O que aconteceria se os novos X-men tivessem morrido em sua primeira missão?

por Venerável Victor “Tratador de macacos mutantes” Vaughan

Muitos conhecem a saudosa série da Marvel “O que aconteceria se…” estrelada pelo cabeçudo imortal criado por Jack Kirby, o Vigia. O Maior barato dessa série é a possibilidade de se explorar enredos já abandonados e dar nova visão sobre as possibilidades que cada roteiro poderia ter tomado caso os acontecimentos de certas histórias não tivessem seguido seu rumo original. Hoje, caros devotos, vamos descobrir, através do roteirista veterano Roy Thomas e nerd definitivo (muito antes de Grant Morrisons, Scott Snyder e Geoff Johns) o que aconteceria se o mundo perdesse a sua principal e mais poderosa equipe mutante.

X-men – Criados por Stan Lee & Jack Kirby

Em uma das mais importantes histórias dos X-men de todos os tempos, o grupo investigava a aparição da assinatura energética de um novo mutante na ilha de Krakoa, não imaginando que a ilha era o novo mutante. Eles todos se tornaram prisioneiros, tendo sua força vital sendo drenada como alimento para a criatura. Xavier então formou um novo grupo de X-men para o  resgate de seu primeiros alunos, composto por Wolverine, Noturno, Colossus, Tempestade, Sol Nascente e Pássaro Trovejante. Eles estrearam como equipe, salvaram os X-men originais e ajudaram a derrotar o monstro, anulando a gravidade e mandando a criatura para o espaço enquanto todos seguramente escapavam  no jato Pássaro Negro e dando início a uma nova era de histórias mutantes. Mas o que aconteceria se os X-men não tivessem chegado a tempo de escapar no seu avião modificado?

Roy Thomas & Rich Buckler

Na Escócia, Moira Mctaggart recebe um telegrama que a informa que a saúde de Charles Xavier não está nada boa e ele precisa muito de seus cuidados, a cientista parte imediatamente para os Estados Unidos. A jovem Rahne Sinclair (que anos depois viria a se tornar a Nova Mutante Lupina na nossa continuidade) pede que a doutora a leve junto, já que seu pai adotivo é um completo miserável com ela. As duas vão para a América e encontram o Fera as esperando no aeroporto, que para não as assustar, usa uma máscara de látex que esconde sua imagem peluda e o faz parecer humano. Ele as leva até Xavier, que não fica nada feliz em ver que o mutante contratou Moira como sua cuidadoura, agindo totalmente frio e distante, insistindo em não ter contato algum com quem quer que seja.

O Fera retira seu disfarce e conta para Moira e Rahne como a Mansão Xavier costumava ser e como os X-men morreram. Hank McCoy estava com os Vingadores na mesma época, portanto ele não participou dessa missão de resgate em Krakoa. Por sorte, tempo atrás, ele visitou Xavier e o encontrou em vias de cometer suicídio. Então permaneceu por ali, temendo o que seu antigo mentor poderia fazer a si próprio se deixado sozinho. Moira e Rahne decidem ficar por ali também, apesar disso ser bastante doloroso para a geneticista escocesa, afinal ela no passado amou muito Charles Xavier e agora encontra um homem totalmente diferente da época que viveram esse romance.

Um dia, o Conde Nefária – vilão genérico da Marvel – faz um anúncio mundial de que ele e seus Ani-Men tomaram de assalto o silo nuclear de uma instalação militar e irão causar grande desastre a menos que suas exigências sejam atendidas. O Fera imediatamente tenta entrar em contato com outros grupos de super seres, mas não recebe resposta de ninguém.

O mutante então decide usar ele mesmo o aparelho Cérebro. Mas já que não é um telepata, tem apenas limitado uso de seu poder. Ele busca por específicos mutantes que almeja trazer a bordo de uma nova equipe. Primeiro, os filhos de Magneto. A Feiticeira Escarlate estava em sua lua de mel com o androide Visão quando ouve a mensagem e aceita o desafio. Mercúrio capta a mensagem também e decide se juntar ao grupo para livrar sua irmã de qualquer perigo que possa aparecer.

