EU, O VAMPIRO # 09 – O pastor e suas ovelhas.

Resenha de “Eu, o Vampiro” 9 de Joshua Hale Fiakov (roteiro) e Andrea Sorrentino (arte).

“I, Vampire” criado por J.M. DeMatteis e Tom Sutton.

Por Rodrigo Garrit

AVISO! Artigo respingando do mais puro suco sangrento de spoilers quentinhos recém colhidos de um pescoço relutante…

Andrew Bennet é um vampiro renegado com séculos de vida. Ele se voltou contra a sua própria raça, lutando a favor dos humanos, mesmo quando isso significava ir contra a poderosa vampira Mary, a Rainha de Sangue, o grande amor da sua vida.

Contrariando todas as possibilidades, ou talvez criando algumas novas, Andrew foi ressuscitado após sofrer a “morte verdadeira”, aquela da qual nem mesmo os vampiros podem escapar… mas a intervenção de John Constantine e sua infame “Liga da Justiça Dark” permitiu que ele voltasse à sua (não) vida dotado de poderes que fazem dele o mestre supremo de todos os vampiros… a ponto de derrotar Caim, o Primeiro, e ser reverenciado por todos os outros desmortos.

Mas ser um líder dessa espécie não é exatamente uma festa. Unido novamente a Mary, eles conduzem seus exércitos vampíricos a um acampamento afastado e longe de encrenca… praticamente todos os vampiros da América do Norte se sentem compelidos a obedecer seu novo soberano, mesmo que essa obediência teste os limites de sua natureza sangrenta, uma vez que Andrew proibiu que os vampiros se alimentassem de humanos.

Com uma dieta a base de sangue de vacas e outros animais, algumas pequenas revoluções acontecem eventualmente, mas sempre que um motim está próximo de estourar, Andrew aparece e mostra quem manda, dando uma demonstração de seu imenso poder.

Engraçado como na história, Andrew negocia com alguns humanos a compra de algumas cabeças de gado. Os homens, já desconfiam dele, e sugerem que ele e seu povo sejam alguma espécie de vampiros… mas que estariam mais para “Crepúsculo” do que para “30 dias de noite”. Andrew contradiz a teoria, afirmando estar diante deles em pleno sol à pino sem virar churrasquinho. Claro que eles desconhecem o fato de que o novo status de poder mágico dele o protege do sol, mas o detalhe é irrelevante. Os homens então se recusam a vender mais gado e o ameaçam, ordenando que ele e seu grupo desapareçam da cidade. A reação de Andrew foi algo inesperado para mim, mas revela de uma vez a proporção de seu poder: com um simples gesto ele decepa as cabeças deles… e em seguida as reconstitui, como se nada tivesse acontecido.

Não ficou claro se o ato foi literal ou uma ilusão para amedrontar os humanos, mas considerando as dimensões do poder dele, acredito que tenha sido extremamente literal. Tendo se tornado um poço sem fundo de magia, ele simplesmente não pode ser desafiado… mas conter toda uma raça de monstros assassinos pode exigir dele mais do que seu poder. Além do mais, a magia é muito imprevisível… veio fácil e pode ir embora fácil também… Andrew sabe disso… mas se acontecer, e ele ficar à mercê de seus súditos, vai estar preparado?

Longe dali, em um verdadeiro cenário de filmes antigos do Frankenstein, mais precisamente em Baden-Württemberg, Alemanha, o professor John e Tig procuram a família Van Helsing à pedido de Andrew, a fim de marcar um encontro entre eles. Os Van Helsing não são muito gentis, e na verdade, não são exatamente uma “família”… estão mais para sociedade secreta milenar adepta ao ocultismo e que tem como objetivo primário a extinção de todos os vampiros.

Engraçado como na história, Tig comenta sobre como tudo parece estereotipado… o castelo estilo “Jovem Frankenstein”, e o próprio nome Van Helsing… e o professor  simplesmente responde que eles SÃO de onde toda essa bobagem veio…

De qualquer forma, os Van Helsing não confiam neles, não confiam em Andrew, não confiam em ninguém. Eles estão partindo para a América… e tudo que querem é matar todos os vampiros que encontrarem.

Quando as discussões internas na nova “nação” regida por Andrew ficam mais quentes,  ele surge para seu povo e diz que eles são livres para partir, livres para se alimentar de humanos a hora que quiserem. Basta que o desafiem para uma luta. Nesse momento, centenas de vozes se calam, pois ninguém ousaria opor-se a Andrew, o vampiro supremo…

…exceto uma voz feminina que quebra o intenso silêncio e se aproxima dele, diante dos incontáveis sanguessugas boquiabertos.

“A-HÁ. Acho que eu vou pagar pra ver nessa, querido. Você e eu. Mano a mano. Se você vencer, eu morro e eles são seus. Se eu vencer, recupero meu exército. Feito”?

