All New X-men #2 – ” Somos os filhos da revolução, somos joguetes sem religião, somos o futuro da nação”

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por Venerável Victor “tratador de macacos do futuro” Vaughan

Img-de-CapaANX2Talvez os leitores da Marvel mais antigos se lembrem de uma edição da revista do Incrível Hulk que aqui no Brasil saiu nas bancas em um especial, escrita por Peter David e desenhada por George Perez, que se chamava: Futuro Imperfeito. Essa cultuada história contava o encontro do nosso jovem Hulk – na época tendo Banner no controle – com sua versão de cem anos num futuro Apocalíptico, chamada de Maestro.

X-men – criados por Stan Lee & Jack “the King” Kirby

Brian Bendis, Stuart Immonen & Wade Von Grawbadger
Brian Bendis, Stuart Immonen & Wade Von Grawbadger

Como esses jovens heróis vão sobreviver em um mundo tão diferente e perigoso sem o seu precioso professor?

O mote dessa aventura era a tentativa da resistência desse mundo de através da tecnologia de viagem no tempo do já falecido Doutor Destino, trazer o jovem Gigante Esmeralda para esse mundo e fazê-lo encontrar sua versão madura, na tentativa de que esse nunca se torne o déspota impiedoso de que estava fadado a ser. O curioso? Se trocarmos o “Maestro” pelo atual Ciclope, o jovem e idealista Banner pelos novos X-men e ainda utilizarmos a mesma tecnologia de Victor Von Doom, temos o roteiro dessa série!

Os X-men primordiais estrelam esse novo capítulo dessa excitante aventura. O Fera vai ao passado para trazer os primeiros X-men para o presente da nossa cronologia na tentativa de evitar o que ele considera ser o Apocalipse Mutante.

Eles chegam ao presente e… E essa é a edição inteira. Mas não se desespere jovem ou sênior devoto. Brian Michael Bendis é o mestre da descompressão de novas origens. Na revista do Homem Aranha ele conseguiu esticar onze páginas que contavam sua gênese em Amazing Fantasy #15 da década de sessenta ,em sete edições maravilhosas do seu título anos dois mil, Ultimate. E ele aparentemente está empregando a mesma técnica aqui. Essa edição se foca quase exclusivamente na conversa entre Hank Mccoy e os jovens X-men do passado antes de trazê-los para o presente até um final surpreendente de edição.

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Independente do enfoque restrito desse número, Bendis impõe bastantes diálogos e tensões sobre a implicação que essa viajem no tempo irá causar, temperados com bastante humor. O desespero do discurso do Fera fica no limite entre lógica e fanatismo e o leitor termina essa revista se perguntando o quanto sadio mentalmente o bom doutor Mccoy pode estar ultimamente.

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É interessante que outros personagens nessa edição questionem isso. A raiva de Wolverine é compreensível, fora que ele nunca foi à pessoa mais razoável que existe e sua rivalidade com Ciclope, é lendária, independente de que esse Scott Summers seja o de agora ou sua versão mais jovem, mas a atitude do Fera o tempo todo desde que Ciclope assumiu essa atitude mais agressiva, variou entre o desapontamento, arrogância e desdém. Finalmente Bendis parece estar dando um direcionamento para o gênio peludo em relação a todo esse conflito, passo a passo a cada nova edição.

Essa série se trata dos X-men originais vindo para o nosso presente – futuro deles – e se desesperando com o que encontram. A edição anterior usou esses personagens como um gancho para a atual e essa semana lidamos com as implicações do pedido do Fera para a jovem equipe.

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Os diálogos inteligentes entre os personagens é a marca do roteirista desse título, mas apesar dessa segunda parte lidar bastante com isso, de forma alguma repete o conteúdo da anterior. Com bastante diálogos, Stuart Immonem fica com menos espaço para desenhar cenas de ação, mas em nenhum momento ela fica cansativa, muito pelo contrário, o melhor exemplo disso é que a revista acaba e você fica com a sensação de que ela poderia ter mais páginas. Isso não era raro de acontecer antes, devoto???

Bendis faz um excelente trabalho em mostrar todo o desespero do Fera e seu sofrimento pessoal paralelo. Ele está chegando ao fim de sua esperanças, acredita estar morrendo e toma medidas desesperadas, o que faz perfeitamente sentido no esquema maior das coisas.

