Ippon no inseto!!! – A primeira história do Homem Formiga

por Venerável Victor “minúsculo tratador de macacos de um centímetro” Vaughan

Vamos encolher?

Quote1.png Nunca mais Henry Pym pisou em qualquer colônia de formigas, porque agora ele sabia que em algum lugar, embaixo da terra…estava um pequeno inseto, uma pequena formiga à qual ele devia sua própria vida! Quote2.png
                               

Capa de Jack Kirby

Seria interessante se tivesse vivido nessa época e assim como muito “true Belivers” da Casa das Ideias tivesse a lembrança da sensação de ler essa edição recém saída, mas possivelmente muitos da minha geração só chegaram a colecionar Marvel duzentas, trezentas edições a frente dessa.

Dessa mesma época, consegui ler umas vinte e cinco edições e quem tiver oportunidade de ver esse material entenderá porque ele se tornou na época, década de sessenta, um dos heróis mais queridos da editora, vindo a se tornar tempos depois, membro fundador dos Vingadores.

Nessa revista o grande público é apresentado para Henry Pym, um cientista que é ridicularizado pela comunidade científica, mas continua seu sonho de trabalhar com projetos que falem mais alto à sua imaginação. Seu projeto preferido envolve um soro que faz com que qualquer objeto se torne muito pequeno e posso depois retornar para suas dimensões originais. Ele acredita nas propriedades práticas de tal maravilha, como por exemplo: reduzir armadas inteiras de navios, tanques e equipamentos no geral e transportá-los de uma única vez em um simples avião para onde seriam melhor usadas – afinal de contas o exército seria naturalmente o maior benemérito e incentivador de tal invento. Sim, ele é um cientista louco, mas acredita que tudo que cria seja visando um bem maior, talvez os Estados Unidos ainda mais imperialistas…

Stal Lee, Jack “o rei” Kirby & Larry Lieber

Claro, que como todo bom cientista louco que se preze, ele teria que testas seu invento em si próprio. E para um cara tão genial, ele é um completo idiota ao se tornar tão pequeno, mas deixar o soro que o faria retornar ao normal em uma escrivaninha ao lado de uma janela. Vocês pensariam: ele poderia ter o soro em seu bolso, que encolheria junto com ele, não é mesmo? Mas se ele fizesse isso, não teríamos a aventura, devotos do Santuário, certo?

Acontece que assim que Henry encolhe, ele se amedronta – natural -, vagueia do lado de fora de seu laboratório e acaba encontrando um grupo de formigas que decidem atacar o invasor, afinal por alguma razão idiota, o senhor Pym acho que dar uma olhada na fazenda de formigas que mantinha em casa seria uma boa ideia. Não é lá uma atitude novamente muito inteligente, mas o cara estava amedrontado e fazendo cada vez mais coisas estúpidas, sorte nossa.

Ele corre das formigas gigantes direto para o lugar onde fica sua comunidade e acaba ficando preso em uma gota de mel, vocês sabiam que as formigas também coletavam mel para seu habitat? Eu não. Tudo parecia perdido, mas aí é que chega uma formiga amigável que o ajuda a sair dessa enrascada e ainda o dá uma carona em seus costas até a distante prateleira onde estava lhe esperando o soro do crescimento. Ele entra no tubo de ensaio, volta a seu tamanho normal e a primeira coisa que ele faz, após exclamar:

“Eu estou normal de novo! Sou novamente um homem!”

É jogar o soro na pia da cozinha, alegando que aquela invenção era algo perigosa demais para alguma vez ser usada por um ser humano.

Não fica exatamente claro o que o faz mudar de ideia depois e novamente recriar o soro (hoje em dia, partículas Pym), mas os diversos fãs de quadrinhos pelo mundo agradecem que ele tenha feito isso. Já que como o cinema americano nos provou diversas vezes em filmes como: “Queria encolhi as crianças”; “Os Borrowers”; “O incrível homem que encolheu”, que estar muito pequeno pode render aventuras muito interessantes.

Nessa história que discutimos aqui, um dos momentos mais interessantes e convenientes para os jovens que a leram há quase cinquenta anos atrás, é quando o minúsculo Pym encontra um palito de fósforo perdido ao lado da fazenda de formigas e o risca no chão para provocar a chama, o fogo distrai e assusta as agressoras momentaneamente, mas a formiga mais forte e agressiva supera o medo e o captura, Henry Pym então fala: “Uhhh…forte…muito forte para mim! Mas eu tenho uma vantagem! Um cérebro humano… Que aprendeu a arte do judô!” E ele aplica um golpe na formiga!

Convenhamos! Um ippon numa formiga? Isso é o suprassumo da Era de Prata!!!

