dar-lhe tamanha responsabilidade depois de outras 3 tentativas frustradas – Vemos que um de seus maiores inimigos – o também arqueiro Merlyn – está sob contrato para ensinar-lhe o manejo do arco e flecha e com Ollie também encontra-se Leena sua namorada. Tudo segui as mil maravilhas na mega farra, exceto talvez pros funcionários da empresa excluídos de tal festança.

É neste momento que J. Winick nos apresenta ao “grande” vilão de nossa peça: o extraordinariamente genérico Iron Eagle. De ferro tem que ser a paciência do leitor, dada a preguiça com que parece ter sido criado tal vilão. Diga-se que a bem verdade é de Iron Eagle a primeira frase inteligente até aqui:

A última coisa que eu esperava era uma festa a bordo. – Diz ao começar a ocupação da plataforma.

Sabe aquelas histórias endereçadas a leitores supostamente de pouca inteligencia onde tudo tem que ser minuciosamente explicado pro leitor? Aqui temos este caso. Iron Eagle explica o seu plano – o desenho segue a descrição exata do relatado para ficar claríssimo pro leitor o que está sendo dito – noves fora isso, um coadjuvante conveniente ainda enfatiza o quanto tudo falado por I. Eagle é verdadeiro pois já vira aquilo acontecer pela TV. O plano é infalível (heheheh) encher o local todo de explosivos para incapacitar qualquer resgate sob a ameaça de explodir tudo enquanto roubam todo o patróleo (?!). E o que nosso destemido, irresponsável e fanfarrão herói faz? Desculpe o tremendo spoiler, mas o faço para tirar de vocês o peso de ler esta edição…

NOSSOHERÓINATENTATIVAIRRACIONALDESALVARATODOSMESMOESTANDOUMPOUQUINHOBÊBADOEXPLODETUDOMATANDOATODOS.

Bem, quase todos, afinal Tommy Merlyn sobrevive aos pedaços para vir a se tornar seu arqui-inimigo e o próprio Mr. Queen de alguma maneira teria que ser levado pela maré e chegar na tal ilha deserta e … O resto todo mundo conhece.

Sua passagem na ilha é mostrada em uma única página. Seu primeiro encontro com Roy Harper é mostrado de forma ainda mais superficial. Sua motivação atual é acertar as contas com seus erros e seu mote é: “uma flecha por vez”.

Uma edição de origem que deixa ainda muitos buracos a serem preenchidos e uma tremenda dúvida no ar: Até que número deste volume os fãs do Arqueiro resistirão comprando este péssimo gibi?

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34 comentários sobre “Arqueiro Verde edição #0 (Os Novos 52)

  1. umas das coisas q mais fiquei puto foi na edição da liga da justiça o arqueiro ficar implorando pra fazer parte –‘ … o “Oliver Queen” nunca faria isso :p … umas das coisas q os Novos 52 conseguiu estragar

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  2. To gostando de Arqueiro e gostei do visual ja que nunca li hqs dele ou de outros antes entao nao tenho do que reclamar, so que esperava que ele ficasse mas tempo na ilha e podia se perder de outro jeito, Arrow está muito melhor

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  3. puts kkkk vc foi malzinho hem kkkk
    brincadeira, otimo texto. não li nada ainda, e pelo que escreveu eu tambem não vou ler kkkk.
    ja não gostei do proprio desenho, o arqueiro de armadurinha? fala serio.
    e mascara estilo besouro azul kkkk bem, não me agradou ja de inicio a ilustração em si.

    mas otimo texto.

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  4. Eu gosto muito do Arqueiro Verde… era fã do filho dele, Connor Hawnke mas gostei muito da volta do Oliver… Ele teve algumas ótimas histórias escritas por Kevin Smith, Brad Meltzer e até mesmo Judd Winick… mas faz muito tempo que não tem nada empolgante sendo feito com ele… é uma pena…

    Ótima resenha, Carlos, Parabéns!!

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  5. Este é, de longe, o pior título dos Novos 52.
    Bem, talvez eu esteja exagerando, ainda mais se levar em consideração o fato de que ninguém menos que Liefield esteve envolvido com alguns deles.
    Gosto de bons personagens e de boas estórias e não sou apegado demais à cronologia (nem à antiga, nem à nova), de maneira que eu já esperava que o reboot trouxesse mudanças para o personagem. Também era de se esperar que essas mudanças talvez representassem uma piora. Mas eu realmente não esperava tamanha queda na qualidade das estórias do personagem.
    J.T. Krull errou demais com o personagem, e o veterano Keith Giffen não fez melhor.
    Resta esperar por uma versão futura do Arqueiro Verde que esteja mais à altura do personagem que conheci.

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  6. Eu preciso dizer que personagens como o Batman e o Lanterna Verde foram poupados e na maior parte de sua mitologia respeitados, outros como Flash e Superman estão até melhores e Mulher Maravilha e Aquaman foram super beneficiados com o reboot (e merecem) , mas o Arqueiro Verde, que provavelmente sempre foi o melhor de todos, sofreu um ataque terrorista. Talvez com o intuito de fazer com que jovens leitores se identifiquem mais com ele e com a série de TV (que parece ser boa), mas uma pena, Oliver Queen sempre foi o mais humano em todos os sentidos, personagem DC.

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  7. Reforço o time dos descontentes com essa descaracterização do liberal definitivo!!! 🙂
    Façam como eu, ignorem essa revista, no futuro se Deus quiser ela vai voltar a pelo menos ser 50% do que era e a gente volta! Beijos!!!

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  8. “anormal mesmo é seu pai dar-lhe tamanha responsabilidade depois de outras 3 tentativas frustradas”
    Bem, digamos que Eike Batista não é exclusivide do Brasil. hahahaha

    Mas, cara, coitado do Arqueiro. Quando lemos sobre os novos 52, vemos que tem coisas mal feitas, coisas boas, coisas passáveis, mas o Arqueiro deve ser o pior dos piores.
    Tanto que no seriado de tv, parece que usaram muitos elementos do Arqueiro clássico, senão, não daria certo.

    Mas belo texto. Ri bastante com seu estilo de contar os detalhes da história.

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  9. Não se esqueçam do (nada) pequeno detalhe: de longe, esse título não está sozinho. Coisa ruim, desse nível (pra pior), os N52 estão cheios. Agora, encontrar coisa boa, aí é difícil… 😀

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  10. Ele nunca esteve na minha lista de favoritos. Afamilia verde toda! Lanternas, arqueiros e quem mais pertencer ao grupo verde. Uma coisa que notei aí é que estando perdido numa ilha deserta se alimentando não sei de que diabos, os caras conseguem um porte físico invejável. Quanto ao argumento para leitores acéfalos devo concordar, é um saco que algumas editoras continuem achando que quem ler quadrinhos são apenas crianças de 10 anos! Ou talvez pensem que adultos que ainda lê-em quadrinhos tem um cérebro de criança de dez….

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  11. Bem, não li nada deste título dos Novos 52, e parece-me que não é agora que vou começar a ler… talvez saque para ler no PC alguns número e fazer uma melhor ideia da desgraça.
    😛

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  12. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Terça: Resenhas Marvel/DC

    Quarta: Arqueiro Verde #0

    Quinta: Curiosidades dos quadrinhos

    Sexta: Eu, o vampiro (Rafael Albuquerque? Arghhhh)

    Sábado: Novos Deuses de Jack Kirby

    Domingo: Sombra

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