MULHER MARAVILHA #13 – A novela das nove dos deuses olímpicos.

por Venerável Victor “tratador de macacos divinos” Vaughan

Publicado originalmente no O Baile dos Enxutos

Desde o primeiro dia, Azzarello tomou a iniciativa de definir muito bem as personalidades dos deuses gregos com que passou a trabalhar, os mesmos que continuam anos fascinando até hoje a humanidade com suas disputas de poder e as divisões em sua comunidade divina. Após a leitura de uma infinidade de mitos, você irá perceber como o tempo todo um conflito eclode entre eles, lados são inevitavelmente tomados, alianças são feitas (como no caso por exemplo de Apolo e Artemis nessa revista), mas invariavelmente, traições inesperadas pontuam o fim desses contos.

Esse ciclo ininterrupto de devoção e apunhaladas pelas costas continua tão intrigante como sempre foi. Apolo se apossou do trono de seu pai por um único motivo e no caso dessa série, o de se proteger. Convidar seus meio irmãos para o renovado Olympo não foi um sinal de confiança, mas o de um benefício mútuo. Além de sua irmã caçula, nenhum dos outros parentes expressaram sinal de lealdade – Hephestus proclamou que estava ali apenas pelo bem da família – enquanto os demais rejeitaram a atitude arrogante do irmão. Na vida real, assim como na ficção, se abstrair de algo muitas vezes fala mais do que estar presente.

Hermes, é claro, tem seus próprios planos, levando em conta o sequestro da criança de Zola na edição #12. O que quer que seja que ele tem em mente vai de encontro aos planos protecionistas de Apollo. Em todo caso nada é certo que esses planos sejam contra o Olimpo, talvez haja algo muito maior por trás de suas ações, afinal ele tem Demeter, um dos originais seis olimpianos do seu lado.

Capa de Tony Akins

As razões para a ausência de Athena tem muito mais paralelo com antigas antipatias. Artemis explica isso: “Ela não reconhece o direito de meu irmão gêmeo ao trono”. Se formos olhar para a tradição grega, Athena sempre foi a filha favorita de Zeus e a mais simpatizante das ideias de seu pai. Portanto é totalmente compreensível o fato de que ela não aceite outra pessoa tomar o lugar de seu progenitor e soberano. Finalizando todo esse enredo, Ares fala: “Então, nada de Justiça aqui… E agora Apollo?”

Enquanto os Olimpianos consideram que medida tomar contra os planos dos filhos de Zeus, Diana e seus amigos estão fazendo a mesma coisa na Terra. Agora a Mulher Maravilha tem um desafio real para enfrentar, ela não mais está numa posição passiva-reativa e isso é um ponto alto na atual evolução da personagem. Ao se aprofundar muito mais na nova geração de semideuses da DC, com esse conflito entre os de sangue puro e os mestiços divinos, a editora avança em muito as fronteiras da ação e interesse do público nesse título. Essa edição também lembra ao fã o peso e estatura que a personagem criada por William Mounton Marston, carrega.

Brian Azzarello & Tony Akins

Essa amazona balança em sua personalidade, amizade, compromisso e moral com facilidade, como se pode ver no momento em que ela da asilo à mortal Hera e defende a megera da fúria de Zola, por todo o sofrimento e infortúnio que a ex-deusa a fez passar. Quando ela faz uma promessa, a palavra dela é a sua garantia e honra. Quando ela não pode manter uma promessa feita, o sofrimento que isso acarreta corta sua alma de tal forma que os leitores podem sentir em si próprios. Essa é uma lição que envenena seu sangue, apesar de sua natureza divina, Diana é tão falível quanto qualquer outro mortal.

A arte de Akins melhorou muito desde a última vez que desenhou uma edição dessa revista. O traço cartunesco diminuiu em virtude de um traço agora mais polido e clássico, a La Cliff Chiang. Na ausência desse último, seu trabalho cai como uma luva para o título.

Essa foi uma sólida introdução para um novo arco de histórias – e um ótimo ponto de entrada para novos leitores – além de um belo trabalho visual de Akins, mas não avançou muito em relação à enredo. Mudando um pouco de assunto, também parece agora para quem lê a revista que o casamento de Afrodite e Hephestus é muito mais sólido do que imaginamos, bom para eles.

Por fim… Quem é esse “Primeiro nascido” que vemos no início da edição? Da forma como ele devora a cabeça do explorador, lembra muito o quadro de Goya: “Saturno devorando seu filho”, apesar de que Saturno nunca foi o primeiro Titã nascido…

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21 comentários sobre “MULHER MARAVILHA #13 – A novela das nove dos deuses olímpicos.