Eu acredito que os irmãos e co escritores dessa maravilhosa história, Stan Lee E Larry Lieber, desde o início viram o potencial desse conto para a época. Tales to Astonish, desde o início foi uma revista voltada para aventuras curtas de horror e suspense. The Man in The Ant Hill nunca foi pensado em ser a possível origem de um novo grande super herói Marvel. Os leitores escreveram para a editora aprovando, pedindo mais e o que quer que os leitores quisessem – naquela época, lógico – tinham!

Desde sua primeira aparição nessa história, a aparência de Henry Pym melhorou, para que assumisse um arquétipo de beleza e perfeição que os super heróis obedecem As formigas da capa são pintadas de verde, as de dentro, na história são vermelhas. Sim, existem formigas vermelhas e você não gostaria de ser picado por uma. Seria proposital ou mais um erro de impressão tão recorrente da época e que depois nos concedeu um Hulk que originalmente seria cinza, verde? Seria essa uma mensagem subliminar para dizer que essas formigas eram aliens? Afinal nos anos sessenta, verde era a cor usada pelos criadores para dizer que algo era oriundo do espaço sideral. E alienígenas também vendiam muito revistas quando estavam nas capas, assim como macacos até os dias de hoje! De qualquer forma, só o rei Jack Kirby é que saberia o que faria uma capa nas prateleiras das comic shops mais apelativo para seu público!

Enquanto Henry Pym estava tendo sua aventura com as formigas de sua casa, ele estava usando uma camisa branca e vestindo calças azuis, além de seu habitual cabelo loiro. Totalmente diferente do cara da capa da edição, talvez aquele seja algum outro idiota genérico que resolveu encolher apenas para passar “perrengue”. Assim são os fetiches de cada um, imprevisíveis e jogue a primeira pedra quem não os tem!

Mais uma coisa sobre essa história curta, mas emblemática. O primeiro encontro do cientista Henry Pym com as formigas é amedrontador e com a exceção de uma amigável formiga, todas as outras queriam ataca-lo. Muito tempo depois desse conto, Pym descobre como se comunicar com elas, e após isso elas não só seriam suas melhores amigas, mas também suas servas. Acredito que a mensagem aqui é óbvia:

Se nós fizermos o esforço para nos comunicarmos e aceitarmos as diferenças de cada um de nós, não apenas iremos superar o preconceito, mas também nos tornarmos amigos e até mesmo, ajudarmos um ao outro.

Vocês conhecem  “O Baile dos Enxutos”? Que tal cometer a mesma burrada de Henry Pym e se aventurar nesse site? Click na imagem! 

Parabéns pela arte maravilhosa, Dr. Manhattan!!!
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76 comentários sobre “Ippon no inseto!!! – A primeira história do Homem Formiga

  1. Matéria muito bem escrita, realmente este é um site de nível e com um design delicioso rs ms cá entre mós essa lição de moral no fim da história… só na cabeça do Triplo V mesmo!

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  2. Mas é claro que o safado do Stan Lee mandou pintarem aquelas formigas de verde pra se passarem por aliens, você ainda tem dúvidas? Agora, se ele tivesse colocado macacos coadjuvantes venderia ainda mais, claro, mas nem o velho Stan seria tão safado…. (ou ele não pensou nisso na hora…? rsrs..)
    Adorei conhecer o passado do Homem Formiga, nem fazia ideia de que tudo tinha sido desse jeito… acho uma injustiça ele não ter participado do filme dos Vingadores (ou ele estava lá encolhidinho?)… Quem sabe na continuação…

    Parabéns pela ótima matéria, uma pequena leitura que engrandeceu o meu dia!

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  3. Que clássico! Do fundo dos mais profundos pontos cósmicos para o Santuário. História clássica, simplória e de resolução mais simplória ainda, esse era o grande e querido padrão das histórias dessa era. Não sou um grande fã do formiga, mas nutro uma certa compassividade por ele, por conta do seu carisma e outras qualidades. Gostaria de salientar a sua participação em Os Supremos. Aquela “briguinha”, naquele certo bar, com o “capitas”, foi épica.

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      1. é, talvez ele deve ter ligado a água da torneira, e a tubulação esteja molhada, diminuindo ou neutralizando o poder do soro

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  4. O personagem e o texto.. tudo bem.
    Mas agora, o título da matéria? SENSACIONAL!
    😀
    Se tiver uma referência a esta hq no filme, vai escorrer uma lágrima de pura felicidade aqui!