O Fera tenta contatar Namor, o poderoso príncipe Submarino – que também já teve uma história com a equipe no passado e foi o primeiro personagem que Roy Thomas escreveu na Marvel quando estreou no final da década de sessenta, mas ao invés encontra sua prima, Namorita. Em outro canto do planeta Theresa Rourke estava treinando com seu tio Black Tom quando escutou a voz do Fera. E por fim, Hank encontra o irmão mais novo do X-men Pássaro Trovejante, James Proudstar. O rapaz estava revoltado por saber da morte de seu irmão mais velho. Ele concorda em ajudar, mas secretamente, apenas para ter a chance de se vingar de Xavier no fim do conflito.

Após falar com o jovem índio, o Fera começa a gritar, seu cérebro normal não suporta mais o stress que é usar esse tipo de equipamento designado apenas para psíquicos e a máquina super carregada, explode. Xavier entra na sala onde o equipamento fica, tarde demais e aparentemente conclui o que seu aluno estava pretendendo. Apesar de que tanto o Fera como Rahne não estavam por perto para serem vistos, ele assegura Moira de que todos estão bem. E isso acontece:

É explicado que o inesperado teleporte se deu através da máquina Cérebro se utilizando das informações sobre o mutante Noturno na mente do Fera, então… Então é isso. Não é nada que mereça ser digitado aqui. O grupo invade a base militar e luta contra os Ani-Men por um tempo enquanto a jovem Rahne fica para trás. O vilão Dragonfly hipnotiza os mutantes e ordena que eles lutem entre si. Xavier, da mansão acompanhando a tudo telepaticamente, tem o pressentimento que eles todos irão morrer, exatamente como os anteriores X-men. Por outro lado, a batalha da recém formada equipe e os “paga páu” do Conde Nefária, avariou o equipamento que comanda os mísseis, tornando os aparatos de destruição e aborto de sequências de detonação, inúteis. Xavier então, mentalmente se comunica com Rahne, dizendo para a menina que ela é a única esperança deles – mais uma ruivinha posta na linha de fogo! Xavier à distância, inibe os protocolos genéticos que atrasam a mutação dos detentores do gene X até a puberdade na garota, fazendo com que ela se transforme em sua forma lupina. Rahne ataca Dragonfly e salva seus amigos.

A maré se volta contra o Conde Nefária e este tenta escapar em um avião. Theresa – agora sob o codinome Banshee, em homenagem ao seu pai – usa seus poderes sônicos e explode o avião em pleno voo antes que o vilão pudesse escapar. Esse acontecimento é muito similar ao ocorrido na Terra 616 (nossa continuidade oficial) onde o Pássaro Trovejante se sacrifica de forma semelhante. A explosão a deixa inconsciente e a faz cair dos céus, mas o jovem Proudstar estava lá para salvá-la. Curiosamente na continuidade oficial, anos mais tarde esses dois se envolveram.

Xavier fala com todos finalmente, mostrando o quanto estava orgulhoso. Ele quer que eles permaneçam juntos e se tornem seus novos novos X-men. Mercúrio vive agora com os Inumanos (não usou camisinha e fez uma filha em uma) e a Feiticeira Escarlate é dedicada aos Vingadores, portanto os dois recusam do convite para serem os próximos defuntos do universo Marvel em algum momento, mas juram que estarão por perto se a equipe precisar deles. Os outros concordam com a ideia. O índio Proudstar no entanto, ainda carrega a mágoa de Xavier pela morte de seu irmão, não acreditando se realmente pertence aquele lugar. Ele admite para todos que apenas aceitou a missão para ter a oportunidade de vingar seu irmão matando Charles Xavier com suas próprias mãos, mas ao ver o sacrifício heróico da Banshee, ele entendeu o que a escolha de seu irmão significava e o quanto errado ele estava. Xavier cumprimenta-o e o diz que ainda o quer muito na equipe.