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Os diálogos da edição são perfeitos, mostrando um apurado conhecimento do autor pelos personagens que trabalha agora. Todo esse novo capítulo mostra o quanto o jovem Fera também é genial, o jovem Homem de Gelo é ingênuo, o jovem Anjo é inseguro, o jovem Ciclope é centrado e reprimido e de quanto a jovem Jean Grey se surpreende com a extensão de seus poderes. E o fim dessa revista mostra que esses X-men não serão apenas um recurso temporário do enredo, mas um forte, contínuo e estável nova peça importante nesse muito maior cenário de revolução mutante.

Stuart Immonen e Wade Von Grawbadger estão acima das expectativas nessa revista. Apenas duas edições desde que a série estreou e roteirista e equipe de arte estão em perfeita sintonia. Immonem é totalmente competente em concretizar todo o universo criativo dos roteiros de Bendis. Seu estilo é perfeito tanto para materializar as emoções dos rostos dos personagens quanto para trabalhar os momentos de ação e seus traços impactantes, como por exemplo no quadro em que Wolverine ataca o jovem Ciclope e é derrotado pelos jovens X=Mem com facilidade. Afinal esses garotos não foram treinados para lidar com Magneto? Que chance Logan teria contra os cinco reunidos.

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Bendis faz um trabalho muito bom em caracterizar essa jovem equipe e diferencia-la de suas contrapartes atuais, mas isso se perde um pouco quando se trata de lidar com cada um individualmente. Alguns jovens mutantes são escritos de forma mais apurada que outros. Ciclope e Anjo têm muito pouco a dizer e ainda menos espaço para reação, mas ao mesmo tempo fica implícito de que o roteirista vai permitir interessantes encontros entre cada um e suas contrapartes futuras. O jovem Fera é o que melhor é caracterizado esse mês e seus diálogos foram tratados com uma realidade ímpar.

Capas alternativas de RIVERA para as edições #1 & #2 de All New X-men
Capas alternativas de RIVERA para as edições #1 & #2 de All New X-men

Os Homens de Gelo estão na revista para que Bendis tenha toda a liberdade de trabalhar seu humor implícito. O que é um exercício aqui de acertar e errar, muitas vezes funciona, outras chega a ser cansativo. Jean teve bastante espaço nesse número também e isso é ótimo, apesar de que não tenhamos ouvido falar dela por anos, ela ressurge como o personagem forte que lembramos. Entretanto a aceitação por sua morte no futuro e o desenvolvimento repentino de sua telepatia poderiam ter sido trabalhados de forma melhor e com mais espaço.

Só o tempo vai dizer se Bendis vai conseguir trazer cinco vozes distintas para cada um desses amados personagens, pois se agora como uma equipe eles mostram uma química única, ainda é uma vergonha que separados nem todos sejam tão interessantes. A única solução para isso? Acompanhar esse título duas vezes por mês, está valendo muito a pena ter fé nessa garotada do passado.

Por fim, uma imagem de Jean Grey “cocota” produzida por Jack Kirby para a série original na década de sessenta. Não é de se espantar que a chamassem de Garota Marvel! Você ia ali?

Jean Grey cocota

S_Final

Refugiados-Perdidos

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53 comentários sobre “All New X-men #2 – ” Somos os filhos da revolução, somos joguetes sem religião, somos o futuro da nação”

  1. Matéria irada,Venerable!Essa revista está entre as melhores da atualidade(junto com “Vingadores” e “Homem de Ferro”)!Bons tempos em que a garota Marvel era pura(eu falei puRa),e não agora que traiu o nobre Ciclope…Um abraço de Ferro!

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  2. Bendis quando motivado faz bons trabalhos e ele está motivado aqui. A edição é muito boa, tanto nos roteiros como na arte. All New X-men é um dos títulos do Marvel Now que tem valido a pena acompanhar.

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  3. Com esse preview me convenci de vez que a hq vai ser boa. Mas continuo com medo do Brian Michael “Tanque de Guerra” Bendis. Por onde ele passa, não fica muita coisa em pé…

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  4. Qualquer roteirista com a disposição e o talento para pegar aquilo de melhor que os personagens já tiveram e trazer de volta, com esse sabor de infância recheado de modernidade merece todo o meu respeito. Bendis é uma inspiração, e o que ele inspira é sempre inovar, sempre buscar novas alternativas inteligentes para chegar a resultados cada vez melhores…

    Em Bendis eu confio!

