Hellblazer – A Cidade Dos Demônios

por Carlos Lenilton

Você, como bom nerd leitor de quadrinhos, deve conhecer o mago inglês John Constantine criado pelo também mago, e também inglês, Alan Moore para ser coadjuvante na série de terror e suspense The Saga of Swamp Thing #37, em 1985 nos EUA.

 

Após lograr boa popularidade tornou-se, junto de Monstro do Pântano e Sandman, de Neil Gaiman, o embrião do selo Vertigo, divisão da DC Comics para quadrinhos adultos. De início os personagens deste selo faziam parte do universo regular, mas depois o Vertigo tornou-se um universo autônomo. O personagem, então, migrou para uma revista própria escrita por Jamie Delano. Hoje é o personagem com o título de maior longevidade do selo e é tão popular que, mesmo após o reinício do universo DC e a consequente volta dos personagens desse selo para o universo regular, Costantine ainda conserva seu título mensal, independente e inalterado tendo, portanto, duas versões publicadas simultaneamente na editora das lendas.

Possuidor de vasta historiografia e de muitos fatos dignos de nota, tendo sido escrito por alguns dos melhores autores de quadrinhos tais como Jamie Delano, Garth Ennis, Brian Azzarello, Mike Carey dentre outros. Curiosamente, Alan Moore, nunca escreveu um único número de sua revista. Um fato específico, porém, se faz de necessário conhecimento para podermos falar de A Cidade dos Demônios. Trata-se da transfusão de sangue do demônio Nergal que corre nas veias de Constantine, ocorrida no hoje clássico nº 08 de sua revista mensal no ano de 1988 (acontecimento tão antológico para o personagem que ressoa até hoje). Se isso já salvou a vida do mago uma porção de vezes, aqui ela vai causar-lhe uma tremenda dor de cabeça. E não só nele, mas em toda Londres.

Após uma tentativa de assalto, Constantine que consegue reverter a situação usando seus dons sobrenaturais, é atropelado por uma caminhonete. Uma grave lesão em sua cabeça é a consequência imediata. Uma intervenção neurocirúrgica de emergência se faz necessária. Azar dos azares os cirurgiões encarregados da operação percebem, após exames feitos, que o que corre nas veias de Constantine é muito mais do que sangue normal. Há ali um mix de impurezas capazes de matar mais de uma dúzia de homens, afinal estamos falando de sangue demoníaco. Os médicos se apropriam de meio litro desse sangue e tem planos nada saudáveis para a sociedade.

Os médicos M. Young e J. Yorke começam a injetar o sangue do demônio em todos os seus pacientes buscando criar um exército para virar Londres de cabeça pra baixo e assim chamar a atenção de, pasmem, o próprio inferno. Cabe a John Constantine pôr ordem na casa.

Ao ler esse resumo alguém pode até achar a premissa desta minissérie interessante. Poderia mesmo ser nas mãos de um escritor mais habilidoso, porém Si Spencer não o é.

Para você entrar na “brincadeira” de Si Spencer terá que desligar o senso crítico e engolir todas as coincidências mais que convenientes que fazem a trama andar. Senão vejamos:

John é atropelado e vai parar num hospital onde tem que ser operado por dois médicos ocultistas. Outra: ao correr para se esconder da perseguição dos médicos, acaba indo parar, sem querer, no quintal de uma das pessoas transformadas pelo seu sangue e, graças a um aviso de geladeira, “entende” tudo o que se passa. Mais uma: durante sua permanência no hospital, ele fica sob os cuidados de uma enfermeira que, sozinha, descobre tudo que está havendo e bem antes de Constantine. E vai mais além, porém, esse além é um spoiler muito grande para ser entregue. São coincidências convenientes demais numa só estória.

A arte de Sean Murphy é um espetáculo à parte, mas não salva a estória. No final somos presenteados com um conto de Natal de Hellblazer produzido por ninguém menos que Dave Gibbons, mas já é tarde e o conto curto demais para te deixar um sorriso na cara.

Como fã do John Constantine não troco, não vendo e não dou, mas também não vou limpar a poeira.