Moira fica impressionada de como Xavier mostrava entendimento pela amargura do rapaz, mas o Professor X lhe explica que a vergonha do jovem é muito parecida com a sua própria. Moira lhe presenteia com palavras de encorajamento e o ajuda a sair dos últimos estágios da depressão em que se encontrava. Sentindo otimista pela primeira vez em meses, Xavier pede para Moira que empurre sua cadeira de rodas até a sala de computadores para que ele começa a reconstruir Cérebro, pois há muito trabalho ainda a ser feito.

Esses serão os X-men dessa realidade? Bom, essa é quase uma lista C da equipe. Essa foi uma das poucas, senão a única edição de uma história dos mutantes onde o público no geral deveria estar mais interessado ao que acontecia ao Professor Xavier do que com a equipe dele. Mesmo com todo o conhecimento prévio de que ameaça Krakoa representava – e com essa capa linda, talvez uma das mais fantásticas da série – ainda o mais tocante da edição foi o quanto no fundo o velho Xavier chegou por conta da culpa pela morte de suas duas turmas de alunos. Os X-men de terceira formados ao fim desse conto, não são algo com que os fãs ardorosos da equipe gostariam de acompanhar todo mês na continuidade oficial da Marvel, com tanto outros mutantes lá fora muito mais interessantes, mas cada um ali tinha uma razão especial de ter participado da história. Que por sinal foi uma das melhores aventuras do Fera de todos os tempos.

Quer saber mais sobre o Professor Xavier? Clique Aqui! por sua conta e risco…

Outros “O que aconteceria se…”  aqui!

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74 comentários sobre “O que aconteceria se os novos X-men tivessem morrido em sua primeira missão?

  1. Baita texto:D
    Realidades paralelas são legais heheh
    Gosto muito desta história, lembro que na época fiquei bem impressionado lendo ela. mas no final também tive a mesma sensação que tu, de que esta equipe não valeria muito a pena de se acompanhar heheh
    Mas ela podia vir a melhorar no futuro… surgiu uma ideia aqui:D Vou botar em prática este fim de semana hehe
    Abs cara

    http://www.palitosnerds.blogspot.com

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  2. Roy Thomas é genial(se saiu bem como roteirista tanto na Marvel,quanto na DC) e Rich Buckler é bom desenhista.Essa “O que aconteceria se…”é uma das melhores pra mim,foi muito bom ver o Fera(que geralmente é menosprezado)se saindo como lider do grupo e salvando a situação!Um abraço!

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  3. bons tempos. Os formatinhos sempre serão lembrados e gostei muito dessa história vou dar uma procurada para ler de novo…. o santuário é nostalgia pura vlwwwwwwwwww……….

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  4. Li essa história em uma edição de “Superaventuras Marvel”!É sensacional,gostei muito!O tal “efeito Noturno”foi pra apressar a história,só pode…O fera foi o grande herói e o Prof. Xavier sentiu muito mesmo a perda do grupo(com razão)!Muito bom o texto,venerável!

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  5. época boa, historias boas, arte linda kkk fazer o que … um tempo que ficou para traz.
    que poderia ter continuado kkkk não vou perde a oportunidade de alfinetar. Isso pelo menos ira no livrar do ciclope kkkkkkk

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  6. Não sei esse livro me agradaria… alguns What If… são bem aproveitados, este não me fez sequer ficar curioso. 😛
    Acho que é apenas um caça níqueis… 😀

    Abraço

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  7. Sinceramente,eu não gostei de nenhuma ;exemplo foi esta mostrada aí mesmo…poderiam ter produzidas historias mirabolantes mas no entanto ñ fazem isso talvez por medo do sucesso da historia.