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  5. Em Bends eu confio! Me parece legal ver ( ou rever) a velha turma crescer sem todos os excessos cometidos por tantas décadas de cronologia. “Magavilha” de texto Venerável Victor!

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  6. AHHHHHH eu tô maluco com essa revista. Isso para mim é X-men !!! E o melhor? A desmoralização do “enfodecimento” do Wolverine, duas vezes derrotado por crianças!

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  7. Como voce falou, uma coisa que eu achei um tanto apressado foi como a Jean superou tao rapido saber de sua morte, alem do repentino desenvolver dos poderes telepatas… Acho que isso foi tratado com um pouco de pressa, mas isso e uma marca de qual profundo Bendis trabalha. Ao longo dessas duas ediçoes vemos que ele torna algo raso em algo super mega elaborado. Eu estou gostando muito de ter o foco voltado para o Fera, gostando muito. E sobre o desenvolvimento de Scott do passado, acho que Bendis esta guardando isso para o momento do choque entre ele e o Ciclope do futuro…. Espero!!!

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  8. cara sei que é uma puta piração, mas eu to me amarrando… adoro os mutantes, não tem como não se amarrar nessa viagem!!! agora sim dá vontade de acompanhar os x-men!!!

    vlw, galera do santuário!!!!!!

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      1. Caio, obrigado por lembrar, mas eu não esqueci, eu PROPOSITADAMENTE ignorei aquele corno elástico (nego fala do Ciclope, mas a Susan várias vezes balançou para o Namor), desculpe, eu amo o Destino e detesto aquele camarada… 🙂 fui muito passional e não agi como um verdadeiro resenhador….

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    1. O interessante é que o Immonen tem vários estilos, quase todos ótimos. Ele chegou até a emular características do Bryan Hitch no Quarteto Fantástico e acho que se saiu melhor que o próprio Hitch.
      Só acho que ele fez um trabalho meia-boca no Thor do Dan Jurgens.

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  9. Estou apaixonada por essa revista. E se o roteirista mantiver o padrão dele desde a franquia dos Vingadores, a proposta é ficar por bons longos anos, não seria? E como vai ser para esses X-men? Ficam no futuro um tempão e quando voltarem para sua época não se passou um minuto? (mas eles vão envelhecer aqui…) ou as histórias depois desse arco vão se passar no passado??? Seria interessante… 🙂

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  10. Bendis caracterizou muito bem os personagens vindos do passado e Immonem incluiu o semblante da.dúvida em todos. Além de trazer um Fera totalmente carimbado pelos acontecimentos da última década, beirando a loucura para voltar no tempo e tentar desfazer parte do que ali se encontra. Eeu já vi isso tantas vezes com os filhos do átomo que o quê muita gente aplaude, prá mim é datado. Pode ser birra de nerdvéio, mas não convenceu. Quanto tempo vai durar essa trip e será que vai mesmo abalar os pilares da raça mutante? Só o tempo diz.

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    1. Nilson, no caso de All New X-men eu te digo que acho que entendo o plano do Fera. Que seria unicamente de trazer de volta o Scott “nosso” para a razão e logo em seguida enviar os jovens X-men sem (talvez) recordação de tudo (se fosse a intenção mudar o futuro, ele teria feito melhor: impedido a Feiticeira Escarlate de fazer a merda que causou esses problemas todos no Scott)… Claro que se isso não acontecer…Reboot!!! auahauhauahauaha lógico, eles voltam e impedem toda linha cronológica de continuar como foi.

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    1. A Marvel está a ficar muito complicada… depois de lixarem quase todos os títulos ongoing indo parar a becos sem saída, agora vão buscar ao passado os seus personagens de volta para remendar argumentos mal feitos.
      Essa é a minha ideia, isto aparte da história até poder ser boa, ou bem construida.
      Marvel sucks.

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  11. EDITORIAL SANTUÁRIO:

    Segunda –
    All New X-men #2

    Terça –
    Mulher Maravilha

    Quarta – Arrow episódio #4

    Quinta – Surfista Prateado

    Sexta –
    Homem Animal de Jeff Lemire

    Sábado – O Quarto Mundo de Jack Kirby
    Santuário

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