OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – Poder para o Povo… hoje, amanhã e para sempre!

Como lutar quando o inimigo é invisível, composto apenas de névoa e loucura? Como enfrentar o que não tem substância, uma fera sem rosto… o caos puro e definitivo? A própria Fonte foi envenenada. Como combater o inimigo se ele for meu reflexo no espelho…?

Resenha de “Novos Deuses” #14 de John Byrne (texto e desenhos), Bob Wiacek (arte-final) e Lee Loughridge (cores).

Esse quarto volume do título foi publicado em 1996 nos EUA, e em 2002 no Brasil dentro da revista “DC Millenium” da Brainstore Editora.

Por Rodrigo Garrit

Contém spoilers revelações sobre a história

 

New Gods # 14: A TEMPESTADE QUE AGREGA

Capa de Walt Simonson

Os jovens deuses de Nova Gênese conhecidos como o “Povo do Amanhã” (Forever People no original – já traduzido como “Povo da Eternidade” em outras ocasiões) materializam-se em pleno deserto do Arizona, Terra. Eles não têm a menor de ideia de como chegaram e nenhuma lembrança recente dos últimos catastróficos eventos que culminaram com a suposta destruição de Apokolips e Nova Gênese, que teriam colidido e decretado sua aniquilação mútua.

Mark Moonrider, Bela Sonhadora, Serifan e Grande Urso ainda estão desorientados, quando sentem falta de seu companheiro Vykin e da Caixa Materna que os cinco compartilham. Diferente dos outros deuses que possuem Caixas Maternas individuais, esses jovens dividem o mesmo dispositivo, mas sua Caixa Materna é especial, pois está ligada diretamente a essência de cada um desses cinco jovens, que podem utilizá-la para se fundir em único ser ao dizerem a palavra “TAARU”. Isso desencadeia a transformação deles no deus conhecido como “Homem Infinito”, cujo poder rivaliza até mesmo com o de Darkseid.

Outros dois sobreviventes se juntam ao grupo: Magtron e Takion. Mas eles estão tão confusos sobre tudo quanto eles. Bela Sonhadora usa seu dom de acessar as mentes alheias em Magtron, numa tentativa de esclarecer o mistério, mas tudo que consegue é ser bombardeada numa projeção mental compartilhada por todos que mostra a colossal figura de S´IVAA, uma abominação ancestral que permaneceu adormecida sob os oceanos de Nova Gênese por séculos e agora se encontra liberta e furiosa. O refluxo psíquico fez Bela Sonhadora perder os sentidos, e o mistério, além de continuar sem solução tornou-se mais perturbador.

Tákion usa seu poder para recuperar a “Super Moto” do Povo do Amanhã, veiculo equipado para viajar por vastas distâncias e também localizar a Caixa Materna deles, e com sorte o desaparecido Vykin. Porém nada é localizado, deixando duas possibidades: ou eles estão fora de alcance, o que significaria algo em torno de milhares de anos luz dali… ou mortos.

A Caixa Materna não é um simples computador. Alguns afirmam que ela possui até mesmo uma alma, e quando ligada ao seu usuário (ou usuários no caso do Povo do Amanhã), é capaz de dar a própria vida por eles, nutrindo um amor incondicional que a alimenta e fortalece.

Longe dali, Senhor Milagre, Grande Barda, Metron, Oberon e os garotos Wes e Steven decidem buscar a Poltrona Mobius de Metron escondida por Wes, numa tentativa de compreender o caos que os cerca. Scott Free ainda não está convencido da destruição de Nova Gênese e não se deixa levar pelo desespero. Barda tem em mente apenas sua vingança contra quem provocou tudo isso. E Metron… ele simplesmente se cala, experimentando um sentimento raramente acolhido pelos deuses: medo.