  1. Tenho achado a passagem do Azzarello no título da MM excelente. Espero que ele continue por um bom tempo para que a personagem possa ter um papel bem estabilizado dentro do UDC. Ela merece.

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  2. Não tenho acompanhado o título da Mulher Maravilha, mas pelo conteúdo de seu texto a personagem está passando por um bom momento.

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  3. Não entendo muito de HQ’s, mas acho Diana nunca teve destaque em meio aos outros heróis …sempre na sombra dos outros (talvez seja impressão minha …) … ela tava mesmo precisando dessa “carga” toda rs.
    Quase esqueci … muito boa a matéria ^^

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  4. Adoro mitologias, principalmente a grega, e desta forma dou o maior valor em quem curte usufruir de toda a dinâmica e complexidade de que isto tudo envolve. Azarello faz o trabalho dele de um bom argumentista e utiliza de forma que não altera a estrutura dos deuses. Ou seja, como Venerável descreveu, tudo faz um sentido se hoje em dia os deuses ainda estivesse lá no Olimpo a nos observar. E eu que levo o nome de um deus grego, não poderia ficar mais orgulhoso de ver um sério. Bem, DEO (além de ser deus em latim) também é o nick do deus que me batiza, quem me conhece sabe quem é…rs
    Agora a PQP deste desenhista do caramba. Não sou de “Mimimis”, não vou chorar pelos traços de Pérez, mas pelo-amor-dos-deuses-gregos, o título da Mulher-Maravilha merecia um artista que não tivesse um traço tão “duro” como o dele. Tantos artistas europeus aí dando sopa (até combinaria uma dupla Brian, o outro com letras duplas no nome…rs), até mesmo uns seletos brasileiros que poderiam dar uma sensualidade melhor aos traços dos desenhos.
    Rogo que isso mude logo, um creio que já deu pro carinha ai brincar!!

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  5. Da DC o que eu sempre gostei foi a linha Vertigo, mas quando soube que o Azzarello ia para a maravilhosa, não exitei em conferir e quer saber? Tá legal justamente porque tem uma leve pegada Vertigo. 🙂

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  6. É isso rapaz, o Azzarello evolvido no negócio. Eu diria que é um ponto a ser levado em consideração. Essa conexão da WW com a mitologia grega é muito gostosa. Abre muitas possibilidades e perspectivas. Bem no comecinho do lançamento dessa nova vertente da DC, acompanhei alguns títulos, confesso que não me agradaram muito. Mas depois, com mais calma, pretendo pesquisar e fazer comparações e concluir qual os números que realmente merecem está na estante.

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  7. Quantos mistérios… Azzarello leva a mitologia grega à sério, e faz uma ótima caracterização ao incluir a Mulher Maravilha nessa mitologia… e aposto que ele vai se sair bem também, quando começar a mexer com os novos deuses….

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  8. Wonder Woman vai ser o meu seguinte HC dos New 52.
    Tenho ouvido maravilhas, mas quero ver com os meus próprios olhos!
    Este arco que se iniciou agora e de que falas na tua review tem uma abordagem diferente do normal. Por norma os problemas “divinos” da WW tiverem quase sempre a ver com a sua família amazona, agora entra o resto da família! Tou curioso!
    😀

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  9. Belo texto VVV, nem parece ter sido escrito para o BdE!
    Sinceramente, nem a arte do Cliff Chiang nem a do Tony Atkins me impressionam. Leio mais pelos roteiros do Azzarello mesmo. O que não deve surpreender, considerando que, em tempos idos, a personagem esteve nas mãos de George Pérez.

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  10. O reboot fez muito bem para dos heróis acima de muitos: Aquaman e Mulher Maravilha. No caso dessa revista, tirando o Hades, eu adorei todos os novos visuais dos deuses. Salve, Azzarrello. Não faço distinção desse Akins do Chiang, acho que um é clone do outro…

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  11. Poxa cara, ainda acho a arte do Akins um lixo, gosto muito do Cliff e foi uma das coisas que me cativou na revista, achava o traço dele completamente congruente com a história, completando mesmo, e a cor do Matthew Wilson também cabe perfeitamente.

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  12. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda: Mulher Maravilha #13

    Terça: Surpreendentes X-men

    Quarta: Top 10…

    Quinta: O que aconteceria se…

    Sexta: Once upon a time

    Sábados: Novos Deuses de Jack Kirby

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