HOMEM ANIMAL – Deus Ex Machina de Grant Morrison

por Venerável Victor  “Macaco Humano”  Vaughan

Porque as boas histórias nunca morrem! Essa matéria foi originalmente publicada por esse sacerdote no site irmão: O Baile dos Enxutos!

Homem Animal – criado por Dave Wood & Carmine Infantino

Grant Morrison, Chas Truog & Brian Bolland (com arte final de Paris Cullins

No ultimo ano, os Novos 52 foram um dos principais motivos de debates e discussões. Muitos leitores se perguntavam se a antiga continuidade ainda contava de alguma forma, se as histórias clássicas ainda valiam e quais os personagens que não mais existiriam nesse novo universo da editora. Mas essa não foi a primeira vez que todas essas perguntas foram feitas na história dos quadrinhos. Após a saga revolucionária Crise nas Infinitas Terras, onde a DC combinou todas as realidades alternativas e continuidades que publicava em uma única linha editorial, o roteirista Grant Morrison provou a viabilidade da ainda existência de personagens esquecidos e roteiros antigos através da sua história: Homem Animal – Deus Ex Machina, onde Buddy Baker, também conhecido como o Homem Animal, conhece cara a cara o seu criador, bem… Pelo menos o escritor que trabalhava com ele na época.

Morrison quebra a quarta parede, ao fazer o herói descobrir que vive dentro de uma revista em quadrinhos. Ao contrário de personagens como o Deadpool e a Sensacional Mulher Hulk na fase Byrne, que usavam desse recurso como uma desculpa para fazer comédia, Morrison faz com que isso se torne uma ferramenta para uma discussão existencial e desafia Baker a questionar duas coisas: o porquê que coisas ruins acontecem com os super heróis e quem é o responsável por toda sua miséria.

A trama é a seguinte. Após o assassinato de sua família, Buddy vai à procura do responsável, se entregando a um comportamento agressivo numa jornada através do grande vazio branco que existe além dos painéis de sua própria história. Onde encontra personagens esquecidos como o Capitão Cenoura, o Ultraman e até o Fantasma Gay (sim ele existia).

É incrível poder acompanhar o crescimento de um personagem de Terceira classe, como o Homem Animal, alguém que tinha histórias sofríveis no passado e poderes ridículos se tornar um dos maiores campeões da vida na Terra. Baker é um homem que apenas quer fazer o que é certo, mas não é tão poderoso como alguns de seus colegas e outros heróis da DC/Vertigo. Na passagem do escritor escocês pelo título, Buddy acaba por controlar e ter total entendimento de seus poderes. Ele pode adquirir todas as habilidades de múltiplos animais, até mesmo de uma única vez, não importando se eles estão atualmente vivos ou extintos. Ele pode combinar, por exemplo, os reflexos de uma mosca, e as habilidades regenerativas de uma lagartixa, com a carapaça de um rinoceronte e o poder de um tiranossauro Rex. E acima de tudo, não existe mais o limite de proximidade de alguns desses seres para que ele adquira seus poderes.

Se você parar para pensar, isso faz com que o Homem Animal seja um dos mais versáteis e poderosos heróis da editora. E Buddy Baker , quem diria, se tornou também um dos exemplos máximos de como o personagem mais obscuro ou perdedor, nas mãos de um roteirista competente pode adquirir status de estrela.

Nesse arco de histórias, temos viagens no ácido literalmente e no tempo, além de painéis que ganham vida além do universo conhecido pelo meta humano mais poderoso ou imortal como o Vingador Fantasma. Mas o mais importante dessa história e o que faz com que ela seja uma leitura obrigatória para os amantes da nona arte, é que com ela aprendemos que qualquer história que foi feita, refeita e depois “rebootada” vez após outra, sempre vai existir ali na sua estante. Você pode apagar universos inteiros, mas nunca as histórias favoritas de um leitor, porque elas continuarão existindo nos seus corações, mentes e nas páginas das suas revistas e hora ou outra, podem até mesmo renascerem exatamente como eram. E esse é o maior exemplo de por que a nona arte é uma arte sequencial.