Em Nova York, um outro grupo está reunido: os terrestres David Lincoln, Harvey Lockman, Victor Lanza e Cláudia Shane, esta última sendo torturada por Desaad que também busca respostas sobre o fim dos planetas gêmeos e o desaparecimento de seu mestre Darkseid. Órion continua desacordado, ferido e muito enfraquecido, como se tivesse acabado de lutar numa batalha de proporções exacerbantes até mesmo para um guerreiro do nível dele. Esses humanos são velhos amigos de Órion e Magtron, e certa vez Darkseid os sequestrou buscando em suas mentes primitivas fragmentos do que ele acreditava ser a chave para o controle da Equação Antivida, mas isso não interessa a Desaad no momento. Ele quer respostas. Mas a tortura por si só lhe concede tamanho deleite a ponto de se tornar mais importante do que o fim dos mundos…

A Caixa Materna de Órion quase se exaure na tentativa de curá-lo, mas obtém êxito parcial… ele desperta, ainda que enfraquecido demais para lutar. Ele avança com sua conhecida fúria, libertando seus amigos da tortura de Desaad, mas mesmo o franzino torturador tem vantagem sobre o debilitado Órion, que desaba aos seus pés, quando Desaad ateia fogo no filho de Darkseid, que grita de dor. “Eu enviarei você de volta à Fonte, Órion” diz Desaad com seu sorriso diabólico característico. Mas o guerreiro não conhece o conceito da desistência. Com suas últimas forças, ele abraça Desaad, engolfando-o com as chamas apokolipticas.

“Se eu for para a Fonte, Desaad… levarei você comigo”!

E ambos desaparecem deixando apenas fumaça sobre o piso chamuscado.

Os Paradêmonios que acompanhavam Desaad cumprem sua última programação: matar todos os humanos! Mas providencialmente Magtron, Tákion e o Povo do Amanhã chegam nesse exato momento dando cabo deles. Eles haviam rastreado a Caixa Materna de Órion, mas chegaram tarde demais para ajudar…

Ao mesmo tempo, em um lugar que não é lugar, em um tempo que não é tempo, o Pai Celestial tenta convencer o jovem deus Vykin a compactuar com ele num plano moralmente insidioso. Vykin, que fora separado de seus companheiros do Povo do Amanhã numa manobra questionável e ainda misteriosa de Izaya, considera sua oferta obscena e usa sua Caixa Materna para abrir um Tubo de Explosão que o leve para junto de seus amigos, mesmo sob os protestos do Pai Celestial, que o previne sobre um terrível perigo…

O Tubo de Explosão é desviado de sua rota, fazendo Vykin ser lançado em um local desconhecido, onde fica frente a frente com Darkseid.

O senhor de Apokolips também tem uma proposta para Vykin. E comparada a ela, ele vai desejar não ter recusado a oferta do Pai Celestial…

John Byrne mantém uma trama interessante, instigando a curiosidade do leitor sobre os acontecimentos que teriam provocado a derrocada dos mundos dos deuses. Nessa edição, o Povo do Amanhã encontra pela primeira vez com os amigos humanos de Órion, embora eles tenham sido criados por Jack Kirby no mesmo período, atuavam em revistas distintas e embora interligadas, não havia proximidade entre eles. Essa interação dos personagens do assim chamado “Quarto Mundo de Jack Kirby” é uma das coisas mais empolgantes para os fãs das antigas, ou aqueles que começaram a mergulhar agora no mundo criado pelo “Rei”. A caracterização de Byrne para cada um deles é precisa, e as possibilidades de boas histórias abrem um longo caminho a ser seguido. Byrne é um autor polêmico e sua carreira está cheia de altos e baixos. Mas digam o que disserem, seus desenhos para essa fase dos Novos Deuses melhoram a cada edição, trabalhados na medida certa, sem nenhum sinal de “preguiça”,  retomando o estilo que fez com ele seja um dos artistas mais amados dos quadrinhos.

Claro que não é nenhum Jack Kirby. E nem precisa ser.

Ele é John Byrne.

Leia a matéria anterior AQUI!

Anúncios

25 comentários sobre “OS NOVOS DEUSES de JACK KIRBY – Poder para o Povo… hoje, amanhã e para sempre!