Serviço:

Roteiro: Si Spencer
Arte: Sean Murphy
Cores: Dave Stewart
Panini Comics
132 Páginas
Nome Original: Hellblazer – City of Demons 1-5 & Vertigo Winter’s Edge #3
Lançamento Original: Dezembro/2010 – Abril/2011 & Janeiro/2000
R$ 18,90

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30 comentários sobre “Hellblazer – A Cidade Dos Demônios

  1. Gosto do John Constantine.
    Claro, tem histórias melhores, histórias piores, algumas são mesmo muito boas!
    Não conheço esta, e muito menos quem a escreveu… nunca tinha ouvido falar desse Si Spencer… o Sean Murphy tem coisas muito boas, sobretudo a preto e branco.
    Boa resenha, mas vou tentar ler este livro (online primeiro…) sem pensar nos spoilers…
    😉

    Abraço

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  2. Eu já gostei bastante dessa história. Ao contrário do estilo “harry potter adulto” do Mike Carey, o JC está aqui realmente caracterizado.

    Mas sobre a história, tem certeza que as coisas que você menciona são coincidências ao acaso?
    Afinal, como o final da história diz, estava tudo amarrado, apenas o John que não tinha visto.

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    1. Meu texto não questiona nenhuma vez a grandeza do personagem. Contudo achei Cidade dos demônios fraca. Ser fã do personagem não obriga-me a gostar de tudo que é lançado relacionado a ele.

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  3. A linha Vertigo eu adoro, John Constantine (inspirado na aparência original no Sting, que amOO) é minha série preferida (de quase todos imagino) já tive a possibilidade de ter essa edição e por não ser do Delano eu abdiquei … Mas agora vendo a arte, quem sabe? 🙂

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  4. Constantine é um ótimo personagem! A história parece ser muito interessante, mas também não gosto de coincidências demais. A arte esta demais, percebi até um pouco de inspiração em desenho japonês!

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  5. Para o Constantine, não existem coincidências. É o magnetismo sobrenatural dele que atrai este tipo de encrenca.
    Mas quando não usado moderadamente, resulta algo muito escrachado, daí.
    Não li esta obra, mas seria o caso dos médicos terem feito algum ritual no sangue coletado? Ou foi só transfusão básica?
    No mais, leio muito pouco do Constantine, e sua volta nos Novos 52 achei muito acertada.
    Por mais que o filme “pra criança” tenha me agradado, aquele não é o fdp ocultista que eu conheci.

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  6. Para você entrar na “brincadeira” de Si Spencer terá que desligar o senso crítico e engolir todas as coincidências mais que convenientes que fazem a trama andar.

    Isso é que mata… a ideia é até bacana, mas a execução… é horrível!! Contudo, a arte da HQ é fenomenal… eu ainda hei de cofrá-la justamente por causa da arte.

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  7. confesso que mesmo sendo fã de constantine fui seco pela arte do Sean Murphy mas, assim mesmo achei divertida essa história já que estou viajando nas profundezas do inferno com constantine e nergal na vertigo mensal heheheh……..boa postagem….

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  8. C.L., apesar das coisas fracas na história, você ressaltou que o argumento é legal – e é.
    não foi gratuita, sua crítica, saca?
    O povo acho que é COOL, que é ser Johnny Depp, falar mau por falar
    você apontou o problema e foi elegante com o autor
    bato palma para você e a equipe dessa história! 🙂

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  9. Essa apesar de não ser uma história do meu querido Jamie Delano, vale a pena ser lida, para quem é um drogadão como eu, com um bom cigarro e um bom conhaque, para quem for de coca…cola, aconselho cair matando, mas evitem de trazer líquidos e brasas para perto do monitor ou do papel…

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  10. Coincidentemente, li esse especial ontem e concordo, a história é mesmo bem rasa, fora o fato de que, não vou lembrar agora onde e quando, o sangue de Constantine já foi compartilhado antes e não teve esse efeito mostrado na história. A arte por outro lado é fantástica, já vale o “ingresso”. O conto de natal apresentado no fim da revista já foi publicado antes pela Opera Graphica e pela Pixel Media… Ou seja, é a terceira publicação que compro com a mesma história… Rs… Apesar de ser um bom conto, parece que também é um bom tapa buraco… Ótima resenha, parabéns!

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  11. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    segunda: resenha de Wolverine e os X-men – Marvel comics

    Terça: resenha de Aquaman – DC comics

    Quarta: A Cidade dos Demônios – VERTIGO

    Quinta: Teles to Astonish -A estréia do grande Homem formiga!!!

    Sexta: Frankenstein Agente da S.O.M.B.R.A. – DC comics

    Sábado: Os Novos Deuses de Jack Kirby

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