Essa é Mary, a Rainha de Sangue. Sempre com um sorriso rubro nos lábios. Ela nunca decepciona…

História empolgante e promissora, uma das melhores do título até aqui. Incrível como o autor pegou uma situação que tinha tudo para dar errado (fazendo seu protagonista se tornar todo-poderoso) e fez disso uma maldição ainda pior do que o simples fato de ser um vampiro… pois agora, ele é o vampiro supremo, e todas as atenções estão nele… todos os olhares invejosos de seus semelhantes que querem tomar seu lugar, e é o que faz dele também o alvo principal de todos os inimigos dos vampiros, principalmente a Ordem Van Helsing, que está chegando com tudo para eliminar Andrew.

Grande mérito de Joshua Hale Fiakov, que junto com Scott Snyder e Jeff Lemire, está entre os meus escritores preferidos da nova geração. Ele iniciou esse titulo timidamente, e hoje comanda um dos gibis mais interessantes da nova DC. É terror de primeira qualidade com diálogos muito bem escritos e imagens aterradoras, no melhor sentido da palavra.

A arte de Andrea Sorrentino continua também inspiradíssima… ele bebeu sangue de vampiro pra conseguir desenhar assim, com tantos nuances de serenidade gradualmente tornando-se as criaturas que ninguém gostaria de encontrar num beco escuro à noite. Olhando hoje para o seu traço e analisando seu estilo, não consigo imaginar esse título sendo desenhado por outro e sendo tão bem sucedido.

Verdade seja dita, os vampiros já tiveram dias melhores, de uma forma geral, principalmente na literatura e no cinema.

Mas nos quadrinhos, estão bem representados.

A capa de Andrea Sorrentino

Resenha anterior? Clique AQUI!

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27 comentários sobre “EU, O VAMPIRO # 09 – O pastor e suas ovelhas.

  1. Tô lendo essa série na revista Dark, e não gostei. Não gosto dessa abordagem “RPG+Anne Rice”, embora eu adore Entrevista com o Vampiro (o filme), e já joguei muito “Vampiro – A Máscara”.
    Mas não gosto quando outras obras usam a mesma visão pros vampiros. É como John Constantine fala na edição nº 4: “Odeio vampiros mariquinhas”. hahahahaha.

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  2. Ok… convenceste-me a experimentar este TPB…
    Se eu não gostar mando uma embalagem bomba para o teu correio!
    😛

    Gostei deste ultimo desenvolvimento, parece-me que é um bom ponto de partida para bons arcos de história!
    😉

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  3. Estou achando Eu, Vampiro um dos melhores títulos da DC no momento. Pena que estão inundado o título com participações de outros heróis mais convencionais da casa. Espero que isso não dilua o tom denso e a arte sombria da série. Cria do gênio por trás de Moonshadow tinha de ser coisa boa!

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    1. Sim, J.M. DeMatteis imaginou Andrew Bennet levemente diferente, mas já dava pano pra manga das ótimas histórias que viriam depois, inclusive quando o vampiro fez participação especial nas aventuras do Sr. Destino escritas por ele… só podia vir coisa boa mesmo!!

      Abs!

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    1. É, embora a DC tradicional agora use os personagens da Vertigo, a linha ainda existe também em paralelo, mantendo seus títulos adultos sem necessariamente deixar os super heróis influenciarem as suas vidas, o que foi um alívio para os fãs de séries como “Hellblazer” por exemplo, mas o fato é que esses personagens só enriqueceram ainda mais a DC, e surpreendeu com ótimas histórias.

      Abs!

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  4. Tenho acompanhado “I, Vampire” pela revista Dark da Panini. Tanto a arte quanto o roteiro me agradaram bastante. Gostei da concepção Joshua Hale Fiakov, principalmente porque ele devolveu aos vampiros o dom da licantropia, que, embora esteja presente no “Dracula” de Bram Stoker, foi simplesmente esquecido ou ignorado em muitas outras obras ficcionais sobre vampiros.
    Torço para que aconteça um crossover entre “I, Vampire” e “American Vampire”, mas (é bom dizer antes que Venerável se enfureça) num projeto que não envolva o Rafael Albuquerque!

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    1. Também gosto desse resgate de alguns dons vampíricos que foram sendo deixados de lado com o passar dos tempos na maioria das histórias.

      Agora, já pensou um encontro entre Andrew Bennet e Skinner Sweet, no velho oeste… Co- escrito por Scott Snyder e Joshua Hale Fiakov, com desenhos de Andrea Sorrentino e Mateus Santolouco?

      Não precisa de mais nada!

      Abraços!

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    1. Cara, esse título está sendo publicado pela Panini na revista “Dark”, junto com Homem Animal, Monstro do Pântano, Ressurreição e Liga da Justiça Dark. Pode comprar que com certeza alguma coisa ali você vai gostar… só tem coisa boa!

      Abs!

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  5. Cara, esse título sempre foi uma incógnita pra mim. Nunca tive coragem de olhar. Mas do jeito que tu fala, me animou em ler.

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  6. Concordo com tudo que tu escreveste. Me lembro quando li a edição 1 e logo percebi o imenso talento deste novo escritor que eu não conhecia. Enquanto a arte é simplesmente sensacional. Tomara que que não seja cancelada por causa das baixas vendas.

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    1. Olha Anderson, até o momento nada foi dito sobre um cancelamento do título, e participação de Andrew na Liga Dark parece ter sido bem recebida, então muito provavelmente ainda teremos a revista por um bom tempo.

      Abs!

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