OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – Quando as estrelas começarem a cair…

Nada poderá se interpor entre o meu destino e eu. Nem mesmo o infinito vazio da inexistência ou as lacunas do esquecimento…

Resenha de “Novos Deuses” #13 de John Byrne (texto e desenhos), Bob Wiacek (arte-final) e Rick Taylor (cores).

Esse quarto volume do título foi publicado em 1996 nos EUA, e em 2002 no Brasil dentro da revista “DC Millenium” da Brain Store Editora.

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

New Gods # 13: A NOITE DO CÉU CADENTE

Capa de Walt Simonson

Um corpo celeste flamejante rasga os céus de Metrópolis, no que poderia ser apenas mais uma estrela cadente entre tantas… mas curiosamente, apenas algumas poucas pessoas da enorme cidade avistaram o objeto: Cláudia Shane, Dave Lincoln, Victor Lanza e Harvey Lockman. Não por acaso, são os humanos resgatados de Apokolips por Órion tempos atrás, quando Darkseid procurava nas mentes terrestres o segredo da Equação Antivida. Os quatro deram abrigo para Órion quando ele precisou se estabelecer na Terra para investigar as intenções de seu pai, e até mesmo lhe deram um nome terrestre: “O´Ryan”. Mas embora eles não tenham notícias dos deuses há muito tempo, sentem-se compelidos a ir até o local onde o misterioso objeto caiu, onde encontram uma armadura… que ao abrir-se, revela um debilitado Órion.

Eles o levam para o apartamento de Cláudia, porém são surpreendidos por um Tubo de Explosão que abre caminho para um conhecido deus de Apokolips, que tem assuntos mal resolvidos com eles. Desaad, o torturador, acompanhado de seus aniquiladores. E Órion continua ferido, sem condições de lutar. Longe dali, Metron e os garotos Wes e Steven são abordados por Grande Barda e Senhor Milagre, alertados da presença dele por suas Caixas Maternas. Eles querem explicações, pois não conseguem abrir um Tubo de Explosão para Nova Gênese… simplesmente como se o lugar não existisse mais! Eles contam que, numa tentativa pouco convencional, Scott Free, o Senhor Milagre, montou um aparelho capaz de abrir um portal estelar para seu planeta natal, mas o portal o levou a um imenso nada que quase o consumiu e de onde ele não teria conseguido fugir sem a ajuda de sua esposa Barda e seu amigo Oberon.

Os meninos revelam a suposta traição de Metron, descoberta por eles anteriormente, mas nem ele mesmo lembra se tem alguma culpa no que houve. O ser conhecido como Tákion se junta a eles, e embora também não tenha muitas respostas, diz que precisa unir esforços com o grupo para evitar uma catástrofe profetizada pela Fonte. Tákion não é exatamente um cidadão de Nova Gênese; ele é um ser criado pelo Pai Celestial. A finalidade de sua criação é um grande mistério, mas ele acredita que agora eles estão próximos de descobrir a verdadeira razão de sua existência: um ato de desespero de Izaya e sua última tentativa de evitar o fim do universo.  Mas se Apokolips e Nova Gênese realmente foram aniquilados, já não será tarde demais?

Ao assumir esse título, John Byrne estava tentando continuar de onde Jack Kirby parou, ou o mais próximo possível disso. A incompleta história dos Novos Deuses tem várias interpretações, feitas por grandes artistas que sucederam Kirby ao dar continuidade a mitologia erigida pelo “Rei”, mas a verdade é que ela ganhou proporções… cósmicas, e diversas vertentes de pensamento levando os deuses a caminhos distintos. Jim Starlin nos mostrou sua visão da Equação Antivida na minissérie Odisseia Cósmica, onde a mesma seria um ser consciente e disposto a devorar o universo de matéria positiva. Ele teria sido criado pelos velhos deuses ao desencadearem a destruição de seu mundo com suas máquinas do apocalipse, a mesma destruição que resultou no surgimento dos planetas Nova Gênese e Apokolips. Mais recentemente, Grant Morrison fez seu famoso retorno ao básico, quando utilizou esses personagens na mega saga Crise Final. Nesta história, a Equação Antivida foi retratada de uma modo mais próximo ao proposto por Kirby: uma poderosa arma conceitual capaz de suprimir a vontade própria dos seres vivos e fazer deles criaturas submissas e obedientes a apenas uma mente, apenas uma voz: a de Darkseid.