É possível alguém ser o perdedor mais sortudo do mundo, como Buddy Baker? Quem imaginaria ver as capas de sua série desenhadas por Brian Bolland e ter um DEUS EX MACHINA sendo o próprio escritor do seu título, que entra nas páginas do quadrinho para resolver todos os seus conflitos?

Ótima matéria sobre a passagem de Walter Simonson pelo Título do Deus do Trovão no site: Iluminerds

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75 comentários sobre “HOMEM ANIMAL – Deus Ex Machina de Grant Morrison

  1. Dc 2000 foi uma das responsavéis pela minha paixão por personagens alternativos e homem- animal do Morrison é muito loucoooooo…… como quase tudo que ele escreve. tenho as 26 edições em scans vou ter que ler mais uma vez depois dessa belissima matéria vlwwwwww veneravel victor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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  2. O Mr. Animal é um dos heróis mais queridos da DC, junto ao Starman e o Vingador Fantasma. Merecem ter uma equipe de ponta (como é o caso) pra cuidar da mitologia deles. 😀

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  3. teno a coleção completa da dc 2000 em formatinho, consegui ir comprando em sebos, muito foda essas histórias, tinhas muitas coisas boas nessa revista além de homem animal como legião, starman etc…. muito bom o texto, valeu galera do santuário!!!!!!!!

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  4. O Morrison é estranho. Quando escrevia personagens obscuros fazia trabalhos memoráveis. Foi pra Liga e fez um trabalho competente.
    E no Batman, um dos medalhões, faz aquilo que chamam de Corporação Batman.
    É nisso que dá não ter muita interferência editorial.

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  5. Animal Man do Morrison foi muito bom. Não é novo um bom argumentista recuperar, ou puxar, um herói de baixo para cima, mas Morrison foi buscar um herói mesmo lá de baixo e fazer dele um verdadeiro super-herói de topo!
    Claro que estas histórias vão resistir a qualquer reboot que se faça. O que é bom, é sempre bom!
    De qualquer modo também acho que o Animal Man dos Novos 52 está em cima, é um dos títulos da DC de mais qualidade neste momento!
    😉

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  6. otimo texto novamente porem, so me fez ficar triste, pois esta edição ai eu tinha ganhado e me roubaram phoda. Nâo sei pq eu sempre gotei do homem animal kkkk Mas agora nos novos 52 ele esta muito, mas muito, melhor. Espero que a DC não estrague ele novamente.

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  7. Eu tenho essas edições em formatinho. Fiz questão de conseguir depois de ler emprestado de um amigo. Imagino o prazer do Victor quando na época descobriu que era um macaco digitando as histórias do universo, no limbo! auhauahauahauaha 🙂

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  8. A prova que não existem personagens ruins, e sim bons ou pessimos roteiristas. O H.animal era tido por um personagem de 2, 3 escalão, nas mãos certas, com um roteirista certo, ele deixou a sombra que vivia e hj alem de presente no mercado editorial, vive em nossas lembranças.
    Quem sabe se a garota tubarão, entre outros mil mutantes caissem nas mãos certas, eles sairiam de figuração de quadro, ou vitimas da proxima saga para serem únicos e diferentes em um universo de iguais.

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  9. Eis a questão, o roteirista sempre faz a diferença, as vezes o cara até gosta do personagem, mas nada do que faz fica bom, mas quando cai na mão certa, e o roteirista tem uma visão promissora para o personagem as coisas mudam exponencialmete de figura.

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  10. Grant Morrison tornou o Homem-Animal um dos heróis favoritos de muita gente. Eu incluso. Obrigado por me lembrar disso Venerável Victor!

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  11. Só lembrando que o “Fantasma Gay” não seria o Fantasma Homossexual, e sim o Fantasma Alegre. O personagem foi criado antes da palavra gay (alegre) se tornar sinônimo de homossexual e não é homossexual.
    E provavelmente pela mudança de conotação de seu nome que ele diz não querer voltar aos quadrinhos nessa história.

