Monstro do Pântano # 10 – Alguém precisa trancar melhor o portão do inferno…

Resenha de Monstro do Pântano #10, de Scott Snyder (roteiros) e Francesco Francavilla (arte e cores).

Por Rodrigo Garrit

“Swamp Thing” criado por Len Wein e Bernie Wrightson.

Contém spoilers revelações sobre a história

Depois de uma batalha épica, o Rei Guerreiro do Verde – vulgo Alec Holland – vulgo Monstro do Pântano –  baniu (ao menos temporariamente) o ser conhecido como Sethe, supostamente o soberano absoluto do Podre, e derrotou sua avatar… ganhando como prêmio a conversão dela para sua forma humana, sua amada Abgail Arcane.

Esgotado após essa última batalha, Alec é levado por Abby até sua antiga casa no pântano da Lousiana, onde ele pode se entregar ao Verde e recuperar as forças. Mas ele a previne que durante esse período de recuperação, não poderá acordar mesmo que ela precise muito de sua ajuda.  Antes de dormir, ele mostra os brotos recém semeados que ele recolheu das profundezas do Verde: são a essência do Parlamento das Árvores, ainda frágeis após quase serem aniquilados pelas forças da Podridão, com uma nova chance de germinarem mais uma vez.

A história poderia terminar nesse ponto. Mas algo ainda pior ressurgiu, diretamente das profundezas do inferno. Um velho inimigo do Monstro do Pântano que atualmente é composto por nada mais que ódio e vontade de vingança: Anton Arcane!

Acompanhado de seus “Un-men” – crias infernais obedientes a ele –  Arcane invade a casa de Abby, deixando-a a mercê de seja lá qual for a atrocidade que ele pretende fazer com ela.

Essa história serve para estabelecer os pilares do segundo arco do Monstro do Pântano, onde Scott Snyder habilmente coloca as peças no tabuleiro e dita como serão as regras daqui por diante. Uma crise mal terminou e outra já está em andamento, sem tempo de descanso para os personagens ou para os leitores, o que nesse último caso é ótimo.

O tom sombrio vai desde o primeiro até o último quadrinho da história. Snyder usa de sua já conhecida habilidade em lidar com o terror psicológico, e conta com ninguém menos que o sádico e tenebroso Anton Arcane como fio condutor da trama. Ele é o narrador, e antes de encontrar com Abby, faz um pequeno monólogo para uma vítima desconhecida, (cuja identidade só é revelada no fim da história), enquanto vai dando certos detalhes de como a está torturando… mas nada é realmente mostrado, alternado quadros quebrados em vermelho… tudo fica à cargo da imaginação do leitor, o que certamente acaba dando uma proporção muito maior e mais apavorante do que teria uma cena explicita demais.

A arte e as cores dessa edição ficaram por conta do competente Francesco Francavilla, que substitui temporariamente o artista regular da série, Yanick Paquette, aparentemente o único que descansou, embora seja o autor da bela capa da edição. Francavilla já trabalhou anteriormente com Snyder em sua passagem pelo título do Batman quando este era Dick Grayson, e ajudou contar uma das melhores histórias recentes do morcego, revisitando o passado e moldando o futuro do filho psicopata do comissário, James Gordon Jr.

Com este número de Monstro do Pântano, Snyder nos entrega mais uma edição primorosa, digna da cultuada tradição de terror do personagem.  O final é surpreendente e perturbador. Mas ouso dizer que o pesadelo está apenas começando…

Resenha do número anterior AQUI!

A capa desta edição foi feita por Yanick Paquette com Nathan Fairbairn, baseada em arte original de Bernie Wrightson. Ao contrário de Rob Liefeld, Paquette dá o crédito de sua fonte…

Agradecimentos especiais: Darkseid Club

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38 comentários sobre “Monstro do Pântano # 10 – Alguém precisa trancar melhor o portão do inferno…

    1. Crid, isso me faz pensar se Alan Moore aceitaria voltar ao Monstro para fazer a sua versão pornô… gay… entre espécies…

      Não, melhor não….!!! Uhauhauha!!!

      Abraços meu amigo peludinho! =)

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    1. Cara, as histórias dele escritas por Alan Moore são um clássico do terror em quadrinhos… TODAS as edições foram boas, acima da média… HQs da melhor qualidade mesmo…

      Nós que te agradecemos, amigo!

      Abraços!!

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  1. Sensacional a capa e sua homenagem! Excelente resenha deste excelente gibi, Rodrigo! Eu não tive medo quando a DC soltou que o Monstro do Pântano deixaria o selo Vertigo pois como leitor regular dos gibis da DC vi bastante coisa ruim acontecer com ele durante sua estadia lá ( Vertigo) e quando bem trabalhados ( Monstro, Homem-Animal e tantos outros) tanto faz o selo em questão… disse isso para comentar que ñ fico aflito com o resuirgimento do gibi de Constantine pelos Novos 52 desde que venha tão bem embalado quanto o verdão. Abraços!

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  2. O monstro do pantano foi um dos responsaveis por me colocar frente a frente com o maravilhoso mundo das hqs, essa nova fase está se mostrando uma das melhores, com artistas esplendidos em seu trabalho, que continue assim…

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  3. Só faltou o spoiller, ops, revelaçã da torturada mas o material ficou ótimo. O respeito pela obra original prá mim foi o melhor de.tudo. E essas nuances de vermelho….o Arcane pode estar associado ao Podre? E o futuro desses filhos do Parlamento? Só Snyder prá dizer!

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    1. Nilson, já que você curte spoilers, aqui vai um pra você:
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      Arcane não só faz parte do Podre, como vendeu a alma pra ele e preparou Abgail para ser sua avatar desde que ela era bebê.

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        1. Vou te dar uma resposta mais longa, Nilson… existe a vida vegetal e a vida animal, mantidas pelos representantes do Verde e do Vermelho. Eles não são exatamente “amigos”, mas convivem em harmonia. O Podre é a deterioração de toda forma de vida, seja animal ou vegetal, logo ele combate os dois, embora, do seu ponto de vista, ele não seja o inimigo, pois o Podre não quer extinguir a vida, mas apenas que ela exista em estado de constante deterioração, pois é preciso sempre que haja mais vida para se decompor e deixá-lo mais forte.
          Se o Podre for totalmente aniquilado, o Verde e o Vermelho vão lutar entre si para garantir a soberania sobre a vida na Terra. Para que a vida siga fluindo da forma como conhecemos, é preciso que essas três forças existam, cada uma cumprindo sua função na natureza.
          Mas no caso de Anton Arcane, o pinimba dele é pessoal contra o Monstro do Pântano…

          Abraços!!

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  4. Yanick Paquette, emulando com maestria essa capa do “não pacato” corno Anton Arcane e o Monstrão do autor original é maravilhosa. Aliás, o que não é maravilhoso nessa revista? Se eu fosse o Moore, de dentro de minhas barbas, estaria orgulhoso com a cria.

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    1. A profundidade do terror nunca esteve na forma monstruosa do personagem, mas sim no teor do texto que foi atribuído a ele. Grandes nomes já passaram pelo título e agora é a vez de Scott Snyder brilhar…

      Abraços!

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  5. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda: Wolverine e os X-men

    Terça: Capuz Vermelho e Os Fora da Lei

    Quarta: Arrow #3

    Quinta: Homem-Animal: Deus EX Machina

    Sexta: Monstro do Pântano

    Sábado: Novos Deuses de Jack Kirby
    SANTUÁRIO

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