A versão de Byrne para os Novos Deuses acontece entre as histórias de Starlin e Morrison, e não se aprofunda especificamente na ameaça da Equação Antivida, mas sim numa hecatombe de proporções bíblicas capaz de finalizar definitivamente o capítulo da vida em todo o cosmos. Com essa ameaça abstrata sob suas mentes, os deuses precisam se unir para que juntos possam realizar o impossível e garantir a continuidade da existência como a conhecemos. A trama em si não tem muitas surpresas, nem chega perto de ser algo revolucionário. Mas a trajetória dos personagens dentro desse cenário é que faz a história ser divertida, até mesmo para os que não conheciam os deuses de Kirby. John Byrne ainda desfruta de uma arte agradável aos olhos, fazendo os clássicos personagens de Kirby e alguns novos desfilarem imponentes pelas páginas da revista. É empolgante vê-los todos reunidos em um mesmo título, já que não era muito comum que se encontrassem quando Kirby publicava seu Quarto Mundo… cada grupo de deuses tinha seu próprio título e seus próprios problemas, que raramente se cruzavam. Byrne optou acertadamente em reunir todos os personagens e elementos do Quarto Mundo na mesma revista, tanto que ela só perduraria com o título de “New Gods” até o número 15. Desse ponto em diante, ela voltaria a ser publicada do número 1 com o nome de “Jack Kirby’s Fourth World”… …mas a gente fala mais sobre isso no futuro.

Leia a matéria anterior AQUI!

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20 comentários sobre “OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – Quando as estrelas começarem a cair…

  1. Só um cara como o Byrne (e seu fiel escudeiro Wiacek) prá continuar o Legado de duas famílias tão distintas, com histórias e personagens tão interessantes e introduzir novos, e coadjuvantes tão interessantes. Espero que nessa reformulação da DC possamos ver tudo isso denovo e que possa honrar todos estes que já vieram e deixaram a sua marca!!!

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    1. Uma nova versão dos Novos Deuses feita por pessoas competentes é tudo o que agente poderia desejar, Nilson… quem sabe uma nova geração de autores não pode nos surpreender positivamente?

      Abraços!!

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    1. Obrigado querida… eu também acho isso, e gostaria que esses personagens tivessem mais espaço na editora. Fiquei feliz com o uso de Órion nas atuais histórias da Mulher Maravilha e espero que isso abra caminho para um nova publicação dos Novos Deuses!!!

      Abs!

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  2. Esse Táquion, volto a falar é bem a cara dos seres cósmicos genéricos que o Byrne costuma fazer , seja na Marvel seja na DC, nada contra, mas ele foi tão ególatra em colocar um personagem SEU, no universo do Kirby que as vezes pensando nisso me faz sentir desprezo (gosto dele, mas as vezes ele é dose). Não faltaria Novos Deuses para ele trazer da obscuridade e atá repaginar, caso quisesse.Tirando isso, eu agradeço ao roteirista por da forma dele, popularizar mais um pouco esses personagens maravilhosos, ótimo trabalho como sempre, Garrit! Que venha mais um sábado, todos são maravilhosos com você a frente do Quarto Mundo!!! 🙂 😉 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂

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    1. Victor, concordo totalmente com sua posição sobre o uso dos personagens pelo Byrne, mas só um detalhe, no caso deTákion, ele já havia aparecido pouco antes numa minissérie em sete partes, e foi criado por Paul Kupperberg e Aaron Lopresti. Nas próximas matérias vou falar mais detalhadamente sobre esse personagem, ele nunca teve muitas publicações no Brasil e os leitores daqui têm muitas dúvidas sobre quem é ele. Eu mesmo “boiava” toda vez que ele fazia alguma ponta em alguma publicação nacional.

      Obrigado amigão!

      Abraços!

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  3. Quanto mais acompanho as resenhas hiper-detalhadas da série dos Novos Deuses mais aumenta minha decepção com as grandes editoras brasileiras que ignoraram e continuam a ignorar esta obra. Quando em nome de Izaya poderemos tê-la em nossas mãos????

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    1. Esse é dos itens que adiciono a minha “Biblioteca dos Sonhos”… opa, mas não vamos confundir deuses com os Perpétuos de Neil Gaiman…até porque os deuses deixam de existir se ninguém acreditar mais neles. E os Perpétuos são… perpétuos…

      Meio que fugi do assunto né? rsr

      Abraços!

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  4. Muito bom, Vaughaniano. Muito bom mesmo!

    Sou seu fã e sei que sabes disso. Muito obrigado pelos minutos de ótimo entretenimento.

    Forte abraço!

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