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  8. Humm! Gosto dessa mudança de perspectivas oferecida por What If. Como por exemplo, uma história realmente interessante envolvendo os X-bobos. Bem, além do mais adoro esse clima clássico e logo sou levado a saudosismos e àquela outra coisinha da DC, Elseworlds.

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  9. Eu já tinha ouvido falar desse What If antes…A capa realmente é uma das mais maneiras da série, tem aquele gostinho bom de saudosismo das clássicas histórias da Casa das Idéias. Moira Mctaggart não precisava ter morrido na continuidade para servir de bucha, bom, nem o Professor X mesmo…Morte para mim só em What If mesmo. Ótimo texto, querido.
    Make Mine Marvel!!! 🙂 😉 😉

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  10. Puxa, isso me fez lembrar o quanto essa série era maravilhosa,mesmo tendo umas histórias bobas e tal… Belíssima resenha e análise do final. Também deu saudades do Fera divertido da época em que era membro dos Vingadores. What If era demais!!!!!!!!!

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  11. Tudo isto não nos fará lembrar as vicissitudes normais de uma qualquer equipa (time) de futebol? Há os jogadores que formam a equipa principal, os titulares; no banco, os suplentes (reservas); e ainda que abertamente não se queira admitir, há aqueles que serão uma terceira linha, porque apenas utilizados quando o circo já pegou fogo. Para aquela terceira equipa dos X-men se ter tornado na primeira, é porque o fogo já vai alto. Muito alto.

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  12. Essa história foi lançada em Superaventuras Marvel (próximo da ed. 100). Não é das melhores mas tem uma bela capa (que também foi usada no Brasil) e que com certeza foi referência para muitos acontecimentos que viriam anos deplis. Uma lembrança bacana prá quem viveu aquuela época e só o Venerável prá nos trazer estas coisas. Make very and very Marvel!!!

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  13. Gostei muito dessa estória, embora ela não faça lá muito sentido. Não seria mais apropriado chamar o Quarteto Fantástico, os Vingadores, ou os Campeões para deter Nefária do que reunir às pressas uma equipe de mutantes inexperientes, sendo um deles uma criança? E faz menos sentido ainda, mesmo para um universo alternativo, com “Deadly Genesis”, já que de acordo com esse retcon o professor X não só não entrou em depressão por causa da morte da primeira equipe de resgate que ele enviara à Krakoa, como também resolveu formar uma segunda e . Sendo assim, por que ele ficaria tão abalado com a morte dessa segunda equipe de resgate? Mas enfim, a leitura desse What If vale pela diversão e pelas referências a diferentes momentos da cronologia dos mutantes.

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      1. Sim, eu li a estória do universo Marvel regular que mostra e a morte do primeiro Pássaro Trovejante e o confronto entre os (então) novos X-men e Nefária. Mas convenhamos que aquela equipe tinha muito mais “poder de fogo” do que essa do What If, além de ser muito provável que os novos membros tenham recebido treinamento apropriado no período entre o retorno de Krakoa e o embate contra Nefária e seus Homens-Animais – digo “muito provável” porque confesso que não lembro. Convenhamos também que o teleporte realizado pelo Cérebro foi um artifício demasiado conveniente. Mas a graça deste What If é justamente as relações que os leitores podem fazer com os acontecimentos do universo 616.
        E Roy Thomas não precisa ser perdoado, pois sua contribuição para a história dos quadrinhos – como as excelentes estórias que ele escreveu para o Conan, por exemplo – o redime de quaisquer erros que ele tenha cometido.

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  14. Ainda bem que é na serie: O que aconteceria se….
    Por que se realmente tivessem morrido, seria o fim do quadrinho! Eu particularmente acho uma merda essa outra equipe!
    Mas enfim, o texto está ótimo, como sempre MB! =D

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    1. Não se esse livro me agradaria… alguns What If… são bem aproveitados, este não me fez sequer ficar curioso.
      😛
      Acho que é apenas um caça níqueis…
      😀

      Abraço

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