  1. Minhas preferências aqui não são segredo. Eu sou marvete assumida, mas gosto de algumas coisas da DC entre elas, sem sombra de dúvida qualquer trabalho do Jack Kirby, lógico afinal sem ele não existira Marvel. Na DC, Etrigan, kamandi, Omac (mesmo!!!rsrs),todo o Quarto Mundoi e até a passagem dele pelo Arqueiro Verde me interessa. E apesar de muita gente falar mau do reboot, o fato dos Novos Deuses estarem mais ligados à Liga da Justiça e à Mulher Maravilha só faz com que eu cada vez mais me sinta mais a vontade com a DC. Parabéns pelos sábados de Jack Kirby, Rodrigão!!!! 🙂 😉 🙂

    Curtir

  2. Sabendo, pelo Rodrigo, que os personagens criados por Kirby não interagiam entre si durante a passagem do “Rei” pelo universo dos Novos Deuses torna-se cada vez mais instigante essa série capitaneada por Byrne. Deve ser extremamente prazeroso ver e ler os Novos Deuses e O Povo da Eternidade juntos. Aguardando os próximos capítulos.

    Curtir

    1. Obrigado amigo… bem, houveram pouquíssimos e rápidos encontros, mas as séries seguiam bem independentes umas das outras. Os personagens humanos, amigos de Órion, só conheceram o Povo do Amanhã nessa edição do Byrne, por exemplo.

      Abraços!!

      Curtir

  3. Véi na boa, li umas histórias muito ruins do john byrne, e com uns desenhos tudo tortos… MAS nessa época ele ainda mandava benzaço e baixei uns scans dos x-men antigos que ele desenhou que são foda……! (sou fanático pelos mutantes mas leio de tudo).

    Curtir

    1. Ninguém pode dizer que o Byrne não seja polêmico, não tenha altos e baixos… mas analisando sua obra como um todo, o saldo é muito positivo.

      Abraços Johnny… obrigado por divulgar!!

      Curtir

  4. Como eu vibro ao ler tudo isso, não li todas as edições de forma ordenada, nem mesmo completa, mas nada, nada, nada é mais importante para mim que os Novos Deuses de Jack Kirby! Sim…Sou uma putinha do Rei, melhor ser desse ‘rei”, do que daquela “cara que pensa em você toda hora, que conta os segundos se você demora”…putzgrila, ô cara chato essa da música, que não tem mais o que fazer! Só mulherzinha para achar isso legal.

    E o Tákion? Até agora só uma desculpa do Byrne para colocar uma estátua do Oscar pelada na trama, uma criação sua entre o panteão de Novos Deuses…. 😉

    Curtir

        1. Fala a verdade Victor você não consegue resistir, não consegue tirar esse refrão da cabeça. Você olha no espelho e não consegue evitar em dizer…

          ESSE CARA SOU EU!

          uahuahauhauhahaaa!!!! =)

          Abs!

          Curtir

  5. Que cataclisma!!!!! Onde vai dar esse passeio do Desaad. Confesso que na época não acompanhava este título da Brainstore. Somente as minisséries. Mas o material é muito bom. Intrigante e prende a atenção!!!!! O povo da Eternidade é uma das equipes mirins que eu primeiro aprendi a admirar como a Brigada Jovem (http://img10.imageshack.us/img10/7461/44909114472299560teenbr.jpg) e também os Newsboy Legion (http://images.wikia.com/marvel_dc/images/0/02/Newsboy_Legion_005.jpg). Grandes exemplos de coadjuvantes que ao meu ver se tornam até maiores que seus superiores!!!! O traço do Byrne me lembrou vagamente o de Walter Simonson (não me lembro de haver trabalhos dele como Quarto Mundo, mas se tiver é bom que se arranje um espaço prá ele também!!!!). Onde será que vai levar tudo isso??????

    Curtir

    1. O Walt Simonson que fez muito sucesso no Thor da Marvel, estava à frente da revista dos Novos Deuses até o nº 11, quando Byrne assumiu, mas ele continuou fazendo as capas e uma revista solo do Órion. Infelizmente nada disso foi publicado no Brasil, nem mesmo a minissérie de Paul Kupperberg e Aaron Lopresti onde eles criam o personagem Tákion, que apareceu de supetão em edições nacionais e eventos como “A Noite Final” e ninguém entendeu nada… eu pelo menos boiei na época!

      Eu também gostava muito da Legião Jovem e do Guardião… histórias muito divertidas!

      Abraços!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s