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  12. É sempre incrível ver, como uma boa equipe pode transformar um personagem de baixo nível. Um grande exemplo disso é o Aquaman, que voltou com tudo neste Reboot, e se tornou um dos melhores e mais vendidos titulos da editora. Então apartir disso, eu concluo que n existe personagem ruim, e sim roteirista que n sabe aproveita-lo.
    Otima matéria Victor.
    Vida Longa ao Santuario \o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/o\o/

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  13. Esta resenha conseguiu despertar a minha curiosidade para ler a mencionada história MUITO MAIS do outras até agora. MESMO. A interação da fantasia com a realidade sempre me cativou; ainda para mais da forma como está aqui referenciada. Acho que iria adorar poder ler essa história. Abraços, Venerável Victor!!

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  14. Olha sou suspeito para falar sobre a DC, mas o NUDC está impecavel até agora, e o Grant é um pouta artista, em tudo que ele passou, vejamos como exemplo o Saint of Killers, e tudo da vertigo que ele sempre trabalhou, me faz pensar realmente de onde tira tanta inspiração, será que ele realmente faz parte desse mundo???? Quanto ao Homem-Animal, sabemos que ele sempre foi um personagem deploravel, mas nessa nova fase e na anterior pré-reboot, mostrou do que é capaz a sagacidade de uma pessoa e de o quanto um personagem não pode ser tão ruim quanto pensamos, e sim quem comanda ele, Grant provou isso, tanto que nesta fase que está passando nos 52 vai mostrar que realmente é um dos mais importantes, agora aguardo a “podridão” anciosamente, pela luta do podre, vermelho e sem esquecer o verde que tem um dedo dele também, ótima matéria Gorilamossieurfantasmacaesarvenerável…

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  15. Essa interação do Santuário c/ outros sites só aumenta minha admiração pela equipe que “administra” esse cabaré! Parabéns mesmo! E não posso deixar de elogiar mais esse banner genial do Santuário! Parabéns mesmo!

    Vida longa ao Santuário!
    \o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/\o/

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    1. Weberzinho, graças ao macaco de platina, Pablo ramos, ele materializa todas as ideias visuais, quando não propõe ele próprio algo novo para a identidade do site, os banners de chamada de matéria, por exemplo. Saudade, cawboy!

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  16. a unica coisa que foi foda do grant morrison foi o homem animal,para mim invisíveis é legal,superman all star é bom e o resto que ele fez foi mais ou menos ou ruim,especialmente a fase atual dele dês de crise final para cá em edições continuadas da dc comics,pessoal compara ele com o Neil e o Alan,para mim ele nem chega perto desses dois caras,nem ele e nem o frank miller

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  17. Chorei com sua dissertação poética no final do texto. kkkkk
    Muito bom o texto, e com certeza, essa fase foi uma das melhores hq’s com heróis já feitas.
    Adoro a história onde Buddy toma uma droga, e olha pro leitor. “Estou te vendo!” Genial aquilo.
    E sobre reboots, é interessante que no final, o Pirata Psíquico é mostrado como o único personagem que lembra das múltiplas Terras, e pelo fato de ele lembrar, pode acabar fazendo com que os universos que “nunca existiram” possam voltar a existir. Isso deixa uma lição pra nós leitores: nunca esqueçamos do universo DC antes do Reboot, pra que um dia ele possa voltar. kkkkkk.
    (Brincadeira, gente que gostou do reboot. Eu já não ia ler mesmo com ou sem reboot.kkkk)
    Agora, uma lição que o Grant deixou, e pouca gente aprendeu: boas histórias não significam modificar o personagem, matar e substituir por outra pessoa, mudar origens, mudar uniformes, revelações bombásticas, ou mega-sagas. Boas histórias são apenas histórias simples, bem escritas, e que mostrem algo diferente sobre o personagem.
    Eu fico impressionado quando paro pra pensar que o cara fez algo tão completo em apenas 26 edições.

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  18. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda: Wolverine e os X-men

    Terça:
    Capuz Vermelho e Os Fora da Lei

    Quarta:
    Arrow #3

    Quinta: Homem-Animal: Deus EX Machina

    Sexta: Monstro do Pântano

    Sábado: Novos Deuses de Jacxk Kirby
    SANTUÁRIO

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