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  5. Bom momento histórico Victor!
    Não conhecia a 1ª história do anormal do Pym… é típica da era de Prata (ou Ouro), ou seja,dentro daquilo que já é non-sense, ainda consegue mais non-sense. Mas divertido! E não é isso que procuramos quando lemos comics? Objectivo cumprido!
    😀

    abraço

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  6. Isso serve para muita gente ver que a importância e legado desse personagem vai além do que se imagina e outra, não é qualquer um que faz o que ele fez com uma formiga gigante, vai o Anderson Silva encolher e fazer? Vira comida de inseto!

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  7. Quadrinhos que se assumiam quadrinhos e não temiam o ridículo ou o bizarro em nome da diversão. Me agrada.
    O ippon na formiga não é só o supra-sumo da era de prata mas também da ideia que Stan Lee tinha de lutas. TUDO pra ele era judo. Há até a história em que a Mulher Invisível diz que aprendeu judo com um dos maiores mestres do mundo: Reed Richards.

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  8. otimo texto Victor, como sempre. Bem eu nunca gostei dele, tive o prazer de ler algumas revistas antigas por causa de tios, primos, mas ele nunca me atraiu kkkkk acho que se fosse hoje me atrairia mais. Desde muleque não era muito fã da marvel, sempre tive uma preferencia pela dc.
    preferia o besouro azul kkkkk

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  9. “Se nós fizermos o esforço para nos comunicarmos e aceitarmos as diferenças de cada um de nós, não apenas iremos superar o preconceito, mas também nos tornarmos amigos e até mesmo, ajudarmos um ao outro.”
    Ou, quem sabe, consigamos escravizar os outros e obrigá-los a agir conforme nossa vontade, como Hank Pym faz com as formigas!
    Brincadeiras à parte, essa estória me faz lembar de um antigo jogo de super nintendo, cujo nome eu não consigo me lembrar, no qual o protagonista é um cientista que encolhe e se aventura pelos cômodos da casa, enfrentado insetos, escalando a mobília, etc.

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  10. Espero nunca encolher… fiz muitos inimigos-formiga ao ganhar minha primeira lupa e usá-la para propósitos malígnos… aeuhaeuhaeuhauhuehauehuheu

    Vocês conhecem ”O Baile dos Enxutos”? Que tal cometer a mesma burrada de Henry Pym e se aventurar nesse site? Click na imagem!
    A diferença é que no buraco em que se meteu, o Dr. Pym encontrou ao menos UMA formiga amistosa… já lá no bdE… sei não, hein EAHAEUHAEUHEAUHAEUHAEUAHEUHAEUHAE

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  11. Bem legal esse texto. Eu não curto muito ler histórias antigas, mas essas histórias de ficção científica me deixam com um pouco de vontade de ler. é legal como a FC antiga era “bizarra”(no bom sentido), mas agradava bastante justamente por esse caráter insólito.
    Bem que no futuro filme, os produtores poderiam usar um estilo de ficção científica à la “The Outer Limits”, não? Ficaria bem legal. Imagina se o filme fosse focado no terror que uma pessoa sentiria ao encolher e se ver cercada de formigas?

    Agora, sobre as cores, como você menciona o verde como uma alusão aos alienígenas, será que as formigas vermelhas representam o modo como os EUA viam os comunistas? Ou é apenas porque as formigas vermelhas são mais “selvagens”?

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  12. Amigo Venerável Victor, embora menciones no final que “a mensagem é óbvia”, talvez tu, eu e todos nós recusaríamos ter uma formiga gigante (do nosso tamanho, logo gigante aos olhos delas) a comandar-nos no que fosse. Mas, claro, esse é o universo das HQs.
    Quanto ao ippon na formiga…é por momentos de humor como este e outros que vale muito a pena ler as tuas resenhas. 😀
    Longos Abraços!

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  13. Caras, como era feioso o Henry Pym. Hahahahaha! Muito curioso o post, deu uma vontade doida de ler a história. Tomara que o vindouro filme do Homem-Formiga seja “grande”! Valeu Venerável Victor!

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  14. Sei que não terá nada a ver meu comentário..mas me fez lembrar em um desenho animado: de um casal de irmãos negros que eram Homem-borracha e Mini-Mini… Por onde eles andam???
    Isso é um trabalho para o Venerável Macaco Detetive..rsrs

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  15. É incrivel como essas histórias antigas eram simples,mas tinham uma magia que não se encontra nas histórias de hoje(com raras excessões).O “ippon”na formiga é sensacional!Valeu Venerável,por ter recordado essa aventura!

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  16. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    segunda: resenha de Wolverine e os X-men – Marvel comics

    Terça: resenha de Aquaman – DC comics

    Quarta: A Cidade dos Demônios – VERTIGO

    Quinta: Teles to Astonish -A estréia do grande Homem formiga!!!

    Sexta: Frankenstein Agente da S.O.M.B.R.A. – DC comics

    Sábado: Os Novos Deuses de Jack Kirby

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